The Amazing Digital Circus
Do YouTube pra Netflix, da Netflix pros Cinemas
Antes de tudo preciso dizer que já falei da série e seu episódio piloto bem quando tudo começou, e não mudo nada do que disse lá. Na verdade, tudo evoluiu tanto que ao invés de apenas atualizar o artigo original, é extremamente importante que eu faça um novo à parte, pois tudo realmente foi além do que eu imaginava.
Agora continuando, aqui eu falarei sobre todos os demais episódios, sem dar spoilers, e dando apenas mais da minha singela opinião. Também irei atualizar sobre as grandes mudanças, incluindo a maior inovação no mundo da arte, com uma animação independente, virando filme de cinema, enquanto permanece animação independente. O negócio tá muito insano!
Então, boa leitura.
Do YouTube para a Netflix
A primeira grande inovação dessa animação, foi a repentina ida para o catálogo da Netflix, o que era até estranho pra época, afinal os episódios da série animada eram e permaneceram sendo lançados diretamente no canal do YouTube, com dublagem oficial, legendas, e a mesmíssima qualidade vista na plataforma de Streaming.
Pior ainda: No Streaming tudo vem sendo lançado com um atraso! Sim, sai primeiro de graça, pra todo mundo, no YouTube, e só depois vai pra Netflix.
Quem vê pensa que foi um contrato bem bobo da Netflix, que tentou monopolizar um programa com um potencial gigantesco, mas acabou virando só um revendedor de amostras grátis. Contudo, foi neste ponto que o pessoal da GLITCH foi genial... pois ao invés do canal deles estar tentando surfar no sucesso da Netflix e ganhar fãs, eles fizeram o oposto, a Netflix que tentou se aproveitar e puxar um pouco da fama deles.
Sim, é um caso em que o produto está muito acima de qualquer plataforma, e se tem algo gigantesco é isso.
Digital Circus não se vendeu, não mudou sua essência, não adaptou roteiro, não se deixou ser modificado em nada para agradar investidores, e ainda se manteve público, aberto, o que apenas atraiu ainda mais fãs.
Contudo o mérito de ter sido catalogado numa plataforma de streaming ainda é um mérito. Os caras conseguiram o sonho de todo animador, e inclusive algo rolou parecido com o pessoal de Sociedade da Virtude (falei há pouco tempo inclusive), que também conseguiu ir pra uma plataforma além do próprio YouTube, sem ajustes ou modificações. No caso deles, foram para a HBO, e ainda ganharam reprises diárias no Adult Swim (canal de tv fechada da Warner).
E cara, eu fiquei igualmente orgulhoso e animado com essas conquistas, pois isso revela que o mundo televisivo está começando a entender como a modernidade digital funciona... mas a minha maior surpresa foi ver o passo além que a GLITCH deu, e que por si só tem potencial pra revolucionar toda uma cultura.
Do YouTube para os Cinemas
Não é novidade que quando uma série ou animação faz sucesso, os olhos crescem para produzir uma versão em longa metragem. E este foi o caso de The Amazing Digital Circus...
Só que, ao invés de um estúdio grande pegar o nome, e falar "Faremos nossa versão melhorada", e ao invés de revenderem tudo como se fosse apenas uma marca, a GLITCH optou por ela mesma dar o próximo passo!
Não sei o tamanho do investimento particular que essa empresa Indie teve de fazer, mas sim, eles optaram por anunciar o episódio final do programa, para os Cinemas MUNDIAIS.
Ou seja, numa série gratuita do YouTube, hiper bem animada, com dublagem em múltiplos idiomas, uma legião de fãs, de apenas 8 episódios, eles decidiram por produzir um longa e lançar ele nos cinemas, como episódio final, e que posteriormente ainda será lançado de graça no YouTube.
A Netflix deve ter ficado pistola com a ideia, mas eles são independentes, eles podem, e sabe o melhor? Provavelmente isso vai ser um sucesso estrondoso.
Pois além disso abrir uma porta que ninguém nem via, ainda revela o potencial da arte falar por si mesma.
