Donkey Kong vs Mario - A Rivalidade Eterna Não Divulgada.

Originalmente este texto fazia parte do artigo de Super Mario Odyssey. Só que conforme escrevia notei que fui esticando muito o tema pra algo além do jogo do Mario, por isso optei por separar os assuntos. 

Ainda acredito que em Odyssey essa rivalidade é mencionada mas, é só a ponta do iceberg de algo muito mais antigo, e maior. Pensei até em aproveitar pra falar disso em algum artigo futuro sobre "Mario vs Donkey Kong" mas, estou ansioso de mais, e preciso falar agora!

Falarei tudo o que penso, e adianto que, é minha opinião. Fiz pesquisas e busquei fontes confiáveis porém, também apliquei minhas ideias e pensamentos no texto. Lembrando que eu analisei vários dos jogos citados neste artigo, e fui fundo em cada um deles, sendo muito desse material parte da pesquisa.

Leia e espero que goste.

Boa leitura!

Ponderando sobre a Rivalidade

A história de Donkey Kong vs Mario (não confunda com Mario vs Donkey Kong) começou como uma briga nos consoles que foi crescendo disfarçadamente, e hoje é uma guerra fria na própria Nintendo. E por mais que pareça que eu esteja forçando a barra, a briga é bem séria e antiga.

"Donkey Kong" surgiu nos anos 80 como uma máscara para lançar um jogo que já estava em produção mas que, teria de ser interrompido por perda de direitos autorais.

A Nintendo contratou outra empresa chamada Ikegami Tsushinki pra criar um jogo de Arcade pro Popeye, aquele comedor de espinafre, que lutaria contra Brutus pra salvar a Olivia Palito, pra tentar concertar uma pequena besteira. Na época, provavelmente a escolha do personagem foi para ir na onda de um filme de 1980 estrelado por Robin Willians.

Sobre a besteira, bem, Shigeru Miyamoto fez um jogo chamado Radar Scope que fez sucesso no oriente, mas quando trazido pro ocidente se mostrou um desperdício de máquinas pois não vendeu, então a empresa teria a difícil tarefa de compensar um investimento falho em hardwares que a Nintendo Americana havia feito, e ganhou a tarefa de programar nessas máquinas o tal jogo do Popeye.

Porém no meio da produção, a Nintendo (que já distribuía alguns Game&Watch de Popeye) perdeu os direitos de fazer produtos com o personagem, e ai teve que dar um jeito. Shigeru Miyamoto (designer genial que criou dezenas de franquias famosas na Nintendo) deu a grande ideia de pegar o jogo da Ikegami Tsushinki e remodela-lo, pra não desperdiçar o investimento, e trocou os personagens por desenhos originais dele: Popeye virou Jumpman, Olivia virou Pauline/Lady, e Brutus virou o dono do título, Donkey Kong.

O resto continuou como o planejado, mas agora sem violar nenhum direito, pelo menos até a Universal Studios perceber que o Gorilão em cima de um prédio com uma donzela em perigo nos braços não era lá algo tão original assim, se assemelhando muito com outro personagem que eles faziam filmes: King Kong.

Claro que isso não foi um mero acidente. Basta reparar que na versão beta, quem daria nome ao jogo seria o protagonista, Popeye, mas após a intervenção de Miyamoto, sua genialidade levou a empresa a apostar em outro filme famoso, o King Kong, mudando o nome pra Donkey ao invés de King, mas mantendo aquela referência básica que cairia muito bem pro merchandise.

Só que isso não passou em branco, posteriormente rolou muito processo em cima disso. Escaparam do Popeye, mas caíram em problemas ainda mais chatos: Ikegami e Universal.

Ikegami processou a Nintendo pois a mesma rompeu o contrato de exclusividade de produção do jogo. Donkey Kong fez sucesso, e a Nintendo preferiu criar Arcades por conta própria ao invés de deixar com a criadora original do jogo, fazendo suas próprias modificações com o código copiado da Ikegami. Isso violou o contrato e, a Ikegami Tsushinki chegou a "ganhar a causa", provando judicialmente que Donkey Kong era produção sua (isso em 1990), mas eles fizeram um acordo fora do tribunal com a Nintendo posteriormente.

