Devil May Cry 2
Segunda Temporada do Anime da Netflix
Eu não iria assistir, optei por fugir da animação, fiz todo possível pra evitá-la, mas não deu, uma hora cedi.
Já esperava que fosse algo ruim, afinal a primeira temporada já foi um chute no estômago de qualquer fã da franquia de jogos, mas insistiram em continuar. O curioso é que a animação em si não é ruim, a história tampouco, e a seleção de música agrada muito.
Tem boas cenas de ação, tem emoção, tem bons diálogos, no geral, é uma animação bem acima da média do que vem sendo apresentado nos últimos anos.
Porém: ISTO NUNCA SERÁ DEVIL MAY CRY.
Segue meu manifesto...
Jogo é Jogo, Animação é Animação
Não falo como fã, por mim que se lasque cronologia, conteúdo cânone, lógica... Eu amo sim os jogos, estão na minha lista de favoritos, mas o que me desagrada é ver a insistência em reciclar personagens, descaracteriza-los totalmente, e enfiar de qualquer jeito numa história que desconstrói tudo o que os 6 jogos principais já fizeram.
Makai? Um mundo diferente cheio de demônios genéricos, ou cópias de seres mostrados nos jogos. Um exército de "sapiens" com poder de invisibilidade, armas super tecnológicas, portais muldimensionais, que tomaram o "inferno" numa guerra por artefatos místicos de domínio mundial? Tipo, cara é sério onde isso é DMC?
Dante sequer aparece no primeiro episódio, que tem mais da metade dedicado a inserir um conceito perdido de guerra de mundos, misturado à conspiração de poderosos, quando poxa, os jogos são sobre o caçador de capetas metendo tiro e espadada em tudo!
Pra que modificar tanto uma história que por si só já tá perfeita? É tanta besteira tacada em tela que simplesmente ofende qualquer um, tanto fã quanto quem caiu de paraquedas na história.
Vergil
Talvez a principal estrela do show nessa temporada é Vergil, personagem que sinceramente foi totalmente destruído na adaptação.
Aqui ele é um cachorrinho do Rei de Makai (inferno, distorcido na lore desta bomba), e tem seu passado traumático com o irmão Dante (que se me lembro bem, era protagonista da série/jogos), e não sabemos a princípio como virou tão leal ao grandioso senhor "do mal" (lembrando que o conceito de maldade é relativo).
Mas a série trabalhará nisso, é o que sugere em seu primeiro episódio... contudo, não importa.
Vergil segura uma lâmina chamada Yamato, arma herdada de seu pai Sparda, um dos "traidores" do mundo diabólico, que selou o mesmo pra salvar o mundo humano e proteger seus filhos, e sua amada. Essa é a história base pra TODOS os jogos, mas foi modificada pra animação pois é assim que querem.
Removeram misticismo, lenda, todo o peso do misterioso personagem, e incluíram explicações científicas, manipulações por poder, um monte de ladainha expositiva e nós só aceitamos mesmo e pronto.
O trágico não está em reinterpretar, mas precisa mesmo mudar tanto a personalidade de Vergil? Ele aqui é mostrado como leal, um cavaleiro de duas formas (uma "sapien" e outra como Nelo Angelo) e tem um profundo trauma, é isso.
Enquanto no original, bem, Vergil é um cara ambicioso por poder, que apela pro lado demoníaco, que odeia a humanidade, que segue os passos de seu pai mas, distorcidos pela visão do mundo satânico. Ele é frio, calculista, implacável, imbatível. Ele se move como a luz, cora o ar e o próprio tempo, é tão perigoso e mortal, que até seu irmão gêmeo tem dificuldades pra vencê-lo.
O cara é tão casca grossa que em DMC5 ele se dividiu em 2 entidades, uma controlando o próprio inferno, e a outra controlando os demônios mexendo diretamente na essência vital deles, como fantoches (chamado V), e cara... rejeitaram tudo isso pra criar um meme.
Botaram ele lutando contra humanos (teimam em chamar de "sapiens" mas poxa vida, pra quê? Nunca houve isso antes em qualquer jogo da franquia!) e tomando uma surra pra pura tecnologia... sendo que caramba! É o Vergil!
O mais bizarro é ver que a humanidade inteira não apenas domina a tecnologia de portais (adquirida em questão de dias na temporada anterior) como já sabe rastrear o posicionamento exato de qualquer "Makai" que atravesse a "Fronteira" (ah meu, sério cara isso é muito ridículo), ao ponto de saberem o exato momento e local em que Vergil aparece quando atravessa os mundos, e detalhe, fazendo algo que APENAS ELE pode fazer (é repetido isso na animação, só ele pode cortar o véu dos mundos e viajar entre eles e ele próprio nem sabe onde vai sair, mas os "sapiens" sabem!).
