Crítica: Buddy - O Unicórnio Laranja

Buddy



Apesar de ter ficado animado e ansioso pra assistir essa obra, criada pelos mesmos que fizeram "Too Many Cooks", eu sinceramente me decepcionei.

O filme é sim bem interessante, tem uma premissa bizarra e ainda por cima é um terror bem feito, porém ele também abraça o lado da comédia, basicamente sendo um filme de humor negro e infantilizado com traços de horror.

Basicamente, alguém teve a ideia de fazer uma história em que o Barney, o Dinossauro, realmente existia, e pensaram nas consequências surrealistas que uma entidade como ele poderia criar para permanecer existindo.

Como algo evidentemente falso pode soar realista ao ponto de ser considerado verdadeiro? Na tentativa de responder tal dúvida, criaram o Buddy, o Unicórnio Laranja que vive do amor.

Enfim, bora resumir a história e explicar tudo.

Boa leitura.

Explicando o Buddy



Buddy é uma paródia do Barney, isso é bem óbvio. Ele é um boneco de unicórnio que cresce e interage com as pessoas que o invocam dentro do seu próprio show, cantando músicas, ensinando coisas positivas, brincando.

E ao término de todo show, com uma música feliz de amor e carinho, e um grande abraço, tudo recomeça.

Assim como no programa de televisão infantil do dinossauro roxo, tudo é bem inocente e meio surreal, afinal, crianças vivendo com dinossauros falantes é obviamente ficção... mas e se não fosse?


O que "The Buddy" faz é abordar um lado estranho, porém curioso, onde exploram a possibilidade do programa ser totalmente real para aqueles que nele vivem.

E, de fato, se olharmos pros personagens dentro da Vila Sésamo, ou Cocoricó, ou o próprio Barney, todos ali vivem ali, sejam pessoas, bonecos, fantasiados ou fantoches. Todos que falam, conversam, riem, brincam e cantam são iguais, e vivem num mesmo lugar.

Tenha isso em mente, que este é o universo que irá testemunhar, e a ideia começa a ficar mais coerente.

O absurdo de crianças vivendo dentro de um programa com um unicórnio é apenas a ponta do iceberg que a história quer contar.

Afinal, elas nem sempre estiveram ali.

A Magia e a Entidade



Buddy é um tipo de ser mágico que pode puxar pessoas para dentro do seu mundo televisivo. Quase como uma creepypasta, a criatura simplesmente atrai a atenção de crianças ou adultos, e os puxa pra televisão, direto pela tela mesmo, enquanto apaga suas memórias, tanto do mundo real quanto de si mesmos.

Todos que entram deixam de existir do lado de fora, são esquecidos, e lá dentro são usados como atores em papéis designados pelo próprio Buddy.

E o motivo? Sobrevivência. Buddy depende do amor das pessoas pra continuar existindo, quase como um deus que precisa que tenham fé para que ele tenha poder.

Isso nunca é diretamente explicado, não há um investigador do lado de fora da história pesquisando sobre e expondo as verdades para que nós, espectadores, entendamos. Muito pelo contrário, a graça do filme é justamente ele não tentar explicar.

Ele nos mostra, sem precisar falar.

Que tipo de Terror ele é?


A parte chata é que o terror não é muito eficiente. Ele é cruel, não mede esforços pra chocar, mas tropeça muito na outra característica: humor.

Terror e humor costumam se dar bem, é mais fácil assustar quando estamos abertos e rindo, mas aqui tudo é um pouco desengonçado, eu diria.

É que temos um elenco majoritariamente infantil, em uma situação quase sempre bem infantil, com danças, músicas, coreografias, lições de moral, coisas que qualquer criança vendo até curtiria. Agora, nós, como adultos, nos sentimos meio imbecis vendo isso.

E o desconforto por nos prestarmos a parar pra assistir algo tão bobinho não compensa quando um unicórnio começa a chifrar as crianças, ou decapitar adultos fazendo sangue jorrar pra todo lado.

Pois, mesmo havendo medo nítido no olhar da criançada, ainda são só um monte de bonecos com sangue falso, sons de tensão forçados, piadas visuais que destroem qualquer clima.

É como a cena onde as crianças estão tentando conversar sobre as bizarrices que testemunharam, e o boneco do Buddy fica só observando. É engraçado, ao invés de tenebroso. E o filme, ciente disso, reforça a graça, o que tira completamente a gente da imersão.

