Garota de Fora 3
Recomeço
A série da caçadora de pessoas ruins, chamada Nanno, voltou, mas não em uma terceira temporada. Na verdade, a série sofreu um soft reboot, ou seja, foi parcialmente reiniciada através de troca de elenco. Porém não deixa de ser a tão aguardada terceira temporada (e aqui começam as contradições), já que é impossível que a versão "original" retorne.
Esquisito isso rolar com uma série que já é marcada pela troca constante de elenco, já que cada episódio costuma ser antológico, mantendo somente a aparência e nome da personagem Nanno, mas moderando seu destaque pra se somar ao tema de cada história. Era sempre uma Nanno, com o mesmo rosto e modus operandi, mas nunca foi a mesma personagem vista anteriormente... só que isso mudou.
Explicando: Nanno sempre viaja entre escolas, em praticamente universos diferentes, conhece pessoas diferentes, e causa conflitos diferentes. Só que pela primeira vez a própria Nanno também foi afetada.
A atriz que interpreta a Nanno mudou, e com isso a série passou a ser outra. Não que fosse necessário expor a transição já que no final da segunda temporada ficou subentendido que a personagem "mudaria". E infelizmente, pelo menos no começo, a série não soube aproveitar a oportunidade pra expandir sua própria mitologia.
Enfim, bora comentar semanalmente o que cada episódio trouxe de bom e ruim, já que a Netflix decidiu explorar ao máximo essa nova fase de "Garota de Fora".
Boa leitura.
A Mudança da Atriz
Durante a primeira e segunda temporada a atriz que dava o rosto pra Nanno era Chicha Amatayakul, o que com certeza ajudou na promoção da personagem.
O carisma dela, as expressões, a risada maléfica, tudo isso só incorporou e ajudou na construção de uma verdadeira lenda.
Só que aparentemente ela decidiu seguir carreira na moda, e se afastou de projetos mais televisivos, assim abrindo espaço pra outra atriz brilhar. Curiosamente, dentro da história da série, no final de "Garota de Fora 2" a própria Nanno "passa o bastão" pra uma versão diferente dela, sendo uma garota que ousou desejar seus poderes pra si (Yuri).
A série poderia se aproveitar disso pra mostrar o surgimento dessa segunda versão, que poderia ser interpretada pela Chanya Mcclory (Yuri), mas ela optou por apenas ignorar a outra atriz e contratou uma nova: Rebecca Patricia Armstrong.
Com uma atuação completamente nova, essa nova Nanno segue os mesmos padrões da antiga, ignorando aparentemente a construção da outra série, e apenas aproveitando a ideia de uma colegial em eterno intercambio, ajudando a ferrar com a vida de pessoas consideradas inapropriadamente malignas por ela.
A atriz é boa, mas talvez o roteiro não esteja favorecendo ela, e a dublagem então... só prejudicou ainda mais sua estreia. É que na versão dublada, o nome "Nanno" foi repetido cerca de 198 vezes isso apenas no primeiro episódio.
A própria se refere a si mesma sempre em terceira pessoa, mas isso só acontece na versão dublada. Com legendas, e em tailandês, ela fala como uma pessoa normal.
A Série Mudou?
Em todo caso, o maior erro da série não foi a trocar da atriz, mas subestimar quem a assiste achando que precisa desenhar tudo pra gente entender que "é outra versão". Apesar de permanecer sendo uma série produzida pela Tailândia, manter o formato antológico, preservar o nível de violência visual e psicológica (um pouco mais censurado mas, ainda há, o que reduziu a classificação pra +16), e claro, separar ela no bendito catálogo.
A Netflix fez questão de separar ambas no catálogo, sendo que espiritualmente e essencialmente, "Recomeço" vale como terceira temporada de Girl From Nowhere (Garota de Fora), e independente de quem seja a Nanno, a série nunca foi sobre ela (principalmente em questões de aparência).
Lançamento episódico semanal também não ajuda muito mas, pelo menos ela voltou né? Nanno voltou... certo?
