Devil May Cry 2
Segunda Temporada do Anime da Netflix
Eu não iria assistir, optei por fugir da animação, fiz todo possível pra evitá-la, mas não deu, uma hora cedi.
Já esperava que fosse algo ruim, afinal a primeira temporada já foi um chute no estômago de qualquer fã da franquia de jogos, mas insistiram em continuar. O curioso é que a animação em si não é ruim, a história tampouco, e a seleção de música agrada muito.
Tem boas cenas de ação, tem emoção, tem bons diálogos, no geral, é uma animação bem acima da média do que vem sendo apresentado nos últimos anos.
Porém: ISTO NUNCA SERÁ DEVIL MAY CRY. Corrigindo: No finalzinho... melhora.
Segue meu manifesto...
Jogo é Jogo, Animação é Animação
Não falo como fã, por mim que se lasque cronologia, conteúdo cânone, lógica... Eu amo sim os jogos, estão na minha lista de favoritos, mas o que me desagrada é ver a insistência em reciclar personagens, descaracteriza-los totalmente, e enfiar de qualquer jeito numa história que desconstrói tudo o que os 6 jogos principais já fizeram.
Makai? Um mundo diferente cheio de demônios genéricos, ou cópias de seres mostrados nos jogos. Um exército de "sapiens" com poder de invisibilidade, armas super tecnológicas, portais muldimensionais, que tomaram o "inferno" numa guerra por artefatos místicos de domínio mundial? Tipo, cara é sério onde isso é DMC?
Dante sequer aparece no primeiro episódio, que tem mais da metade dedicado a inserir um conceito perdido de guerra de mundos, misturado à conspiração de poderosos, quando poxa, os jogos são sobre o caçador de capetas metendo tiro e espadada em tudo!
Pra que modificar tanto uma história que por si só já tá perfeita? É tanta besteira tacada em tela que simplesmente ofende qualquer um, tanto fã quanto quem caiu de paraquedas na história.
Vergil
Talvez a principal estrela do show nessa temporada é Vergil, personagem que sinceramente foi totalmente destruído na adaptação.
Aqui ele é um cachorrinho do Rei de Makai (inferno, distorcido na lore desta bomba), e tem seu passado traumático com o irmão Dante (que se me lembro bem, era protagonista da série/jogos), e não sabemos a princípio como virou tão leal ao grandioso senhor "do mal" (lembrando que o conceito de maldade é relativo).
Mas a série trabalhará nisso, é o que sugere em seu primeiro episódio... contudo, não importa.
Vergil segura uma lâmina chamada Yamato, arma herdada de seu pai Sparda, um dos "traidores" do mundo diabólico, que selou o mesmo pra salvar o mundo humano e proteger seus filhos, e sua amada. Essa é a história base pra TODOS os jogos, mas foi modificada pra animação pois é assim que querem.
Removeram misticismo, lenda, todo o peso do misterioso personagem, e incluíram explicações científicas, manipulações por poder, um monte de ladainha expositiva e nós só aceitamos mesmo e pronto.
O trágico não está em reinterpretar, mas precisa mesmo mudar tanto a personalidade de Vergil? Ele aqui é mostrado como leal, um cavaleiro de duas formas (uma "sapien" e outra como Nelo Angelo) e tem um profundo trauma, é isso.
Enquanto no original, bem, Vergil é um cara ambicioso por poder, que apela pro lado demoníaco, que odeia a humanidade, que segue os passos de seu pai mas, distorcidos pela visão do mundo satânico. Ele é frio, calculista, implacável, imbatível. Ele se move como a luz, corta o ar e o próprio tempo, é tão perigoso e mortal, que até seu irmão gêmeo tem dificuldades pra vencê-lo.
O cara é tão casca grossa que em DMC5 ele se dividiu em 2 entidades, uma controlando o próprio inferno, e a outra controlando os demônios mexendo diretamente na essência vital deles, como fantoches (chamado V), e cara... rejeitaram tudo isso pra criar um meme.
Botaram ele lutando contra humanos (teimam em chamar de "sapiens" mas poxa vida, pra quê? Nunca houve isso antes em qualquer jogo da franquia!) e tomando uma surra pra pura tecnologia... sendo que caramba! É o Vergil!
O mais bizarro é ver que a humanidade inteira não apenas domina a tecnologia de portais (adquirida em questão de dias na temporada anterior) como já sabe rastrear o posicionamento exato de qualquer "Makai" que atravesse a "Fronteira" (ah meu, sério cara isso é muito ridículo), ao ponto de saberem o exato momento e local em que Vergil aparece quando atravessa os mundos, e detalhe, fazendo algo que APENAS ELE pode fazer (é repetido isso na animação, só ele pode cortar o véu dos mundos e viajar entre eles e ele próprio nem sabe onde vai sair, mas os "sapiens" sabem!).