Detalhe que nessa época a própria Nintendo chegou a criar Donkey Kong Jr, mais uma das ideias de Miyamoto, que botou Jumpman (agora chamado de Mario) como vilão, e inseriu o filho do gorila (o DK de Camiseta Branca) pra resgatar seu pai capturado. Esse jogo usou a mesma mecânica do primeiro título, numa engenharia reversa da Nintendo em cima dos arcades originais, e isso também violou o acordo, por uso indevido das tecnologias, mas tudo foi acertado por trás dos panos.

Por outro lado, a Universal chegou a entrar na justiça contra a Nintendo, alegando que Donkey Kong era um jogo não licenciado de King Kong. Mas perderam, perderam principalmente pelo "King Kong" em si ser de domínio público, mas também pelo jogo do gorila em nada se parecer com as histórias publicadas por eles no cinema. Inclusive, o filme mais recente na época era da Paramound Studios.

Batalhas ganhas, a Nintendo logo se viu num empasse: Permanecer investindo no primata judicialmente problemático, ou mirar naquele que ninguém falou nada?

Eis que surgiu "Mario Bros" em 1983, jogo agora protagonizado pelos irmãos Mario e sua profissão de encanadores. 

Donkey Kong foi direto pra geladeira e fim de brigas. O máximo que teve de referência à ele foi seu filho, o Donkey Kong Jr, surgindo como um dos competidores da corrida maluca em Super Mario Kart, jogo lançado em 1992 pra Super Nintendo. 

Sabe o irônico? No ano seguinte (1982) a Nintendo ainda lançou o jogo do Popeye, feito por Miyamoto e Genyo Takeda. Tinha praticamente a mesma mecânica e visual, mas era um jogo bem diferente de DK.

Nele, Popeye não tinha que ir até o topo, mas sim coletar notas musicais que Olivia jogava la de cima. 

Brutos ficava no caminho pra atrapalhar, andando de um lado pro outro no cenário das escadarias.

Também haviam outros objetos caindo (jogados por ele ou uma bruxa) e, os cenários mudavam pra coisas temáticas do universo Popeye.

Além disso, Popeye não pulava, mas sim, Socava. Até seu upgrade era mais relacionado ao desenho dele, onde ao comer espinafre, ganhava força física pra confrontar Brutus se este tentasse importuna-lo.

Era um jogo bem diferente mesmo, ou seja, resgataram a ideia original quando recuperaram a Licença do nome e pronto, tudo resolvido.

O Retorno de DK

Agora, sobre o gorila que nasceu e foi pra geladeira por causar problemas de mais, ainda não haviam planos... pelo menos até a Rareware e os irmãos Stamper surgirem para resgatar o título.

Eles pediram pra fazer um jogo novo do gorila, e a Nintendo deixou, afinal não tinha nada a perder, e a Rare tinha uma boa relação com eles, já tendo produzido títulos de sucesso como Battletoads e Killer Instinct. Era uma aposta sem riscos, que deu muito certo.

Donkey Kong Country foi lançado em 1994 para Super Nintendo, apenas 4 anos depois de seu jogo irmão, o poderoso Super Mario World, mais um de muitos títulos já lançados e bem sucedidos daquele que se tornara Mascote da Nintendo, o bigodudo de boné vermelho e macacão azul, chamado Mario (como mencionei no artigo de Odyssey, "World" e "Country" foram escolhas propositais para se rivalizarem em título).

Só que o esquecido gorila veio com tudo, e se tornou apenas o terceiro jogo mais vendido do console, com mais de 8 milhões de cópias. Na frente dele estavam Super Mario World (lançado em 1990 junto do console) com incríveis 20 milhões de cópias vendidas, e em segundo lugar o Super Mario All Stars, com mais de 10 milhões de cópias vendidas!

Por incrível que pareça, boatos dizem (fofoca de alguns funcionários da Rareware) que isso teria desagradado Miyamoto, criador dos dois personagens... e faz sentido. Pare e pense: Super Mario World era o queridinho, mas ele além de vendido separadamente, também era vendido junto do console em pacotes especiais, também contabilizados (o que ajudou na marca de 20 mi). Eu mesmo joguei muito pois veio com o vídeo game. 

Já Super Mario All Stars eram 4 jogos juntos: Super Mario Bros, Super Mario Bros 2, Super Mario Bros 3 e Super Mario - The Lost Levels. Versões melhoradas dos títulos lançados pra Nintendinho. Eles vendiam naturalmente, era sucesso instantâneo e garantido, fosse pela qualidade, fosse pela quantidade, 4 em 1?!