Mas ele se mantém firme na crueldade, não poupa ninguém, e nem tem medo de ser terror. O filme exagera em algumas cenas, mas ele vai além do mero gore e violência (algo que até foi leve se parar pra pensar que ele mal mostrou tudo), ele parte pra algo bem mais perturbador: o psicológico.

Terror Psicológico



As entrelinhas da história são o maior marco dele, e são o maior atrativo pra mim. O filme tem muita mensagem subliminar, e uma subtrama ali escondida pra gente tentar interpretar.

Ele surfa na ideia de deixar o público imaginar, investigar e conversar sobre o que viu, mesmo sem oferecer muitas pistas para tal.

Todo o terceiro ato foi uma grande indicação de que ele quer que discutamos sobre. O filme deseja que criemos teorias e façamos o serviço de entender sem ter nada mastigado... e isso é muito bom.

Inclusive, ele se iguala, ao meu ver, ao Backroom. A ideia de fazer algo minimamente caótico para, no fim, o público buscar significados, é uma ótima estratégia pra manter nossa atenção, e puxar de volta constantemente.


Quem não vai querer teorizar sobre o unicórnio mudo branco no final? Sobre a verdadeira forma e natureza do Buddy odiado? Sobre os três unicórnios?

Quem não vai querer falar sobre as consequências da magia dele? Sobre o que houve com a personagem sobrevivente e como as coisas vão se resolver, mesmo se tudo deu tão errado?

Tem muita coisa em aberto, e o filme sabe bem disso, pois é o jeito dele nos torturar psicologicamente, e fazer de seu terror ainda mais eficiente.

Horror



Violência explícita ocorre, mas mesmo com um elenco infantil envolvido (jamais poupado), o filme ainda pega leve.

Todas as cenas em que uma criança morre, ele censura de leve. Nunca mostra diretamente, apenas insinua e taca groselha.

São cenas tensas no geral, mas perdem isso rapidamente, pois na maioria das vezes são guiadas por humor e não por suspense.

Não colocaram nem mesmo gritos de medo ou morte, coisas que certamente agravariam muito os momentos.

Aliás, o único momento em que incluem um grito de medo real é numa cena onde nada acontece, apenas uma personagem se recorda de algo que não deveria e reage.

Uma mãe lembrando de uma filha que foi raptada, e percebendo que jamais a verá. É cruel, é perturbador, mas é minimizado pelo enredo, criando momentos leves e de graça paralelamente.

O erro está talvez nisso, a proximidade do humor e piadinhas com cenas que pediam suspense e seriedade.

As duas coisas, que outrora eram harmônicas, praticamente se anulam.

Terror Corporal



Em alguns momentos o filme tenta apostar naquele terror baseado em carne exposta e cenas grotescas. Em alguns casos, inclui até abuso físico, onde o Buddy beija e lambe uma enfermeira adulta, e confesso que é bem bizarro, até porque a língua dele é de pano, assim como todo o resto, mas ainda é bem invasiva e... medo.

Digo isso pois há muitas situações em que apostam alto nessa mescla: criaturas fictícias que sangram, lembrando muito, por exemplo, "Hug Me I'm Scared", um programa de poucos episódios do YouTube onde as criaturinhas coloridas e os objetos falantes e cantantes tinham sangue e carne por dentro que às vezes eram expostos.

Essa bizarrice incomoda, mas como o próprio programa é infantil e busca se infantilizar até começar a mudar, isso reduz o impacto. Ficamos anestesiados, pois, uma vez que tudo ali já soa estranho, isso só se enrola com o resto.

Os personagens humanos também sangram e, nesse caso, sabemos muito bem disso, mas eles são mostrados em paralelo com as criaturas mágicas, e as duas coisas não se misturam tão bem, não.

Faltou talvez um pouco mais de exagero, para destacar bastante esse lado da violência, afinal, tinha que ser algo inversamente proporcional. Pra cada momento de infantilidade, deveria ter o dobro de agressividade pra compensar e nos lembrar que é terror.

Mas tudo é feito tão leve que até no ápice soa mais engraçado do que perturbador.

Um Estilo de Filmagem Diferente



O longa quase inteiro se passa no programa de televisão, e ele realmente assume esse papel. Com trilha sonora acompanhando os personagens, com músicas, coreografias, transições e montagem, quase como se tudo ali tivesse passado por produção e edição, mas num tempo recorde, sendo inclusive em tempo real.