Creio eu que apenas isso já basta pra escancarar o absurdo que essa ideia traz, mas acredite, tem muito mais lixo nesse devaneio artístico financiado pela Netflix.
Uroboros
Deu pra notar que fazem questão de destacar "2" no título, fazendo uma clara alusão ao segundo jogo (que é uma tremenda porcaria mas tem seus motivos bem diferentes do que é visto aqui). A lógica nisso é não chamar a temporada de segunda, mas de uma adaptação direta ao segundo jogo, pura bobagem.
O jogo em questão mostra um Dante solitário e mais velho, lidando com um figurão chamado Arius que quer tirar vantagem de poderes demoníacos, ganhando grana.
Ele usa clonagem, usa objetos possuídos, e firma pactos que não dá conta, e no fim é derrotado. A empresa dele é a tal Uroboros.
Na animação, essa grande empresa financia o exército super poderoso das tecnologias mentirosas, e tá por trás da manipulação governamental. Mas eles tem um plano final claro, em nome de uma entidade chamada Argosax, demônio do Caos.
É uma baderna que fazem com a lore chata, porém direta do segundo título, ao ponto de distorcerem completamente o que ela significa. Afinal, era pra ser uma história sobre como mexer com o místico pra tirar vantagens, pode causar problemas espirituais.
E sinceramente, a história do segundo jogo é tão chatinha nesse sentido, que até a própria Capcom ignorou ela na cronologia.
Lucia
Parte da história do segundo jogo, Lucia é um "demônio artificial" produzido com base nos estudos da tal Uroboros. E ela se volta contra a empresa ajudando Dante na batalha contra o empresário chefe.
Aqui, ela talvez nem tenha sido apresentada ainda, ou se foi (no primeiro episódio) ela é só uma mensageira, infiltrada pra encontrar e atrair Vergil pro mundo sapien, que se mata queimando após dar uma surra nuns demônios reciclados de DMC4.
Ai tu pensa, é justo pegar aquela que era a única parceira de Dante no segundo título, e ainda por cima uma personagem jogável que inclusive tinha 1 CD de campanha inteiro só pra ela, revelando sua versão da história, e transformar em algo descartável e puramente fanservice?
Respeitoso ao menos não é.
Mary Lady Arkham
Ela volta, com a boca menos suja e menos representatividade, mas ainda puxando muito protagonismo sendo a defensora dos Makai, ao mesmo tempo que é a agente especial estilo Missão Impossível, toda armada, toda equipada de tecnologias, toda poderosa e imponente.
E agora com o dilema: Eu fiz errado em seguir o governo na dominação do mundo dos Maikaianos?
Ela fala Makai agora inclusive, aprendeu rapidinho. A mina luta contra a ordem e seus sentimentos, pensando seriamente se tira Dante da geladeira ou não, se investe na carreira militar ou não, se descobre a verdade sobre sua própria família... OU NÃO.
Pra quem não sabe, ela é filha do palhaço Jester, que é um careca com heterocromia disfarçado de bobo da corte, que surge apenas no terceiro jogo da franquia, o amado Devil May Cry 3. Jogo inclusive onde Lady faz sua primeira aparição.
Adaptaram isso de um jeito tão porco que prefiro nem comentar. É ruim cara, lembrando que o Coelho da primeira temporada já era uma releitura do Jester, já tinha o peso de 2 personagens em um mesmo corpo, e a própria trama da Lady já tinha sido readaptada ali. Mas mais uma vez, querem mexer nisso.
Jester
Tá todo musculoso, e agora é ele mesmo, mas como um infiltrado da Uroboros no exército do Mundos pra pegar informações.
Só modificaram todos os significado do personagem, que antes era um ambicioso pai de família que fez pacto, e tentou manipular Vergil pra conquistar poderes inimagináveis pra si, através da lenda de Sparda, e agora é só um espião mesmo, tramando por baixo dos panos.
Tentam muito reciclar o personagem, mas tá tão feio quanto o que fazem com o Beowulf. No caso, ele é um dos demônios mais importantes de DMC3, que foi selado por Sparda, e cegado por ele em um dos olhos, fazendo ele ter ódio pelo sangue dos filhos dele.
E aqui, Beowulf é um capanga de Mundus, que fala pouco, é mostrado num salão cheio de demônios fofoqueiros e é isso.
Gente, miraram na referência, acertaram na distorção e destruição da imagem do personagem.
E sinceramente, é o que sinto que tá acontecendo com todo o elenco dos jogos aqui.
São só personagens genéricos fazendo cosplay de algo que nunca representarão.
