Análise: Terror em Silent Hill - Regresso para o Inferno

 
 Return to Silent Hill


Regresso para o Inferno é o terceiro filme inspirado em Silent Hill, que traz de volta o diretor Christophe Gans, e suas ideias adaptativas mirabolantes. Se antes havia alguma duvida se ele fazia mesmo a diferença ou foi só sorte no caso do primeiro filme, bem, não há mais: O cara acertou de novo.

Apesar do filme parecer uma nova adaptação da já manjada história de Silent Hill 2 (jogo), acredite, não é. Na verdade ele faz exatamente o que eu imaginaria que seria feito: Ele adapta a segunda fase inteira de Silent Hill para os cinemas, e não apenas o "segundo jogo".

Pra explicar isso, irei falar tudo sobre o filme então, caso não queria spoilers, eu vou dar bastante. Mas pra te polpar de spoilers em todo caso já deixo avisado: O filme é terror psicológico puro, sem fantasmas, sem demônios, com alguns monstros, e muita psicologia abstrata, e é bom.

Dito isto, partiu contar tudo sobre o filme, inclusive meu final bizarro onde fiquei preso no Shopping e ainda levei minha mãe junto. Silent Hill vibes!

Boa leitura.


Uma Nova Releitura de SH2


Eu fiz um pequeno vídeo reagindo ao trailer onde destilei meu ódio falando de como era péssima a ideia de recontar outra vez a história do segundo jogo da franquia. Já bastou fazerem o Remake, que por um milagre deu certo, e as chances das coisas funcionarem num filme eram praticamente nulas.


E de fato o trailer engana... tudo que ele mostra é o que tem de Silent Hill 2, mas ele apenas finge ser a mesma história. Exatamente como foi feito no primeiro filme, que fingia ser o primeiro jogo nas telonas, aqui a mesma fórmula é usada.

Porém, ele usa como base e pano de fundo o tema do segundo jogo, apenas pro estopim inicial, e pra engatar a marcha por assim dizer. A história vai pra outra direção completamente diferente do que se esperaria de uma "adaptação fiel".

Afinal, os elementos estão ali, os personagens também, mas seus significados mudaram drasticamente, não pra melhor ou pior, apenas mudaram.


E isso que torna a experiência muito interessante. Você pode conhecer a história do jogo de cabo a rabo, conhecer cada cenário por ter jogado tanto o original, quanto o remake, entender os significados e representações, e ainda assim, mesmo reconhecendo tudo isso no longa, você ficará perplexo com os novos significados.

Igualmente, você pode simplesmente desconhecer os jogos, apenas conhecer os filmes, e ao assistir terá aquela mesma sensação do primeiro, ficando confuso, apreensivo, esperando respostas e saindo cheio de perguntas, mas satisfeito.

Pois o terror dele é eficiente, de uma forma inesperada.


A Segunda Fase de Silent Hill


Quando digo que este filme se inspirou na "segunda fase" (e esse era o melhor cenário possível pra uma adaptação, onde inclusive minhas expectativas estavam desde o anúncio do mesmo) eu quero dizer que ele usaria como base pra sua história os jogos "pós Team Silent".

É que, enquanto o primeiro filme usou Silent Hill 1, 2 e um tiquinho do 3 em sua adaptação, era de se esperar que este usaria os jogos que vieram depois dele: Origins, Homecoming, Shattered Memories e Downpour. Eu jurava que o filme faria isso, e me frustrei quando vi o trailer sugerir que era apenas o segundo jogo mesmo.


Mas ao assistir, por mais que visse ali coisas do segundo jogo, como nomes e cenários, a história era sobre os 4 citados! Tem elementos narrativos tirados dos jogos mencionados e ainda por cima são esses elementos que ditam o andamento da história.

