PRAGMATA
Você já quis ter uma filha? Não? Então jogue Pragmata e provavelmente irá querer.
O jogo te engana fazendo parecer que é um passeio no parque, e mesmo numa situação de sobrevivência e fuga, a ideia de ser pai te engrandece.
De quebra o jogo também te mostra a incrível experiência de um dia como Técnico de Informática, e a eterna missão de arrumar impressoras alheias. Ser CLT não é fácil.
Me siga na jornada pra cuidar da robozinha Diana, em busca da saída da Lua.
Boa leitura.
Um Conceito Simples
Em 2026 a Capcom finalmente lançou o jogo que vinha prometendo a um bom tempo, sobre algo inovador envolvendo robôs...
Só que a ideia do jogo é simples: Pegue um astronauta preso em uma estação espacial como em Dead Space, e tire os corpos, o terror pesado, reduza isso ao máximo, e coloque uma garotinha fofa nos seguindo.
Meio que o jogo faz isso, porém não deixa de ser original, já que ele decide dar foco absoluto nessa união, do astronauta e da criança, focando sua narrativa, enredo, jogabilidade, tudo, apenas nessa dupla.
Não há uma história grande além deles, eles não precisam atravessar algo maior e por isso se unem, na verdade... eles são a história.
Tudo é apenas um cara e uma menina, e o nascimento de um pai e uma filha.
De certa forma me deu até um pouco de raiva quando cheguei ao final e percebi que não ia ter alienígenas, dominação mundial por máquinas, guerras interestelares, reviravoltas absurdas que mudariam como enxergamos o mundo, nada disso.
Era apenas uma dupla fugindo da lua e fim.
O intrigante é que a lua não tá normal, há uma trama sobre Impressora 3D de TUDO, e como isso causou um baita conflito, mas até isso é irrelevante diante da dupla principal.
Gameplay Duplo
O ápice do jogo está em sua jogabilidade e neste ponto não há o que reclamar. Ele consegue ser complexo sem ser complicado, e faz a proeza de ser dinâmico graças a isso.
Resumidamente, ele usa o Controle completamente, e cada botão tem uma pá de funções condicionais, além de ele basicamente fazer o lado esquerdo ser algo voltado pra "Ataque", enquanto o lado direito é focado pro "Suporte", tudo simultaneamente.
O Lado do Ataque
De um lado do controle temos tiroteio, onde nosso personagem principal, o Astronauta, usa Armas de Fogo Impressas. Todas as armas que têm no jogo são impressões 3D (assim como tudo no jogo), mas elas têm funções diferentes dependendo da posição em que estão instaladas.
O protagonista carrega sempre uma arma principal, posicionada no topo do inventário. Essa arma tem munição renovável e infinita, mas tem um limite pequeno de disparos até se recarregar. Ela é substituída ao longo da história por uma arma mais potente, e com mais munição, porém não faz grande diferença, pois ela ainda gasta tudo muito rápido.
A vantagem dela é que é infinita e fixa, diferente das outras armas.
Todas as demais armas são impressões descartáveis, que não podem ser recarregadas. Uma vez que a munição acaba, o personagem as joga fora e pega outra impressão pelo cenário, podendo ser igual ou de um modelo diferente.
Neste caso há 3 tipos de armas, e muitos modelos com disparos diferentes pra cada tipo.
O Tipo da Esquerda no inventário é o que chamo de "Armas de Estrago". Elas são armas com golpes poderosos, tipo Espingardas ou Bazucas, mas num conceito espacial.
Você dispara lasers, tiros carregados, ou disparos espalhados de grande impacto, tudo dependendo do modelo da arma pega, e isso serve pra causar dano alto, apesar de sempre ter pouca munição ou seja, ser rapidamente descartável.
O Tipo da Direita no inventário é o que chamo de "Armas de Assistência". Essas armas causam debuffs em inimigos, servindo mais pra enfraquecer do que pra causar dano.
Você pode criar áreas que paralisam os inimigos temporariamente, pode atirar flechas que reduzem suas barras de hackeamento (já explico isso), pode causar pequenas explosões que derrubam eles, coisas assim.
Tais armas são voltadas pra enfraquecer hordas e facilitar o combate, e geralmente são armas de uma mão só pra uso rápido.
O Tipo de Baixo no inventário é o que chamo de "Armas Especiais". São aquelas voltadas pra fazer coisas diferentes só pra tornar tudo mais dinâmico.
Tem armas pra criar um clone de holograma que fica distraindo os inimigos, tem outra que cria uma armadilha invisível que os para caso cheguem perto, outra que invoca centenas de pequenos drones para atacar e atrapalhar o alvo, coisas assim.
Tais armas já são bem mais pra dinamizar o combate, e criar brechas ou variáveis para que o jogador monte seu estilo de luta.