Mundus
Talvez o único acerto seja na representação do grande senhor do inferno, que aqui é o rei de Makai, mas que realmente transfere aquela ideia de "ser onipotente".
Se não fosse a história tão focada em mostrar os humanos vencendo o inferno como se fosse um país qualquer em guerra, talvez ele ficaria ainda melhor.
Mundus é um vilão recorrente, principal vilão do primeiro jogo (e do DmC que tenta dar um início pra franquia) e nunca foi completamente abordado. Ele é um demônio muito poderoso, que tem rivalidade milenar com Sparda, e parece ter sido traído por ele, e desde então tenta se vingar, fazendo de tudo contra Dante e Vergil.
Em DmC, aumentam um pouco seu significado incluindo uma rivalidade mais pessoal (os irmãos matam o filho dele) mas, no geral, ele sempre aparece como alguém tramando contra os gêmeos especificamente.
Conclusão do Primeiro Episódio
Lembrando que em Devil May Cry, não há vantagem alguma pros demônios dominarem os dois mundos. É aquele plano maquiavélico genérico mas na real, eles só querem sacanear geral.
Agora aqui, meu deus, tá o governo da Terra querendo dominar o Inferno, tá o Inferno querendo dominar a Terra, e na real nem um nem outro está dominando coisa alguma.
Essa tentativa de maximizar a ameaça pra algo global é tosca, e tomou a animação de um jeito que dá ânsia de assistir.
Mas, o desenho está daorinha, pra quem não liga pra uma história bem contada, vale muito a pena perder tempo com isso.
Em todo caso, acredite, isso em nada se parece com Devil May Cry, não carrega sua essência, não importa quanto rock pauleira coloque, não importa o quanto faça bom uso de 3d na animação. Não chega nem aos pés de algo bem feito como a Animação Devil May Cry japonesa original.
Pegaram apenas uma história genérica de guerra de mundos, e pintaram com as cores de uma franquia de sucesso. Nem se deram ao trabalho de entender os personagens, as histórias, ou investir tempo contando algo original.
Reciclam, copiam, repetem, não criam. Tá feio.
É isso que eu tinha pra dizer.
E, isso foi só o primeiro episódio... virão mais!
Episódio 2
Dante Acorda
Ele acorda, ele se veste, ele vira o Dante do segundo jogo, mas com muitas inconsistências.
Acordam Dante pra enfrentar Vergil, e lhe dão Ebony e Ivory, as armas principais do personagem em todos os jogos, reduzidas à invenções de uma velha do laboratório da Uroboros.
Uma das cenas mais épicas da animação é ele testando as armas, mas é bem frustrante ver algo tão importante dele, explicado como algo sem simbologia alguma.
Inclusive, os nomes "Ebony" e "Ivory" são piadas bem mal feitas com a velha...
O episódio se resume a Dante sendo acordado, sendo entrevistado por uma cientista pra ver se ele está qualificado pra começar a trabalhar ao lado de Lady, e Lady é a chefe dele.
Daí tem piadinhas com visuais diferentes, pra cada versão do encontro que eles contam, pois tudo o que aconteceu na primeira temporada até culminar em Dante na geladeira, foi reduzido a um mero desentendimento.
Inclusive nos é revelado que o grande plano da Uroboros é abrir o portal entre os mundos, pra atirar no Mundus com uma arma formada por quatro Arcanos (artefatos que no segundo jogo dariam poder para Arius invocar o demônio com quem compactuou). E ironicamente, a própria série enxerga o erro no plano visto que foi exatamente este o plotwtist da primeira temporada: abrir um caminho entre os dois mundos.
E bem, de resto temos Vergil indo pra uma entrevista na televisão, onde ele expõe toda a verdade, contando que os Makaianos são inocentes, que não existe inferno, que na verdade é só um povo alienígena, cruelmente atacado e torturado pelos malignos americanos.
Daí Dante por um lado luta ao lado da Uroboros contra seu irmão matador de humanos.
E Vergil luta ao lado de Mundus contra seu irmão matador de makaianos.
E o passado deles ainda é um mistério, que provavelmente terá um episódio inteiro só pra justificar a perspectiva de cada um, e o motivo deles escolherem odiar um ao povo do outro.
Observação: O visual de Dante com o cabelo mais longo e a roupa mais fechada, remete diretamente ao seu visual do segundo jogo.
Faltou só a moeda pra ele jogar pro alto e tirar cara ou coroa. Mas no geral, tentaram construir a aparência dele, justificando com o tempo dele congelado.
Substituem a moeda por um colar dele com a foto da mãe Eva, e do irmão.
Episódio 3
Um Pouco da Essência
Estranho, mas tirando alguns pequenos detalhes, o episódio três é a pura essência do que DMC é... mas calma, isso não salvou a animação... ainda.