Episódio 1
Sky
Nanno é famosa! Deixou de ser algo oculto e misterioso pra virar uma personagem famosinha das redes sociais, ou pelo menos um tipo de lenda urbana da criançada. É assim que a série recomeça pra gente.
Um cara chamado Sky, que sofre bullying, procura incansavelmente pela lendária Nanno, a vingadora das escolas, e relata tudo o que ela é, como se todos no mundo inteiro já soubessem.
Mas essa ideia só serve mesmo pra reapresentar a personagem pra gente, sem ter de contar outra vez mostrando que ela muda de escolas, que ela tortura psicologicamente e fisicamente pessoas ruins, e que ela vem e vai num piscar de olhos.
O próprio enredo do primeiro episódio só usa isso como uma muleta simbólica, abandonando ela na primeira oportunidade, o que até incrementa o mistério, fazendo parecer que Nanno manipulou todo um mundo para conduzir sua vítima da vez.
Tudo começa com esse cara procurando ela por pura vingança pois quer usar os poderes dela, pra acabar com o seu valentão. Mas ele falha miseravelmente, e decide se matar, e quando o faz, ele a encontra.
Mas essa morte também é simbólica (ou será que não?). A série mostra o personagem se enforcando e em seus últimos suspiros, invocando a majestosa Nanno, e em seguida ele apenas se liberta da forca e se torna aliado dela na luta contra o mal.
O assediador da vez é um cara genérico que sofre abusos do pai, e desconta nos coleguinhas, sendo aquele valentão agressor de sempre.
E ele é torturado, cortado, humilhado, tudo pra fazer a graça de Nanno.
Mas no fim, bem no finalzinho, Sky muda de personalidade, se transforma num cara bondoso e nada vingativo, que opta por poupar o valentão, e até quase desenvolve um romance com àquela que tanto procurou.
Esquisito, mas válido no contexto da jornada de Nanno. Ela nunca está nas histórias para ajudar, bem ou mal, ela está lá pra abrir portas, janelas, botar tapete e permitir que as pessoas escolham seus caminhos.
Apesar da pose de justiceira ela é só uma espectadora do caos, alguém que gosta de rir e se divertir enquanto os humanos cometem seus muitos erros.
E pra sua surpresa, em sua primeira aventura, ela testemunha um clichê de reviravolta no roteiro.
Ela própria mostra como desejava que tudo acabasse, o a série entrega o final bom, com todos saindo quase ilesos, e com uma lição aprendida: Evite bater no cara que só fala da Nanno.
Enfim, o primeiro episódio reapresenta a personagem, ela acaba rindo muito à toa e isso é incômodo, além dela só aparecer de verdade depois da metade da história, e pouco ou nada faz.
A Nanno de agora usa alucinações como principal ferramenta, não se esforça muito pra levar lógica pras suas ações, tanto que ela se transfere pra escola nova no dia de uma prova e no mesmo dia já conclui toda sua "vingança".
O mistério dela fica um pouco prejudicado por causa da sua "fama", só que depois que ela surge voando como um anjo maligno invocado por um sacrifício pagão com forca, todos no mundo parecem não saber quem ela é.
Na verdade se tem algo bacana do episódio é isso. De início ele nos mostra imagens dela no google, mostra comentários de pessoas sobre sua lenda, comunidades em fóruns dedicados à sua procura, e o protagonista maluco por ela. Só que depois que ela surge, nada disso realmente existiu, quase como se ela tivesse empurrado essas ideias para o Sky.
O ponto máximo da obra está ai, pois as histórias de Nanno nunca foram sobre tortura, sobre vingança, sobre terror bruto, mas sim sobre psicologia pura, e um tiquinho de terror sobrenatural misturado com subliminar.
Nunca podemos acreditar em tudo que vemos quando Nanno tá em jogo, e nesse quesito, a série voltou com tudo.
Ps.: "Paralelismo"... a série parece ter apostado alto nessa característica no primeiro episódio. Muitas cenas e situações se baseiam em repetições, apenas alterando a perspectiva. E isso levanta um importante questionamento sobre a própria Nanno.
