Série: Lanternas - Sem Verde, Sem Heróis

Lanternas
A série dos Lanternas Verdes


Com um desgosto sem igual venho escrever este texto. Que série ruim.

Já é perceptível a falta de qualidade e desdém com o universo dos quadrinhos ainda no primeiro episódio, onde tentam fazer uma história de investigação policial, usando um dos heróis mais mágicos possíveis, sem usar magia alguma.

Lanterna Verde é o herói com o maior potencial imaginativo para os quadrinhos. Um ser capaz de criar construtos de energia baseados em pura imaginação e desejo, onde o único limite é a força de vontade dedicada.

E é sem força de vontade alguma que idealizaram e executaram essa série, depressiva, vazia, sem cor, morta.

Até mesmo a pior história do Batman tem mais vida do que os episódios dessa porcaria.

Enfim, bora falar mais sobre e explicar onde erraram e como isso é pior do que o filme do Lanterna Verde, ou qualquer outra adaptação antes criticada na história do cinema.

Boa leitura.

Os Três Lanternas Verdes


Na verdade, há muitos outros lanternas humanos, mas os mais populares são aquele que participou da animação da Liga da Justiça e namorou a Mulher-Gavião, aquele que teve uma série animada 3D só dele e o filme com o Ryan Reynolds, e aquele que apareceu no filme mais recente do Superman e, de tão babaca, chamou atenção.

Pra fãs do personagem e seu universo, é até ofensivo resumir suas principais participações e representações apenas a essas, mas convenhamos que o público em geral conhece só essas versões mesmo.

Então, uma série em live action que se propõe a contar a história de cada eleito como Lanterna Verde, e explicar como tantos humanos se uniram à Tropa alienígena mais diversificada em todas as histórias existentes, é no mínimo bastante interessante.

Basta apenas contar as histórias de origem de cada um, pesar a mão nos efeitos especiais e viajar nas ideias mirabolantes, afinal, falamos de seres praticamente mágicos que podem voar, criar qualquer coisa que quiserem e se movem em plena luz esverdeada.

Então, o que trouxeram pras telas? Uma história de cowboys limitadíssima, repleta de diálogos, e deficiente em ação ou um pingo sequer de imaginação.

A série é a história de um Lanterna Verde sem poderes por pura conveniência de roteiro, treinando outro Lanterna Verde igualmente sem poderes, em uma investigação policial sobre possíveis alienígenas que invadiram uma cidade no meio do nada.

Explicações Necessárias


Num universo onde já ficou estabelecido que alienígenas existem, inclusive com inúmeras invasões já tendo acontecido, chega a ser estúpida a ideia de tentar criar mistério em cima do tema.

Uma coisa é trabalhar com suspense sobre possíveis alienígenas andando entre nós, numa história em que isso é incomum, mas querem fazer isso justamente na história do único herói espacial da DC?

É que assim, Superman é um alienígena, mas todas as histórias dele já adaptadas no cinema foram no planeta Terra. Batman então nunca nem saiu de Gotham. Flash teve sua viagem multiversal, mas nunca pisou fora do planeta. Mulher-Maravilha, mesmo abordando deuses, também nunca precisou ir além das nuvens, e o Aquaman? Ele fica só no mar mesmo.

Aí vem o Lanterna Verde, aliás, todos eles, e nem mesmo um alien aparece. O cara está quase aposentado, é famoso, mas a série insiste em mostrar ele como uma pessoa comum, além da própria fama ou poder, que age como se nem pudesse flutuar.

Sendo que ele é o único dentre todos os heróis que atua principalmente fora do planeta, algo que ele nem esconde e repete sempre na própria série, mas apenas falando, jamais mostrando.

É esquisito assistir algo assim, tentando se levar a sério, tentando ser realista e até mundano, quando é justamente esse o espaço onde a DC mais poderia e precisava viajar!

Sem Construtos



O poder principal do herói é e sempre foi Criar Coisas Com a Mente! De onde tiraram que o público iria querer assistir a uma série de detetives com ele?

Ouso dizer que quem quer que esteja envolvido na produção nem mesmo sabe o que é Lanterna Verde, e quis criar algo descolorido e "adulto" pra atrair um público que jamais se interessaria pelo tema.

É diferente querer humanizar os personagens de transformá-los em versões sérias e sem graça.

Tiraram o brilho, literalmente, de tudo o que os Lanternas Verdes são. Os uniformes estão mais marrons que verdes, parece que tudo foi escurecido pra passar uma ideia de "maturidade", quando a essência da obra é a luz verde, ou pelo menos deveria ser.