O episódio conta a infância de Dante e Vergil, junto de Eva, algo que só foi retratado por alto na animação japonesa, e também em DmC, o jogo da Ninja Theory.
Mas a ideia da infância é bem parecida, quase idêntica, mudando aspectos somente de Dante e Vergil mesmo. Geralmente, Dante é retratado como o menos preparado, mais fraco e menos desenvolvido dos gêmeos de Sparda, porém aqui inverteram.
Vergil era o fraco na infância, o ruim de mira (faz um baita sentido), o mais lento, mais fácil de derrubar, e inclusive foi aquele capturado pelos demônios que mataram Eva.
Enquanto isso, Dante era o mais habilidoso naturalmente, sempre bem visto e amado, isso foi desabrochando inveja no coração do irmão mais velho.
Isso realmente serve pra explicar a rivalidade eterna de ambos, e o fato de Vergil ser capaz de tudo pra se provar melhor e mais poderoso, abraçando o lado demoníaco, investindo tudo na lâmina Yamato, a arma deixada de herança por seu pai pra ele.
E até ai, realmente tudo é muito condizente com o que há nos jogos, até explicaria coisa pra caramba.
A morte de Eva só foi mostrada no DmC, a ideia foi quase a mesma também, mas Eva nessa outra versão era um anjo e a rixa para caçá-la tinha a ver com a união proibida dela com Sparda.
Aqui a história já tem algo mais político. Sparda, Mundus e Argosax eram rivais em alguma disputa de poder, e no meio de muita conspiração, Vergil acabou capturado.
Dante foi deixado sozinho no mundo humano, e Vergil foi treinado pelo novo pai, Mundus.
Mundus mente na cara dura pro pirralho dizendo que o exército de demônios que matou a mãe dele, eram do Argosax, e que Sparda era um soldado aliado dele, e assim começa a nutrir o ódio de Vergil pelos humanos, pela organização Uroboros (que carregava o símbolo do demônio Argosax).
Sinceramente, esse ponto da história já politiza muito algo que não precisava. Ainda por cima botam Argosax no mesmo nível de Mundus e Sparda, quando na verdade ele até era um demônio forte, mas era só um dentre muitos outros que nos jogos chegaram a desafiar Dante.
A briga principal sempre foi Mundus e Sparda, Argosax não fazia parte disso, mas nessa readaptação viajada, optaram por unificar ele.
Detalhe, ele é originalmente um demônio composto por almas devoradas de demônios de escala inferior, que conseguia assumir uma forma própria absorvendo eles. Isso tornava ele tão forte. Mas o pacto que ele fez com o Arius era só pra conseguir os tais Arcanos, peças para que ele ganhasse poder e se libertasse.
Sem querer comparar ao original, mas já comparando, a nova versão é até mais interessante, mas centralizar tudo aos filhos de Sparda faz parecer algo pequeno demais.
Ainda prefiro a visão original, onde Argosax era só uma das muitas ameaças diferentes que Dante enfrentou.
Enfim, boa parte do episódio é a luta de Vergil e Dante, dentro dessa rivalidade de clãs, e na verdade é bem legal de assistir. Tirando o fato de Vergil choramingar o tempo todo que se tornou forte por mérito, e o Dante não saber lidar com a posição errada do irmão, a luta é bacana.
Lady também finalmente percebe que tá do lado errado da brincadeira e pede as contas, pra valer (ela ta desde o primeiro episódio buscando motivos pra se demitir do exército da Darkcom).
E, fica tudo em aberto, pois Arius revela que ele manipulou Vergil pra ir até lá, enquanto provavelmente Mundos manipulou ele a vida toda. É bem óbvio, que tá todo mundo sendo manipulado.
Isso talvez prejudique um pouco do desenvolvimento de Vergil, afinal originalmente, Vergil escolhia o próprio caminho por sabedoria, não manipulação. Ele decide usar os demônios pra ter força como seu pai, ele acabou servindo à Mundus no primeiro DMC, mas ele o enfrentou ao máximo até virar um dos Nelo Angelos (Nelo Angelo nunca foi a forma Devil Trigger de Vergil, eles eram uma casca de demônio que escravizava demônios mais fracos em sua forma).
Mudaram coisas aqui e ali, mas no fim, este ainda é o episódio que mais traz algo de DMC. A ironia: DMC2 não tem Vergil na história.
Lady beija Dante
Tá, as coisas já voltam a desandar neste episódio. Aqui, o foco é Dante e Vergil fazendo uma aliança provisória, pra tentar pegar os Arcanas, e Lady vai junto. Mas isso não dura e logo Vergil abre um portal pro irmão e a cunhada saírem do caminho dele.