Todas essas armas ficam num inventário, e podem ser equipadas usando o Direcional. Enquanto movemos o astronauta com o analógico, podemos trocar as armas usando o clássico D-Pad, e conforme o jogo avança podemos até carregar mais de 1 arma em cada lado, ampliando ainda mais a dinâmica.
Lembrando que além de andar, podemos pular, flutuar (mantendo o botão de pulo), dar um Impulso que praticamente nos faz voar pra direção que quisermos, além de correr e esquivar de inimigos. Essas funções ficam habilitadas no lado direito do controle, pelos botões de ação, porém isso é apenas enquanto não estamos mirando.
Ao mirar, o lado direito do controle fica dedicado à personagem secundária, mas eu já explico.
E pode parecer arma pra caramba, ao ponto de termos tantas opções que nem compensa citar todas aqui. Só que, além de no máximo podermos carregar até 2 tipos de cada (da direita e esquerda) e um tipo da de principal e da de baixo, ainda falta munição pros combates.
Tanto aparecem armas impressas jogadas por todo canto, e até impressoras pra criarmos novas, e podemos também começar a campanha em cada fase imprimindo previamente as armas que quisermos, e ainda assim faltará munição.
Isso porque os inimigos são praticamente imunes a tiros. E é aí que entra o Lado do Suporte, ou, o Hackeamento.
O Lado do Suporte
Hackear os inimigos é pré-requisito pra derrotá-los, e isso é função da outra protagonista, a menina.
Ela é "controlada" pelo lado direito do controle, onde, ao mirarmos, ela entra em modo Hackeamento. Com isso, uma janela aparece com um pequeno mini-game, onde precisamos usar os botões de ação do controle pra andarmos com o Nódulo da personagem.
Ela guia esse Nódulo pelo tabuleiro, passando por cima de ícones que se somam. O objetivo é chegar até o ponto verde no quadro, e assim executar um hackeamento, com o máximo de nódulos somados. Quanto mais, mais a fraqueza do inimigo fica exposta, e podemos acertá-lo.
Esse modo hackeamento vai evoluindo, com novos nódulos aparecendo, e novas funções também. Alguns passam a deixar os inimigos confusos, outros superaquecidos (o que torna eles mais fáceis de derrubar), outros até causam dano interno.
Sem contar que a longo prazo, a protagonista também ganha habilidades próprias, podendo hackear portas, quebrar impressões mal feitas, desinfetar inimigos ou passagens inteiras, ou até dar um super golpe digital que fere geral na mente!
Ela também é um rastreador vivo, podendo escanear o cenário em busca de itens.
Ela ganha uma série de recursos conforme o jogo avança, que se somam às armas do protagonista, e juntos viram uma dupla mortal.
Porém, isso também deixa tudo bem complexo, afinal precisamos controlar tudo simultaneamente. Não dá pra esquivar se estivermos hackeando, e precisamos hackear para poder atirar. Dá pra fazer tudo com pequenos intervalos, mas é difícil, e temos de trocar as ações freneticamente, afinal os inimigos não dão brechas.
Cada inimigo tem seus movimentos, frequência, e alguns adoram atacar quando estamos vulneráveis, seja andando, seja hackeando.
Vida e Cura
O protagonista ainda tem Barra de Vida e Estamina. No caso da Estamina, ela se recarrega sozinha, permitindo que ele dê impulsos com sua mochila a jato, ou flutue.
Agora a vida é um problema, pois ela não se regenera a menos que ele retorne pra base de descanso. Sem contar que até dá pra curar no meio das fases, mas é difícil e gasta recursos limitados.
Por exemplo, ele tem uma poção, um cartucho que cura um pouco do PV dele. Mas só pode carregar uma unidade, a menos que expanda isso com recursos extras do jogo (e são difíceis de obter).
Dá pra curar pegando algumas cápsulas que podem cair de inimigos, mas isso chega a ser raro de acontecer. Além de que, próximo ao fim do jogo, surgem chips e recursos de cura que soam promissores, mas na prática não ajudam em nada.
Felizmente a garotinha não precisa ser curada, pelo menos não em batalha, mas ela pode ficar brevemente desabilitada caso pegue algum vírus de sistema, o que nos deixa ainda mais vulneráveis. E, como parte da história, há um momento em que ela fica ferida.
Base de Descanso
O jogo nos permite descansar constantemente em uma Base, onde podemos fazer upgrades, treinar num simulador, fazer impressão de armas pra ir pras fases, selecionar as fases (que são setores da base lunar), ou simplesmente conversar.
Como a relação do Astronauta e da Menininha é o tema principal, conversar entre eles é essencial pra conhecermos mais da história.
Além disso, há coletáveis que viram brinquedos pra menininha, montando um verdadeiro parquinho pra ela.
