Série: O Cavaleiro dos Sete Reinos - Cagaram pra Game of Thrones

O Cavaleiro dos Sete Reinos


Sinceramente eu nem pararia pra assistir essa nova série da HBO, inspirada num dos livros de George R.R. Martin e derivado de Game of Thornes, pois eu particularmente não curto o estilo dessas séries, ao menos não mais. Mortes desenfreadas e impactantes, drama complexo e muita sacanagem meio que enjoa... e surpreendentemente, essa série não tem nada disso.

Na verdade é um drama puxado pra comédia, e bem engraçada diga-se de passagem, mesmo sendo sutil. É uma história simpática sem pretensão de ser violenta ou absurda, e consegue fugir dos moldes criados pela "série mãe", criando pra si só uma identidade própria.

E o legal é que ela já começa escancarando o quanto ela não irá seguir Game of Thrones ou House of Dragon, do jeito mais escatológico mas igualmente hilário já visto. E o que promete, cumpre, pelo menos isso no primeiro episódio.

Seguindo aquele modelo de artigos contínuos, aqui começo minha jornada pela série do cavaleiro, descrevendo episódio por episódio conforme lançados... e o começo foi satisfatório.

Boa leitura.



Primeiro Episódio

Cagaram pra Game of Thrones


Cara, eu tinha visto alguns tiktoks e shorts de fãs esperando pelo lançamento dessa série, se preparando pra semanas em reuniões familiares, só curtindo aquela clássica abertura de Game of Thrones, que foi reciclada na série derivada, e chegou a se tornar até referência da própria série. É sua marca registrada, o "pan paranran pan" clássico de GoT. 

No instante em que a música começa nesta série, cortam pro cavaleiro dando um cagão, ao estilo Jackass! Câmera na horizontal, árvore censurando o meio, e pronto, literalmente defecaram pra herança principal da franquia.

E ao meu ver, foi a decisão mais coerente já feita por um showrunner, afinal já deu né?! Só por ser derivada de um livro do mesmo autor, e se passando num mesmo universo, isso não dita como a série deve ser. 


Ela precisa buscar sua própria identidade e não viver à sombra de algo que fez sucesso no passado. Isso é o mesmo que não evoluir, apenas esticar o que deu certo, e beber de uma fonte já saturada, sendo que o livro em si, a história base em si, já merece o devido respeito como única. 

A obra na qual tudo isso se inspira leva o mesmo título, mas reúne três histórias curtas: "O Cavaleiro Andante", "A Espada Juramentada" e "O Cavaleiro Misterioso", que são cronologicamente ambientadas antes dos eventos de "Gelo e Fogo" que deu origem ao Game of Thrones como conhecemos. Nelas acompanhamos nosso cavaleiro, Sir Duncan, o Alto.

E aqui temos isso, uma série nova, que não tá nem ai pro que existiu, apenas conta sua nova jornada, de um novo jeito, livre de comparações.


O Episódio Termina Rápido


Fico triste pois a história é envolvente mesmo sendo mais do mesmo. É só um cavaleiro, antes escudeiro, que tomou as posses de seu ex-mestre por assim dizer, e agora se auto proclama cavaleiro, buscando por reconhecimento.

Com três cavalos, o cara viaja e é isso, ele não luta, ele não se mete em confusões ou guerras, ele não enfrenta rivais, nem cai em armadilhas bizarras e políticas. Ele só é bem alto, tímido, e quer participar de justas em uma competição, pra tentar ser reconhecido como cavaleiro.

E mesmo sendo apenas uma história de jornada tão simples, sem conclusões inclusive, o primeiro episódio sozinho já oferece uma experiência completa pro espectador.


É engraçado ver como ele reage, a sorte sorrindo pra ele sem ele perceber, o mundo cruel e sujo mas ao mesmo tempo, visto de forma ingênua pelo antes escudeiro, e as pecinhas sendo colocadas no tabuleiro que certamente levarão pra algo grandioso, mas que não significam nada de momento.

Tudo foi construído adequadamente, com sequencias e cenas perfeitamente encaixadas, e respeitando o próprio tempo. Tudo é tão "divertido" que sinceramente eu temi pelo desfecho, acreditando que alguém perderia a cabeça cedo demais... mas a própria série, como eu já disse, declarou que não é um Game of Thrones.

