Demo_N
Eu achava que já havia visto este filme, pois seu nome e formato lembram muito um que vi no passado, mas na verdade ele é uma nova experiência bem interessante. Tem outro filme com praticamente a mesma ideia, chamado "e-DEMON" e isso pode confundir.
Na verdade, o filme é bom mas erra muito em pequenos detalhes que comprometem sua qualidade geral, ainda assim, de tantos outros do gênero, ele facilmente se destaca.
A história é sobre 4 amigos conversando via webcam, até que um jogo de terror aparece pra um deles, que só de curiosidade, ferra com a vida de geral ao jogar.
A proposta mais interessante deste filme é a troca de câmeras, algo que normalmente condeno, para literalmente um jogo online. Não é a primeira vez que algo assim é feito, mas pela primeira vez foi bem feito.
Bem, bora falar mais, explico as comparações, e também onde o filme infelizmente errou.
Boa leitura.
Resumo do Filme
Gary, o protagonista é um escritor que tá desempregado e tentando se virar, e aparentemente ele é gamer, e testa jogos. Um dia enquanto tá se preparando pra um filme em casa compartilhado com seus amigos online, ele recebe um convite pra testar um jogo.
| Nem existe link "htpp", nem tente acessar o link, o jogo não existe, mas seria uma promoção excelente! |
Durante a confraternização ele entra no jogo por curiosidade, e uma vez cadastrado, o jogo passa a perseguir e matar seus amigos, a cada nova fase.
Acontece que, todos ali viram personagens do jogo, e a função do protagonista é derrotar o demônio antes dele alcançar seus amigos. Mas ele falha, falha miseravelmente.
Legal que no final tem até luta de chefes, apesar de não haver muito detalhamento de como o jogo em si funciona.
E através da animação dos personagens, temos um pouco daquele sentimento de torcida.
Foi bem realista nesse caso. e é literalmente um monte de desenhos.
No fim, o protagonista não zera o jogo corretamente e por causa disso, paga com a vida dele e de todos os outros.
E um jumpscary desnecessário.
E fim
Atuações
Antes de mais nada um acerto do filme foi os atores. Eles soam naturais, pelo menos não parecem ler roteiro e apesar de algumas aceleradas na fala as vezes, eles se saem bem e convencem como pessoas reais, o que é extremamente necessário para filmes assim darem liga.
Fica nítido que são amadores mas, amador é bom nesse caso. Triste os momentos em que tentam emplacar reações e acabam passando do ponto mas nada disso estraga a obra. Aliás, o maior trunfo dela foi ter imitado a técnica de "Bruxa de Blair", inserindo atores não renomados pra interpretar eles mesmos.
Os nomes são deles, fazem piadas com alguns, comentam sobre experiências de vida reais e isso apenas acrescenta à obra, e além disso, em caso de pesquisa posterior a tendência é confirmar que "tudo foi real pois ocorreu com pessoas reais" e, convenhamos que tal técnica dificilmente funcionaria em 2025 pra 2026 mas, foi uma boa tentativa.
A Web-Cam
A grande pergunta que nos fazemos quando vemos um found footage não é quem o encontrou, mas quem o gravou. Sempre que um cineasta vai usar esse estilo precisa separar um tempo pra pensar em como responder isso sem grandes rodeios, e apesar de aqui quase responderem, faltaram detalhes.
É que todo o evento ocorre em uma chamada de vídeo, o que já estabelece a "câmera", só que não fica claro a razão do protagonista gravar a tela do computador, e nem fica estabelecido o programa que ele usou. Na verdade, fica parecendo que a plataforma que ele usou salva as conversas online, ou que ele foi hackeado antes de tudo acontecer, mas ainda assim, há falhas grandes em como tudo isso é mostrado.
Há também uma transição momentânea pra câmera do celular dele, mostrando um passeio dele pela casa no final do filme, o que apenas não se encaixa na ideia. Afinal, se a chamada era a fonte do vídeo principal, onde e como ele achou conexão com esse vídeo pelo celular?
O filme teve espaço pra introduzir essa ideia, mas não o fez, o que configura fuga do estilo (infelizmente). Fuga do estilo é quando um found footage abandona o formato de câmera amadora e vai pro formato de gravação convencional, em terceira pessoa. Apesar de aqui eles mantiverem em primeira pessoa, com a câmera no plano principal, a soma de celular na chamada não se aplica com coerência.
De resto, ele é exatamente como todo Found de Web-Cam: Lento pra caramba no começo, cheio de conversas, e com um salto repentino pra eventos perturbadores a partir da metade.
Consistência e Continuidade
A ideia de filmes assim é também mostrar um evento contínuo, sem pausas ou com o menor número de cortes possíveis, como uma gravação real sem edições. Mas aqui, apesar de ser bem feito no quesito filmagem, ele falha muito na edição.