Lembra do esquema da Moeda? Ela é importante no segundo jogo pois é através dela que Dante derrota o Argosax, pois ele troca as moedas. É que um dos Arcanos é uma moeda, e Dante desde o começo do jogo usa uma moeda pra tomar decisões, no fim ele trapaceia e troca as moedas pra deixar o vilão enfraquecido sem saber, ao usar as relíquias.
É exatamente por isso que Arius não consegue invocar o Argosax completamente, e o pacto fica quebrado.
Na animação, incluíram uma moeda qualquer de última hora, um interesse repentino de Dante no item, pra usá-la na troca perto do fim do episódio, adaptando a trama.
Tudo certo, percebe-se que pelo menos tentaram respeitar um pouco da lógica dos itens de invocação, mas ai vem a parte tensa do episódio:
Dante e Lady trocam saliva.
Assim, Dante sempre flertou com Lady, e com Trish, e com Kate, e com Lucia...
Está no personagem, ele flerta muito. Mas ele não é de ir além disso, pelo menos nunca foi, transformando esses relacionamentos sempre em grandes amizades.
Contudo na animação, Adi Shankar achou genial botar Dante com Lady, partindo justamente de Lady. Aliás toda essa passagem do trio, lembrou muito a jornada de Dante e Vergil ao lado de Kate no DmC da Ninja Theory.
Só que aqui, o vínculo da mocinha com o herói foi esquisito e sem química, mesmo metendo Evanescence tocando em último volume pra forçar um clima.
De quebra também reduziram Lucia à clones. Se bem que ela era basicamente isso, mas a personagem em si foi esquecida.
No lugar dela preferiram contar o passado de Arius, como morador de Fortuna (cidade onde ela vivia com a vó) e explicam que ele sempre foi maligno.
Também matam o presidente, numa cena estranha onde um dos líderes da Darkcom ainda acredita em deus, e que os Makai são demônios. Tá com cara de ser uma adaptação do arco de DMC4, mas ainda em inicialização, pra depois falar que a fundação desse cara serve ao verdadeiro deus.
E o Argosax aparece, trocando ideia com seu futuro receptáculo, mas é aquilo né... muita política, poucos votos. Deixaram o personagem ainda mais genérico que no segundo jogo (e lá ele só é um amalgama de outros chefes).
Enfim, continuemos a jornada...
Episódio 5
Lucan
Introduzem um novo personagem, na verdade dois: um velho mágico chamado Lucan e uma garotinha chamada Matilda. E... tudo é pra esticar mais a história.
Com direito a flashback de 3 anos, revelam que Dante um dia conheceu um velho, que usava magia, que não é magia, é poder de Makai (querem muito empurrar a ideia de que os conceitos sobrenaturais são balela). E esse velhinho quase ensina a Dante como usar seus poderes, e a história de Sparda, mas ele recusa por influência do Enzo (outro personagem enfiado na trama).
Anos depois, depois de dar uns pegas na Lady, Dante lembra do velho (eu hein) e decide levar a moeda, um dos Arcanos, pra ele destruir.
E de fato o velho consegue, mas pra destruir precisa de tempo, e cabe a Dante e Lady defenderem a casa dele, e a neta dele.
Não antes claro de brincarem muito, fazerem cosplay, e Lady até chega a vestir o traje de DMC4... menos vulgar.
E quando a pirralha dorme, Dante e Lady se pegam pra valer em um dos quartos, dando assim origem ao pequeno Nero.
Sinceramente, é o que eu espero, apesar de que perto do final do episódio, Lady é atacada por um exército de Lucias...
Que usam Devil Trigger (afinal são todas meio demônios artificiais)...
E ela despenca das alturas, sobrando só o bagaço, mas acredito que ela ainda vive (nem faz sentido ela tirar todos os equipamentos da Darkcom e lutar usando cosplay, mas tá bem).
No fim, o velhinho se dá mal e é dividido ao meio, enquanto Dante falha em salvar todos.
Ele até usa Devil Trigger quando se irrita com a quase morte de Lady, mas não serve de nada, pois o roteiro precisa manter tudo por mais 4 episódios.
Episódio 6
Arius
Tá tá, pra ser sincero, este episódio salva a temporada inteira. Ele se encaixa perfeitamente na essência de Devil May Cry.
Aliás, se tirassem a Lady e trocassem pela Lucia, se tirassem completamente o Vergil da linha narrativa principal, e parassem com a balela de "Makai" e "Sapiens", abraçando o ocultismos por inteiro como os jogos fazem... este episódio sozinho é melhor que o segundo jogo inteiro.
Eles dão uma origem bem mais profunda pro Arius, que venerando Argosax, e tendo em mãos um dos Arcanos, ganhou o dom da reencarnação. Ele viveu 28 vezes ao longo dos anos, com o único objetivo de obter os 4 Arcanos, vindos do inferno, tudo pra trazer Argosax de volta.