É que o seguinte: A animação é profunda, repleta de camadas, faz o povo falar e teorizar, e ela tem muito a contar. São essas as características necessárias pra tornar uma ida ao cinema insuficiente pra consumir toda a obra, o que convida o público a ir mais e mais vezes.
E tem mais, ir ao cinema não se torna um evento de consumo singular nesse caso, mas sim um verdadeiro encontro de fãs, que normalmente assistem suas séries em casa, nas redes, mas que neste caso, se reuniriam nas grandes salas só pra ver aquilo que tanto amam.
E mesmo saindo depois de graça, o pessoal ainda iria e irá para os cinemas, pois a graça não é assistir apenas, mas assistir com iguais, gente pra conversar ali do lado, pra rir e chorar... exatamente o que o cinema foi um dia.
A mensagem da GLITCH ao tomar essa decisão, por mais que possa significar uma demora a mais pro lançamento no canal oficial (que demorará 2 semanas pra sair de graça), não é de trair seus fãs, de surfar no hype e lucrar com isso, de vender sua marca (afinal eles lucram mais vendendo bonequinhos e cara, isso é fofo!), mas sim de atrair geral pra vivenciar um marco histórico.
A Disney, a Pixar, a DreamWorks, já perderam a mão no que era levar a criançada e os adultos pra compartilhar de suas histórias. Pra eles, lucratividade ficou acima de criatividade, e enquanto uns vivem de remakes e nostalgia, outros se perdem em insegurança e falta de identidade.
A GLITCH e seus envolvidos mesmo sem serem grandes monopólios da animação, deram passos arriscados, mas conseguiram e irão longe, pois eles estão fazendo aquilo que muitos se esqueceram como faz: Estão criando algo novo.
Dos Cinemas pra História
Sendo sincero, a história de The Amazing Digital Circus não é tão imprevisível, mas é tão cheia de significados, easter eggs, e mistério, que apenas não da pra se satisfazer com o óbvio.
Desde o piloto já ficou claro do que se trata: Terror com humor e drama. Uma história sobre pessoas presas num mundo digital, buscando uma saída enquanto enfrentam desventuras antológicas, com mensagens subliminares, mistério, e um crescente assustador de urgência.
A obra caminha praquele final estilo "Matrix", e todo mundo já entendeu isso. Mas todos querem ver essa bela animação mostrar, revelar, e responder as mais variadas perguntas, para confirmar ou negar teorias, ou quem sabe apenas suspender elas num eterno mundo digital.
Eu ainda não vi o filme, ele sairá somente em Julho de 2026, mas sendo sincero, já sei que vai ser surpreendente.
Mesmo que a reviravolta final fique em aberto, mesmo que sei lá, façam Live Action pra revelar as pessoas no mundo real, ou mesmo que simplesmente decidam por não finalizar de fato... só o fato de estar ali nas telonas, já será o bastante.
E o melhor, não é algo repaginado, não é algo refeito por mãos de terceiros, não será tipo aqueles filmes de animações que gostamos, que quando vão pro cinema ficam tão engessadas e enfeitadas por novas tecnologias que se tornam quase irreconhecíveis... nah... será apenas mais um episódio, o último, a saideira... com estilo.
Animação no Cinema
Apesar do investimento admirável, há um risco nisso, que a empresa não parece estar ligando muito...
O filme nos cinemas precisa e depende unicamente do público pra ser bem sucedido, e no caso do "O Último Ato", a aposta parece bem alta. O filme será o episódio 9 como conteúdo original, somado ao episódio 8, que todos já assistiram.
E eu sei que ele vai dar certo, a quantidade de fãs que irá apoiar a obra, e que tá curiosa, e que vai sim pagar pra assistir e conversar ali, ao vivo, provavelmente será suficiente pra render o valor investido.
A GLITCH não parece ter feito isso pra ganhar um Oscar, nem pra ficar multibilionária e criar um novo império das animações, nem pra confrontar Hollywood, mas o risco está no material em si.
