POV: Presença Oculta
BodyCam
Cara, que pena viu... "POV" é um filme found footage da Shudder que saiu pros cinemas e sinceramente, de tantos longas que poderiam apostar pras telonas, foram escolher logo isso.
É um filme fraquíssimo, que as vezes parece roteirizado por estudantes de cinema desprovidos de conhecimento sobre a sociedade. Basicamente é um filme sobre policiais enfrentando usuários de drogas possuídos pelo demônio.
Apesar de ter certa qualidade visual, e ser um filme decente em questões técnicas pro gênero, o roteiro é sem dúvidas o maior erro dele.
Aliás, o filme se chama "Bodycam" mas optaram por promovê-lo no Brasil como "POV: Presença Oculta", sendo que esse segundo título é estúpido. Tem muito filme, muito mesmo, com o nome "POV"... e tem até uns vídeos ai de procedência duvidosa que ao pesquisar por tal termo se acha facinho.
Então, pra quê traduzir? E se traduziu, por quê não botaram logo "Câmera Corporal"? Eu fico sem entender qual a dos tradutores de cinema... é sempre a mesma besteira.
Bem, estou perplexo por algo assim ter sido promovido tão longe, com comerciais, trailers, um monte de influenciadores recomendando, quando na verdade é uma das piores porcarias que lançaram do gênero até então.
Bem, boa leitura.
O Filme é Bem feito, mas é ruim
Quem vê pensa que botar uma câmera no peito das pessoas e sair filmando algo é complicado, mas a proposta do longa foi essa ,e ele não desrespeitou o gênero nesse sentido.
É um filme completamente focado em câmera corporal de policiais, apesar da qualidade variar dependendo do que o roteiro pede, no geral até lembra, bem vagamente, aqueles programas de televisão sobre policiais fazendo rondas noturnas e as documentando (Cops).
Só que ao invés de se inspirar em desventuras ocasionais que podem ser observadas como terror, como incidentes esquisitos, acidentes inesperados, ou apenas mistério... preferem já apelar pra sobrenatural.
Crackolândia do Mal
O ruim, é que é um sobrenatural que beira o ridículo. Os vilões são usuários de drogas, que na verdade são parte de uma seita demoníaca e pretendiam invocar o anticristo ou algo assim.
Imagino o que passou pela cabeça dos caras que pensaram nisso: "Mano, e se na verdade os mendigos não forem apenas pessoas sobrevivendo às margens da sociedade? E se na verdade forem membros de um grupo demoníaco que domina o mundo, e nós vivemos sob controle deles?"
Ideia magnífica claro, os cracudos não ficam fora de si por se entorpecerem com substâncias, eles ficam fora de si pois transcenderam e agora, enxergam o verdadeiro mundo... tomado pelo mal é claro.
Eu lembro de ter visto algo parecido em um filme... de ação... onde os mendigos eram na verdade assassinos disfarçados e que controlavam o submundo... John Wick se não me engano. Nessas horas percebo que tem gente que realmente quer romantizar a pobreza extrema através de paranoia.
Enredo
Dois policiais atendem um pedido de socorro, de uma casa cercada por cracudos. Uma clara tentativa de invasão, então eles dispersam os caras, e entram na casa pra prestar socorro.
Porém nela há apenas um cara, uma moça, e um bebê.
Separados, os policiais acabam agravando a situação, pois um deles acha um buraco esquisito no porão, e ao se virar se depara com o cara segurando o bebê, e atira contra eles.
Enquanto isso, o outro policial perde a mulher evidentemente em apuros, com as mãos ensanguentadas e a barriga rasgada no que parecia um tipo de cesariana às pressas, e corre pra ajudar o parceiro.
Desse ponto em diante, sem motivos, os dois começam a tentar limpar as provas do crime que cometeram pois o homem e o bebê morreram pelos disparos. A ironia disso tudo é que as Bodycam, câmeras que os policiais carregavam e haviam registrado tudo (que inclusive é a razão pra assistirmos), gravaram tudo.
Inclusive o fato dos disparos serem totalmente inocentáveis, afinal o policial de fato tentou se proteger achando que o cara carregava uma arma.
Então eles, que nem são policiais corruptos, tentam se livrar das provas, caçam a mulher ensanguentada, que se mata na frente deles e das câmeras, mais uma vez registrando a inocência dos policiais.
Mas ao invés de irem pra delegacia, eles simplesmente decidem continuar a queima de arquivo.
As coisa saem do controle quando do nada a central para de funcionar, e eles decidem apagar as gravações, levando pra uma nerd que também é drogada.
Quando eles assistem as gravações e percebem que de fato não tinham porque se preocupar com a corregedoria, a nerd drogada decide fugir, afinal eles mexeram com satã e não sabiam disso.
Então sem motivo algum, o policial que até então não fez nada, decide ir visitar a mãe dele que morava ali na esquina, e era Assistente Social. E quando chega lá, expõe que a irmã morreu pras drogas, enquanto seu colega faz uma sessão mediúnica com a mãe dele pois, toda Assistente Social é médium também, na visão do filme.