Creio eu que apenas isso já basta pra escancarar o absurdo que essa ideia traz, mas acredite, tem muito mais lixo nesse devaneio artístico financiado pela Netflix.
Uroboros
Deu pra notar que fazem questão de destacar "2" no título, fazendo uma clara alusão ao segundo jogo (que é uma tremenda porcaria mas tem seus motivos bem diferentes do que é visto aqui). A lógica nisso é não chamar a temporada de segunda, mas de uma adaptação direta ao segundo jogo, pura bobagem.
O jogo em questão mostra um Dante solitário e mais velho, lidando com um figurão chamado Arius que quer tirar vantagem de poderes demoníacos, ganhando grana.
Ele usa clonagem, usa objetos possuídos, e firma pactos que não dá conta, e no fim é derrotado. A empresa dele é a tal Uroboros.
Na animação, essa grande empresa financia o exército super poderoso das tecnologias mentirosas, e tá por trás da manipulação governamental. Mas eles tem um plano final claro, em nome de uma entidade chamada Argosax, demônio do Caos.
É uma baderna que fazem com a lore chata, porém direta do segundo título, ao ponto de distorcerem completamente o que ela significa. Afinal, era pra ser uma história sobre como mexer com o místico pra tirar vantagens, pode causar problemas espirituais.
E sinceramente, a história do segundo jogo é tão chatinha nesse sentido, que até a própria Capcom ignorou ela na cronologia.
Lucia
Parte da história do segundo jogo, Lucia é um "demônio artificial" produzido com base nos estudos da tal Uroboros. E ela se volta contra a empresa ajudando Dante na batalha contra o empresário chefe.
Aqui, ela talvez nem tenha sido apresentada ainda, ou se foi (no primeiro episódio) ela é só uma mensageira, infiltrada pra encontrar e atrair Vergil pro mundo sapien, que se mata queimando após dar uma surra nuns demônios reciclados de DMC4.
Ai tu pensa, é justo pegar aquela que era a única parceira de Dante no segundo título, e ainda por cima uma personagem jogável que inclusive tinha 1 CD de campanha inteiro só pra ela, revelando sua versão da história, e transformar em algo descartável e puramente fanservice?
Respeitoso ao menos não é.
Mary Lady Arkham
Ela volta, com a boca menos suja e menos representatividade, mas ainda puxando muito protagonismo sendo a defensora dos Makai, ao mesmo tempo que é a agente especial estilo Missão Impossível, toda armada, toda equipada de tecnologias, toda poderosa e imponente.
E agora com o dilema: Eu fiz errado em seguir o governo na dominação do mundo dos Maikaianos?
Ela fala Makai agora inclusive, aprendeu rapidinho. A mina luta contra a ordem e seus sentimentos, pensando seriamente se tira Dante da geladeira ou não, se investe na carreira militar ou não, se descobre a verdade sobre sua própria família... OU NÃO.
Pra quem não sabe, ela é filha do palhaço Jester, que é um careca com heterocromia disfarçado de bobo da corte, que surge apenas no terceiro jogo da franquia, o amado Devil May Cry 3. Jogo inclusive onde Lady faz sua primeira aparição.
Adaptaram isso de um jeito tão porco que prefiro nem comentar. É ruim cara, lembrando que o Coelho da primeira temporada já era uma releitura do Jester, já tinha o peso de 2 personagens em um mesmo corpo, e a própria trama da Lady já tinha sido readaptada ali. Mas mais uma vez, querem mexer nisso.
Jester
Tá todo musculoso, e agora é ele mesmo, mas como um infiltrado da Uroboros no exército do Mundos pra pegar informações.
Só modificaram todo os significado do personagem, que antes era um ambicioso pai de família que fez pacto, e tentou manipular Vergil pra conquistar poderes inimagináveis pra si, através da lenda de Sparda, e agora é só um espião mesmo, tramando por baixo dos panos.
Tentam muito reciclar o personagem, mas tá tão feio quanto o que fazem com o Beowulf. No caso, ele é um dos demônios mais importantes de DMC3, que foi selado por Sparda, e cegado por ele em um dos olhos, fazendo ele ter ódio pelo sangue dos filhos dele.
E aqui, Beowulf é um capanga de Mundus, que fala pouco, é mostrado num salão cheio de demônios fofoqueiros e é isso.
Gente, miraram na referência, acertaram na distorção e destruição da imagem do personagem.
E sinceramente, é o que sinto que tá acontecendo com todo o elenco dos jogos aqui.