Não é como um reality show, mas ao mesmo tempo se parece bastante. As "câmeras" não existem, mas se comportam como se existissem. Os cenários são falsos, mas são tratados como reais até deixarem de ser, e inclusive um dos plot twists é baseado nisso.

E isso é algo que faz parte do enredo, afinal, os protagonistas, formados por crianças felizes que aprendem boas lições, mas só existem dentro do programa, e adultos funcionários como carteiros e enfermeiras que existem apenas pro suporte do elenco infantil no que eles não podem fazer, e claro, a parceira do Buddy, a coelha que está lá como sua assistente, sem contar os muitos objetos vivos como Caixa de Correio, Mochila, Poço Falante dos Desejos Mágicos, Sofá, Trem, e por aí vai.

Todos convivem harmoniosamente, e todos existem em igual peso. No mundo da televisão, tudo ali é normal, e os personagens tratam isso como normal, pois é realmente normal.

Isso causa uma tremenda estranheza, afinal, se é um programa de televisão, e todos ali sofreram lavagem cerebral, por exemplo, eles perceberiam as câmeras, eles notariam e reagiriam às mudanças, como troca repentina de um personagem por outro.

Mas, na verdade, a história também é sobre eles terem normalizado o anormal e bizarro. O fato de estarem presentes e confortáveis com o universo em que existem, e principalmente o fato do universo permanecer funcionando daquele jeito, é algo poderoso na trama e no terror.

Em uma parte, vemos o mundo de fora, e como esse universo soa pra quem tá do lado de fora, e é ainda mais perturbador. Afinal, o programa é como uma maldição que só aparece pra quem quer, e pra quem ele precisa aparecer. Somente crianças o enxergam, somente quem o deseja o percebe.

E ele se alimenta deles. É absurdo? Mas perfeito ali.

Desfecho



O fim do filme é ruim, no sentido bom da coisa. Ele encerra sem resolver totalmente o problema, e deixando claro que tudo tem consequência.

A sobrevivente que escapa sai feliz, mas sem entender nada ao mesmo tempo. É um ótimo final pra terror.

Uma pena que o próprio filme cambaleia tanto entre os dois gêneros opostos, que no fim não convence, mesmo sendo excelente.

Mas, pra explicar esse ponto, não vejo alternativa a não ser resumir tudo então, bora lá.


Resumindo a História - Spoilers


A primeira parte do filme é focada em sketches do Buddy, como um programa infantil completo e episódios sem nada relevante.

Mas tudo começa a ficar estranho com um garoto se recusando a entrar na brincadeira, talvez por ter depressão ou por estar desinteressado mesmo, não caindo na magia do Buddy.

Por causa disso, Buddy extermina ele fora das câmeras, e quando um novo episódio começa, apenas uma garota nota a estranheza, vendo sangue nos pertences deixados pra trás de seu amigo.

E da percepção nasce a dúvida: seria Buddy um perigo? As crianças começam a conversar, passam a evitar ele, desrespeitar o programa, até irritá-lo.

Então começa a matança. Buddy passa a massacrar os adultos primeiro, um a um, descontrolado, enquanto ameaça as crianças. É algo que acontece com relativo suspense, mas usam de piadas como, por exemplo, numa parte em que as crianças pedem pra enfermeira falar com Buddy sobre o sumiço de uma delas.

E enquanto espionam e percebem eles se dando bem e rindo, pensam que está tudo certo, até se virarem e a mochila falante da protagonista olhar e dizer: "Pois é, veja como ele enforca ela normalmente." E eles veem Buddy espancando a enfermeira.

São muitas cenas assim que rolam, com inclusive os personagens às vezes olhando fixamente pra um ponto, e a câmera se deslocando pra mostrar, mantendo um certo suspense, mas nunca sendo nada tão sério.

Mas uma hora as crianças lutam e reagem contra a ameaça do bonecão, e conseguem feri-lo e fugir. Há perdas, mas eles conseguem escapar ou pelo menos tentam.

Nessa parte nos é revelado que Buddy se cura caso o episódio acabe, mas para que acabe ele precisa cantar abraçado com crianças. É outra mecânica desse mundo esquisito, onde ele precisa dos créditos, é uma necessidade vital dele, para que o show encerre e recomece em um novo e inédito episódio.

O show existe pra ele e por ele, e todos ali são só recursos pro Buddy. A história explica isso mostrando cada vez mais o quanto todos estão nas mãos dele, mas também nem tudo é só ele.

