Nippon Sangoku
O anime dos Fumantes
Eu me senti frustrado e até traído pelo que este anime trouxe. Ele prometeu muito, e no final não entregou nada. Foi esquisito sabe?
O anime finge ser sobre um cara que entra numa jornada de vingança, e termina como um guia sobre como jogar War.
Mas, bora lá falar o que achei.
Tem spoilers.
Boa leitura.
Um Começo Impactante
O primeiro episódio é certamente o melhor pois é o que atiça toda nossa curiosidade, apresentando um protagonista com um autocontrole desumano, e um plano vingativo em ascensão. Mas isso é praticamente ignorado pra focar nos bastidores de uma guerra.
Resumidamente, a história se passa em um futuro em que o Japão acabou isolado do mundo e regrediu cientificamente e politicamente para a era dos imperadores. E nesse novo mundo, o país se dividiu em três, cada um com seu próprio sistema político, e os três estão em guerra.
No meio disso tudo, nosso protagonista é só um agricultor, bem casado e que só quer viver no campo. Mas ele é muito inteligente, enquanto sua esposa é muito imponente, e eles acabam no caminho do Ministro do país, que decide "podar" o casamento dele.
Assim, ele se curva, mas decide que irá se tornar grande, e quem sabe um dia vingar sua amada.
A questão está justamente nesta parte: A vingança nunca vem.
Ele sai pelo Japão pra conquistar respeito, honra, se alistar e proteger seu país, mas parece se esquecer das reais motivações para tudo isso.
Algo que ele só lembra no último episódio, e aí cai a ficha de que levou 12 episódios pra dar voltas e não sair do lugar.
A Arte da Enrolação
O anime possui somente 12 episódios, é pouco isso é óbvio, e com toda certeza terá mais futuramente em próximas temporadas, pois o cerne do que tem a apresentar ele apenas pincelou.
O protagonista tem um objetivo, ignorado ao longo da trama que prefere focar na guerra em si. Os episódios mostram os generais, comandantes e ditadores se organizando num tabuleiro imaginário, e ilustra isso com slide shows.
Mas o que importa mesmo, que inclusive é relembrado na abertura, e o tempo inteiro mencionado e prometido, é o protagonista se tornando um grande comandante e passando a perna em geral.
Algo que nunca acontece, pois quando ele começa a brilhar, ele também é "podado" pelo mesmo antagonista do começo, o Ministro.
O Vilão Domina
O grande antagonista é um ditador obcecado pelo controle, que já tem toda a família empregada no governo num dos maiores esquemas de nepotismo nunca antes visto no Japão, e ainda quer o cargo do Imperador.
Ele usa inclusive o Imperador como um fantoche, o qual nem tem voz já que é constantemente ameaçado e lembrado que todo o resto da família dele foi "podada" por desafiar o Ministro. Então o cara já está no auge.
A questão é que nós somos levados a acreditar que ele de alguma forma será detido pelo protagonista, alguém que caiu no caminho dele por acaso, e que não tem mais nada a perder, contando com sua astúcia na arte da estratégia e guerra, pra duelar contra esse grande corrupto.
Mas isso apenas não acontece. Da promessa vem a lembrança e da lembrança um hiato no desfecho. Somente no fim, o protagonista se lembra do que tinha de fazer e começa a fazer, mas ai já é tarde.
Tanto para os eventos e enredo, quanto pro espectador que entrou nessa esperançoso em ver grandes artimanhas se desenrolando e só viu meia dúzia de gato pingado conversando em mesas, sobre o quanto são inteligentes e como venceram uma guerra nem mesmo mostrada.
Comercial de Cigarro
O anime se preocupa muito mais em vender cigarros e mostrar que no futuro todo mundo fumará, do que focar em algum combate.
O que teve de fumaça nele, tanto que na própria abertura, 75% é gente fumando, o restante é apagando o cigarro. Sério, todo mundo tá fumando nisso, protagonista, vilão, cavalo. Geral é chaminé.