Vale citar que Super Mario Bros 2 nem era um jogo do Mario originalmente. Miyamoto o criou no Japão como "Doki Doki Panic" e, ao portar para o exterior, fez o que sabe fazer de melhor, mudou as skins e transformou em "Super Mario Bros 2", sucessor de "Super Mario Bros", um enorme sucesso no nintendinho. O real segundo jogo da série era o The Lost Levels, que nada mais era que uma versão mais difícil do primeiro jogo. Só que no ocidente acharam melhor fazer a substituição,  ele nem foi lançado (somente nesse All Stars) e o Doki Doki virou um Mario. 

Ele sempre soube aproveitar seus personagens e suas ideias iam longe... Mas ele falhou onde nem tinha percebido...

A questão é que era natural esses jogos venderem, pois além de divertidos, eram o carro chefe da empresa. Até que veio de supetão ele, um jogo feito pela subsidiária da Nintendo, de quem ela tinha apenas 25% das ações. Com um visual surreal apelando pra pré-renderização, e músicas belíssimas, nasceu o jogo mais incrível do console na época. Talvez com uma jogabilidade ainda não muito polida mas, era o bastante pra todo mundo querer jogar.

Donkey Kong voltou com força, muito peso, e uma narrativa própria e original, um enredo maluco porém inédito que satirizava a colonização europeia, mas sem dar foco a detalhes, apenas mostrando os primatas caçando suas bananas no combate contra os répteis invasores.

Premiado, o jogo causou certa inveja. Miyamoto chegou a criar um "Super Mario World 2 - Yoshi's Island" (nome composto, atente-se a isso) em 1995, que tentou superar o visual inovador que a Rareware estava abusando em seus jogos, mas com um toque mais original, colorindo tudo de forma mais infantil. Era um jogo pintado e, isso foi lindo, vendendo muito bem, totalizando pouco mais de 4 milhões de cópias. Porém...

O cenário piorou (ou melhorou dependendo da perspectiva), pois em 1995 a Rareware trouxe mais uma bomba: Donkey Kong Country 2 - Diddy's Kong Quest (baita nome composto, quase como uma resposta ao desafio), que chegou a 5 milhões de vendas, mas corrigiu todas as falhas do anterior e virou um dos jogos mais lindos da história. Isso sem contar que no ano seguinte, surgiu Donkey Kong Country 3 - Dixie's Kong Double Trouble, vendendo mais 3 milhões de cópias, além de aprimorar mais ainda as mecânicas da Rareware e marcar o mercado, com essa icônica série, mas já era o fim da vida do Snes.

E repare, dentro do jogo o título "DKC" nem aparece

Por mais que ninguém viesse a público, por mais que a Nintendo promovesse tanto Mario quanto Donkey Kong Country (afinal, vendas né!), a rixa tava ali. Eram dois personagens irmãos gêmeos, mas um super favorecido no mercado, e outro contrariado e botado na geladeira, ressurgindo e alcançando o irmão como se nada tivesse acontecido, mas pelas mãos de outro(s) criador(es), os Stampers.

Em 1996 surgiu o console em 32 bits. Era um novo palco pra um novo round da disputa. Nintendo saiu na frente é claro, com o Super Mario 64 como seu jogo de estreia que inovou o mercado dos jogos, trazendo Mario pro cenário em 3D, e criando uma mecânica que é referência até os dias de hoje, era mais um acerto de Miyamoto.

Só em 1999 surgiu um jogo do rival dele, o verdadeiro rival, chamado Donkey Kong 64, feito pela Rare e sem participação de Miyamoto. E sim, mantiveram as sutis imitações de nomes, retirando "Country" do título (mesmo este sendo canônico e sequencial à série Country). Apesar do sucesso dos Country, DK64 apostou numa mecânica tridimensional como a de Mario e os demais títulos lançados na nova plataforma. E, não ficou ruim, na verdade o jogo agradou muito e vendeu bastante.

Rareware aproveitou a mecânica de outro sucesso que criaram pro 64 (Banjo-Kazooie) e apenas a aprimorou pro título do gorila, quase fazendo os dois títulos parecerem a mesma coisa, mas com o universo de Donkey Kong se expandindo ainda mais.

Ele era muito mais complexo que o jogo do Mario, e ao invés de ter somente 1 personagem jogável, ele vinha com 5! Todos alternáveis durante a campanha.