Essa base é nosso ponto seguro, e pode ser acessada em Escadas de Segurança ao longo das fases. São o checkpoint, mas é opcional usá-las pois, assim como jogos como DarkSouls, os inimigos derrotados voltam caso descansemos.
A questão é que, uma vez que só dá pra se curar naturalmente ao descansar, e o jogo marca nosso ponto de retorno nessas escadas, acaba sendo um recurso importantíssimo e impossível de ignorar.
Jornada por Instâncias
E aí entra um sistema que facilita muito a experiência. São cerca de 6 fases, sendo elas setores da base lunar, os quais acessamos quando quisermos (ao longo da campanha).
Podemos inclusive voltar pra essas fases pra explorar mais, só que claro, cada uma vai sendo revelada conforme avançamos.
Essas fases são como instâncias, que escolhemos quando entrar e como entrar, nos equipando e preparando antes.
Elas não possuem tempo limite, mas cada uma tem sua dinâmica e desafio próprio. Por exemplo, uma é na superfície da lua, sem som ou oxigênio, e flutuamos muito mais que o normal. Outra é numa floresta de impressão mal feita. Outra numa cidade totalmente impressa que imita Nova York, etc.
Algumas fases são focadas em combate, outras em suspense, outras em exploração e enigmas, mas no todo são todas bem similares.
Desafios Simples
E apesar de ter um chefe pra cada fase, no geral não são nada difíceis. Elas são enroladas, sempre com algum grande portão que precisa ser aberto com uns 5 ou 6 interruptores, e precisamos explorar o cenário inteiro atrás disso.
Mas a ordem da progressão é a mesma, entramos, somos desafiados por algo, e enfrentamos este algo no final.
É sempre combate, hackeamento, destruição e descanso pra próxima fase, lembrando um pouco o modelo visto em jogos mais antigos da Capcom como MegaMan, em que escolhíamos uma fase de chefe, e passávamos por ela, simples.
No final há até aquele clássico confronto contra hordas de inimigos poderosos, incluindo ex-chefes, mas até menos cruel que nos Devil May Cry da vida, sem confrontos muito dificultosos.
E olha que joguei no modo normal, e sou péssimo jogador. A dinâmica dos dois lados acaba ajudando com o desafio, mas depois que dominamos, tudo parece bem fácil.
Upgrades, Bônus e Game-Over
Sem contar que ao perder, não há game-over real. Os protagonistas voltam pra base de segurança e se preparam, até mesmo conversando sobre a última derrota, e voltam pro combate ainda mais fortes.
E quanto mais se perde, mais fortes ficamos, já que os inimigos derrotados, ou até o chefe, derrubam pontos que podem ser usados para upgrade mesmo depois de perdermos uma luta.
O jogo não mostra, mas imagino que a garotinha sempre tira o Astronauta dos cenários arrastando ele, quando ele desmaia.
Tanto que ela sempre aparece chamando por ele quando isso ocorre.
Enfim, também temos recursos como Troca de visual, botando roupas e um sapato na menina descalça, ou então podemos treinar um pouco com um robozinho e um simulador.
Dá pra desbloquear e melhorar armas com nossos pontos adquiridos em fases, ou usar moedas Cabin pra desbloquear recursos extras, como uma poção a mais, por exemplo.
Personagens
Hugh
Também conhecido como Rocket dos Guardiões da Galáxia, Hugh é um técnico espacial que viaja com os colegas pra uma estação de impressão 3D na lua. Literalmente é um funcionário da T.I. convocado pra arrumar uma impressora.
Chegando lá, tudo explode e ele vira pai. Algo normal na vida de todo técnico.
Como único sobrevivente na lua, ele precisa cuidar de uma garota robô descalça, carregando ela nas costas e enfrentando as anomalias da empresa, tudo pra conseguir voltar pra casa.
Mas enquanto explora, se equipa, se arma e descobre os maiores segredos da empresa, ele também começa a criar uma forte ligação com a pequena androide e se torna um grande pai, até o fim.
Diana
Um robô descalço com eterna aparência de uma menina de sete anos de idade, originalmente chamado D-I-0336-7. Apesar de ser uma impressão 3D viva e autônoma, ela tem personalidade de uma criança condizente com sua forma.
Ela foi parte de um projeto secreto da empresa de Impressão 3D, e acabou descartada como lixo. Mas, ela permaneceu vivendo escondida até rolar uma grande explosão, e tudo na estação lunar começar a ruir.
Foi aí que ela conheceu Hugh, salvando-o e se tornando sua protegida. Ele quem deu o nome pra ela.
Diana é hacker, e consegue invadir qualquer sistema, inclusive dos robôs e da própria estação. Ela ainda por cima tem facilidade pra aprender e absorver informações.