Cara, só isso já merece aplausos. A construção do personagem tá muito melhor que um simples executivo que procura artefatos místicos pra ter poder. O jeito como contam tudo aqui, num diálogo de Arius com Dante preso, é absurdo de bem feito.
Explica a ambição do cara, explica a motivação, e ainda dá espaço pra manipulação dele pelo mal. Eu queria que no jogo fosse assim, sério.
Sobre o arco da Lady, ela não morreu, e é restaurada por ciência em questão de minutos. Mas ai ela conversa com o cara religioso que matou o presidente, e convence ele na lábia que o Arius é o verdadeiro mal (o cara morre depois quando tenta lutar contra Arius)
A questão é que... se fosse a Lucia, sendo restaurada pelos poderes do próprio Arius (a tecnologia de clonagem diabólica), convenceria muito mais. Mas optaram por enfiar de qualquer jeito ela e o pai dela na história.
Jester mesmo só apareceu lá no primeiro episódio, nem tem importância, mas teimam em falar dele, e do Coelho Branco que já foi. É chover no molhado, e isso que estraga tudo.
Por fim o arco do Vergil, ele tá ao lado da pequena Matilda num mundo alternativo, criado pelo Trismagia.
Esse é um demônio que Dante enfrenta no Devil May Cry 2, sendo uma entidade que pode criar uma dimensão a parte. No primeiro jogo tem algo parecido chamado Sargasso, que inclusive tem quase o mesmo efeito (levar pro limbo). Mesclaram as duas ideias.
Só que essencialmente, isso nem parece ser algo importante. Afinal tudo só aparece do nada (misticismo não existe na animação, mas agora há "makaianos profetas mágicos que criam dimensões"?)
Parece só algo encaixado pra distanciar Vergil do clímax, e tentar esticar mais a história, até porque tiveram que nerfar a habilidade dele de Abrir Fendas Dimensionais com a Yamato, só pra justificar ele preso na outra dimensão.
Mas, é aquilo, se não tivessem esses desvios narrativos, e se focassem apenas no que se liga ao material original, juro que faria um sentido do caramba (até poderia contar como cânone pra mim).
Gostei mesmo de como contaram a história aqui, uma pena, que ela se liga ao restante e o restante tá uma verdadeira lástima.
Aliás, Argosax renasceu! E tá igual no jogo, mas tá perfeito afinal, o ritual deu certo (o truque da moeda só foi pra alongar o processo, ele pegou a moeda de qualquer jeito).
Mas, continuemos...
Episódio 7
Filhos de Eva
Cara que saco, o negócio fica bom no final poxa!
Aqui temos dois arcos, o de Dante enfrentando Argosax ao lado de Vergil, e o de Lady enfrentando a Lucia da shopee, enquanto salva a Matilda e um dos seus antigos parceiros de exercito.
E tá daora!
Explicando, lembra o Trismagia? Então, ele foi readaptado pra algo além de um inimigo, ele mostra "A Verdade". E Vergil sabe disso, sendo através dele que ele conhece toda a verdade sobre Mundus.
Era óbvio, Mundus encomendou a morte de Eva e de quebra jogou a culpa em Argosax, só pra manipular Vergil, e agora que ele sabe, Argosax achava que iria conseguir uma aliança com ele. Mas Vergil surpreende dizendo "Agora são dois que tenho que matar". Meme recente: Farmou Aura.
O cara finalmente virou aquele Vergil, mas não é só isso que o episódio traz.
Pra Dante, o arco foca no Devil Trigger. Lembra que ele não controla? É um plot recorrente na franquia (bem mais abordado no DmC da Ninja Theory) mas aqui, o negócio ficou muito bonito ao ponto de fazer chorar.
Vergil assume que o Nelo Angelo não era seu Devil Trigger, era só uma forma que Mundus dava aos seus serviçais...
Que é inclusive uma boa adaptação da armadura Nelo Angelo de escravização, algo que é melhor explicado em DMC5, quando Trish é transformada em um Cavalieri Angelo pelo próprio Vergil (seguindo o que aprendeu com Mundus).
A forma real do Devil Trigger de Vergil vem do puro ódio igual um Super Sayajin. Só que pra Dante, isso não funciona.
Pra Dante, o que ativa seu Devil Trigger definitivamente, é a memória da mãe dele, e a emoção que isso traz. Automaticamente ele chora (Demônios também Choram) e a gente junto. Mas é só uma lagrimazinha.
E pronto, dupla de demônios voadores coloridos peitando o kaiju grandão.