Tudo se passa na mente do personagem (Origins), é um retorno pra casa onde rituais familiares e tradicionais trouxeram o terror (Homecoming), é um retalho de memórias mescladas de passado e presente retomadas pelo luto (Shattered Memories) e é um passeio por uma cidade bela, turística, viva, para apenas alguns (Downpour).

E é mais que isso sabe? Tudo que ele apresenta puxou desses jogos, e os transpôs para o cinema, igualzinho o que foi feito lá no "Terror em Silent Hill", mas ele também buscou ser original, trazer coisas novas, características novas, que podem e com certeza irão influenciar a quarta fase de Silent Hill.

É que, existe uma regrinha que o cinema harmonizou com os jogos: Sempre que um filme sai, uma nova fase se inicia.


Infelizmente "Silent Hill Revelation 3D" não soube fazer a transição, muito pela mudança da diretora, mas também por não conseguir ser criativo e usar a essência dos jogos, apelando pra um roteiro imitado de Silent Hill 3 (ainda dentro da primeira fase). A consequência dessa falha na época foram só 10 anos de hiato até a terceira fase se iniciar... foi inclusive quando anunciaram os 5 produtos derivados de Silent Hill, onde este novo filme fez parte, prometendo em seu título "retornar" à franquia.

O que eu vi aqui, no terceiro filme da franquia, foi de fato um retorno pra ela.

Parece Igual, mas é diferente


A construção cinematográfica, principalmente nos primeiros minutos da obra, fingem muito bem que é uma adaptação similar ao que já vimos antes. Apesar do figurino de James ser completamente diferente do que estamos acostumados nos games, as cenas são iguais.

A clássica introdução dele no espelho? Igualzinha.

Ele chegando em Silent Hill? Idêntico!

Ele passando pelo cemitério, depois pela cidade enevoada, depois indo pros apartamentos, depois pier, depois hospital, então hotel Lakeview? Poxa, sequência certinha, mais parecido estragava.


Mas tudo está diferente ao mesmo tempo.

A introdução real do filme é no mesmo lugar, mas no mundo real, e no passado, mostrando um encontro que nunca vimos (Mary e James pela primeira vez). Soa algo complementar você diria, mas não... é apenas muito diferente.

Isso expande o ambiente de Silent Hill pra algo mais vivo, ou que pelo menos já foi vivo. A cidade é linda, onde só a paisagem dela já soa belíssima, imagina então ela por dentro! E é mais disso que vemos.


Ao longo das passagens, temos flashbacks de James, revivendo na cidade os tempos bons, a época onde tudo ali estava completo, como uma cidade super movimentada e rica em turismo.

Ele vivia lá afinal, era sua casa, pra qual ele retorna em busca da amada, seguindo aquele roteiro simples da carta da falecida, mas em uma nova premissa.

Temos sim as mesmas passagens, mas não são pelos exatos mesmos lugares sabe? Apenas parece, mas é fingimento, quase como se o diretor quisesse enganar quem olhasse superficialmente, pra entregar algo muito mais complexo numa camada secundária.

Puro Terror Psicológico


Por mais que tenham monstros, todos eles originais do filme (mesmo que se pareçam com os dos jogos em algum momento), a pegada não é mais visual, e sim mental.

O filme foi construído pra fazer pensar, como um puzzle grande que o espectador precisa entender e montar. E pra isso, por mais que ele conduza  a gente pelo caminho óbvio, as pistas que ele dá são subliminares.

Na primeira metade, ainda no primeiro ato, tudo parece ser costurado para qualquer um entender, mas a partir do segundo ato, a história dá uma reviravolta tão bizarra, que parece até outro filme.


Os personagens não eram o que achávamos que eram, o mundo não é o que víamos. Tudo começa a caminhar pra uma resolução inesperada e, por mais que ele se conclua quase que igualmente aos jogos, ele ao mesmo tempo abre um final ambíguo que expande o universo de Silent Hill.

E olha que eu achava isso impossível! Eu jurava que não dava pra fazer Silent Hill ficar mais bizarro do que já era, e o filme consegue essa proeza, justamente por apostar no psicológico.


