CríticaMorte: M3gan (Megan) - O Remake do Chucky... de Novo.

Nos tempos atuais se tem um filme pesando a mão no marketing, este é "M3gan" (Megan), que desde seus trailers, teasers e anúncios promocionais, faz questão de enfatizar a graciosa e tenebrosa boneca androide, e como o filme é potencialmente um terror hytec inigualável.


Mas, lamento dizer que é EXATAMENTE O MESMO FILME que Chucky Remake (Brinquedo Assassino - 2019 - Child's Play) foi.

Falarei o que achei, e terão spoilers... desculpe

Boa leitura.

Pra começar, devo dizer que tudo que fizeram foi mudar a aparência do personagem, nomes, e alguns ambientes do filme de 2019. Mas tudo, desde premissa, até eventos e sequência de eventos (Até mesmo O FINAL) é o mesmo.


No entanto, apesar de ser uma cópia descarada de algo já visto antes, até que M3gan consegue fazer coisas iguais, de forma diferente e até melhorzinha.


Se você nunca viu o reboot de Chucky, com o brinquedo assassino tecnológico, eu fiz um review falando dele aqui (junto com todos os outros filmes do Brinquedo Assassino), e mesmo nele cheguei a falar do quanto o filme era original, e não precisava se inspirar na velha franquia de brinquedos possuídos por serial killers.

"Uma empresa muito inovadora desenvolve um conglomerado de aplicativos e sistemas interligados virtualmente, que respondem a comandos remotos, desde brinquedos, até veículos para transporte. É assim que ao lançar um Boneco Social super interativo, eles sem querer dão a vida ao Boneco Assassino."


Essa foi minha sinopse ao iniciar a crítica do filme de 2019. Agora olha a que bolei pra de M3gan:

Uma empresa muito inovadora desenvolve um conglomerado de aplicativos e sistemas interligados virtualmente, que respondem a comandos remotos, dedicando-se a brinquedos. Uma cientista entusiasta se esforça pra criar um protótipo caríssimo de um Brinquedo Social inovador, que acaba não se saindo bem no teste Beta.


É exatamente a mesma ideia fadada à tragédia de lá, que vemos aqui. Criar um robô pra servir de brinquedo, independente de seus inibidores, é um risco pois enquanto tiver a possibilidade de aprender e evoluir, irá aprender e evoluir, até descobrir o óbvio: A humanidade é o problema. 

Sério meu, ninguém viu "Exterminador do Futuro"??? É a quinta vez que me vejo perguntando isso!

M3gan retrata um longo teste Beta que nunca deveria ocorrer, de um androide planejado pra ser vendido como brinquedo, pra fazer companhia a crianças.


Na verdade a empresa que o fabrica já tinha brinquedos avançados no mercado, em um futuro não tão distante, com robôs que conversavam com as crianças, e interagiam com aplicativos. Mas, a cientista chefe e seus dois colegas vinham trabalhando, contra as ordens da chefia, num projeto chamado M3gan (Modelo 3 Generative Android) ou apenas Megan.


Por ironia do destino, a sobrinha dessa cientista fica órfã ao perder os pais num acidente de carro, e fica sob sua guarda parental. A tia, que não tem o menor jeito com crianças, acaba vendo em sua sobrinha a chance e a motivação para criar e testar seu brinquedo. 


É assim que em algumas semanas ela deixa M3gan pronta (desviando recursos da empresa) e bota ela pra cuidar de sua sobrinha. A boneca simplesmente assume o papel de amiga, mãe, tutora, guardiã, psicóloga, professora e babá, e se sai perfeita em tudo.


Mas a tia, mais preocupada com sucesso financeiro, se esquece de colocar inibidores e limites no "brinquedo". Por isso aos poucos, a boneca tamanho família, que pode se locomover livremente, tem acesso a rede, e pode influenciar em tudo em seu entorno, começa a ir longe de mais pelo bem de sua criança.


Daí no fim ela é desligada, mas sem deixar de levantar aquela discussão sobre quem eram os reais culpados de tudo.


A personagem antagonista é ótima. Suas feições, vozes, movimentação meio robótica simulando naturalidade, isso tudo deixa ela mais assustadora. Sem contar que ela é sensata, meio sarcástica, e muito tenebrosa por não sabermos o que se passa na cabeça dela.


Ela não é ingênua, só é bem observadora e cautelosa, e por ser uma máquina, sua calma é gigantesca e ela sabe muito bem a hora de agir ou parar. Isso é interessante, pois torna ela a assassina perfeita.

Tem também o amor genuíno que ela possui pela criança. Tudo que ela faz é pelo bem da criança, que foi negligenciada pela própria tia, quem demora pra notar tamanho erro.


Acho que ela é o grande trunfo, assim como foi a ideia de "repaginar" o brinquedo "Good Guy" para "Buddi", mas que falhou drasticamente.