Ela foi com uma expectativa, de que todos os seres humanos atuariam exatamente igual, e que todas as ações geram reações equivalentes, porém mesmo ela narrando que o cara mal era mal pois haviam feito mal pra ele, e que isso provavelmente se repetiria com a nova vítima, a vítima da vez não terminou mal.
Pelo contrário, ela passa pelas mesmas situações que o cara mal, mas escolhe certo e termina positivamente, o que até causa estranhamento pra Nanno. O real ensinamento do episódio é "Não faça com o outro o que não quer que façam com você." e isso parece ser a chave pra encerrar ciclos.
É um pensamento interessante a se abordar, o que só agrega pra série e, tomara que façam mais disso. Em todo caso, eu esperava um desfecho mais cruel... afinal ainda é uma série de Terror Social.
Episódio 2
Calcinhas
O episódio agora fala dos tarados nas escolas, jovens que fotografam garotas em situações vulneráveis e vendem as fotos em grupos de pervertidos.
Apesar de algumas garotas identificarem os tarados, e exporem eles, eles tinham costas quentes e tudo era liberado na dita escola, até que Nanno chegou.
Nanno inverte os papéis, dá poder e informação pras garotas e conduz um maquiavélico plano pra expor ainda mais os pervertidos, e ainda torturá-los não apenas fisicamente, mas moralmente.
E funciona.
O episódio pode até não ser explícito ao extremo, afinal ele se concentra em calcinhas, mas pra bom entendedor poucas palavras bastam. Ele expõe a parte mais suja do mundo onde é fácil se esconder uma câmera, e escancara uma verdade absurda.
Basta imaginar, garotas em vestuários estudantis, banheiros, situações onde não necessariamente a calcinha é o "troféu" pros tarados de plantão. Chega a ser bizarro como mostram a facilidade para obtenção de tais imagens, e o descaso feito com a privacidade alheia.
O pior nem é isso, mas o caso das "costas quentes". No começo quando as vítimas são acusadas de culpadas por não protegerem seus corpos, parece absurdo mas também faz parte de um discurso até comum na sociedade. Muitos culpam quem usa saia curta como alguém provocativo que é responsável por ser invadido e exposto, sendo que na realidade, nem deveria existir abertura pra tamanha ofensa.
Mas tudo fica ainda mais impressionante quando é exposto que a mãe de um dos alunos, também é a principal pessoa a lidar com regras infrigidas, e a única à quem poderiam recorrer. Isso cria um distúrbio, abre brecha pra continuarem, mas felizmente Nanno surge pra trazer e fazer justiça.
Há um momento único de tortura física, em que um cachorro é usado pra devorar as bolas de um dos garotos que ousou demais. E a aparição desse animal cria um precedente novo em Garota de Fora: Ela tem um aliado.
Ele apareceu no primeiro episódio também, ao lado do garoto que sofria bully e como um teste pra ver se ele projetaria o que faziam com ele, no dito animal, para se proteger. Mas ele poupa o cachorro, o que é bem simbólico na obra que "espelha" os feitos do Bully no Sky.
Mas aqui, o cachorro aparece como guardião de Nanno, não que ela precisasse disso.
O ponto alto do episódio é quando o plano real das meninas, delegado por Nanno, vem à tona, justamente no dia das mães, envolvendo as mães dos delinquentes.
E cara, é um dos momentos mais apoteóticos que vi na série, ao mesmo tempo de ser algo muito desconfortável. E olha que pegaram leve viu, pois se a série quisesse poderia ter vulgarizado tudo e tornado tudo muito mais explícito, mas ela tem um controle bastante preciso do que precisa ou não mostrar, pois o tema funciona mesmo sem revelar de mais.
Por fim, houveram dois problemas graves com o episódio que me pareceram desinteressantes.
O primeiro, e Nanno mostrar a própria calcinha, o que foi uma promessa aos pervertidos de plantão que assistem ao longo de todo o episódio, mas não era necessário. O episódio o faz como se carimbasse um selo de "tortura visual" para quem assiste, mostrando ela se expondo e feliz por tal.