O anime tem até um aviso antes de começar dizendo "Apenas adultos podem fumar" como se alguma criança fosse se interessar em assistir algo tão monótono e cansativo quanto esta pérola.
Apesar de que sim, ele não é ruim e diverte em alguns pontos, ainda mais pra quem curte histórias mais focadas na estratégia em si do que na ação. Mas, convenhamos que isso faz falta.
Aliás, algo que também me prendeu muito foi o universo em que tudo se passa, afinal é um mundo no futuro, que regrediu pro passado, e repete os mesmos erros ao invés de aprender com eles.
Nippon e Japão
O título da obra remete ao fato de que "Japão" é o nome ocidental do país, mas o nome real é Nippon. Em tradução o título seria algo como "Três Reinos do Japão" pois no futuro distópico em que tudo se passa, o Japão se dividiu em três partes que lutam entre si.
Curiosamente isso é referência ao "Sangoku Jidai", era em que de fato o Japão esteve num conflito de três partes. E trazer isso de volta, num mundo moderno mas retrógado parece inteligente mas na prática fica esquisito.
Afinal, a história quer que acreditemos que em algumas décadas um país tão desenvolvido regrediu ao ponto de perder toda sua tecnologia? Aviões, carros, máquinas, tudo simplesmente evaporou, igual o tabaco queimado constantemente.
Cara, nem robôs existem!? Cadê os robôs do futuro caramba! Eu ia ficar perplexo se no final fosse revelado um esquema "WestWorld" com "Matrix", mas não, é só um monte de pessoas ignorando o passado e revivendo eventos históricos por falhas humanas.
Uma Ótima Animação Estagnada
A arte é tremendamente bela, sendo um tipo de anime que chamo de "realista". Parecem fotos de pessoas redesenhadas, apenas tirando alguns detalhes.
Sem apelar pra arte 3d, eles capricharam muito na movimentação, e no detalhamento dos cenários, personagens, roupas e objetos. Tudo está perfeito neste sentido.
O problema é que no restante, só temos conversas, muitas conversas bem movimentadas, mas apenas conversas.
Raramente vemos alguma luta ou ação, e quando há, é mais conversas sobre o que farão. A ironia é que é justamente uma história onde caberia mais ação...
O anime tem a cara de pau de contar a resolução das guerras mostrando literalmente o mapa, e a rota que os personagens fizeram pra vencer. Nem mostram um slide que seja de lutinha, é só teoria.
Ficamos na expectativa de que quando começar a luta mesmo, será sangrenta. Mas nunca começa! Quase tudo rola só nos bastidores, e nós vivemos a experiência dos generais de 5 estrelas que ficam atrás da mesma com o c# na mão.
Do nada ao nada
No fim das contas, a experiência completa é meio vazia. Como o anime é mais um monte de estratégias e eventos comentados ao invés de algo realmente mostrado, a sensação que dá no fim é que faltou muita coisa.
O curioso é que ao longo das semanas, conforme era tudo lançado, havia uma expectativa grande e o mistério me prendeu bem, mas no desfecho, ao perceber que não haveria uma conclusão digna, só senti frustração.
Eles finalizam com outra promessa, uma de que na próxima temporada, o protagonista finalmente fará aquilo que tanto esperamos, mas é difícil confiar.
Mais difícil ainda é me interessar em pegar o mangá pra ler ou buscar mais informações sobre a resolução.
Conclusão
Tem momentos interessantes, mas no geral é só conversa, e apesar de ter gostado, eu não assistiria novamente.
Me lembrou sabe o que? Aquelas cenas que resumiam meses de guerra entre uma parte de Final Fantasy 12 e outra. Sempre que tinha uma passagem de tempo, tinha um diário que contava sobre eventos importantes de guerra que situavam os personagens e ambientavam tudo...
O anime é basicamente isso, com algumas cenas intercaladas explicando como todo mundo é genial.
Esperava mais, ainda mais com uma arte tão bela. Mas, infelizmente, não só de arte vive um bom anime.
A história, bem contada, importa.
É isso.
See yah.
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