Isso só faz ela perceber que sim, o capeta tava na cola dos caras, pois eles mataram o filho dele. O bebê era fruto de um ritual satânico dos moradores de rua.
E pra ajudar, ela expulsa o próprio filho e o colega dele da casa e diz "Se virem". Mas calma, ela vai voltar...
Continuando, o assassino de bebês lembra que a esposa tava grávida e começa a se preocupar com ela, pois os mendigos passam a repetir "Você tirou algo dele, agora ele tira algo de você" e era óbvio que ela seria o alvo.
Ao ir pra casa dela, que também ficava na esquina, eles descobrem que a mulher já foi sequestrada por mendigos, e agora seria a próxima portadora do mal em seu ventre. Deixaram até uma refém, a nerd drogada, que foi deixada como uma mensagem e ratos na boca, mas viva... apenas possuída e com baba de groselha.
Na tentativa de salvar a esposa, o policial vai até a região onde os drogados se reuniam, e ameaça um deles para que os levassem até sua esposa, e claro, ele sabia onde ela tava.
Mas na verdade era só enrolação, o policial mata o mendigo por isso, e se mata em seguida alucinando com a esposa e se tacando de um prédio abandonado.
O policial filho de assistente social se desespera, conversa com um dos mendigos possuído, e sem razão vira alvo deles também. Sendo que na lógica ele só testemunhou essa maluquice toda!
Mas aí ele tenta fugir e voltar pra casa da mãe, liga pra ela, e no caminho (essa é a melhor parte do filme) os prédios e casas das ruas ficam se transformando na casa onde tudo começou.
E ele não consegue escapar, volta pra lá, e entra no buraco misterioso.
Nele, ele passa por um suspense bobo e no fim, encontra o amigo policial zumbi, fazendo parto da esposa, e tirando um feto sem cordão umbilical dela.
Daí ele chama ele pra ser padrinho mas ele fica com medo, e corre, e no fim, o próprio capeta aparece e diz "Poxa cara, é só assinar uns papéis, olha, sua irmã aceitou" e a irmã zumbi dele aparece e diz "Ohana quer dizer Família".
Daí todo mundo fica feliz junto, o capeta dá um beijo estranho na câmera e pronto.
Mas calma, ainda não acabou!
A mãe assistente social decide chamar mais dois policiais pra ir salvar o filho, com duas novas Bodycam, e corre pra casa misteriosa. Ela até diz "Caraca vei, eu já vim aqui" afinal ela conhece a casa de todos os necessitados da região, e é vizinha.
Assim, eles acham o buraco, acham o filho dela já zumbificado, e a filha dela sai do buraco, zumbificada também.
Os policiais mesmo armados ficam só assistindo um monte de mendigos zumbis aparecendo, e no fim, o capeta cheio de tentáculos sai e começa a arrastar geral, e claro, beija a câmera no fim.
Este, é POV, Presença Oculta.
Conclusão
Sério isso vei?
Os caras preferem lançar um filme bobo desses nos cinemas ao invés de botar um VHS por exemplo!? Meu deus viu...
O filme é péssimo por causa do roteiro, apenas o roteiro. Eu não vi uma sequência de terror boa, nem sequer gostei da edição... e olha que ele nem cometeu os erros clichês costumeiros, como música editada, ou cortes forçados.
Apesar de que, ele apela muito pra suspensão da descrença, já que não faz sentido algum as câmeras dos policiais terem sido recuperadas após um incidente tão... intenso.
Tem até aquela clássica parte em que o ator se despede falando com a câmera que pelo amor, é cópia do que Bruxa de Blair fez e lá isso tem sentido pra acontecer.
Aqui, qual a lógica?!
Os policiais mais medrosos que já vi, num caso totalmente estúpido de rotina... que convenhamos, não dá medo.
É uma terça-feira comum! Medo é ser chamado pra uma casa às 2 da manhã, com marido bêbado agredindo a esposa grávida com dois filhos chorando, e ter de ajudar sem poder encostar caso contrário a situação se agrava.
Medo é receber uma chamada de um baile funk rolando às 4 da madrugada, e não poder fazer nada pois tem cinco caras sem camisa segurando um fuzil, mas precisar atender pois se não o fizer, será criticado.
Assustador é estar de ronda e testemunhar um roubo armado, tentar ajudar, atirar, e ser preso pois matou uma pobre vítima da sociedade.
Mas não, o filme é sobre dois policiais burros, que tentam limpar uma cena de crime à toa, e se deparam com o demônio dos drogados moradores de rua.
Genial.
Tem um episódio de Arquivo X que segue uma temática "Cops" e é melhor que esse filme, mas é mó suspense de alienígenas... aí... isso é melhor que demônios.
Enfim, é isso.
Mais um longa na lista de found footages, e mais uma decepção que me faz ter medo de continuar amando o gênero.
To torcendo muito pra Backroom da A24 prestar, e limpar o nome do gênero das câmeras balançando.
See yah.
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