Mas eu não entendi a mensagem disso. O corpo é dela, ela mostra pra quem quiser, mas precisava mesmo expor assim? E outra, na tortura psicológica dos caras tarados, que ficam com os olhos forçadamente abertos estilo "Laranja Mecânica", isso realmente seria uma tortura?
Se pensar, eles estavam vulneráveis pra caramba ainda mais depois do líder descobrir que se tocou olhando fotos da própria mãe nua sem saber, mas premiá-los com uma visão de uma calcinha reluzente escrita "Nanno" realmente é um desfecho ruim? Sei lá, eu fiquei constrangido.
O outro ponto ruim foi Sky, retornando. Sim, ele voltou, um personagem que deveria se limitar ao primeiro episódio, permanece em busca de Nanno, permanece vivo inclusive, e será um personagem recorrente.
Ele vê os feitos dela num celular, em outra escola, e parece querer achá-la mesmo ela já tendo ajudado ele. Já houve recorrência de personagens antes, foi o caso da Yuri... mas lá a perseguição se justificava.
Aqui, parece um garoto completamente obcecado além de sua própria causa (que era o bullying que sofria) e quer apenas a Nanno, por querer. Prevejo ele se dando muito mal...
Ah, e outra coisa: Nanno tá pegando o protagonismo sempre! Tanto que agora as personagens foco do episódio, tanto as garotas quanto os garotos, são meros fantoches dela (inclusive não tem nomes, e se tem são irrelevantes). Parece que o show se concentra em mostrar ela revelando algum arquétipo social corrompido, e levando soluções pra condenar os envolvidos, mas Nanno não era de se envolver tanto antes.
Episódio 3
Hater
Não sei se entendi bem mas, pela primeira vez Nanno está totalmente errada em tudo que fez, e ainda sai orgulhosa disso? O episódio em si é muito interessante, e ilustra uma guerra virtual como se fosse uma guerra física e tá bem legal isso...
Todos estão no celular, numa briga de #salve ou #bane e pra ilustrar isso, a série mostra uma guerra de pessoas mascaradas num pátio enorme, valendo todo tipo de violência como protestantes new age. E ai que tá, isso é uma representação da galerinha usando contas nas redes, rostos falsos, nomes como disfarce, e encobrindo suas reais personas.
Mas o resto do episódio só não faz sentido algum.
O vilão é um hater que não gosta de um famoso da sala dele, o grande e amado herói, que tem um canal onde posta vídeos bobos ao lado da cachorra de estimação dele, e por isso, e o fato de ser rico, e o fato de ser bonito, e o fato de ser falsamente adorável com todo mundo, torna ele cada vez mais famoso.
Enquanto isso o vilão, que é isolado, tem seu canal nas redes ignorado por todos, não tem amigos, e até mesmo perde em atenção pra própria mãe (que segue o colega dele e ignora ele o tempo todo) extravasa criando meia dúzia de contas falsas pra bancar um hater, dando deslike, xingando, enfim, coisa de otário.
Mas ai vem Nanno, e força ele a se tornar um líder comunitário digital, apurando fatos, pegando verdades e expondo sobre o famoso, e fazendo de tudo pra derrubar a fama dele só por pura inveja, mas simultaneamente fazendo algo relativamente justo: Mostre a verdade pros fãs dele.
Tipo, ele é famoso por ter resgatado uma cadela e cuidado dela, mas isso era mentira, ele COMPROU... poxa vida, comprar ao invés de adotar ou resgatar, e depois mentir sobre isso pra crescer em fama? O cara merecia ser exposto!
Mas talvez não do jeito que foi, apesar disso só ter servido pra alavancar ele nas redes... a questão é que o papel de Nanno nisso tudo foi absolutamente contraditório.
Ela ferrou com a vida de um cara que já era ferrado, afinal ele ainda era pobre tá! Eu fiquei com pena do hater, e estou realmente sem entender qual a mensagem desse episódio.
Enquanto no primeiro, um Bully é vencido com Nanno estimulando Bullying contra ele, e no segundo assediadores são vencidos com assédio contra eles, agora a coisa simplesmente foi totalmente desequilibrada.
Um hater sofrendo hate? Claro que não, ele foi humilhado, perdeu tudo que tinha, e ele nem tinha muito.
