Crítica: Todo Mundo em Pânico 6 - Voltaram sem Rumo

Todo Mundo em Pânico 6


Direto ao ponto: o filme é sem graça.

Infelizmente tiveram a ideia de reunir o elenco dos dois filmes originais, mas não souberam executar isso. Na verdade, nem mesmo elaboraram um plano decente pra isso.

Foi só um monte de personagens jogados em tela, fazendo referências aos seus papéis antigos.

O filme ignora a franquia e enaltece somente os dois primeiros, pois foram dirigidos pelos mesmos diretores, que também são os personagens principais, afinal: ego.

Aliás, sim, o filme é uma enorme disputa de ego, onde os diretores (Marlon Wayans e Shawn Wayans) repetem as mesmas piadas e teimam em lembrar o quanto são melhores que o pessoal que assumiu a franquia depois deles.

Ignorando completamente o terceiro e quarto filme, o quinto tá tudo bem em ser ignorado. Os caras só trazem repetição.

Triste ter esperado tanto por algo tão decepcionante.

Boa leitura.


Velho e Novo


O filme aposta em criticar de forma bem aberta a nova geração, com um elenco absolutamente exagerado e obviamente mal dirigido.

São jovens fazendo alusão à sociedade atual, falando sobre identidade de gênero, lugar de fala e tentando fazer piada com isso. Mas fica bem degradante tanto pra eles quanto pro público.

O tema em si até poderia render boas piadas se fossem bem encaixadas, mas o filme simplesmente parece carecer de criatividade.

São discursos vazios e berrados pra soarem hilários, mas se mostram estúpidos.

Piadas Chatas


Igual este texto, as piadas são bem forçadas e se acham inteligentíssimas, mas não têm nada de interessante pra mostrar.

Tirando talvez uma ou outra que sinceramente me fizeram gargalhar, boa parte é só idiota. E nem é um idiota tipo aquela cena do terceiro filme, em que o chapéu de um personagem cresce aleatoriamente entre os cortes de cena...

Aqui a idiotice é simples, longa e muito vaga.

Tem uma cena, por exemplo, em que fazem alusão ao que ocorreu no final do primeiro filme, onde ao invés de referenciarem Matrix (que era o filme popular de ação na época), preferem John Wick, que assume o papel nos tempos atuais.


Só que ao invés de deixarem o público interpretar e rir, eles explicam, citam, explicam outra vez e mastigam a piada pra gente. Isso tira a graça.

Na realidade, tem pouquíssimas cenas bacanas que eles mesmos estragam ao explicar. Por exemplo, aparece a Branquela de um dos filmes deles e todo mundo entendeu a piada. Mas eles explicam com ela dizendo "Filme errado" e rindo. Pra quê?


Não se explica piadas. E o filme o tempo todo faz isso, como se fôssemos totais ignorantes.

Outro exemplo são as participações especiais, que enfiam na tela e explicam onde participaram, o que fizeram e a razão de terem retornado.

É tão contra o que os filmes originais faziam.


Ele não se leva a sério


O filme nem liga pra narrativa. Tá tudo jogado, sendo um monte de referências aos filmes mais modernos de terror, mas sem piadas envolvidas.

São esquetes parodiadas fracas que, se comparadas com o material original do primeiro e segundo filme, deixam muito a desejar.

E se comparar com o terceiro e quarto, onde o ritmo era aceleradíssimo e por isso era muito engraçado, aí fica injusto pra caramba com este novo.

Os Diretores São o Problema


Ficou muito claro que o humor deles é bem sexista e idiota. Eles acham que mostrar a bunda de todo mundo no final é uma piada espetacular, quando sinceramente é só bem vexaminoso e quase pornográfico.

Eles repetem o estilo dos filmes que já dirigiram, com um humor ácido, mas perdido, sem domínio da graça e enfraquecido pela má execução.

Repetem piadas o tempo inteiro e, se você assistiu qualquer filme deles, não vai se impressionar com nada do que vê.


A questão é que a ideia da franquia se sustenta pelas referências e paródias, e acabou se encontrando bem quando eles saíram. A proposta é boa, a execução não.

Rompimento da Quarta Parede


Acho que nem dá pra dizer que houve isso aqui, pois o filme mais parece um manifesto dos diretores sobre como se sentiram traídos pelas continuações sem eles.

O tempo todo o filme sai do roteiro e lança críticas sobre si e os outros. O tempo todo ele aponta pro público, nos chama de idiotas e continua rindo. Eu me senti envergonhado por assistir.


E o pior é que, apesar deles terem iniciado a franquia e jogado uma ótima ideia de humor parodiado, eles não souberam fazer um trabalho tão bom assim. E a substituição fez as sequências bem mais engraçadas, ao meu ver.

Eu considero o humor de Todo Mundo em Pânico 3 e 4 muito superior ao visto nos dois primeiros, e acredito que o quinto filme foi péssimo, não pela narrativa, mas por fugir ao tema e, claro, por não usar a Cindy Campbell (Anna Faris).