Então, esqueça a violência, e foque-se no divertimento.


Humor Bobo mas não Infantil


Ah cara, tem palavrão, tem nudez, tem sátiras e muita escatologia e nojeira, mas diferente do que se vê no dramalhão convencional de obras dedicadas a abordar a era medieval, aqui quase lembra um Monty Phyton, sem exagero.

Tu se vê rindo de um cara batendo a cabeça numa porta... gente... um cara bate a cabeça no batente de uma porta repetidamente, e você ri... como? Porque?

O tempo usado na série é tão perfeito que tira risadas de coisas imbecis, e sem soar imbecil. Eu to perplexo, pois entrei esperando algo grotesco e fui presenteado com algo agradável, mesmo no meio do grotesco.


Tenho receio de morder minha língua em episódios futuros, já que né, essa obra deriva sim do original violentíssimo que é e sempre será métrica comparativa chamada GoT. Porém... eu não me espantaria se a série, mesmo tendo momentos impactantes, focasse muito mais nessa sutileza humorística.

Precisamos de mais disso, e menos daquilo.


Ambientação e Elenco


Em questão de cenário, eu to surpreso também, pois além de grandioso e realmente parecer um mundo medieval gigantesco e explorável, o elenco ta muito bem caracterizado sem forçar. Todo mundo parece protagonista, tendo segundos de espaço em tela... até mesmo os coadjuvantes mais esquisitos tem tanto destaque visual, numa clareza impecável e perfeita construção, que cara qualquer um ali pode do nada se tornar relevante.

E de fato, o próprio protagonista demora a ser reconhecido pela gente como protagonista. É um baita ator, grandão, mas que é tratado como qualquer outro em cena.


E não saber quem vai ser o destaque no próximo corte só nos faz querer assistir mais ainda, esperando ver onde tudo vai levar. 

Pelo titulo da obra, fica evidente que não vão sacrificar a figura principal, então pra que fingir? A série sabe disso, sabe que muitos podem já ter lido o livro e sabem exatamente o que será contado, então o que eles fizeram? Investiram tudo em ambientação, pra criar um mundo, promover esse mundo, e habitar esse mundo com sua história.

Conclusão


Achei lindo, e eu mesmo quero ver mais disso. Me lembrou até a sensação que tive quando comecei a assistir Mandaloriano, ou Pinguim. Séries que eu não esperava nada, e achei foi é tudo.

Infelizmente, 40 minutos é pouco pra algo tão rico quanto essa série.

Mas, vejamos o que o futuro reserva, e espero que não mergulhem de cabeça numa sanguinolência exagerada, pois não precisam disso... e caso precisem fazer, que façam de um jeito que combine com a obra.

Ironicamente, Monthy Pyton também varia entre humor bobo, e violência explícita mas humorada, e eu não me surpreenderia se tivesse isso aqui.


Nos vemos nos próximos episódios.

See soon.


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4 Comentários

  1. Nunca vai fazer sentido pra mim qualquer analise ou critica só pelo primeiro episodio, o mesmo vale pra essa como a Casa do Dragão.

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    1. Fica tipo "primeiras impressões" rs... mas nesse caso eu pretendo mesmo assistir tudo.

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  2. Mas ai vai uma curiosidade, o Martin fez o primeiro conto depois que lançou o primeiro livro das cronicas de gelo e fogo, só que dentro de um livro de antologias de varios autores, e muitos leitores se interessaram pelo universo dele e foram atras do A Guerra dos Tronos atraves desse conto. Ja os outros dois contos tambem foram lançados dentro de antologias, durante a escrita dos livros seguintes da serie principal, só depois sendo compilados em um livro só na maioria dos paises. E eles realmente tem uma vibe mais "leve", se comparado aos outros trabalhos do Martin que são mais brutais e imprevisiveis.

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    1. Caraca baita curiosidade na real, então tecnicamente esses contos são a "origem" das obras dele... legal conhecer esse lado, espero que façam jus na adaptação e mantenham a qualidade até o fim, e não tentem sufocar a obra esticando atoa e inventando coisas sem sentido como fizeram nas outras adaptações.

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Obrigado demais por comentar, isso me estimula a continuar.

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