O que me decepcionou e até revoltou foi ver o tamanho do desdém com o poder dos Lanternas, onde até mesmo pra voar, eles só são puxados por cordas e nem mesmo há um efeito de luz.

Parece que a pós-produção foi demitida, e disseram "ninguém quer ver luz" numa história onde é justamente a partir da pura luz que os heróis ganham sua força.

Pior ainda é ver as criações sendo sempre coisas pequenas e sem um pingo de graça, como um isqueiro, um passarinho minúsculo, ou uma bola de energia reduzida a 2 frames de aparição.

O "Verde" Não Existe



Tudo tá cinza ou marrom, até a natureza tá mais amarela do que verde. Tem uma cena que os personagens estão andando no meio de uma fazenda, e parece outono de tão amareladas que as árvores estão.

Não incluíram "Verde" nem mesmo no título, fazendo parecer que se envergonham do personagem e todo seu universo.

Sendo que a essência do Lanterna Verde é o "Verde". Tem significado nas cores, relacionadas a emoções, e é algo que sempre esteve atrelado ao universo do personagem, conta algo além do mero espaço, e um prisma de emoções, qualidades e batalhas de sentimentos.

Verde é Força de Vontade, Vermelho é Raiva, Rosa Amor, Amarelo Medo, Laranja Ganância, e tudo isso é sempre relacionado às histórias, conta algo além do mero espaço, e um prisma de emoções, qualidades e batalhas de sentimentos.

Lanterna Verde sem Verde é apenas, nada.

É como contar uma história do Batman sem ele nunca vestir a roupa de Batman. Pode parecer genial no papel, contar um filme inteiro onde Bruce Wayne ainda não se tornou o Batman, mas convenhamos que uma história assim nunca daria certo, e nem vem me dizer que Gotham conta, pois tecnicamente até lá tiveram que fazer o Batman aparecer pra conseguir emplacar em algum momento.

Péssimas Caracterizações


Os atores foram bem escolhidos, e a ideia deles é interessante: Hal Jordan como primeiro Lanterna sendo o mais velho e cansado, que desdenha do poder e da responsabilidade, mas teme passar o anel adiante.

John Stewart como dedicado aspirante a Lanterna, que treinou a vida inteira pra isso, que sempre desejou e agora tem a chance de se tornar um, mas ainda está aprendendo a parte mais importante da profissão: a arte da imaginação.

Faria muito sentido ver ambos interagindo, enquanto nos é explicada a proposta e o jeito como dois Lanternas coexistem no mesmo setor. Como anéis se multiplicam ou como um novo poder pode surgir, como a força de cada um é individual e baseada em suas emoções internas.

Mas não, ao invés disso o que temos é um Hal completamente ranzinza e que evita contar o óbvio, e um John imaturo que prefere se engraçar com as esposas dos outros.

Os atores são bons, mas estão sempre tão sérios que nos fazem questionar o que estamos assistindo, pois eles estão sempre de mau humor, cansados, revoltados com o mundo... parece a série do espectro cinza, e não do verde.

Ambientação Simplificada


A Lanterna foi reduzida a um cosmético que é usado meramente pra recarga do anel, e fica jogada em qualquer canto. O anel reduzido a um objeto que cria coisinhas de luz por tempo limitado. O uniforme a uma roupa sem cor, descosturada e desgastada que precisa ser vestida e não nasce do poder do anel.

Voar é sem graça, eles saem do chão e é isso. Ação não há, são diálogos e os poucos momentos de combate são tão movimentados e tão dinâmicos que ou ocorrem numa briga de bar ao fundo enquanto a câmera foca no flerte de um dos personagens...

Ou numa van fechada e claustrofóbica.

A cena mais agitada de toda a série é uma perseguição a pé no meio do trânsito onde nada faz sentido! Os personagens correm na direção de carros ao invés de procurarem uma saída da estrada e, na verdade, toda a corrida é sem rumo, e desperdiçada.

Cenários vazios, ausência de personagens, ausência de vida... parece mais que o mundo inteiro simplesmente desistiu e todos foram pra suas casas dormir.

Pensa em algo completamente mórbido... onde até mesmo o fundo do oceano de Aquaman parece mais agitado. Eis o universo que Lanternas quer emplacar.

Economia de Efeitos Especiais


Se gastaram duas esfirras e um guaraná como orçamento pra isso, acho que foi muito.

90% dos episódios são diálogos chatos, como o protagonista num hospital falando com uma policial.

Quando há alguma coisa "mágica", se resume a 3 ou 4 segundos de aparição, e é sempre minúsculo, quase imperceptível.