Só que já nessa época as indiretas sutis porém ácidas da Rareware começaram a incomodar muito, e não apenas seus concorrentes criativos, mas a própria pagadora dos boletos deles, a Nintendo. E isso principalmente com "Conker's Bad Fur Day". Ele causou uma incógnita surreal, pois o jogo era surpreendentemente incrível, apesar de bastante polêmico, e a própria Nintendo parecia não gostar dele (mal o promoveram!), o que acabou com seu impacto no mercado.

A Rareware deixava pistas de um relacionamento conturbado, tipo a piada inicial de Conker's, que é uma baita crítica, mostrando ele cortando o logo do Nintendo 64 e o chamando de "estúpido", ainda na abertura do jogo, pra substituir pelo logo da Rareware, enquanto o polia.

A piada é boa, quem jogou deve ter curtido a ideia, mas imagina o que a Nintendo sentiu ao ver isso, mó trairagem, era como se cuspissem no próprio prato! Sem contar que o próprio Conker's foi o jogo menos Family Friendly já lançado num console da Nintendo. O negócio tinha palavrões, referências a dezenas de obras cinematográficas destinadas a adultos e muita, mas muita apologia a drogas, sexo e violência, tudo isso com personagens fofinhos. O jogo foi um tapa na cara da própria Nintendo... dentro da Nintendo!

A briga dos Irmãos Stamper já não era apenas por crédito na Nintendo. Não era mais uma rixa de criadores, nem era algo contra Miyamoto (apesar dele ter começado tudo), agora o problema era com a chefia.

E o pessoal ainda estranhou o fato da empresa não comprar o resto dos direitos da Rareware quando eles estavam mal. A empresa tinha custos altos em seus jogos, em prol da qualidade, e isso quase os fez falir (ainda mais com a baixa divulgação de seus títulos pela publisher). Tim e Chris Stamper (fundadores e donos da Rare, antiga Ashby Computers & Graphics) até tentaram se salvar vendendo pra parceira, mas ela recusou, recusou a mesma empresa que a anos lhes ajudou a criar jogos icônicos.

Ninguém entendia mas tava tudo ali, sempre esteve, as dicas da rivalidade eterna estavam escancaradas.

As Patadas da Rare

Em Donkey Kong 64, é possível encontrar um Arcade com o jogo Donkey Kong original, jogável 100% com todas suas fases (é até um objetivo do jogo termina-lo), e ao invés de trazer um console moderno da Nintendo, apresentaram o primeiro modelo, o arcade da Ikegami Tsushinki. Seria uma indireta?

Acha que isso é piração? Acha que a inclusão do clássico DK foi uma mera homenagem pros macacos? Bem, outro jogo de arcade pode ser jogado (nesse caso oferecido por Cranky Kong), é o primeiro jogo que os irmãos Stamper fizeram, "Jetpac", que nada tem relacionado aos macacos. Foi só pra mostrar que era um game deles, apenas deles. Então fica ao seu critério decidir se era ou não uma indireta.

E tem mais: No fim de Donkey Kong Country 2, somos levados a um pódio onde é mostrado Mario em primeiro lugar, Yoshi em segundo, e Link (de The Legend of Zelda) em terceiro (três criações originais de quem? Shigery Miyamoto), além das botas de Sonic e a pistola de Earthworm Jim jogadas ao lado do lixo com a plaquinha "Sem esperanças!"

Todo mundo sempre comenta sobre a indireta pra Sega e Doug TenNapel, onde Sonic era o grande rival de Mario no mercado, e o Doug chegou a esnobar Donkey Kong Country o chamando de "lixo", como se sua obra, Eartworm Jim, fosse muito melhor.

Mas ninguém repara na presença das estrelas da Nintendo ali no ranking. Aquilo também é uma crítica.

Na época, a Nintendo tinha como seus melhores jogos Super Mario World (Mario), Super Mario World 2 - Yoshi Island (Yoshi) e The Legend of Zelda - A link to the Past (Link). 

Caso o jogador fosse bom e terminasse o game com todos os colecionáveis, o pódio mudava, deixando Diddy Kong em primeiro lugar, pulando todo mundo. Isso na verdade simbolizava justamente Donkey Kong Country 2, desbancando Mario pro segundo lugar, e Yoshi pro terceiro.

Mas mais que isso, Diddy Kong era um personagem original da Rare pra desbancar o próprio Donkey Kong, e almejava o posto de Mascote Nintendo (tanto que ele carrega um boné vermelho, assim como o atual mascote bigodudo, mas diferente dele ele tem o Logo da Nintendo).