Isso tudo enquanto um figurão todo cheio de mimos se dá bem, pisa no cadáver figurativo dele, e ascende à fama.
É sério, essa é a imagem de justiça! Eu fico imaginando, é assim que todo famoso se sente quando vence um hater? Pois tecnicamente, se a pessoa não gosta do que você cria, esmagar ela e pisar nela não deveria te dar satisfação, deveria te fazer rever o público que você alcança isso sim. Talvez escutar e tentar entender o que a pessoa não gosta, ou só ignorar mesmo, mas sério, usar ela como peso morto pra crescer? Magnífico isso, muito inspirador... nossa que coisa linda viu.
Ta de sacanagem que essa era pra ser uma história de redenção midiática? Nossa, vamos mostrar como os haters são ruins pra sociedade virtual, fazendo ele parecer o único sensato e injustiçado de toda a obra.
Se essa nova Nanno já não convencia, agora então me perdoe mas, pelas regras dos 3 episódios, eu abandonaria a série.
Muito ruim, e piora... mas piora muito.
Sky é o Protagonista
Terceiro episódio e agora o nosso amado Sky aparece tanto no começo, quanto no meio dele... e caramba, ele ta realmente stalkeando a Nanno.
E ela sabe disso, e tá gostando disso, ta deixando isso acontecer, pra?
Essa Nanno... sei não... tá muito errada.
Ou ela não é a versão correta, tá distorcida e corrompida apenas existindo pra levar o caos, ou de fato os criadores perderam a mão e esqueceram a essência da personagem.
Afinal, criar um par romântico pra ela que viaja entre realidades e sempre sabe onde ela está, ai já foi longe demais.
Episódio 4
OnlyNanno
É, oficialmente a série se perdeu.
Este episódio é longo, repleto de silêncio incômodo, promessas vazias, e um sentimento de nada a contar.
É evidentemente uma crítica às redes sociais adultas, onde rolam trocas de imagens, vídeos e favores sexuais. O problema é que a série não consegue mostrar isso, nem mesmo na onda sugestiva que vem seguindo.
Há nudez, mas não de personagens como Nanno ou a vítima da vez, e sim de um modelo nu artístico desfocado numa aula de arte. E isso até sugere que ao longo do episódio haverão cenas desconfortantes, mas a ideia se perde num limbo.
O pior é que dessa vez tiraram completamente os holofotes do personagem principal, pra focar somente em Nanno, e o significado do episódio inteiro se perdeu num fanservice distorcido, sem nada demais, apenas um monte de sugestões vazias.
A protagonista é Blosson, uma moça universitária que gosta de seduzir nas redes, e fica se expondo em troca de elogios. Ela nem chega a ficar nua, só que ela é famosa pra caramba na universidade que frequenta, pois grava vídeos e faz lives dizendo coisas sujas como "Eu to de pijama" ou "Ai safadinhos".
A série agora sai das escolas convencionais e vai pra universidade pois num tema desses, não podem haver menores. De certa forma isso não quebra o padrão de Nanno, mas prejudica a imersão, já que tudo fica num tom bem infantilizado. O plottwist mesmo, onde um adulto pagaria pra dormir com a vítima, acaba ficando sem qualquer impacto afinal, são dois adultos, e foi tudo consentido.
Tentam desviar o foco do tema, repetindo incansavelmente a frase "Meu corpo, minhas regras", numa alusão ao fato da personagem se dar liberdade de vender o corpo e imagem, mas convenhamos: O corpo realmente é dela, e ela não fez mal pra ninguém... ela já é adulta, ela nem foi longe demais, ela na verdade espalhou uma ideia de liberdade, só isso.
E se o tom da obra já não caísse bastante por essa censura conceitual, ela se auto sabota ao botar tudo somente na conta de Nanno.
Nanno surge do nada, invejosa pra caramba, e abre uma conta no "OnlyNanno" (paródia do Onlyfans) e começa a elevar o nível das apostas. Ela passa a mostrar o sutiã, tirar a calcinha, provocar os fãs com palavras provocantes, e até marcar encontros por doações à universidade.