O Elenco Retorna


A presença da Cindy Campbell (Anna Faris) é um marco pra franquia, mas além da Brenda Meeks (Regina Hall), acho que os demais não têm qualquer espaço na história.


Desenvolveram bem o retorno delas, inclusive, como mães do novo elenco jovem, e têm ótimas tiradas disso. Agora os diretores parecem querer provar pro público que eles são a cara da franquia e se reservam mais tempo de tela do que as "protagonistas".


A ideia da Cindy ter duas filhas, Sara Campbell (Olivia Rose Keegan) e Tuesday Campbell (Savannah Lee Nassif), uma herdada de cada relacionamento apresentado nos filmes anteriores, é tão absurda que acaba funcionando. 


A Tuesday inclusive surge como uma clara paródia da Wandinha, chamada de "Valdinha" na dublagem (e no original é paródia da Wednesday). É uma daquelas ideias bizarras que a franquia sempre abraçou bem, mas que infelizmente acaba sendo pouco aproveitada.


O novo elenco quase nem tem desenvolvimento, se limitando a filhas e filhos dos antigos protagonistas. E fica por isso mesmo.

A piada final é os pais matando os filhos, pois não querem ser substituídos na franquia, e isso, na cabeça deles, parece muito engraçado. Mas, assistindo, é bem esquisito.


Outra coisa que preciso citar é que o filme traz o elenco dos dois primeiros sem a menor responsabilidade em desenvolvê-los.

O Mãozinha (Chris Elliott), por exemplo, aparece num corte completamente sem sentido, tacado no meio pra fazer referência ao péssimo filme Longlegs, mas também pra ser esquecido ali, só como uma aparição solta.

Inclusive essa cena do trailer não existe no filme. Muito do que tá no trailer não aparece.

Pior que é engraçado, pois o foco da cena nem é ele, e sim um homem negro sendo espancado por policiais brancos e racistas, pois foram mandados para capturá-lo, e a principal descrição do suspeito é ser muito branco. E ele realmente é muito branco, mas os policiais atacam justamente o homem negro.

Piada, né? Engraçado, né? Até poderia ser se não repetissem ela o tempo inteiro, com a filha e o filho da Brenda, com a Brenda, com os diretores. Enfim, é uma quantidade enorme de piadas sobre negros.


O marido(?) da Brenda, Ray (Shawn Wayans), e o irmão dela, Shorty (Marlon Wayans), puxam muita ênfase pra eles, principalmente o tio, que parece querer se destacar mais que todos. Mas ao menos algumas piadas atualizadas conseguem agradar bem. Uma pena que ele acaba exagerando na autopromoção e soa mais como um diretor pedindo para sempre filmá-lo.

Creio que o filme até tinha uma saída interessante. A ideia de duas gerações disputando espaço aparece o tempo inteiro, mas nunca é realmente explorada. Se a proposta fosse um grupo de vilões tentando massacrar o elenco velho enquanto outro grupo tentava massacrar o elenco novo, justamente para enfatizar essa briga de gerações, isso me faria rir muito mais. E acho que poderia até justificar o desespero dos diretores em repetir tantas vezes que eles são os melhores.


Sem História


O mínimo que poderiam ter feito era contar uma boa história ou inventar alguma coisa que amarrasse tudo. Mas focam no enredo de "Pânico 6", que por si só já é uma sátira semi-parodiada de si mesmo, e fazem o mesmo.

O filme finge ser uma paródia, mas ele só imita o roteiro e enfia esquetes sem sentido entre uma cena e outra.

Ele começa com uma ideia similar ao reencontro familiar de Premonição 6 e parece até ser baseado na estética deste filme, ainda mais com Cindy assumindo o papel de idosa com um passado a enfrentar.


Mas se perdem e mudam rapidamente pro enredo de Pânico 6, com pessoas sendo caçadas pelo Ghostface, pois ele quer se vingar do passado.

A piada constante é que já sabemos quem é o vilão, e o filme nos enrola pra chegar ao mesmíssimo desfecho do original.

Os mesmos assassinos, a mesma conclusão, e na verdade ele nem quis tentar contar algo novo.

Começa interessante, se perde e termina idiota.

Resumindo Tudo


Os filhos da Cindy e da Brenda são caçados pelo Ghostface, e no final o Ghostface era composto por seis pessoas. Dois novos personagens, os pares românticos do elenco novo e depois os próprios diretores do filme, que saem dos personagens (ainda fingindo serem os personagens) e começam a matar o elenco.

Mas aí eles se unem à Cindy e à Brenda, as reais estrelas do show, e assinam um contrato exclusivo pra uma continuação só entre eles, saindo do filme enquanto tacam fogo no elenco novo e falam que assumirão a franquia.


Este é Todo Mundo em Pânico 6.

Conclusão


Seria melhor só fazer um monte de piadas idiotas, parodiando o terror, e pronto. Nos muitos anos de hiato tiveram tantos filmes pra se debochar, tanta coisa ruim e boa, que daria pra fazer piadas infinitamente, mas só usam isso como pano de fundo, em uma única cena vazada no próprio trailer.


Eu esperava muito mais, mas só lamentei o resultado.


É isso.

See yah!


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