O jogo mesmo no qual ele protagoniza deixa DK de escanteio, mesmo o DK Engravatado sendo também um personagem original da Rare, mas que por recordar o original ainda trazia vínculos com Miyamoto em conceito.

Então, o que acha que isso poderia significar?

Pra todo mundo a cena só é meio que uma referência engraçada aos video games, mas eu mesmo me lembro de ter estranhado ver Mario e Yoshi ali. Eu nem sabia, na minha infância, que Donkey Kong e Mario tinham alguma relação (eu conheci tudo pelo DKC, e nele não há referência à Mario em parte alguma, somente nesse final). Também nem entendi o Link ali, ou as botas, só achei tudo bem estranho, e distante do que DKC contava.

Mas era mais um dos exemplos da briga interna e alfinetadas que ocorriam.

No ano seguinte ao lançamento de Conker, mesmo com seu sucesso em vendas (sem nem ter divulgação), eis que a Rareware abre um pedido de venda pra pagar as contas, a Nintendo recusa comprar, e a Microsoft aproveita (brigou até coma Activision pela compra e venceu).

A Rare ainda fez um último jogo pra Nintendo, lançado no Game Cube (Star Fox Adventures - 2002) que não foi lá grande coisa, e pronto, era o fim de Donkey Kong e sua eterna briga... pelo menos era o que se pensava.

O Fim Público da Rivalidade

A Microsoft muito provavelmente tinha planos pra Donkey Kong, pena que a IP pertencia a Nintendo, juntamente com todos seus personagens, incluindo os inimigos dos primatas, os Kremlins. Tal confusão nem é um grande pecado pois, eu mesmo achava que os Kremlins eram da Rareware.

Os personagens foram criados pra Battletoads originalmente, mas foram incluídos em Donkey Kong Country como os rivais e ali criaram fama. Enquanto jogos como Battletoads, Killer Instinct, Banjo-Kazooi e Conker eram da Rare, e puderam estrear títulos pela Microsoft, os répteis e macacos nunca saíram da Nintendo.

Como eles faziam parte da IP Donkey Kong, mesmo sendo uma assinatura Rare, eles permaneceram com a Big N. Mas eles sabiam bem disso, por isso quiseram separar as duas coisas.

A Nintendo colocou os répteis em segundo plano, em jogos secundários fazendo aparições mas nunca com destaque. Já o gorilão, este foi abandonado em sua forma mais famosa.

Ao invés de investirem no que a Rare transformou em sucesso, optaram por retocar o antigo ou trouxeram títulos com novos estúdios, e novas propostas.

Fizeram jogos do gorila sim, mas nenhum brilhou como os Country da era Snes (ou suas versões portadas pra GBA). Eram jogos rítmicos como os Donkey Konga (feitos pela Namco), de corrida como Donkey Kong Jungle Beat (feito pela Nintendo EAD) ou vários jogos portáteis de puzzle como Donkey Kong - King Swim, ou até mesmo os Mario vs Donkey Kong.

Esses últimos traziam a velha mecânica da luta entre Jumpman e o Gorila, mas com cenários novos, objetivos maiores e o atual DK e Mario se rivalizando. E claro que eles fariam isso né? Poriam Mario pra dar uma surra no DK de gravata, só que dessa vez o gorilão tá atrás de brinquedos colecionáveis do próprio Mario (afinal, ele sempre é o centro das atenções!).

Detalhe que em um "remake" do jogo de 1981, feito para GameBoy em 1994 (pela Pax Softnica e produzido por Miyamoto, sem envolvimento da Rareware), houve a mudança do Donkey Kong original para o Engravatado (em alusão ao DK do Country). E nessa versão, foram adicionadas 97 fases a mais (onde antes eram apenas 4), aumentando muito o jogo. Engraçado que ainda naquela época, antes mesmo da venda da Rare, já havia interesse em "reaproveitar" o personagem e reafirmar seu domínio.

Uma falha tentativa de dizer que eram os mesmos personagens quando, a própria Rare fez questão de alegar o oposto. Nos manuais lançados com Donkey Kong Country, Cranky tem sua natureza como Donkey Kong Original mencionada. E... ele não usa gravata.

Pagina do Manual US, e do Manual BR.