Cara, que realidade bizarra é essa? Numa obra que se leva a sério, esse "elevar o nível" iria bem mais longe. E nem precisava mostrar nada, bastava sugerir. Há inclusive uma parte em que ela "se abre" pros tarados no chat, mas a câmera mostra apenas o necessário pra gente entender, o que funcionaria, caso repetissem a fórmula sem medo...
E tinha espaço pra mais coisas assim rolarem, contextualizando e deixando claro o tema, pra quem não entende a razão dela ficar encarando um celular no escuro... só que a série não consegue fazer muito.
A Blosson fica enciumada por perder a fama na universidade, e tenta sabotar a Nanno, mas nada acontece.
Ela apenas vira um personagem secundário na multidão, que Nanno insiste em falar que é tudo graças a ela... e tudo isso pra? Se Nanno não lembra que ela existe, ninguém lembra dela.
No final, Nanno transa com o diretor, e é conceitualmente "estuprada" pelos demais estudantes que tinham pagado pra participar de um sorteio de "uma noite com ela". Só que isso é bem mal feito.
Ela marca de dormir com o diretor publicamente (sem dizer que é o diretor claro), e dá endereço e hora do evento, e todos os demais pervertidos vão pra pegar ela no flagra e tirar vantagem, mas ao invés de fecharem uma porta e deixar a sugestão pra nos perturbar... eles apenas fazem os caras esquartejarem a Nanno...
Com muito efeito especial, sangue falso (digital mesmo, colocado no pós produção e visivelmente falso). O ruim disso não está na representação da violência contra o corpo humano, trocando carícias por esquartejamento, mas na redução do impacto que isso causa se comparado ao que poderia causar.
De fato, apenas afastar a cena, mostrando Nanno sendo coberta por homens, e depois focar em outra coisa, já deixaria um trauma evidente. Mas fizeram escolhas ruins, e ainda encerram o episódio revelando que Blosson não aprendeu nada.
Continua a sacanagem nas redes, mas agora com mais liberdade ainda, e aquela mensagem incômoda ao público de que, há certas lições que mesmo chegando ao extremo não ensinam pra quem não quer aprender.
A pseudo protagonista encara a câmera, chorando e sorrindo enquanto tira a roupa e... baita final legal né? Seria se o episódio conseguisse construir isso de forma digna.
É apenas vazio. Uma ideia interessante, mas que precisava de acidez, coragem e ousadia, pra funcionar, e não apenas caras, bocas e muito silêncio.
Pareceu só uma história bem infantil, que quer expor uma realidade bizarra, mas não sabe fazer isso. Essas coisas, de garotas expondo os corpos ou até se vendendo, acontecem, mas do jeito que a série mostra, parece tão bobinho o tamanho risco que correm.
Também ridicularizam a escolha pessoal, a liberdade, dizendo que "Ela se mostrar é um pecado punível com a Nanno" quando na realidade, qual o verdadeiro risco de se expor nas redes? Aqui isso não ficou nada claro.
Resumidamente, é como se a Nanno tentasse falar que roubar é errado, e pra isso mostrasse um vídeo de um cara pegando o nariz de uma criança, naquela brincadeira do "Peguei seu nariz" com o polegar entre os dedos, e depois saísse em câmera lenta, enquanto a criança chorava acreditando que perdeu o nariz.
Então? Baita trauma ver que o nariz da pobre criancinha foi roubado né. Nanno encerraria dizendo "Viu, nem todos estão felizes" faria cara de maligna e sairia com a trilha sonora dela ao fundo.
É bem ridículo.
Sky Outra Vez
No meio do episódio ele aparece e tem um encontro num cinema com a Nanno. Cara, ela faz ele vencer um sorteio de doações, pra ter um encontro sensual com ela, mesmo ele não tendo doado nada.
Já é esquisito ver que o cara tá tão stalker que até o Onlyfan provisório dela ele achou, mas o mais bizarro é ver que Nanno tá estimulando ele.
E o tal encontro sensual, é um cinema, vazio, e só isso. Sem beijos, sem nada além, apenas um filme. Em que mundo isso é sensual?