A desculpa pra isso? O anel está descarregado. A série começa já com ele sem carga, e só resolve esse problema no terceiro episódio, ainda mantendo a falta de criatividade no ápice.

A ironia é que essa é justamente aquela série em que mais há liberdade pra fantasiar, e o resultado sempre se direciona pro menos criativo possível.

Falta de Criatividade


Sério mesmo que o auge da criatividade é falar sobre uma investigação sobre alienígenas infiltrados entre os humanos? No mesmo universo onde já vimos uma invasão de super aliens?

Ou se esqueceram que no último filme, onde inclusive apareceu um Lanterna Verde, a história era sobre um mundo onde há tantos heróis e super-heróis que se tornaram até comuns?

Até nas histórias do Pacificador, que nem poderes tem, tem mais animação, empolgação e desafios que nessa porcaria.

Ninguém quer ver uma história assim, de onde tiraram que iria funcionar? Ainda mais com o Lanterna Verde!? Se nem com o Batman isso seria interessante, meu deus, como que isso funcionaria aqui?

Até na história do Pinguim, onde não há superpoderes, onde é tudo limitado a uma história sobre a máfia, há muito mais criatividade e empolgação ao roteirizar do que aqui. Tem reviravoltas, tramas, tem suspense, tem mortes... mas aqui? Aqui tem cadáveres com pênis à mostra, e pessoas conversando sobre transar.

Roteiro e Conversas em Excesso



Acham que subverter expectativas é a chave do sucesso, e pra isso mostram o óbvio e respondem tudo muito rápido, com franqueza, sem desvios, sem surpresas.

Ao fazer isso, matam o mistério e a história fica seca, crua, sem a menor graça. Hal e John são mestres e pupilos, extremamente sinceros um com o outro, que vivem em rodeios.

Enquanto John confia totalmente em Hal, apesar de desprezá-lo, Hal confia totalmente em John, apesar de também desprezá-lo.

O resultado disso são duas figuras abertamente sinceras, mas que ficam enrolando pra render tempo de tela.

E nesse meio tempo, ficamos a ver conversas. Dá pra saber exatamente pra onde a história tá indo, e tudo poderia ser resolvido em um único episódio. Mas o roteirista se acha tão incrível e genial, acha que a história que criou é tão magnífica, que precisa de 8 horas pra ser contada, mesmo custando o ritmo de uma boa história.

Continuidade Quebrada


No início mostram datas, que nada simbolizam. Tudo é contado num intervalo de décadas, às vezes mostram o passado, às vezes o presente, às vezes o futuro, e ficam misturando tudo ao estilo Tarantino.

Mas é tão mal feito que, ao invés de soar brilhante, é só muito perdido mesmo.

O primeiro episódio mostra o começo da história, e o final, com o que parece Hal morto depois de muito tempo, mas nos demais voltam no passado pra mostrar um desenvolvimento de enredo que já perdeu toda a força, uma vez que a conclusão foi entregue lá no início.

Fingindo que estão sendo cautelosos com as informações, apenas estão enrolando e acabamos perdidos nessa bagunça.


O que era pra ser uma história de origem vira mais um aglomerado de pequenos contos perdidos sobre uma investigação sem a menor importância, afinal, se é tudo sobre uma força alienígena infiltrada, pra que chamam de Lanterna?

O tempo aqui é a maior de todas as falhas, pois só está perdido em si mesmo, sem conseguir estabelecer o que está acontecendo ou quando.

Potencial Desperdiçado



Dava pra ter sido genial... uma história boa sobre como os Lanternas atuam...

Mas por alguma razão quiseram contar algo pequeno, minúsculo, sobre alienígenas que nem podem reproduzir em tela por falta de custos, com tecnologias que poderiam ser detidas facilmente com um simples imaginar do anel.

Ao invés de explorarem o potencial das histórias dos Lanternas Verdes, optaram por mostrar qualquer coisa.

E o interesse na obra só some, a cada minuto que ela passa.

Sinceramente, mal sei como cheguei ao quarto episódio, e nada parece melhorar. Acredito que, por mais que tentem fazer tudo ficar mais interessante perto do fim, não há como consertar o estrago feito na narrativa até aqui.

Mesmo que coloquem uma cidade inteira feita com o poder do Anel, nem isso salvaria a história... pois está sem graça, chata, mal executada e sem imaginação.

Conclusão


Assistirei mais, e caso mude de ideia trago meu parecer.

Mas por hora, só me arrependo das horas que desperdicei.

É isso.

See soon.

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