"The Amazing Digital Circus" não é uma obra simples, apesar de ter simplicidade. Ela é uma história complexa e completa que depende justamente do pacote completo, do piloto ao final. Parte da beleza está na evolução do trabalho de arte inclusive, onde fica nítido o quanto o design digital original foi melhorando com novas tecnologias ao longo desses anos.
Só que, um filme tem como função condensar tudo para o público geral, não apenas fãs, e esta é uma regra que deve sempre ser respeitada.
Série é série, filme é filme, são modelos diferentes com públicos diferentes. Uma série não passa em cinemas, pois lá a missão é contar uma história com início, meio e fim, em menos de 3 horas.
O episódio 8 não basta pra resumir os 7 episódios antes dele, e nem pra preparar o público pro que acontecerá no episódio 9. Então ou terão de reprisar o episódio 1, fazendo edições certeiras pra encaixar os demais, ou o episódio 9 será tão deslocado que não dependerá do antes, apenas trará o depois.
Afinal é cinema... alguém que não conhece a série da Netflix ou do YouTube precisa ter a chance de compreender o que está pagando pra ver. É uma missão bem difícil produzir algo que tem como função responder um mistério construído ao longo de 8 episódios, pra um público que nem consumiu tais episódios.
E no cinema, isso não é uma opção, é obrigação...
Mesmo que seja algo exclusivo pra fãs, não é justo com o público geral, e eu tenho medo que isso possa pesar na recepção. Ao mesmo tempo, da mesma forma que assistir ao episódio Piloto basta pra entregar tudo o que a série fará, sem dar spoilers, eu também acho que há sim uma possibilidade de em apenas 1 episódio, fazerem literalmente "Cinema".
O Indie Mudando a Indústria
Estou ansioso, e torço muito, mas muito mesmo que seja tão bom quanto a série é, mas numa versão alongada, e comunicada para o público de filmes. E que não seja apenas o episódio final copiado e colado ali nas telonas...
Pois, independente de ser bom, há aquelas regras do espaço no qual estão adentrando e, se seguirem as regras, a revolução começa. E é tão comum sabe... no mundo dos jogos, é graças aos jogos independentes que os "Triple A" se tocam e tentam alcançar o público. Parece que tudo que é indie entende mais o mercado do que aquilo que tenta se vender.
Não é questão de qualidade, nem de quantidade, mas de autenticidade. E nesse cenário animações, séries, filmes, jogos, música, tudo revela o quanto as grandes indústrias as vezes se perdem pelo lucro, e só cometem erros atrás de erros.
Talvez se isso funcionar, e a GLITCH mostrar que basta paixão, empenho, e criatividade pra algo dar lucro, mas sem se perder em vendas vazias, bem... ai sim talvez o cinema esteja salvo e veremos menos "Vingadores" e "Live Actions", e mais obras que valham nosso dinheiro, e claro, nossa união.
Sobre os Personagens...
Bem, faltou agora falar sobre os personagens e explicar o que eu já notei sobre eles...
É que eu meio que já sei o final (o cara prevê o futuro kkkk)... ainda que esteja torcendo pra ser surpreendido, muitas peças do quebra cabeças já foram entregues e, basta completar com o imaginário.
Isso vai muito além de teoria, é de fato a resposta... mas vou deixar pra fazer isso em vídeo.
Assim como a GLITCH brinca com transições e se aproveita bem das plataformas pra crescer, eu to tentando aparecer mais migrando pra diferentes formatos.
Então, deixarei a análise mais teórica pro Mortynha. Nos vemos no vídeo.
See yah!
2 Comentários
Olha, eu fico IRRITADO por não ter Cinemark onde eu moro. Eu queria assistir no cinema com todo mundo, mas ok
ResponderExcluirPior que não vai ter onde eu moro também, vai ser uma viagem longa pra assistir lá pro centro kkkk... mas em todo caso, é uma semana só de espera depois... só será tenso fugir dos spoilers né.
ExcluirObrigado demais por comentar, isso me estimula a continuar.
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