Depois de muito tempo, a Nintendo permitiu que um novo estúdio tentasse repetir o estrondoso sucesso de DKC, mas com um novo estúdio, a Retro Studios, quem criou "Donkey Kong Country Returns" em 2010, para Wii (depois pra 3DS em 2013).

Mas pra separar as ideias e afastar a imagem da Rare dos jogos Country originais, a Nintendo encomendou o jogo com novos inimigos (as máscaras musicais Tikis), e sumiram com os Kremlins (daí eu achava que eles nem eram da Nintendo, falha minha, pois ainda eram, eles só não queriam usar). O jogo ficou legal, mas faltava algo, fazendo parecer meio incompleto. Faltava o toque rebelde da Rare.

Não desistiram, criaram "Donkey Kong Country - Tropical Freeze" em 2014 para Wii-U, também com novos inimigos (agora os seguidores vikings do grande Morsa) que ao meu ver se tornou um pouco melhor, mas ainda assim, não era tudo aquilo. Donkey Kong havia perdido seu brilho.

E olha que ainda tentaram muito emplacar. Chegaram a fazer Crank Kong ser mais ativo e útil como personagem jogável, contradizendo as alegações indiretas que a antiga empresa irmã havia feito.

É que Crank Kong era o Donkey Kong original, porém ranzinza, velho e raquítico. Uma patada da Rare com o personagem criado por Miyamoto. No entanto, ao fazerem ele se tornar forte e habilidoso, com sua bengalinha saltitante, a Nintendo quis dizer que a Rare errou.

E é ai que chega Super Mario Odyssey como estreante do console novo em 2017, no Switch, e uma nova forma de cutucar a ferida, com a Nintendo dizendo que seu título original ainda era totalmente seu, e botando os nomes de seus personagens nas ruas de sua cidade, New Donk City, só pra falar que era tudo deles, sob uma falsa "homenagem".

Não é atoa que os habitantes de New Donk City parecem todos executivos, pois é justamente pra eles que a mensagem se direciona.

Apenas renovando essa velha briga, que se tornou eterna e interminável, uma vez que os Irmãos fundadores da Rare deixaram a empresa, e a mesma não vem criando bons títulos pela nova dona.

Da mesma forma, o gorila e sua trupe sumiram do mercado, com poucos títulos (ou nenhum até então) saindo. O máximo que há são participações especiais, em Smash Bros, como o Kremlim Rei - King K. Rool (mal interpretado pela própria Nintendo que o botou também como o Cientista e o Pirata), e Donkey, Diddy, e os demais surgindo como personagens jogáveis.

Chegou a ter a inclusão de Banjo-Kazooie em Smash Bros fingindo uma ressurreição da pareceria Nintendo-Rare, mas isso não ocorreu de fato, pois os fundadores da empresa (quem provavelmente instigaram toda a rivalidade mas também trouxeram a criatividade) não fazem mais parte dela, assim como toda a equipe original.

Também há Mario Kart, Mario Party, Mario Tennis, Mario isso, Mario aquilo, apenas títulos do Mario, acima do Donkey.

Hoje, totalmente sob os pés do bigodudo, não há ninguém para confronta-lo. Sonic se rendeu, Bowser se rendeu, e Donkey Kong... foi rendido por canetadas.

Triste não?!

Ainda assim estou esperançoso!

Com Mario Odyssey assegurando seu domínio, pode ser que o próximo Donkey Kong Country traga de volta a briga entre primatas e répteis e quem sabe, um gostinho de nostalgia com mais liberdade.

Aliás, a própria Nintendo homenageou a Rare sem nem perceber, ao incluir Dixie Kong em Tropical Freeze. 

É que da mesma forma que Diddy carrega o logo da Nintendo no boné, sua namorada Dixie carrega um logo em seus cabelos. Eu também nunca havia reparado, mas o cabelo louro ondulado dela, que permite voar e tudo mais, é na verdade o logo da Rare disfarçado.

Se foi algo proposital, feito pela Retro Studios pra mandar um recado subliminar de resistência, vai saber! Mas estou confiante de que talvez, os próximos jogos sejam incríveis.

Agora você deve estar se perguntando: 

Porque raios falei tudo isso?

Então... algo que inspirou este artigo não foi apenas Super Mario Odyssey mas, o lançamento em breve de Super Mario - O Filme.

Eu já tive a honra de escrever a respeito do primeiro filme Live Action inspirado em vídeo-games, que foi justamente o do Mario (injustamente criticado negativamente tadinho) e, não escondo minha ansiedade por essa nova investida da Nintendo.