O Final de todos os Finais


Quem conhece os jogos sabe que nunca há apenas 1 final, e o filme retratou isso mais uma vez com perfeição (lembrando que o primeiro também fez isso). 

Ele encerra com um final que respeita o cânone dos jogos, mas ao mesmo tempo ele só faz isso pra dizer que sabe que existe essa interpretação, a interpretação do luto e sua aceitação.

Mas ele se encerra apostando na ideia do looping, inclusive sugere "viagem no tempo" numa sutil alusão a filmes como Efeito Borboleta por exemplo, mas acredite, isso tudo é só um jogo de cenas pra nos confortar enquanto perpetua o terror.

A história se amarra reiniciando, e esse reinicio é tão cruel com o espectador que basicamente nos obriga a assistir outra vez, agora notando as pistas e rearranjando elas mentalmente, pra compreender o real significado de todas elas.

Eis a obra prima.

Conexão com o Primeiro Filme


Não há ligação alguma com o primeiro filme, muito menos o segundo (afinal este foi até desconsiderado pelo diretor) contudo, ele ainda usa a ideia da cidade tomada por cinzas do subterrâneo, expandindo agora pra catástrofes locais e completamente naturais.

Só que da mesma forma que o filme busca retratar essa ambientação da neblina original dos cinemas, ele se distancia e muito da primeira versão da cidade.

Agora, é uma cidade grande e movimentadíssima, cheia de habitantes, enriquecida com o turismo e ele não esconde suas belezas. Isso tudo some em questão de meses, ou ao menos é o que parece para o protagonista.


E a liberdade criativa dentro do próprio universo está neste ponto: O protagonista está além da cidade, ele está dentro de si mesmo.

Bizarro, confuso, meio maluco, mas isso é a pura essência do que se vê em jogos da franquia, como por exemplo o 4 mesmo, onde o protagonista nunca sai de um quarto, ou o Origins, onde ele nem sai do lugar.



A Interpretação do Diretor


Se inspirar principalmente nos jogos que vieram depois do filme que ele mesmo dirigiu, foi tão absurdo e genial que eu juro que não imaginava que ele faria isso tão bem.

Eu esperava isso, eu notei isso no primeiro filme, foi justamente isso que me atraiu pra Silent Hill em primeiro lugar, mas eu nunca sonhei com a possibilidade de me surpreender.

Eu me vi julgando o diretor pelo trailer, acusando ele de não ter capacidade de criar algo novo e reciclar ideias, quando na verdade eu deveria ter mantido minha fé em seu trabalho até o fim.

Mas pra explicar isso tudo, eu não terei outra saída senão falar de cada personagem individualmente, explicando principalmente o que são nos jogos, e o que se tornaram no filme, também explicando de onde o diretor tirou tal ideia.


Personagens

James Sunderland


Um pintor bem sucedido, James é jovem e acaba se condenando por uma passagem rápida por Silent Hill, não por conta da cidade, mas por conta da jovem que ele conhece e se apaixona.

Após cair na armadilha mais cruel da vida chamada "amor", ele decide se mudar pra Silent Hill e viver ao lado da sua alma gêmea, e até ai tava tudo certo.

O problema começa quando ele conhece a família dela, e vê que são uma galera estranha, que fazem umas coisas esquisitas com ela e começa a se preocupar.

Então um dia ele só decide ir embora e deixá-la, vivendo em depressão sozinho, surrado diariamente por sua culpa em abandoná-la. Mas, um dia ele recebe uma carta dela, pedindo pra voltar.


E ele volta, retornando pra Silent Hill mas achando tudo muito mais estranho do que era quando saiu. Uma neve de cinzas, monstros, e isolamento. A cidade estava tomada pelo pesadelo, e nem de longe se parecia com aquela que ele viveu alguns meses antes.