Então, junta um cara da T.I. e uma hacker, e se tem a dupla perfeita pra arruinar os projetos de uma empresa que desvia recursos pra pesquisas desumanas.
Diana faz parte de um programa de recriação de órgãos humanos artificiais, sendo assim uma Pragmata. Como é proibido a impressão de seres com aparência humana, esse projeto foi feito escondido na lua, numa divisão secreta tocada por um único cientista.
Aliás, Diana anda descalça pois tecnicamente ela recarrega suas baterias tocando o solo da estação. Isso é importantíssimo, pois acaba ditando um desfecho bem negativo pra personagem no final da história, que não fica tão claro de primeira.
Contudo, é possível equipar roupas que colocam sapatos nela, o que também pode significar que ela consegue receber energia de outras formas, por exemplo, energia solar.
Outra coisa, Diana é a única Pragmata com "emoções artificiais". Ela foi uma variação do projeto original com o intuito de gerar sentimentos. É algo bem estranho, e até cruel, considerando o objetivo original dos Pragmatas.
Cabin
Este robozinho é parte de um programa de suporte para funcionários, que tem uma aparência de tablet com pernas. Ele serve puramente pra entretenimento, porém acaba se convertendo num recurso essencial e ignorado da empresa.
Hugh e Diana acabam se aliando a ele pra investigar a empresa, e buscar uma saída. Mas no fim ignoram o robozinho que fica lá, sozinho, pra sempre.
Cabin tem personalidade e inteligência própria, mas se limita a responder e ajudar quando o pedem. Ele oferece recursos como simuladores de combate, loterias, e desafios para se obter premiações.
É através dele que se obtém poções extras, roupas alternativas, ou informações sobre os demais robôs.
IDUS
Como não podia faltar numa história de ficção científica robótica, há uma Inteligência Artificial chamada IDUS que assumiu o controle da estação espacial. Ela lembra muito o HADES de Horizon Zero Dawn, porém aqui não é tão hostil quanto.
Ele quer apenas isolar a estação e destruir possíveis intrusos, e tem acesso total a todos os recursos da estação. Com isso, ele invoca robôs infinitamente, imprimindo-os quando quiser e onde quiser.
Ele parece ser o vilão principal, mas ele estava sendo controlado por outra entidade ainda mais terrível, ou pelo menos estava sendo manipulado.
IDUS servia como uma unidade de segurança na estação, e tentou evitar que uma praga se proliferasse, e quase conseguiu. Porém por conta do Hugh, ele acaba sendo atrapalhado e o verdadeiro inimigo é liberado.
Além de IDUS, há outa I.A. na estação, porém essa não tem nome. Enquanto IDUS tem voz masculina, a outra tem voz feminina e serve como uma assistente geral.
Oito
Uma Pragmata igual à Diana, porém com um ano a mais de aparência. Ela é encontrada presa em uma árvore por conta de um erro de impressão florestal que a isolou, pelo menos é isso que ela diz. Na estação também era possível imprimir florestas inteiras.
Porém, Oito é muito mais que somente mais uma Pragmata, ela é a responsável por todo o caos na estação, secretamente sendo a vilã da história.
No começo ela se projeta na forma de um gato holograma, mas depois ela é encontrada pessoalmente, e pouco a pouco a história dela vai sendo revelada.
Seu corpo foi criado apenas para servir de repositório de órgãos pra uma humana, mas a composição do material semi-orgânico dela era incompatível com matéria orgânica real a longo prazo. Isso gerou uma anomalia que passou a consumir a vida e transformá-la em mais material de impressão 3D.
Oito acabou gerando esse material primeiro, e consequentemente testemunhou a morte do cientista que a criou, o que fez ela ficar traumatizada. Ela assumiu a responsabilidade por essa morte, e decidiu transmitir uma mensagem final do cientista pra toda a humanidade.
O objetivo da Oito é sair da Lua, e ir pra Terra com o material que ela criou, levando também a memória do cientista pra espalhar pra todos os humanos como se tivesse realizando seu desejo final. Porém pra isso ela precisa enfrentar o técnico de informática espacial e sua filha hacker.
Diana e Oito são como irmãs gêmeas, sendo respectivamente as Pragmatas Sete e Oito do projeto. Oito foi a última usada, enquanto a Diana foi descartada sem ser destruída. Aparentemente todas as anteriores foram destruídas.
Somente Diana e Oito foram mantidas, e eram bem próximas, mas no fim apenas Oito serviu pro programa.
Corporação Delph
Num futuro distante, uma empresa que descobriu um minério facilmente moldável na lua, decidiu criar um império de impressão 3D, essa foi a Delph.
Eles revolucionaram a engenharia, biologia, robótica, enfim, eles conseguiram através da pura impressão, fazer tudo o que queriam. Podiam imprimir prédios inteiros, veículos, comida, máquinas totalmente funcionais, robôs completos em qualquer forma, tamanho ou função. Até mesmo florestas podiam criar, produzindo inclusive oxigênio, e tudo isso numa velocidade assombrosa.