Aliás, sim, Dante e Vergil se unem na reta final, com Vergil dando dicas e ajudando, eles até usam o "Jackpot" atirando em dupla. É aquele final clichê de todo DMC, que todo mundo ama! No segundo jogo não tem isso, Vergil nem aparece, mas se aparecesse assim, eu não reclamaria. De fato fica ruim pro Dante ter que precisar do irmão sempre mas, ficou irado.
Sobre Argosax, tá muito mais bem feito que no segundo jogo, eu confesso que me impressionei. A ideia original era ele consumir almas de demônios (no jogo, demônios nunca morrem, apenas perdem a forma física e retornam pro inferno, e Argosax tinha o poder de devorar essas almas).
Na nova versão, ele consome almas humanas também, então ele vai crescendo e evoluindo ao passar do tempo. Detalhe: Ele assume a forma da aranha nas costas (que era de quando ele devorava o demônio aranha que foi ignorado nessa animação), e vai crescendo mais e mais.
Já pra Lady, exageram na resistência dela pra ela vencer a Lucia, mas convenhamos, tá daora a luta.
Elas lutam de igual pra igual, Lady faz de tudo pra ganhar, e ainda empunha a Espada de Sparda no fim, é lindo de assistir (apesar de esquisito).
Aliás, Matilda ainda dá um tiro na Lucia fake só pra mostrar que serviu pra algo (e vingar o avô dela), cumprindo sua função, trama, e objetivo principal num tempo recorde de 2 episódios.
E ainda permitindo a irônica frase de Lady, dizendo "Não diga palavrões, é feio". Há, quem diria hein, ela finalmente aprendeu que boca suja é feio!
O plano final pra vencer Argosax é jogar ele no inferno, que remete ao que Dante faz no jogo. E também tem a pegada dele acabar indo junto, mas aqui ele vai pois Vergil todo vingativo pula no portal.
Assim como na temporada anterior, tudo acaba com a Espada de Sparda abrindo o selo entre os mundos, mas dessa vez a ideia é fazer um Argosax ainda não totalmente empoderado, lutar contra Mundus.
E ai ficamos no aguardo do grande desfecho.
E eu acabei curtindo como tudo tá encaminhando...
A cena de combate, tá espetacular. Tem até uma cena clássica do Dante surfando uma bala de bazuka, e quase, quase está perfeito.
Infelizmente, tudo só começa a ficar legal pois parece que na reta final pararam de tentar explicar cientificamente tudo, e pararam de tentar por lógica em tudo. Pararam com "makai" e política, e tão se esforçando pra fazer a gente curtir os últimos momentos no puro absurdo.
Episódio 8
Sparda
Final excelente.
O final da segunda temporada é inspirado em DMC3 e aquela decisão de Vergil, de permanecer no inferno enquanto Dante fica na Terra, e ambos separam os dois mundos pra sempre. Vergil fica enfrentando Mundus pelo domínio do outro mundo, e Dante volta pra vida "normal".
Só que o melhor não está nessa parte, mas sim na aparição de Sparda. Finalmente, temos o primeiro vislumbre de sua forma humana, e também da sua derradeira história.
Eu gostei do que vi mesmo sabendo que nada disso vale pros jogos... mas ficou bem feito. Resumidamente, Argosax dominava o inferno até ser traído pro Mundus. Beleza, neste ponto começou a briga dos dois.
Mundus pertencia à uma raça de demônios grandes que serviam ao Argosax, e tinham vários nesse formato, gigantes de pedra. Eu adorei como do nada a série parece entender como os jogos funcionam.
Mas beleza, Mundus traiu Argosax e usurpou o trono, por isso ele foi selado lá com os 4 Arcanos. E era só pra isso que os 5 primeiros episódios serviram, mostrar um cara que foi ferrado por Mundus voltando (precisava de tudo isso?).
A luta de titãs, entre Mundus e Argosax é a coisa mais épica até então. Inclusive da pra imaginar isso no formato de videogame. Cara, Vergil e Dante correndo pra pegar a Espada de Sparda (que tá com o amuleto deles, por isso abriu o portal entre os mundos) e no meio da corrida, tá lá no fundo os gigantes se peitando.
Isso é muito bom de assistir. Mas no final Mundus decapita Argosax como se não fosse nada, e se volta pros dois filhos de Sparda.
E aí ele conta a verdade, toda ela. Sparda nunca foi um traidor.
Sparda era um cavaleiro dele, que o ajudou a dominar o mundo infernal. Argosax dominava através do Caos, mas Mundus era benevolente até certo ponto. Ele matou os semelhantes (os outros demônios estátua gigantes), e só ai Sparda começou a se rebelar.
Enquanto Mundus era bom, tava tudo certo, mas quando ficou ambicioso demais e queria dominar tudo, incluindo o mundo humano, ai Sparda se voltou contra ele e começaram a lutar.