E explorando a cidade, James começa a se lembrar da época em que vivia feliz ali, e também dos momentos mais estranhos que vivenciou por lá, relembrando que apesar de tudo, sempre houveram pistas de que as coisas ali eram ruins.

James enfrenta males psicológicos severos, e essas lembranças torturam mais do que os monstros que tentam matá-lo. As vezes ele encontra pessoas, mas até elas estão estranhas, sendo só sombras do que já foram um dia.

Ele não entende o que rolou na cidade, mas tenta entender e por isso se aprofunda cada vez mais nela, sofrendo dores de cabeça recorrentes, até chegar nas respostas e se arrepender.

Mary


Uma jovem que quase é atropelada por James quando tenta escapar de Silent Hill com suas malinhas. Esse encontro desperta o amor nela, e do amor ela começa a maior tortura da vida de James.

Mary era romântica, educada, e até renomada de certa forma. Na cidade de Silent Hill ela era quase uma princesa, apesar de órfã, muito pela forma como seus amigos e vizinhos a tratavam.

Sempre cercada de pessoas que idolatravam seu falecido pai, a moça era respeitada por todos, e igualmente James passou a ser. 


Vivendo juntos num apartamento na cidade, eles eram felizes, porém Mary as vezes sangrava pelo nariz, e costumava receber visitas em coletivo de todo mundo que conhecia, como pequenos cultos em seu próprio apartamento.

James não sabia disso a princípio, mas conforme descobre sobre os rituais estranhos que ela pratica, ele escolhe se distanciar.


Contudo, a vida de Mary estava por um fio e ele era tudo que a mantinha viva.

A Psicóloga


Enquanto vasculha a cidade estranha, James as vezes liga pra uma médica pedindo conselhos e reclamando de suas dores. Essa médica é sua psicóloga particular, a qual ele consulta após a perda da esposa.


Não é mistério que algo rolou com Mary, fica nítido isso desde o começo, por isso James tem consultas regulares pra se tratar. Contudo, ao faltar no tratamento ele chama a atenção dela, que tenta ajudá-lo como pode, no mundo real.

A psicóloga é uma readaptação do Dr. Kauffman, não o do primeiro jogo, mas sim o de Shattered Memories. A ideia de um tratamento pra lidar com luto, e um médico se esforçando pra entender a mente deturpada de uma "Criança da Ordem", é quase isso que ocorre aqui.

A doutora tenta tratar James, mas James está tão insano que já pode ser dado como caso perdido. Inclusive, o estado psicológico pesado dele se inspira tanto em Henry de SH4, quanto em Alex de SH Homecoming. 

Ele entrou em um estado em que sua realidade se baseia no que ele acredita que é, e não necessariamente no que ele é de verdade.

Joshua


Pai de Mary, nunca foi citado nos jogos pois nunca foi relevante, e aqui ele é extremamente importante e até crucial pra condição dela.

Ele era um líder religioso da "Ordem", ou pelo menos o que restou dela, e ao que parece ele foi bem sucedido nos rituais bizarros desse culto religioso antigo de Silent Hill. A prosperidade da cidade reflete justamente isso, enquanto pequenos grupos faziam sacrifícios, a cidade cresceu horrores.


Porém ele já havia falecido, deixando suas responsabilidades com sua filha, que por sua vez continuou os rituais, mas de forma forçada. Como ela foi criada pra isso, ela não via problema, pelo menos não entendia o problema disso, até conhecer James.

De certa forma Joshua (que tem seu nome retirado justamente do Joshua de Homecoming), é quem criou a doença mortal de Mary, sua própria filha, como parte do ritual de boa vizinhança de Silent Hill.

Isso é contado de forma super simbólica mas, está lá. 

Angela


Essa mulher estranha é o primeiro encontro de James ao entrar na Silent Hill de Cinzas. Ela está no cemitério, posicionando sacos de cimento pra bloquear a água do lago que está inundando tudo.