Como uma grande empresa de múltiplos recursos, eles focaram tudo em mais e mais estudos, até chegar nos limites da moralidade. Enquanto na Terra era proibida a pesquisa com robôs em forma humana, na Lua eles estavam fora da jurisdição terráquea.
Então, secretamente passaram a estudar formas de lucrar com o corpo humano artificial. Assim nasceu o projeto Pragmata.
Lunafilamento
Lunafilamento é um mineral achado na lua que pode ser processado e modelado em qualquer material orgânico ou não. Ele pode substituir praticamente qualquer coisa, o que permitiu que cientistas utilizassem ele para imprimir de tudo.
É graças a esse minério que conseguiram criar um império da impressão 3D. Além de extraírem ele no monopólio da lua, a empresa ainda aprendeu a usar e vender das mais variadas formas, estudando cada vez mais como tirar o máximo de lucro disso.
O problema é que havia limites a se respeitar, e o minério achou uma forma de se vingar.
Necrofilamentos
Ao ser utilizado pra recriar órgãos humanos, os minérios se adaptaram e se transformaram num tipo de câncer, chamado Necrofilamento. É basicamente uma massa corrompida que consome materiais orgânicos e se multiplica transformando tudo o que toca em mais necrofilamento.
É como uma tinta de impressora 3D, que se entrar em contato com sangue, passa a se multiplicar infinitamente atrás de mais sangue. No fim, esse necrofilamento consumiu todos os corpos humanos que encontrou, transformando tudo em mais necrofilamento, e só não foi mais longe pois ficou na Lua.
Apesar de todos os funcionários da lua terem se transformado nisso (o que responde o fato de só terem suas roupas por toda parte), ainda há Hugh perambulando, que vira alvo dessa anomalia.
Além disso, Oito deseja mandar esse material pra Terra como vingança pelo que rolou com seu "pai". Então, no fim das contas, esse material é a grande ameaça da história.
Doutor Higgins
O cientista chefe do projeto Pragmata é também o maior responsável por toda essa bagunça, mesmo depois de morto.
O projeto nasceu por causa dele, que queria salvar a própria filha de uma doença, usando transplantes artificiais feitos com lunafilamentos.
Só que enquanto estudava suas Pragmatas, a empresa decidiu usar elas antes das pesquisas terminarem, tudo pra tentar lucrar o quanto antes com isso. Ainda por cima usaram a filha do cientista como primeira cobaia, dando origem ao Necrofilamento.
Não houve tempo pra contramedidas, e todos na estação foram executados imediatamente pelo câncer que se espalhou, matando o cientista, a filha dele, e todo mundo.
Porém, antes de morrer pela doença do necrofilamento, o cientista se despediu da Oito, que havia se tornado uma filha pra ele. Por conta dessa despedida, a Oito entendeu que o cientista queria expor a empresa pra todos os humanos, e se vingar pela morte da filha, e assim ela decidiu enviar Necrofilamentos para a Terra.
Os Necrofilamentos respondiam diretamente à Oito, pois surgiram do material dela corrompido, porém eles também tinham memórias infundidas, tendo assim a capacidade de agir individualmente caso quisessem. Quase uma IA automática.
Daisy
E por fim, tem a filha do Higgins, que nunca aparece mas acaba sendo citada quando tudo é revelado.
Ela faleceu jovem, e as Pragmatas são clones dela, feitos de puro lunafilamento.
A ideia do transplante de órgãos poderia ter funcionado, mas infelizmente a Delph forçou uma situação desesperadora e descontrolada, acelerando os experimentos. Deisy estava na estação lunar quando fizeram o transplante, e o contato do lunafilamento refinado com o organismo da menina gerou o necrofilamento.
Daí virou um câncer, que se espalhou muito rápido e consumiu todos. Apenas a Oito e a Diana sobreviveram, até que Hugh surgiu.
Inimigos
Tem muitos robôs inimigos, mas são todos apenas máquinas bem genéricas e meio sem graça que temos de atirar ou hackear pra vencer.
Há basicamente duas categorias: Os comuns, que são robôs funcionários para ações na estação. E os chefes, que são em sua maioria anomalias impressas... eu gostaria muito de falar de todos os robôs, mas assim como as Armas, acaba sendo só um monte de variações sem nada de interessante.
Porém, falarei brevemente dos Chefes, e alguns inimigos mais importantes, aproveitando pra falar de cada região visitada.
Robô Impresso
O robô mais comum é o primeiro impresso, que serve pra apresentar o conceito das impressões de lunafilamentos. Ele aparece ao longo do jogo inteiro.