São só personagens genéricos fazendo cosplay de algo que nunca representarão.
Mundus
Talvez o único acerto seja na representação do grande senhor do inferno, que aqui é o rei de Makai, mas que realmente transfere aquela ideia de "ser onipotente".
Se não fosse a história tão focada em mostrar os humanos vencendo o inferno como se fosse um país qualquer em guerra, talvez ele ficaria ainda melhor.
Mundus é um vilão recorrente, principal vilão do primeiro jogo (e do DmC que tenta dar um início pra franquia) e nunca foi completamente abordado. Ele é um demônio muito poderoso, que tem rivalidade milenar com Sparda, e parece ter sido traído por ele, e desde então tenta se vingar, fazendo de tudo contra Dante e Vergil.
Em DmC, aumentam um pouco seu significado incluindo uma rivalidade mais pessoal (os irmãos matam o filho dele) mas, no geral, ele sempre aparece como alguém tramando contra os gêmeos especificamente.
Conclusão do Primeiro Episódio
Lembrando que em Devil May Cry, não há vantagem alguma pros demônios dominarem os dois mundos. É aquele plano maquiavélico genérico mas na real, eles só querem sacanear geral.
Agora aqui, meu deus, tá o governo da Terra querendo dominar o Inferno, tá o Inferno querendo dominar a Terra, e na real nem um nem outro está dominando coisa alguma.
Essa tentativa de maximizar a ameaça pra algo global é tosca, e tomou a animação de um jeito que dá ânsia de assistir.
Mas, o desenho está daorinha, pra quem não liga pra uma história bem contada, vale muito a pena perder tempo com isso.
Em todo caso, acredite, isso em nada se parece com Devil May Cry, não carrega sua essência, não importa quanto rock pauleira coloque, não importa o quanto faça bom uso de 3d na animação. Não chega nem aos pés de algo bem feito como a Animação Devil May Cry japonesa original.
Pegaram apenas uma história genérica de guerra de mundos, e pintaram com as cores de uma franquia de sucesso. Nem se deram ao trabalho de entender os personagens, as histórias, ou investir tempo contando algo original.
Reciclam, copiam, repetem, não criam. Tá feio.
É isso que eu tinha pra dizer.
E, isso foi só o primeiro episódio... virão mais!
Episódio 2
Dante Acorda
Ele acorda, ele se veste, ele vira o Dante do segundo jogo, mas com muitas inconsistências.
Acordam Dante pra enfrentar Vergil, e lhe dão Ebony e Ivory, as armas principais do personagem em todos os jogos, reduzidas à invenções de uma velha do laboratório da Uroboros.
Uma das cenas mais épicas da animação é ele testando as armas, mas é bem frustrante ver algo tão importante dele, explicado como algo sem simbologia alguma.
Inclusive, os nomes "Ebony" e "Ivory" são piadas bem mal feitas com a velha...
O episódio se resume a Dante sendo acordado, sendo entrevistado por uma cientista pra ver se ele está qualificado pra começar a trabalhar ao lado de Lady, e Lady é a chefe dele.
Daí tem piadinhas com visuais diferentes, pra cada versão do encontro que eles contam, pois tudo o que aconteceu na primeira temporada até culminar em Dante na geladeira, foi reduzido a um mero desentendimento.
Inclusive nos é revelado que o grande plano da Uroboros é abrir o portal entre os mundos, pra atuirar no Mundus com uma arma formada por quatro Arcanos (artefatos que no segundo jogo dariam poder para Arius invocar o demônio com quem compactuou). E ironicamente, a própria série enxerga o erro no plano visto que foi exatamente este o plotwtist da primeira temporada: abrir um caminho entre os dois mundos.
E bem, de resto temos Vergil indo pra uma entrevista na televisão, onde ele expõe toda a verdade, contando que os Makaianos são inocentes, que não existe inferno, que na verdade é só um povo alienígena, cruelmente atacado e torturado pelos malignos americanos.
Daí Dante por um lado luta ao lado da Uroboros contra seu irmão matador de humanos.
E Vergil luta ao lado de Mundus contra seu irmão matador de makaianos.
E o passado deles ainda é um mistério, que provavelmente terá um episódio inteiro só pra justificar a perspectiva de cada um, e o motivo deles escolherem odiar um ao povo do outro.
Observação: O visual de Dante com o cabelo mais longo e a roupa mais fechada, remete diretamente ao seu visual do segundo jogo.
Faltou só a moeda pra ele jogar pro alto e tirar cara ou coroa. Mas no geral, tentaram construir a aparência dele, justificando com o tempo dele congelado.
Substituem a moeda por um colar dele com a foto da mãe Eva, e do irmão.
See soon!
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