Apesar de Angela se apresentar como moradora, ela alerta para James não voltar à cidade, e ainda se oferece como porto seguro pra ele. Mas, ele ignora e segue o roteiro.

A questão é que essa Angela não é exatamente como a do jogo, mesmo aparecendo nas cenas mais populares dela, como pensando em tirar a própria vida frente um espelho, ou ela em seu quarto sendo abusada por seu pai.


Essa Angela é na verdade uma das versões de Mary, que representa o lado abusado dela. Toda a tortura e abusos que Mary sofreu durante toda sua vida, se uniram nessa persona e trouxeram ela a vida, na mente de James.


"Angela" é o segundo nome de Mary.

Laura


Essa menina, que anda com uma boneca nas mãos (a qual inclusive ganha vida como um pequeno monstro), tenta guiar James até Mary, mas apenas quando ele está preparado pra isso.

Ela tenta se esconder, mas quando percebida tenta guiar, e James a segue sem saber o que ela significa de verdade. A menina porém apenas brinca e corre, quase lembra um demônio caçoando de James, mas é pior que isso.

Laura representa a infância de Mary, e sua inocência. Ela guarda todos os principais segredos, e os revela apenas na hora certa para fazer James surtar de vez com a realidade.


Pra ela, é divertido fazê-lo sofrer um pouco pra entender tudo o que aconteceu, e o força a vasculhar suas memórias para assim reviver a culpa pelo que fez.

"Laura" é o terceiro nome de Mary.



Eddie


Esse é um homem velho, gordo, barbudo, que James encontra no apartamento em que ele e Mary viviam, mas na versão de cinzas da cidade.

Ele aparece somente em uma cena, na qual conversa com James e também encontra Laura pela primeira vez. Ele tenta levar um pouco de lógica para o jeito que a cidade se encontrava, explica da doença que se espalhou, e tenta confortar James com a ideia de que tudo ali é um tipo de "pandemia".


Porém, ele também é apenas parte da mente do próprio James, e inclusive o representa. Eddie é James, envelhecido, cansado, exausto pelo luto e incapaz de seguir adiante.

Ele adoeceu na cidade, morreu na cidade, pois nunca saiu dela.


Perto do final do filme, James fica com uma barba igual a do Eddie, enquanto pinta seus quadros repleto de amargura e bêbado.

E só pra constar, essas mudanças e encontros com personas diferentes, não é algo completamente original não tá, pois é exatamente esse o modelo narrativo de Shattered Memories. Inclusive tem cenas em que o protagonista do jogo se confunde com quem conversa, pois as pessoas simplesmente mudam repentinamente. O filme usa muito disso.

Maria


A vertente mais popular de Mary, é Maria, a versão promíscua dela que tenta seduzir James, justamente por ser a personificação da beleza dela.

A única parte que de fato é uma variável da psique da personagem nos jogos, Maria surge num labirinto pra mostrar a saída pra James, e ela se perde no fim justamente em um labirinto, sendo executada por James diretamente.

Ele entende que ela é só uma criação dele, para superar a morte da esposa em sua mente, e decide matá-la a sangue frio.


Curiosamente, na parte em que Maria começa a ser reconhecida como projeção de James sobre Mary, ela própria parece protagonizar o momento, com James virando o antagonista pela única vez no filme inteiro. Seguimos ela, ao invés dele, lembrando a campanha da DLC do segundo jogo em que jogamos com ela.

Cabeça de Pirâmide


O Cabeçudo aparece mais uma vez, batendo ponto em Silent Hill como sempre. Porém dessa vez ele é explicado como uma variação do próprio James!


Sua origem real é inclusive essa, pois no jogo original, o Cabeça de Pirâmide é uma projeção do medo de ser julgado que James tem, e ele mesmo é seu próprio carrasco. Aqui, ele é diretamente o James, apenas vestindo a pirâmide e atacando seus medos.