Mas eles nunca chegaram num resultado. Sparda e Mundus eram iguais em poder, e assim Sparda apelou pra separação dos dois mundos, criando a barreira com sua espada e os amuletos, e vivendo na Terra.
Mas Mundus nunca o perdoou, e assim que conseguiu, mandou matarem a mãe dos filhos de Sparda, e raptá-los. Mas somente Vergil foi pego.
Dante viveu sozinho na Terra, Vergil sob tutela de Mundus, e assim tudo aconteceu.
Detalhe: Ninguém sabe pra onde Sparda foi.
E tá pronta a melhor versão do conto de Sparda. Já ouvimos as lendas pela boca de Trish, Lady, Dante e até Vergil, mas nunca pelo próprio Mundus.
Mundus se mostrou um vilão épico, e felizmente ele não precisou lutar contra Dante (que nessa versão de DMC tá uma fraqueza que só).
Dante foi jogado pro mundo humano, pelo próprio Vergil, depois de lutarem com todas as forças. Vergil finalmente o superou, mas ele também o salvou.
Ele tomou a responsabilidade pelo inferno, enquanto Dante poderia viver tranquilo na Terra.
É triste, trágico, mas necessário. Vergil é mais guerreiro que Dante nessa versão.
Aliás, considerando que Vergil pode abrir a barreira entre os mundos com a Yamato, não é tão difícil se reencontrar com Dante.
O triste, é que a temporada encerra encaminhando pra algo que parece ser o DMC3.
Dante não tem sua loja ainda, ele na verdade termina caído no chão desacordado, e quem narra o fim é Lady, explicando que está caçando o próprio pai agora (Jester).
E, de certa forma tudo parece se encaixar assim, por alto, na animação antiga. Seria o passado de Dante tecnicamente (lembrando que na animação antiga ele e Lady se conhecem à muito tempo).
Acabou a Darkcom, e o mundo agora pode ser atacado a qualquer momento por demônios, mas no geral, tudo voltou pra uma certa normalidade.
Então, eu diria que a série conseguiu retomar as rédeas.
Foi difícil, eles fizeram malabarismo pra se livrar do termo "makai", "sapiens", a ideia de pura política entre mundos e fronteiras, e retomaram o caminho que curtimos: Caçadores de demônios lutando contra coisas bizarras.
Ou seja, vale a pena assistir.
Bizarro, comecei xingando e termino elogiando, mas é que tem muita coisa errada nessa animação, mas ela parece querer corrigir sem ignorar, o que teve de errado na primeira temporada, pra construir algo mais agradável e condizente com os jogos na terceira temporada.
É uma ponte, que começa toda quebrada de um lado, e termina toda ajeitada do outro.
Então assim, funciona.
Gostei do final, odiei o começo, e tá tudo certo! Aliás é ainda mais épico que no encerramento adicionam memórias de Dante, Vergil e Lady nas cenas mortas do cenário. Até então não tinha nada, era só o cenário velho do passado deles mostrado. Mas agora além da trilha sonora de DMC, tem as cenas meio distorcidas deles por cima.
É tão lindo de assistir...
O bom das séries é isso... nem sempre tudo começa ruim e termina pior, nem começa bom e termina adorável. É uma montanha russa de emoções e só sabemos no final!
E neste caso, eu curti o final.
Ps.: Haruhiro Tsujimoto (presidente da Capcom) assina como produtor executivo ao lado de Adi Shankar. Eu sinto que ele teve algo a ver com essa mudança repentina de qualidade no final. Sei lá, eu sinto isso nas minhas entranhas... posso estar muito errado... mas sinto. Teve também o escritor Alex Larsen, algo me diz que ele pode ter influenciado nisso também...
Uma das muitas mudanças, só pra dar exemplo: Lembra que não dava pra respirar em Makai, e Dante quase morreu na primeira temporada por causa disso? Pois é, resolvem em 2 segundos com Vergil explicando pra ele usar os "pulmões do diabo" (só concentrar kkkk).
Me pareceu um "retcom" pra corrigir coisas que sinceramente, pegaram mal lá na primeira temporada. E de fato, isso faz tudo voltar aos trilhos. Simples e eficiente, faltava alguém com consciência na produção.
A morte de Arius é o resumo do que a temporada foi: 8 episódios pra 20 minutos de dopamina, uma troca justa.
É isso.
See yah!
4 Comentários
O Adi Shankar deveria mudar o nome pra Jailim Rabet
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ExcluirAgora fiquei curioso! Quem é o Jailim?
Não entendeu a piada, né? KKKKKKKKKKKKK
ExcluirPior que não, eu até tentei pesquisar mas eu juro que não entendi manooo, me ajuda kkkkkk
ExcluirObrigado demais por comentar, isso me estimula a continuar.
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