Série: Garota de Fora 3: Recomeço (The Girl From Nowhere 3 - The Reset) - Episódio 1

Garota de Fora 3
Recomeço



A série da caçadora de pessoas ruins, chamada Nanno, voltou, mas não em uma terceira temporada. Na verdade, a série sofreu um soft reboot, ou seja, foi parcialmente reiniciada através de troca de elenco. Porém não deixa de ser a tão aguardada terceira temporada, já que é impossível que a versão "original" retorne.

Esquisito isso rolar com uma série que já é marcada pela troca constante de elenco, já que cada episódio costuma ser antológico, mantendo somente a aparência e nome da personagem Nanno, mas moderando seu destaque pra se somar ao tema de cada história. É sempre uma Nanno, com o mesmo rosto e modus operandi, mas nunca é a mesma personagem vista anteriormente... só que isso mudou.

A atriz que interpreta a Nanno mudou, e com isso a série passou a ser outra. Não que fosse necessário expor a transição já que no final da segunda temporada ficou subentendido que a personagem "mudaria". E infelizmente, pelo menos no começo, a série não soube aproveitar a oportunidade pra expandir sua própria mitologia.

Enfim, bora comentar semanalmente o que cada episódio trouxe de bom e ruim, já que a Netflix decidiu explorar ao máximo essa nova fase de "Garota de Fora".

Boa leitura.


A Mudança da Atriz


Durante a primeira e segunda temporada a atriz que dava o rosto pra Nanno era Chicha Amatayakul, o que com certeza ajudou na promoção da personagem. 

O carisma dela, as expressões, a risada maléfica, tudo isso só incorporou e ajudou na construção de uma verdadeira lenda.

Só que aparentemente ela decidiu seguir carreira na moda, e se afastou de projetos mais televisivos, assim abrindo espaço pra outra atriz brilhar. Curiosamente, dentro da história da série, no final de "Garota de Fora 2" a própria Nanno "passa o bastão" pra uma versão diferente dela, sendo uma garota que ousou desejar seus poderes pra si (Yuri).


A série poderia se aproveitar disso pra mostrar o surgimento dessa segunda versão, que poderia ser interpretada pela Chanya Mcclory (Yuri), mas ela optou por apenas ignorar a outra atriz e contratou uma nova: Rebecca Patricia Armstrong.

Com uma atuação completamente nova, essa nova Nanno segue os mesmos padrões da antiga, ignorando aparentemente a construção da outra série, e apenas aproveitando a ideia de uma colegial em eterno intercambio, ajudando a ferrar com a vida de pessoas consideradas inapropriadamente malignas por ela.


A atriz é boa, mas talvez o roteiro não esteja favorecendo ela, e a dublagem então... só prejudicou ainda mais sua estreia. É que na versão dublada, o nome "Nanno" foi repetido cerca de 198 vezes isso apenas no primeiro episódio.


A própria se refere a si mesma sempre em terceira pessoa, mas isso só acontece na versão dublada. Com legendas, e em tailandês, ela fala como uma pessoa normal. 


A Série Mudou?


Em todo caso, o maior erro da série não foi a trocar da atriz, mas subestimar quem a assiste achando que precisa desenhar tudo pra gente entender que "é outra versão". Apesar de permanecer sendo uma série produzida pela Tailândia, manter o formato antológico, preservar o nível de violência visual e psicológica (um pouco mais censurado mas, ainda há, o que reduziu a classificação pra +16), e claro, separar ela no bendito catálogo.


A Netflix fez questão de separar ambas no catálogo, sendo que espiritualmente e essencialmente, "Recomeço" vale como terceira temporada de Girl From Nowhere (Garota de Fora), e independente de quem seja a Nanno, a série nunca foi sobre ela (principalmente em questões de aparência).


Lançamento episódico semanal também não ajuda muito mas, pelo menos ela voltou né? Nanno voltou... certo?