Algo interessante nos combates é que todo robô tem uma defesa absurda, e só sofrem dano caso sejam hackeados, o que deixa eles com as armaduras abertas e enfraquecidos. O conceito vale pra todas as máquinas igualmente.
Robôs Drones
Existem também pequenos robôs voadores que atiram. Servem só pra encher o saco. Na verdade tem outros que atiram granadas e mísseis, mas os robôs voadores sempre são fraquinhos e servem mais de obstáculos pra atrapalhar.
Robô Granadeiro
Um modelo mais robusto dos impressos aparece, atirando granadas também.
Chefe: Robô Grandão de Segurança
O primeiro chefe enfrentado é uma máquina grande, rápida, cheia de canhões, que apela atirando pra todo lado, mas que convenientemente se torna um inimigo normal na reta final.
Ele realmente é desafiador no começo.
A primeira missão até chegar nele consiste em explorar a estação pra entender o que tá rolando, além de religar a energia do lugar todo. Esse robô é uma medida de segurança lançada pelo IDUS pra impedir o Hugh e a Diana de perambularem pela estação, tanto pela segurança deles quanto da própria estação, afinal ela estava num tipo de quarentena.
Robôs Cabeçudos
Esse é um outro tipo de máquina impressa, e acaba se destacando por ser muito medonha. Ela aparece aos montes na região da Nova Iorque impressa.
Hugh precisa atravessar essa região pra chegar até a Antena de Comunicação, pra tentar entrar em contato com a Terra.
Esse robô acaba sendo impresso com frequência pra resguardar essa região, um lugar que consistia num grande simulador urbano, e que também servia de estação de impressão em massa de robôs.
Robôs Giratórios
Além deles, tem robôs que giram pra atacar rápido e atrapalham muito.
Chefe: Impressão Gigante Deformada
O chefe dessa região é simplesmente um amontoado do cabeçudo, num amalgama deformado e poderoso. Ele controla a impressora de lunafilamentos de toda a cidade, por isso usa ela pra lutar.
Além tem defesas por todo o corpo, é colossal, rápido, e ainda pode imprimir prédios inteiros pra atrapalhar na luta.
Hugh e Diana precisam destruir ele só pra ter uma chance de chegar até a comunicação, e mesmo assim não dá nada certo.
Robô Samurai
Esse seria o robô mais forte da região da Floresta Impressa. Ele é basicamente um samurai.
Hugh e Diana entram nessa região pra procurar pela Oito e ajudá-la depois dela aparecer como um holograma gatinho suplicando por ajuda.
Robô Invisível
Outra máquina bem forte é a camuflada, que tem a aparência de uma aranha e ataca de surpresa em alguns locais.
Ela aparece pouco, mas é quase tão desafiadora quanto chefes.
Chefe: Escorpimão
O chefe da região da Floresta Impressa é um escorpião robótico feito de mãos impressas.
Ele é grande, rápido, explosivo, mas é só mais um chefe grandão mesmo.
Diana e Hugh precisam derrotar ele pra libertar Oito de uma árvore mal impressa, e logo em seguida IDUS tenta sabotá-los. Por conta disso, Oito fica pra trás, e eles precisam fugir pra uma outra área.
Robô Escudeiro
Esse robô é grande, e é basicamente um escudo ambulante que joga granadas. Aparece muito numa região com contêineres, que é um grande labirinto por onde Hugh e Diana precisam passar.
Essa região faz parte da Mineradora da estação, onde a empresa pegava o minério pra criar os lunafilamentos.
Sub Chefe: Robô Drone
Numa parte com um elevador de carga, Hugh e Diana são atacados por um drone grande muito poderoso, e é tecnicamente uma luta de chefe.
Apesar dele não ser o chefão da fase, o combate é bem intenso pois ele é muito resistentem e se move rápido, sendo difícil de focar pra hackear.
Eles passam pelo elevador pra chegar até o outro lado da estação, em busca da sala de controle do IDUS, mas o próprio envia esse drone pra tentar pará-los.
Chefe: Minhocão
O chefe principal da região é encontrado logo no começo, pode ser enfrentado, mas é impossível de ser derrotado.
Ele fica escavando a lua atrás de minério, mas foi corrompido pelo IDUS e usado como forma de defesa, por isso é bem agressivo.
Haviam vários dele, mas todos foram destruídos durante o surto na estação, sobrando apenas este que Hugh e Diana precisam dar cabo.
Ele é enfrentado perto do final da região, e só pode ser derrotado pois suas defesas caem.
Eles passam pela região de mineração para poder chegar até o IDUS, e desligar ele, como forma de ajudar a Oito.
Só que a Oito trai Hugh e Diana, mostrando que na verdade ela estava tentando tomar o controle de IDUS, e com a ajuda deles ela consegue.
Depois disso ela fere tanto Hugh quanto Diana, forçando ambos a fugirem.