Mas nem tudo são flores... nem dá muito pra falar de efeitos especiais ou práticos pois, tudo que fizeram aqui foi colocar uma máscara de látex em uma dublê de tamanho pequeno. Nem parece um brinquedo, ou um androide. Só uma pessoa com máscara.


O destaque fica mesmo pro áudio, com boas vozes e uns efeitos legais de sintetização pra robô (que pelo que parece se perderam na dublagem), isso que acaba deixando a personagem com cara de máquina. E tem vezes em que trocam a atriz por uma bonecona de plástico pra ser jogada por aí... truque clássico, que ganha um tom mais artístico ainda aqui.

A inevitável Comparação com Brinquedo Assassino


Apesar de ser óbvia tal comparação, afinal aqui falamos de um suposto brinquedo que mata, o que impressiona é a semelhança com o "remake" e não com a franquia do Chucky (de Dom Mancini). 

Não é como "Anabelle" ou "The Boy", que são filmes de bonecas que matam. O que se assemelha aqui é o conceito inspirado em "Inteligência Artificial" (e o Teddy), e filmes como "Eu, robô" e "Ex_Machina: Instinto Artificial". 


Por mais que o filme funcione bem, é impossível não perceber as semelhanças. Parece a mesma história, contada com outros personagens. Meu, até a contagem de corpos é A MESMA que a do filme "Brinquedo Assassino" de 2019. Até os tipos de mortes e condições são semelhantes.


Mas nem é só isso, a temática é idêntica, a mensagem final, a progressão dos eventos, a trama! Tudo é muito parecido.


E só pra constar, o filme começa com mortes independentes do brinquedo, que servem de gancho pra tudo começar. Aqui são os pais da garota órfã que vai viver com a tia inventora. 


Lá, era um funcionário da empresa que sabotou um dos brinquedos desligando os inibidores e controle parental, se matando em seguida.


No filme de 2019, o robô mata um gato por sentir que é uma ameaça pro seu garoto. Aqui, a primeira vítima é um cachorro, pasme, pelo mesmo causo, mas com a garota da robô é claro.


Depois no filme de 2019 a morte sequente é do padrasto, assassinado com objetos de jardinagem e manutenção. Aqui ocorre uma morte parecida, mas com a vizinha, dona do cachorro, bem mais rápida e cruel, mas também igualmente vinculada a objetos de jardinagem e manutenção. 


Só que essa morte acima é a terceira na ficha de M3gan, que já havia sujado as mãos ao matar um inocente, com um carro (ela induz um atropelamento). Ocorre uma morte com carro no de 2019 (só que Buddi pilota pra causar um acidente, remotamente), e claro, não são mortes iguais, mas ambas servem pra mostrar o quanto a máquina pode ser cruel, e que não tem limites (Aliás, tudo isso tá no trailer viu).


Vale mencionar porém que, enquanto no filme de 2019 não há mortes de crianças, neste tem, uma... mas tem. É o tal inocente (mas justificado por ameaçar a garota).

Então depois dessas mortes, M3gan é descoberta por sua dona. Enquanto em Brinquedo Assassino, o mesmo acontece, e nos dois filmes a máquina é "desativada". O diferencial é que em M3gan quem descobre é a adulta, e a criança se revolta (e fica bem rebelde) com seu brinquedo retirado dela.


Mas nos dois casos tudo acaba levando pra reativação do brinquedo, sem ninguém esperar. M3gan se ativa sozinha sem depender de ninguém, enquanto Buddi recebe manutenção de um terceiro, que ele mata depois.

M3gan até tenta matar o pessoal que fazia manutenção nela (mas não funciona) e opta por, sem motivo nenhum, caçar e executar o chefe da empresa, junto com seu funcionário assistente (que roubava segredos da empresa e vendia). Essa é a famigerada cena do corredor, com ela dançando, o que nem faz sentido, pois ela dança sem motivo, e mata os dois também sem motivo.


Nessa parte do filme tudo que ela queria era ir atrás da amiga, e salvar ela da tia, por vingança. Assim como foi no outro filme, também uma busca pela criança e obsessão. 


As duas mortes ocorrem no dia de Inauguração da Boneca, assim como ocorre lá no filme de 2019, onde seria o dia de inauguração da nova edição do Buddi, onde ele ressurge pro embate final, e onde o boneco mata um terceiro qualquer.

Nos dois filmes, o brinquedo tem acesso remoto a tecnologias diversas, como a Alexa Genérica, Veículos Automotivos, Câmeras e Internet. 


Nos dois filmes os brinquedos replicam vozes e gravam coisas.


Nos dois filmes eles cantam musiquinhas, e olha que irônico, em ambos uma música fofa é usada pra ajudar e criar conexão com a criança no início, e também no final.


Nos dois filmes os bonecos parecem ter mais força do que deveriam. Claro que, M3gan é maior e tem o tamanho de uma criança pequena (que sinceramente, em nada se parece com um brinquedo), Já Buddi é muito menor, mas também usa de sua força física mecânica pra extrapolar na crueldade.


