Crítica: Resident Evil - A Entrega do Mal

Resident Evil


Os caras pensam que enganam, a Sony se acha esperta, mas o método Uwe Boll é muito antigo!

Fizeram um filme de terror que não tem nada a ver com Resident Evil, e apesar de ser bom pra caramba, ele nunca será um Resident Evil, mesmo sendo melhor que todas as adaptações de Resident Evil até hoje, e até mais Resident Evil que os próprios Resident Evil.

Complicado, né? Mas o que posso dizer é que Resident Evil não é Resident Evil, mas é o melhor Resident Evil até hoje.

Boa leitura.

O Nome


"Biohazard" é o nome original da franquia de survival horror da Capcom, ou pelo menos este é o nome oriental. Aqui no Ocidente, ele foi vendido como "Residência do Mal", ou, para os íntimos: "Leon"... ele é um pedaço de mau caminho.

Falando a real, Resident Evil é o nome americano, Biohazard é o japonês, e todo mundo tá tranquilo com isso e entende. Eu, inclusive, só fui aprender sobre isso naquela época que ficava confundindo "Fatal Frame" com "Project Zero", até descobrir que, na verdade, eram os mesmos jogos, só mudava o título pra vender numa região diferente.

Pensando assim, quando te falo de uma história onde um Entregador irá passar por desventuras maquiavélicas enfrentando ameaças sobrenaturais, tudo que vem na sua mente provavelmente é "Dead Stranding e o Simulador de Motoboy", pelo menos é isso que vem na minha cabeça...

Mas algum executivo muito do esperto lá da tia Sony teve a ideia: "E se chamarmos esse filme com o nome daquele joguinho, e vendermos como se fosse mais uma de muitas adaptações livres?"

Sucesso! Pensaram eles... e pior que foi mesmo, mas não pelos motivos que eles imaginavam.

O Filme Supera a Franquia



O bizarro é que a história do filme é boa, a execução também, o terror é muito eficiente e me fez assustar várias vezes, e, inclusive, mesmo com falhas técnicas no próprio cinema, minha experiência foi muito positiva (no sentido negativo do terror, então, foi bom). É que na sala em que eu fui tinha um chiado agudo de algum maluco que esqueceu a chaleira ligada na sala de projeção, e ficou isso o filme inteiro, mas de resto foi tranquilo (cinema de cidade pequena é fogo).

O que estragou ele foi a tentativa de relacionar com os jogos quando ele nem precisa disso. É um projeto independente que carrega muito a essência dos jogos, e funciona, sim, como adaptação de um conceito, o de "Survival Horror", e até vale como crítica pros jogos em muitos momentos... mas em um âmbito muito maior do que Resident Evil.

Inclusive, incluem apenas referências muito artificiais, como Raccoon City ser o cenário em que tudo se passa, e citam a Umbrella como empresa do mal que criou a tal ameaça sem querer querendo... mas nada disso importa, na verdade, já que a história independe dessas referências.

Basicamente seria a história de um entregador da vacina, a cura, bem no momento em que o famoso surto apocalíptico causado pelo vazamento do vírus começa na cidade, mas nada combina com a história original sabe?

E digo mais, isso atrasou o filme, pois o tempo que perderam soldando esses ganchos vazios, desperdiçaram no desenvolvimento do próprio terror... que, por sorte, não fez diferença no resultado geral.

Resident Evil é sobre Ameaças Biológicas



Muitos fãs podem ver este longa e dizer "Pra mim foi mais fiel do que todos os demais filmes, e principalmente aquela série do capeta que a Netflix fez", mas... será mesmo?

Apesar da ideia de usar um personagem fora da bolha social corriqueira, quase imitando o que foi feito lá em Resident Evil 7, a proposta aqui foi muito mais pro lado de Outbreak do que qualquer outra obra.

E é, sim, uma baita ideia boa, contar a história de um protagonista de sua própria jornada em meio ao famoso caos de Raccoon City e a invasão Zumbi... o problema é que todo o resto destoou do formato original, ao ponto de soar só mais um rico universo de monstros.

A cidade não é, nem em sonhos, a mesma dos jogos ou de qualquer outra adaptação. Diria mais, nunca será Raccoon City, mesmo que a chamem assim.

As ameaças em nada se parecem com os monstros de Resident Evil, e digo mais, são uma nova categoria! Mesmo que cada jogo tenha suas camadas de evolução procedural das criaturas mais nefastas possíveis.

Aqui são criaturas parasitas que assimilam o que se anexam, e se fundem, se reproduzem baseados na essência individual de cada pessoa ou criatura, e cara... isso é muito diferente do que qualquer Resident já fez.

Mas não é tentando desmerecer o que os jogos criaram, eu quero apenas mencionar que o filme não precisa dos jogos, nunca precisou, e sua história caminha solitária e eficiente sem precisar fingir o que não é.

É uma Ode ao Survival Horror



Na parte em que digo que o filme homenageia o gênero de terror em jogos, é puxando justamente pro survival, e que engloba mais do que apenas Resident, indo pra Silent Hill, Fatal Frame, Siren, Dead Space (principalmente Dead Space, o que tem de referências ao estilo desse jogo num tem noção) e muitos outros.

Ele vai muito além de uma mera adaptação de uma franquia, ele adapta um tema em comum e explora perfeitamente bem.

Por isso ele é bom filme de terror, não teme assustar, trabalha o suspense, surpreende e não tem receio em finais ruins.

Engraçado que ele fala de coisas como obstáculos idiotas que sempre achamos em jogos, e questionamos sobre o protagonista nunca superá-los, ter que dar voltas atrás de chaves, resolvendo enigmas, quando, na verdade, podia apenas pular uma cerca...