Chefe: Robô Sentinela
Esse é um chefe enfrentado algumas vezes ao longo do jogo.
Primeiro ele aparece e vence Hugh facilmente, que acaba sendo salvo por Diana. Ele é enviado por IDUS pra tentar detê-los, mas eles conseguem fugir.
Então quando Hugh carrega o corpo de Diana ferido por Oito, procurando por uma forma de repará-lo, esse robô aparece pra tentar atrapalhar, corrompido com necrofilamentos.
Hugh precisa protegê-la até ela se recuperar e ajudar. A luta é intensa é tecnicamente impossível vencer, mas quando Diana se recupera, ela hackeia ele e o destrói.
Perto do fim, ele volta pra uma revanche sem os necrofilamentos, e é o chefe antes do chefão final.
Robôs Corrompidos
Na reta final, todos os robôs começam a aparecer corrompidos com Necrofilamento. Isso faz com que eles fiquem resistentes à hackeamento, por isso fica ainda mais difícil vencer.
Todas as máquinas ganham características similares, e Diana consegue até uma habilidade que purifica o necrofilamento pra ajudar.
Os cenários começam a ficar tomados por necrofilamento, o que causa dano e enfraquece Hugh e Diana, mas eles precisam passar por isso pra deter a Oito.
Robô dos Tentáculos
Esse é um robô que aparece algumas vezes, quase como um robô chefe pois é bem forte. Ele tem braços que se esticam como tentáculos e é tomado por Necrofilamento.
Ele aparece na reta final com certa frequência, mas não é o chefe final, nem mesmo um chefe principal.
Chefe: Oito
A própria Oito assume uma forma de robô grande no fim, tomada por Necrofilamentos.
Ela é bem forte, tem duas formas, e é resistente à hackeamento.
Só que com a união de Hugh e Diana, ela é derrotada e destruída, suplicando para que eles mandassem a mensagem do Dr Higgins pra Terra.
Oito estava sofrendo, e nem entendia a razão.
Chefe Final: Necrofilamento
No fim, ainda tem uma luta extra contra o próprio Necrofilamento, que sem o controle de Oito assume uma forma monstruosa como uma biomassa viva e insana.
Ele tenta chegar até a nave espacial e ir pra Terra, como se seguisse as últimas ordens da Oito.
Mas Hugh usa uma mochila voadora com dois canhões e luta no espaço contra ele, enquanto Diana hackeia ele com o máximo de poder.
No fim, eles destroem todo o Necrofilamento consciente, mas a história acaba indo pra um lado bem negativo depois.
Vou explicar o que rola contando de um jeito mais leve... então segue o resumo do jogo:
História
Tudo começa com Hugh e seus amigos chegando pra trabalhar na estação na lua, quando notam que nem se deram ao trabalho de botar alguém na recepção.
Como todo bom funcionário, eles começam a fuçar tudo pra arrumar logo a impressora, e mostram que só precisavam botar papel, ou no caso, lunafilamentos. Eles imprimem um robô plenamente funcional e se questionam sobre terem aberto um chamado à toa.
Mas aí rola um terremoto, e todo mundo se lasca. O único que sobrevive é o Hugh, mas ele cai numa cratera na estação e fica desacordado, até que uma misteriosa mocinha o salva.
Ela usa uma micro impressora de lunafilamentos reparadores de última geração da empresa para arrumar a armadura do Hugh, e a armadura faz o resto reajustando o DNA dele com bandaids internos. Super tecnologia total.
Após isso Hugh segue a pirralha pra entender o que tava rolando e ver se achava algum dos colegas, descobrindo posteriormente que todo mundo morreu, inclusive o capitão da nave, que liga pra dizer "Dá pra processar!" e é esmagado por algo.
Enfim, Hugh tem a ideia de sair logo de lá antes que sobrasse pra ele, indo pra nave espacial dele, mas pra isso tem que dar uma volta gigante por toda a estação.
Primeiro ele tem que dar uma de eletricista, fazendo a energia voltar pra ter assim acesso a outros setores.
Depois tem que bancar o telefonista, procurando um jeito de reparar as antenas de comunicação pra ligar pra casa.
Depois dá uma de jardineiro, podando as árvores impressas pra abrir caminho até o setor de armazenamento.
Depois tem de bancar o almoxarife, movendo contêineres e recolocando tudo no lugar certo pra continuar avançando.
Depois banca o minerador, arrumando os robôs de mineração que tavam defeituosos na base do tiro e bomba.
Depois precisa bancar o faxineiro, limpando a gosma preta que os antigos funcionários deixaram.
E tudo isso enquanto banca a babá da filha do chefe.
No final, ele ainda é trolado pela outra filha gêmea do chefe, que tava de castigo e só de zoeira fez ele destruir o robô de contenção, o IDOS, que era sua própria babá automatizada e estava impedindo ela de fugir de casa pra ir pra Terra.