O mundo do programa é vasto, existe a Cidade do Diamante, existem outros habitantes mesmo fora do cenário principal, até mesmo pessoas que sobreviveram fora, como o idoso e seu amante fantoche...

É um cara muito bizarro que anda com um homem barbudo vestindo roupas de criança (evidentemente um sobrevivente de outros shows que escapou). Ele revela que eles saíram pois cantaram a música do Buddy (baseada no "Amo você, você me ama" do Barney), usando palavras de ódio só pra debochar, e isso tinha corrompido o Buddy no passado, por isso eles fugiram, assim como essas crianças agora.

Só que eles viraram bandidos nesse mundo, sobrevivendo através de canibalismo e furtos... até acharem as novas vítimas.

Mas as crianças em fuga só tentam sobreviver, sem lembrar o que há antes ou depois do programa. E, na verdade, todas ali foram sequestradas pelo programa, raptadas e mantidas pra todo o sempre, ou até o Buddy consumir toda a vida delas.

Do lado de fora, uma das muitas mães é mostrada, vivendo normalmente até perceber que falta algo.

A realidade se escreve e reescreve baseada no que Buddy decide, a ponto dele apagar completamente a existência de uma criança, e mudar totalmente a vida da família.

Acontece isso com essa mãe, que de três filhos caiu pra dois, mas acabou percebendo o vazio da perda mesmo sem recordar o que. O sentimento volta, e ela lembra que perdeu alguém, mas não quem.

E isso a puxa pro programa, afinal, ela lembrou de algo relacionado, e no surto, ela vira parte dele, uma nova personagem ali.

Com Buddy ferido procurando a criançada pra resetar seu status, e com o novo elenco sendo alocado, a história caminha pro desfecho com Buddy saindo e encontrando da forma mais maligna que pode, e usando as crianças do jeito mais medonho possível.

Depois ele ainda tenta obrigar elas a se desculparem e continuarem, mesmo tendo testemunhado coisas traumatizantes, mesmo perdendo toda a confiança nele.

Um novo personagem infantil é sequestrado, e sofre a lavagem cerebral dos demais, e é tratado até como piada ali (não deveria, não temos por que rir).

E as crianças se sentem apavoradas, cientes que não durarão, cientes que estão em perigo, mas sem ter com quem contar. Até que a menina protagonista da mochila falante encontra a enfermeira recém-contratada pra substituir a anterior.

Eram mãe e filha, um reencontro que aquece a alma, mas apavora também, afinal, elas sentem o que uma é pra outra, mas ainda estão sob efeito do mundo de Buddy.

Depois disso, a menina decide enfrentar o sistema. Ela canta a música de cura do Buddy, a música do amor, porém invertida. Ela deturba, colocando ódio, palavrões, assim como o homem do fantoche e seu amante tinham contado.

E assim Buddy se converte em um unicórnio dragão sombrio do inferno, feito de pano e papel machê.

Ele sai matando o novo carteiro, os objetos vivos (tadinho do relógio e do sofá), a própria parceira decapitada e ainda brinca com a cabeça dela...

E, no fim, ele caça as crianças, até que a enfermeira salva elas, lutando contra ele, e se lembrando da própria filha.

Mas o amor não existe na terra de Buddy, se não for apenas pro Buddy... numa fuga pro Poço dos Desejos, a mãe fica pra trás.

Pra piorar, Buddy se regenera, reiniciando o episódio usando a força vital daquela criança que recém-capturou pro show. Nesse caso, ela sozinha acaba se sacrificando por conta do amor artificial que ele induziu nela, e ela não sobrevive. Por isso ele ainda precisava das outras.

As crianças, porém, descobrem no poço um segundo Buddy, trancado numa sala de reformas. Esse personagem, que não fala e não deveria se envolver, cuida dos bastidores, reforma os objetos vivos e cria a magia cenográfica.

Ele tenta guiá-las, mas Buddy as alcança e as devora.

Sobrando apenas uma, a menina da mochila, que sai dos bastidores, chega num tipo de escola, onde descobre que todos ali foram consumidos por Buddy. Ele se instalou numa escola inteira, apagou todos da existência, e agora estava expandindo.

Mas ela corre, junto da Mochila Falante e da Caixa de Correio, seus últimos amigos, e os três se unem pra derrotar definitivamente o Buddy.

É engraçado, apesar de sangrento. Ele faz mó discurso fofo sobre amor, sobre ter guiado ela pra se tornar corajosa, sobre a grande lição do dia, e termina chamando ela de vadia.