E ele mostra isso acontecendo, explicando justamente as dificuldades de se ignorar os obstáculos... como tudo se alinha ao realismo, e como, por exemplo, um simples cadeado pode ser, sim, uma tremenda dor de cabeça, quando introduzido no pior momento e lugar possível.

É disso que falamos quando queremos ver terror! Não personagens imbecis agindo por roteiro, mas pessoas verídicas questionando, zombando enquanto podem, temendo, se assustando, tentando trapacear as regras, às vezes até ignorando os monstros só pra continuarem vivendo!

Eu me apaixonei...


O filme me fez ter fé no mundo das novas adaptações, mesmo ciente de que trapacearam legal aqui.

A própria Capcom não assina a obra, tá? Afinal, só a Sony esteve por trás disso.

Que fique claro, este filme não é "canônico" na franquia. A Sony é dona do nome Resident Evil, e teve a ideia de usar ele pra tentar vender pros fãs da franquia, um filme que por si só já se venderia não importa o título que leve.

Quando algo é bom, não precisa dessas trapaças pra funcionar... faltou coragem da Sony pra assumir.

Já a Capcom, deveria ver essa obra e tentar surfar na ideia... não de personagens secundários vivendo suas aventuras naquele mesmo cenário de sempre, mas de terrores simples, envolventes com personagens carismáticos, que em uma simples entrega de uma noite caótica, nos fazem torcer por eles até o último instante.


Minha Lista de Referências



Quando eu falei "Método Uwe Boll" é por conta de um diretor que tornou famoso o gênero de adaptações de games pra filme, como algo ruim.

Ele fazia muito filme que nunca tinha nada a ver com o que dizia adaptar, pois apenas usava o título de obras famosas pra tentar vendê-los pros fãs dos jogos.

Demorou até começarem a levar os filmes de jogos mais a sério, e criar coisas decentes, apesar de Resident Evil parecer nunca ter alcançado essa fase...

Mas aí que tá, justamente quando finalmente algo bom surge, é na covardia de tentar ressuscitar o método Uwe Boll... trágico, pra dizer o mínimo.

Eu fiz um artigo onde falo sobre tudo de todas as adaptações, até chegar num ponto em que cansei de acompanhá-las... mas depois desse filme de agora, eu tô pensando em retomar esse desafio.

Tem coisa boa surgindo...

Aliás, fiz um vídeo onde a Mortynha deu a opinião dela... concordamos!




See yah.

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6 Comentários

  1. Eis que acabou de chegar do cinema, e vejo publicação do seu post!
    Foi um bom filme, divertido. Bons sustos. Só achei que teve piadas em excesso, e o final foi bem ruim (particularmente não gosto quando a obra simplesmente não tem final) mas essa é só minha opinião.
    Abraço!

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    1. Sr Chaos quanto tempo!!!

      E tipo, eu confesso que concordo contigo...

      Apesar de que eu curto filmes com final mais nessa pegada, sem uma conclusão nem nada positivo mas tipo, eu concordo na real.

      E as piadas, realmente elas forma algumas vezes bem anticlimáticas... mas no geral deu pra curtir né.

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    2. Então, na real eu não tenho problemas com filmes que não tem um "final feliz". Eu só não queria que ele acabasse de forma tão brusca. Por exemplo, se ele tivesse mais uns 3 minutos de filme mostrando alguém no helicóptero puxando uma rocketlauncher e atirando no Boss que o protagonista se tornou, e ele caindo do prédio morto, se acabasse aí eu teria curtido muito mais kkkk

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    3. Mano! Esse seria o final perfeito!!! Nem precisava mostrar quem tava no helicóptero, ia render teorias dos fãs por décadas kkkkkkk

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  2. Po, não vi o filme, uma amiga minha disse que era bem ruim porque não tinha nada a ver com os jogos... inclusive eu virei fã da franquia do absoluto nada, no último mês, depois de estudar, eu ligava o Pc....e jogava residência econômica (nome carinhoso? Não sei) mas enfim, já joguei o 2 remake, o 3 remake e agora o 4, infelizmente to quase terminando esse também (jogo bom da desgraça bicho... TÔ VICIADO) e GENUINAMENTE eu tô gostando demais porque mesmo sem ligar muito pro gênero de terror ou survivor horror, eu achei os jogos fantásticos, pelo que eu vi até agora, o problema do filme é que ele não tem nada de resident evil, pelo menos de nenhum jogo, criar conceitos ele é livre pra fazer, mas pegar um já existente e mudar é meio difícil de dar certo prós fãs mais "ávidos", e sei lá, a ideia de resident evil sempre foi um B-movie com altos gráficos e puzzles e chaves e cadeados estranhos, traduzir isso pra um filme aparentemente o filme conseguiu, mas a essência de resident evil é justamente uma história que se fosse um filme seria "tão ruim que é bom", podeira ser em outra cidade, sei lá, mas o cara pega o t virus, joga uns tentáculos que parecem uns parasitas e coloca isso no mesmo contexto de racoon city EM 2026?? (que foi tipo....explodida em 1998?) Bah, poderiam ter feito algo melhor ou só não ter colocado o nome, mas agora que você falou bem do filme...to pensando em ver hein...doidera isso! Mas sei lá também...See yah!

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    1. E é exatamente esse meu ponto sr Wilson, ele não tem nada a ver com RE, mas ele tem uma boa representação e adaptação. Botar o nome da cidade foi um erro, e forçar referências também, e acho que o humor excessivo exagerou um pouco, mas no geral é uma ótima adaptação do que os jogos são, do título em si, sem precisar adaptar ele saca. Veja, eu acho que vai gostar.

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Obrigado demais por comentar, isso me estimula a continuar.

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