O filme não apenas é fatiado o tempo todo, causando desconforto visual pela troca de foco constante, como ele ainda usa truques de câmera pra aproximar ou afastar, coisas feitas puramente via edição.
É algo que acontece tanto, que prejudica momentos chave, em que o espectador deveria naturalmente prestar atenção em algo e desviar o olhar do que realmente é importante, mas a câmera apenas se move por ele, apontando exatamente onde olhar e tirando o suspense.
É outra falha que neste caso estraga bastante a imersão em cena.
O Jogo
O maior acerto foi a dinâmica entre o jogo de terror encontrado, e o filme em si. Ele inteiro se entrelaça com esse joguinho que, mesmo sem ser complexo tem carisma, e ele sozinho causa inquietação e um pouco de medo.
É um jogo 2D de plataforma, online ao que parece, em que o jogador move o personagem por ruas, pula, pode atacar com machado, e pronto.
O contexto é de uma invasão de demônios, e o jogador deve salvar os amigos, o que se conecta com a chamada em vídeo colocando todos os participantes como possíveis alvos.
E isso dá muito certo (ou errado no caso das vítimas), pois quem assiste faz suas apostas no jogador, e fica antecipando o que acontecerá, torcendo pra que o jogo se desenvolva mais mas ao mesmo tempo, temendo o que vai rolar.
A ideia foi perfeita, e foi bem aplicada. Há sim falhas aqui e ali, muito pela edição posterior à conclusão do próprio filme (me pareceu que o diretor não confiou na obra mas parada e quis guiar o espectador com a mão), mas foi divertido assistir.
Inclusive em algumas cenas de terror, que contrastam com o surreal, mostrando mortes através do jogo, e o resultado no mundo real. Cara, isso foi épico, e poderiam ter feito muito mais disso, ao invés de apelarem pra jumpscarys baratos e maquiagens como todo filme faz.
Suspensão da Descrença
Quatro pessoas se falando via webcam, paradas, morrendo sem reagir... é meio bobo de assistir.
Ninguém pensa em desligar os computadores, ninguém tenta fugir ou pedir ajuda, nem tem qualquer evento que force eles a retornarem depois do primeiro choque.
Relevar tudo isso é complicado, mas felizmente a curiosidade pra conhecer o jogo e o seu chefe final é tão grande, que a gente consegue fazer isso.
É como ver um streamer jogando e, mesmo notando que ele tá sendo muito ruim, continuamos assistindo pra ver como ele chegará no final.
Edição Sonora
O pior foi o que fizeram com os sons. Desde o começo do filme há um barulho de chuveiro bem alto, que chama muita atenção. Dá a impressão que o protagonista tá com alguém em casa tomando banho, o que já levanta suspeitas pois normalmente esses sons são abafados pela web-cam.
Mas ai que tá, não é um chuveiro, é uma chuva, totalmente artificial e aplicada pós produção, pra dizer que do lado de fora da casa dele tá rolando uma tempestade. Isso foi desnecessário, prejudicou a obra, e mesmo que tenha sido usado pra sei lá, mascarar erros de mixagem, isso foi uma péssima decisão.
O barulho de chuveiro distrai, faz parecer que é algo de importância, e não é (nunca utilizam a chuva como artifício de terror, sem relâmpagos, sem quedas de energia, sem nada que justifique o uso desse som). E o pior, é que ele é repetitivo e muito alto, além de no final mudarem pra outro som de tempestade genérico, com direito a barulho de vendaval, sendo que... nada disso precisava estar no longa.
Outro ponto erradíssimo foi uma pequena parte em que o protagonista coloca uma música do spotify, talvez pra se promover, e começa a dançar. A música fica ininterrupta, enquanto o vídeo dele dançando é totalmente recortado e montado, cheio de saltos temporais que sabe-se lá como se sincronizaram com o som.
Isso é outra fuga do gênero, afinal um found footage que se preze não precisa de trilha sonora. E olha que o diretor quase acertou ao incluir tal trilha como algo posto por ele próprio, com um clique filmado pra gente saber de onde tá saindo, mas o editor (que também foi ele) recortou o vídeo, e mixou o áudio por cima.
Parece algo técnico demais né? Mas quando se trata de uma obra que precisa ser realista, mesmo que soe amadora, cometer uma falha desse tipo só joga todo o esforço de filmagem no lixo.
Encerramento
Eu queria ver um found footage, achei esse, e gostei apesar de tudo.
Sinceramente? Recomendo por causa do joguinho.
Mó legal, personagem sai andando matando os demônios, curti mesmo. Foi diferente, apesar de uma vez eu ter visto um filme que tinha quase a mesma premissa... mas uma qualidade ainda mais inferior chamado "Deadware"
Bem que eles poderiam ter feito um joguinho simples pra promover o filme. Daria certo.
É isso.
See yah,
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