Com Buddy morto, a menina acha uma saída, achando a sala das televisões, onde crianças do mundo inteiro eram assistidas por Buddy enquanto Buddy as raptava quando se aproximavam. Ele encantava, atraía e raptava nos instantes em que estavam mais vulneráveis.

E ela acha uma saída, uma casa aleatória sem uma criança, que invade passando pela televisão.

E lá, chora muito, pois percebe que, fora do mundo mágico de Buddy, seus amigos também não podem viver. Os objetos viram apenas objetos.

Mas, ainda não é o fim pra ela, pois ela ainda terá de viver, sozinha, abandonada, esquecida, e com completos estranhos, pois a casa pra onde ela vai nem o idioma dela fala.

Moral da história: Fugir nem sempre é a melhor saída.

O que achei dele?



O filme é meio maluco, mas eu esperava justamente isso quando soube que era dos mesmos criadores lá do traumatizante "Too Many Cooks". Só que... acho que o material não foi tão bem aproveitado.

Como sketch ou programa isolado, a ideia em si lembra de um seriado, e acho que talvez teria funcionado melhor no formato de seriado, onde a cada episódio as coisas fossem piorando e pequenos detalhes fossem mostrando o quanto o mundo é bizarro ali.

Em formato de filme, tem pouco tempo pra algo tão complexo ser perfeitamente construído. Mas eles se esforçaram pra dizer o mínimo.

As cenas de violência, que são o principal para atrair quem gosta do terror, são fracas, apesar de apelativas dependendo do público. Dói sim ver um elenco jovem testemunhar momentos tão perturbadores, mas faltou exagerar em gritos, por exemplo.


Cenas fora da tela seriam bem mais assustadoras com adição de sons específicos, barulhos e berros, e senti falta desse tipo de abordagem.

Eu sei, que bizarro, né? Mas é que eu vi no idioma original e essa falha me chamou muito a atenção... faltou realismo em pontos que não seriam tão graves visualmente, mas com certeza traumatizariam qualquer espectador.

Há contudo as expressões dos personagens, as crianças parecem estar com medo real o tempo todo (se não estiverem de fato), e se olharmos por fora, isso soa bem mais pertubador;

Acho que o filme pegou leve, e olha que ele tem momentos bem pesados (o do menino da cerca é o maior deles). Ainda assim, pegou leve.

Ele não é o que parece ser...


Pra terror, está bom.

Não vejo como uma franquia, mas eu nunca vejo isso também. A ideia de satirizar programas dos anos 90 e mostrar um lado bizarro e surrealista foi boa, e a execução foi certeira, só acho que podiam ter ido muito além.

Me lembro muito de um comercial feito nessas sketches bizarras do Adult Swim, onde crianças comem algo que não deviam e viram um monstro de carne e pus, e tem gritos constantes e... cara, é isso que eu esperava ver aqui.

Mas não tem algo do tipo. Os efeitos práticos existem aos montes, são bem feitos, mas na maioria das vezes pendem pro lado cômico.

E por ser algo absurdo e engraçado, perde o impacto com muita velocidade.

Ver crianças sendo torturadas psicologicamente e fisicamente, forçadas a dançar e abraçar estranhos, enquanto são mantidas afastadas da família é algo realmente medonho. Mas a história relativiza deixando tudo com musiquinhas alegres, boas lições, e ainda tirando as memórias delas.

É como assistir os atores existindo somente como seus personagens e pensar: "Será que uma criança que não entende como o mundo realmente é, ao vivenciar um trabalho em filmes do tipo, aprende a enxergar um mundo colorido que na verdade é puramente cinza?"

E se, na verdade, o filme foi uma crítica social para o jeito como usamos a mídia pra hipnotizar nossos filhos?

E se, na verdade, o terror aqui não for a história macabra e sem noção do boneco psicótico que só quer existir e tem uma magia enorme pra tal, e sim for sobre como isso já ocorre o tempo inteiro em toda parte e nós não percebemos.

Quantas crianças colocamos pra ver televisão, celulares, programas em que adultos ensinam o que julgam correto, e assim as transformamos? Será mesmo que o mundo de Buddy é tão surrealista assim?

Eu sempre soube que Barney era do mal.

E o Garibaldo também.

O Come Come, mano, e o Junior do Cocoricó, todos eles são fofos e bizarros demais.

Cuidado.

...

Mortynha é gente boa.

Ela é.

Enfim... See yah.

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