Episódio 1
Sky


Nanno é famosa! Deixou de ser algo oculto e misterioso pra virar uma personagem famosinha das redes sociais, ou pelo menos um tipo de lenda urbana da criançada. É assim que a série recomeça pra gente.


Um cara chamado Sky, que sofre bullying, procura incansavelmente pela lendária Nanno, a vingadora das escolas, e relata tudo o que ela é, como se todos no mundo inteiro já soubessem.

Mas essa ideia só serve mesmo pra reapresentar a personagem pra gente, sem ter de contar outra vez mostrando que ela muda de escolas, que ela tortura psicologicamente e fisicamente pessoas ruins, e que ela vem e vai num piscar de olhos.


O próprio enredo do primeiro episódio só usa isso como uma muleta simbólica, abandonando ela na primeira oportunidade, o que até incrementa o mistério, fazendo parecer que Nanno manipulou todo um mundo para conduzir sua vítima da vez.

Tudo começa com esse cara procurando ela por pura vingança pois quer usar os poderes dela, pra acabar com o seu valentão. Mas ele falha miseravelmente, e decide se matar, e quando o faz, ele a encontra. 


Mas essa morte também é simbólica (ou será que não?). A série mostra o personagem se enforcando e em seus últimos suspiros, invocando a majestosa Nanno, e em seguida ele apenas se liberta da forca e se torna aliado dela na luta contra o mal.


O assediador da vez é um cara genérico que sofre abusos do pai, e desconta nos coleguinhas, sendo aquele valentão agressor de sempre. 


E ele é torturado, cortado, humilhado, tudo pra fazer a graça de Nanno.


Mas no fim, bem no finalzinho, Sky muda de personalidade, se transforma num cara bondoso e nada vingativo, que opta por poupar o valentão, e até quase desenvolve um romance com àquela que tanto procurou.


Esquisito, mas válido no contexto da jornada de Nanno. Ela nunca está nas histórias para ajudar, bem ou mal, ela está lá pra abrir portas, janelas, botar tapete e permitir que as pessoas escolham seus caminhos.

Apesar da pose de justiceira ela é só uma espectadora do caos, alguém que gosta de rir e se divertir enquanto os humanos cometem seus muitos erros.


E pra sua surpresa, em sua primeira aventura, ela testemunha um clichê de reviravolta no roteiro.

Ela própria mostra como desejava que tudo acabasse, o a série entrega o final bom, com todos saindo quase ilesos, e com uma lição aprendida: Evite bater no cara que só fala da Nanno.


Enfim, o primeiro episódio reapresenta a personagem, ela acaba rindo muito atoa e isso é incômodo, além dela só aparecer de verdade depois da metade da história, e pouco ou nada faz.

A Nanno de agora usa alucinações como principal ferramenta, não se esforça muito pra levar lógica pras suas ações, tanto que ela se transfere pra escola nova no dia de uma prova e no mesmo dia já conclui toda sua "vingança".


O mistério dela fica um pouco prejudicado por causa da sua "fama", só que depois que ela surge voando como um anjo maligno invocado por um sacrifício pagão com forca, todos no mundo parecem não saber quem ela é.

Na verdade se tem algo bacana do episódio é isso. De início ele nos mostra imagens dela no google, mostra comentários de pessoas sobre sua lenda, comunidades em fóruns dedicados à sua procura, e o protagonista maluco por ela. Só que depois que ela surge, nada disso realmente existiu, quase como se ela tivesse empurrado essas ideias para o Sky.


O ponto máximo da obra está ai, pois as histórias de Nanno nunca foram sobre tortura, sobre vingança, sobre terror bruto, mas sim sobre psicologia pura, e um tiquinho de terror sobrenatural misturado com subliminar.

Nunca podemos acreditar em tudo que vemos quando Nanno tá em jogo, e nesse quesito, a série voltou com tudo.