Ainda bem também, afinal imagina já entregarem a grande reviravolta, do Sky pegando a Nanno, ainda no quarto episódio.
Vão arrastar a ideia até o fim, e provavelmente vão dizer que foi tudo um plano longo dela, pra torturar um stalker.
Se bem que, a série já se perdeu tanto, que tá longe de funcionar.
Episódio 5
Carregando...
Conclusão (Provisória)
Bem, semana que vem tem o próximo episódio, agora mostrando Nanno em outra escola, com novos personagens coadjuvantes e uma nova batalha.
Então trago meu parecer semana que vem.
Por enquanto, a série parece excelente, em padrões técnico e visuais. Inclusive se parar pra pensar, mesmo com censura (só não mostram muito sangue ou nudez mas tudo acontece do jeito bruto de antes), ela é pesada e pode ser gatilho pra algumas pessoas.
Essa é, querendo ou não, uma continuação de Garota de Fora e preserva sua qualidade.
Mas a nova Nanno tem muito ainda pra lutar, pois se usar apenas os primeiros episódios como base... ela ficou um pouco forçada.
Os trejeitos dela são similares ao da antiga, a risada alta e forçada também, mas tudo vem fora de tempo. Ela precisa só de um ajuste aqui e ali, e ficará ótima.
Quem sabe aqui nasça um tipo de "Doctor Who Feminino Tailandês Escolar", onde a cada ciclo uma nova Nanno possa vestir a camisa.
E não, não aconteceu nada disso.
Na verdade a série quer abordar temas sensíveis como abusos, prostituição, tortura psicológica, mas sem mostrar nada disso. É como querer falar de guerra, mostrando um jogo de UNO. A premissa pode ser a mesma, mas soa leve demais pra verdade que quer escancarar.
Essa autocensura contínua só destruiu a proposta de Garota de Fora, deixando tudo infantilizado e leve pra um público que nem vai consumir tal obra.
Seria curioso...
Enfim, até a próxima...
Ou melhor...
See soon.
8 Comentários
Q negocio horroroso
ResponderExcluirO texto ou a série?
ExcluirSe for o texto: Poxa... pelo menos leu rs... obrigado pela leitura e comentário em todo caso, mas eu fiz meu melhor.
Se for a série: Poxa... os caras se esforçaram! A série tenta continuar mas não tem coragem pra assumir por isso veste o manto de spin-off de outro universo, mas em todo caso só sabermos tudo no final. Pelo menos no quesito "trama", ela não entrega uma história boba, ela sabe desenvolver e surpreende, e é um terror básico baseado em bullying. Genérico? Talvez... mas é só o começo...
Vamos dar uma chance, e torcer pra na verdade tudo isso não ser uma passa de bola pra ocidentalização hollywoodiana...
Seus argumentos são contraditorios.
ExcluirPerdão, não quis ser contraditório, mas talvez tenha me expressado mal. Prometo que nas próximas atualizações serei mais metódico e menos vago!
ExcluirSobre o ep1 - como fã da garota de fora, minhas expectativas estavam bem baixas, mas gostei do tom da série, o episódio começou em um ritmo lento, mas quando ele engaja ele vai de uma vez, do dublado eu fiquei feliz que mantiveram a dublados original(ou parecida) o que não gerou tanta estranheza. Animada pro ep 2
ResponderExcluirOpa, de certa forma pelo menos não foi uma tragédia, agradou. Vamos torcer pra que ao longo da série não estraguem, e mantenham o compasso. É uma nova onda né.
ExcluirTambém estou ansioso pra ver o segundo episódio. Pela regra dos 3, é no terceiro que nossa percepção sobre o conteúdo se esclarece. Até agora, ta mais positivo que negativo rs. Mas não escondo: Sinto falta da Nanno raiz.
Dizer que o saldo até agr é mais positivo do que negativo é contraditorio com quase tudo q escreveu.
ExcluirVish rs, vou buscar ser menos contraditório nas próximas atualizações.
ExcluirObrigado demais por comentar, isso me estimula a continuar.
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