Hugh toma uma surra da outra filha do chefe, a Oito, com ela arrancado um braço e uma perna da irmã.
E ele acaba tomando uma facada no bucho, sendo infectado com um vírus que fazia geral virar gosma. Não tá fácil pro CLT.
Mas ele salva a Diana, pois se não fizesse isso seria demitido provavelmente, pois ela lembrava absolutamente tudo o que eles passaram e iria dedurar.
Ele consegue achar uma câmara que imprime a perna e o braço da menina de novo e ainda tira o necrofilamento dela, o que salva pelo menos a pele dela. Mas ele negligencia o próprio ferimento e esconde.
Daí ele descobre que o chefe também virou gosma e que a Oito já tinha ferrado todo mundo na estação de qualquer jeito. A menina era uma peste, não à toa tava trancada.
Hugh fica pistola e decide dar uma surra na pirralha mimada, caça ela e quando encontra, ainda tem que limpar a sujeira que ela fez brincando com a gosma preta.
Depois que ela é literalmente desintegrada na base da cinta, a garota ainda manda a gosma preta ir pra nave espacial que levava pra Terra, só pra sujar tudo de birra.
Mas Hugh e Diana destroem a nave, pra evitar que a bagunça ficasse ainda maior e ele tivesse que trabalhar mais ainda.
Ciente de que morreria em breve pela infecção, e pior, perderia o emprego, ele decide mandar Diana sozinha pra Terra, numa nave de carga, sacrificando sua bateria e aceitando seu destino.
Diana por outro lado vai curtir na praia... e todo mundo, exceto Hugh, Oito, o pessoal da nave, todos na base, a empresa, e a própria Diana, ficam felizes pra sempre.
E fim.
Considerações Finais
É... lágrimas.
O jogo termina de um jeito bem cruel, tanto que imaginei que era um "Final Ruim" e que teria uma forma de pegar um "Final Bom" mas, não tem.
Hugh usava uma bateria na armadura, que ele coloca no começo da história. Essa bateria dava energia pra armadura, e no final ele remove ela pra passar a energia pra nave de carga.
Além de ficar à deriva no espaço, ele fica infectado com necrofilamento, e sem energia. Até é possível que ele dê um jeito de sobreviver, mas as chances são minúsculas.
Pela lógica, eles venceram o Necrofilamento, talvez isso tivesse neutralizado a doença quem sabe... mas não há tempo na história pra checar isso infelizmente.
Pro lado da Diana, ela vai pra Terra, mas ela é infantil, ingênua e valiosíssima. A empresa provavelmente vai rastrear a nave de carga e descobrirá que ela está andando livremente, e ou silenciará ela, ou dissecará ela caso a capture.
Em questão de energia, apesar dela ser uma Pragmata, ela funciona como as demais máquinas feitas com lunafilamento, absorvendo energia solar. Por isso ela provavelmente conseguirá sobreviver, mas... as condições são pouco amigáveis pra tadinha.
A Capcom deu um passo curioso com essa nova IP, pois criou um mundo interessante, mas também o destruiu em uma história curtíssima.
Há planos de continuação já, mas eu particularmente não consigo imaginar uma história sem o Hugh e a Diana contracenando, afinal eles carregaram o jogo nas costas.
Diana é a última Pragmata também, e o caso do Necrofilamento parece ser isoladíssimo. O cientista chefe do projeto não existe mais, e qualquer derivado soa meio forçado...
Caso haja uma continuação, nem teria como ser dela se vingando da Delph pois Diana não tem malícia nem esse tipo de convicção. Ela voltando pra Lua também não faria sentido...
Mas, de resto, o jogo é muito bom.
Confesso que me vi teorizando horrores, como imaginando que o Hugh era um clone do Dr. Higgins pois ambos usaram o mesmo dublador, ou que a mãe da Diana era a Deisy que teria sobrevivido de algum jeito...
Até imaginei que o necrofilamento seria tipo um Venom da lua, e por ai fui... mas no fim nada disso aconteceu.
Era apenas uma tarde de trabalho comum... num futuro distante.
Mas valeu muito a pena jogar.
Aliás, eu não comentei nada sobre trilha sonora ou gráficos pois pra mim, tudo ficou okay. O jogo tem um visual muito bom, e as músicas, quando tocam em batalha, são boas e combinam perfeitamente. Ele também foi dublado então, só agradou ainda mais, e não há o que criticar quanto a isso.
É isso.
Estava ansioso pra publicar...
Se faltou algo, depois adiciono. Mas por hora é isso.
Espero que tenha curtido, e caso queira assistir minhas lives, deixarei o link para a playlist de Pragmata a seguir.
Obrigado por tudo e...
See yah!
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