Ps.: "Paralelismo"... a série parece ter apostado alto nessa característica no primeiro episódio. Muitas cenas e situações se baseiam em repetições, apenas alterando a perspectiva. E isso levanta um importante questionamento sobre a própria Nanno.

Ela foi com uma expectativa, de que todos os seres humanos atuariam exatamente igual, e que todas as ações geram reações equivalentes, porém mesmo ela narrando que o cara mal era mal pois haviam feito mal pra ele, e que isso provavelmente se repetiria com a nova vítima, a vítima da vez não terminou mal.

Pelo contrário, ela passa pelas mesmas situações que o cara mal, mas escolhe certo e termina positivamente, o que até causa estranhamento pra Nanno. O real ensinamento do episódio é "Não faça com o outro o que não quer que façam com você." e isso parece ser a chave pra encerrar ciclos.

É um pensamento interessante a se abordar, o que só agrega pra série e, tomara que façam mais disso. Em todo caso, eu esperava um desfecho mais cruel... afinal ainda é uma série de Terror Social.

Episódio 2


Carregando
...


Conclusão


Bem, semana que vem tem o próximo episódio, agora mostrando Nanno em outra escola, com novos personagens coadjuvantes e uma nova batalha.

Então trago meu parecer semana que vem.

Por enquanto, a série parece excelente, em padrões técnico e visuais. Inclusive se parar pra pensar, mesmo com censura (só não mostram muito sangue ou nudez mas tudo acontece do jeito bruto de antes), ela é pesada e pode ser gatilho pra algumas pessoas.

Essa é, querendo ou não, uma continuação de Garota de Fora e preserva sua qualidade.

Mas a nova Nanno tem muito ainda pra lutar, pois se usar apenas este episódio como base... ela ficou um pouco forçada.

Os trejeitos dela são similares ao da antiga, a risada alta e forçada também, mas tudo vem fora de tempo. Ela precisa só de um ajuste aqui e ali, e ficará ótima.

Quem sabe aqui nasça um tipo de "Doctor Who Feminino Tailandês Escolar", onde a cada ciclo uma nova Nanno possa vestir a camisa.

Seria curioso...

Enfim, até a próxima...

Ou melhor...

See soon.

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6 Comentários

  1. Respostas
    1. O texto ou a série?

      Se for o texto: Poxa... pelo menos leu rs... obrigado pela leitura e comentário em todo caso, mas eu fiz meu melhor.

      Se for a série: Poxa... os caras se esforçaram! A série tenta continuar mas não tem coragem pra assumir por isso veste o manto de spin-off de outro universo, mas em todo caso só sabermos tudo no final. Pelo menos no quesito "trama", ela não entrega uma história boba, ela sabe desenvolver e surpreende, e é um terror básico baseado em bullying. Genérico? Talvez... mas é só o começo...

      Vamos dar uma chance, e torcer pra na verdade tudo isso não ser uma passa de bola pra ocidentalização hollywoodiana...

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    2. Seus argumentos são contraditorios.

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  2. Sobre o ep1 - como fã da garota de fora, minhas expectativas estavam bem baixas, mas gostei do tom da série, o episódio começou em um ritmo lento, mas quando ele engaja ele vai de uma vez, do dublado eu fiquei feliz que mantiveram a dublados original(ou parecida) o que não gerou tanta estranheza. Animada pro ep 2

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    1. Opa, de certa forma pelo menos não foi uma tragédia, agradou. Vamos torcer pra que ao longo da série não estraguem, e mantenham o compasso. É uma nova onda né.

      Também estou ansioso pra ver o segundo episódio. Pela regra dos 3, é no terceiro que nossa percepção sobre o conteúdo se esclarece. Até agora, ta mais positivo que negativo rs. Mas não escondo: Sinto falta da Nanno raiz.

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    2. Dizer que o saldo até agr é mais positivo do que negativo é contraditorio com quase tudo q escreveu.

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Obrigado demais por comentar, isso me estimula a continuar.

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