Nos dois filmes, os brinquedos são inocentes, e permanecem assim até o final. Eles só são corrompidos pelo que aprendem, e mesmo priorizando proteger suas crianças, acabam trilhando o caminho do crime.


Nos dois filmes, o final é com a criança se voltando contra o brinquedo. E ambos levam uma surra no fim, mas apelam pra musiquinha da amizade, causando certa peninha.


O desfecho nem mesmo consegue ser original, jogando aquele mesmo suspense de continuidade, com o robô transferindo sua mente pra uma máquina secundária. É o que vimos no final de Brinquedo Assassino, mas sem o time de crianças (talvez a melhor mudança!), pois tudo gira em torno só da tia e da Sobrinha. No máximo tem o casal de assistentes da Tia (que lembra um pouco o casal de crianças amigos de Andy)


Como falei no artigo desse outro filme, tudo funcionaria muito melhor se só mudassem o nome dos personagens e replicassem a mesma história, sem tentar ligar com o filme clássico do brinquedo possuído, e pior que realmente funcionou melhor.

Mancini e sua opinião sobre Megan

Alias, Dom Mancini, o criador do Chucky e seus filmes clássicos (tem a série também né) deu suas boas vindas pra Megan na "Casa das Bonecas". Mas é bem provável que ele nem viu o filme... se visse notaria que de boneca ela não tem nada, além da máscara de silicone.


Vale lembrar que apesar de Megan ter bastante ligação com Brinquedo Assassino, isso só ocorre com a versão remake, que nada tem a ver com a versão original, tirando seu visual inspirado e alguns nomes de personagens (como a criança Andy). 

E daquela versão Mancini não curtiu, com razão, desaprovando o projeto na época, pois ele ainda tinha trabalhos com seu brinquedo pra lançar, fazendo do "remake" desnecessário.

Na ocasião, ele criticou a aparência do brinquedo no filme de 2019. Isso acompanhou as muitas críticas que o remake vinha recebendo só pela mudança no design de Chucky. Mas o filme mudou muito mais, transformando ele em um robô.

O Brinquedo Assassino remake é um androide, enquanto o original é uma boneca de pano possuída. Qualquer comparação entre "Chucky, Anabelle e Megan" é no mínimo ridícula, pois são conceitos completamente diferentes. 

Talvez o erro tenha sido esse: Buddi nunca deveria ter fingido ser um Chucky, assim como Megan fez.


Ela não é um brinquedo assustador que ganha vida, ela é um robô que decide matar. Está muito mais pro lado de filmes de ficção cientifica, como os mencionados I.A. e Eu, robô. Megan nem é uma boneca! É um androide, que foi considerado uma boneca em potencial MAS NUNCA NEM FOI LANÇADA! Nunca daria certo como brinquedo, e é isso que esses filmes mostram.

Se Megan é bem vinda, porque o irmão feio do Chucky não? Ambos são os mesmos! Estou achando essa injustiça com o feioso uma tragédia... mas, Megan é muito mais bonita que ele mesmo, então... o que a beleza não faz nesse mundo hein?


Concluindo

Apesar de uma cópia, M3gan é um filme bom, que bota mais ênfase nas inovações tecnológicas e como elas nos tornam dependentes, e vulneráveis.


O terror funciona, assusta quando precisa, causa tensão também, mas não é tão terrível quanto poderia. Aliás, não espere muita violência viu, ele não tem quase nada (e o que tem é censurado).

Se você não assistiu o filme de 2019, vai conseguir aproveitar muito mais, e se surpreender, talvez não com o enredo (perdoe meus spoilers) mas mais com o suspense e a boneca em si. 

O que acho curioso é que mesmo sendo a mesma história, M3gan parece estar recebendo excelentes críticas, enquanto o filme do brinquedo feioso foi muito injustiçado.

É claro, ele procurou também, tentando se sustentar numa franquia antiga, com um roteiro totalmente novo. M3gan não fez isso, mas ainda assim, ela chegou depois de algo que já tinha no mercado.

Akela Cooper e James Wan assinaram M3gan como roteiristas, mas ficou parecendo que eles usaram o trabalho de Tyler Burton Smith em Childs Play 2019 como base. 

São trabalhos semelhantes de mais.

Enfim, compensa assistir. Afinal, nada se cria, tudo se copia... e melhora.

O filme sai em 19 de janeiro de 2023 nos cinemas... então, fica a dica se quiser arriscar. Mas não é nada de mais viu.

É isso.

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2 Comentários

  1. Interessante, mas essa tematica ai de boneco ja deu o que tinha que dar.

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    1. Concordo, e espero que não tenham mais filmes assim... mas viu que tá pra lançar o filme do Five Nights Ar Freddy's? Também é sobre bonecos assassinos e robôs mas, promete muito principalmente pelo estilo do jogo.

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