Apesar do novo título contar totalmente com animação, é raro ver a empresa insistir em algo que já trouxe prejuízos no passado, mas depois da pesquisa de mercado que fizeram com lançamentos como Detetive Pikachu, e as aparições de personagens seus em Detona Ralph por exemplo (só o Bowser, afinal o Sonic não conta né?), era de se esperar que criariam coragem.

A cena que mais me chamou atenção no trailer com certeza foi Mario tomando uma surra de Donkey Kong. De início achei esquisito, e fiquei até meio preocupado, mas, depois que pesquisei pra este artigo eu notei algumas coisinhas engraçadas.

Sabia que o filme que sairá em 2023 é da Universal? 

Pois é! Preciso falar o quanto isso é irônico? Não é que seja errado ou esquisito, estúdios vem e vão, mas assim... Detona Ralph (que foi o último filme a contar com personagens da Nintendo em participação especial) foi da Disney, Detetive Pikachu foi da Warner Bros... então bem, logo Mario será da Universal? É irônico!

Quem vai fazer a animação é o estúdio Illumination, mas quem vai publicar vai ser justamente a Universal! A mesma lá do processo citado no começo do artigo. 

O filme em si é uma nova abordagem pra esse universo, exatamente como foi no longa de 1993.

E tem mais... repare que o Rei dos Macacos parece muito com o velho Cranky! Então... de que lado será que a Universal está nessa "guerra fria"?

Bem, vamos esperar pra ver como ficará! Até porque tem muitos envolvidos na produção, incluindo o próprio Shigeru Miyamoto. Mas to esperando algo incrível, confesso.

Aliás, Não há Vilões

Apesar de citar nomes e falar muito dessa rivalidade antiga, não me leve a mal, não estou apontando dedos nem nada assim.

Os irmãos Stamper, Shigeru Miyamoto, até mesmo a própria Nintendo, são apenas partes de um grande processo, e esse é meu ponto.

Captura de uma entrevista rara com os Irmãos Stamper, fundadores da Rare

Passamos a venerar pessoas e esquecemos que são equipes, procedimentos, e todo uma história pra que cada joguinho surja.

Pra se ter ideia, no passado esse pessoal nem tinha crédito em suas obras, isso é algo muito famoso inclusive (em "Jogador n°1" foi onde aprendi isso) onde o primeiro easter egg dos video-games era nada mais nada menos, que o primeiro crédito de um criador de jogos, Warren Robinet (designer), que o escondeu numa sala secreta no jogo Adventure, de 1979. A mensagem dizia "Criado por Warren Robinet".

Shigeru Miyamoto fez parte de um processo criativo, e contribuiu com muito, muitas ideias, muitos detalhes (até os dias de hoje) e sempre foi bem humilde com isso, pelo menos até os Irmãos Stamper trazerem ideias para algo que ele não pôde em tempo.

Captura de uma entrevista rara com Shigeru Miyamoto ainda jovem

Isso resultou em rivalidade profissional, que se estendeu pra algo maior e envolveu empresas inteiras. 

Mas esse é só mais um de muitos casos de desavenças assim. Quem não conhece a briga de Kojima e Konami? Ou então o caso da Nintendo e Sony e o surgimento do Playstation?

Coisas assim são essenciais para o nascimento de grandes ideias. É através da rivalidade, da competição, da superação, que tudo surge. Mario mesmo nunca teria nascido se não fosse Popeye, e Donkey Kong não teria nascido sem King Kong. Mega Man sem Astroboy, Metroid sem Alien, Contra sem Rambo... essas rixas e conflitos de ideias judicialmente impossibilitadas faz nascer grandes coisas.

Mesmo tendo um monte de cópias, no fim, o que torna tudo diferente e único são as mentes criativas que desenvolvem cada obra. Pena que essas mentes as vezes brigam e nos sobra aceitar o fim de franquias inteiras.

E é isso.

O que achou do texto?

Meio maluco e tendencioso talvez? Informativo ao menos? Errei muito? Tem muita opinião aqui, e por mais que eu tenha me contido, é claro que não estou totalmente certo! Pense em mim como um baita fofoqueiro.

Pode ser que tudo só esteja da minha cabeça, ou talvez, realmente, faça tudo muito sentido.

O que importa é que compartilhei e, espero que tenha gostado!

See yah!

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