Não é o mesmo visto no primeiro filme tá, pois essa versão é muito mais embasada no Homem do Saco de Silent Hill Downpour em essência. Ele é como James se projeta pros inimigos dele em seu subconsciente, similar ao que ocorre com Murphy em Downpour.


Ele é visto por exemplo executando uma criatura que assusta James e tenta atacá-lo, e também é ele quem mata Maria quando James decide que isso deve ser feito.

O Cabeça de Pirâmide não é um demônio nem um monstro, é apenas o lado mais cruel de James se personificando. 

Criaturas

Então, agora já que falei do cabeçudo, acho justo comentar sobre os monstros que apareceram no filme. Lembrando que mesmo que eles pareçam muito com os do segundo jogo, eles não são a mesma coisa.

Lying Figure Feminina


Esse monstro é exatamente como o visto no primeiro filme, mas agora em forma feminina, inicialmente pra representar o lado sacana de James. Contudo, a criatura que solta ácido tem o corpo muito mais esguio do que o normal.

Eu diria que de todos, esse é o único que quase se parece com o Lying Figure original em representação, pois a ideia é representar a fragilidade da Mary aos olhos de James.

Uma doença crescente no peito, um corpo magro e fraco, a ideia fica subentendida. Mas, ela também se baseia justamente nos Lying Figure vistos no Homecoming, pelo menos um de seus aspectos.


Dessa vez o monstro sai dos esgotos, igual o que acontece no jogo. Mas, preciso lembrar que o monstro que aparece no Homecoming é uma adaptação do monstro que apareceu no primeiro filme, que por sua vez é uma adaptação do monstro que apareceu no segundo jogo. Bizarro né? Agora ele vem mais uma vez adaptado!


Baratas com Rosto


Essa criatura, também retrata bem as baratas que apareceram em Homecoming, misturado com as que tiveram no primeiro filme (lembrando que também nesse caso, o primeiro filme inspirou o Homecoming). 


O que muda é que dessa vez elas atuam em hordas, lembrando um pouco o que faziam no primeiro filme, mas sem precisar do Cabeça de Pirâmide pra sustentar o terror e presença delas.

Sozinhas elas já causam terror e caos, se acumulando como um verdadeiro tsunami de insetos gigantes devoradores de carne.


Manequim Aranha


Talvez um dos monstros menos criativos, que tentou inovar mas não se saiu bem. Ao invés de manequins, aqui temos uma aranha bizarra feita de partes de manequim com a cabeça solta.

Essa entidade é genérica, e eu poderia dizer que representa a Mary de algum jeito na psique de James mas, me pareceu só uma ideia ridícula de monstro aleatório que infelizmente passou no projeto.


Ela tem o corpo inteiro formado por pernas, o quadril ganha muito destaque, e ela é a criatura morta pelo Cabeça de Pirâmide à murros, talvez representando a agressividade de James com Mary nos últimos momentos juntos.

A ideia é interessante, mas infelizmente a criatura pendeu pra um lado genérico demais pra funcionar.


Enfermeiras de Porcelana


Neste caso a ideia soou legal, mas na prática não fez tanto sentido. Quando James visita o Hospital Brookhaven ele encontra hordas dessas enfermeiras, que tem cabeças feitas de porcelana oca.

Sem corpos sensuais, sem destaque algum pra isso, elas não representam a ideia sexual de James, mas sim a fragilidade das mulheres aos olhos dele. Seus rostos são formados por pura arte abstrata, lembrando principalmente os monstros de Shattered Memories quando são "abstratos".


O cara retrata as enfermeiras como bonecas vazias e fáceis de quebrar, e ele próprio mesmo antes de saber que tudo ali era só sua mente, passa a destruir elas com um pedaço de ferro como se não fossem nada.


O design delas infelizmente não ficou dos melhores, e eu preferia as do primeiro filme, que voltaram no Homecoming. Ainda assim, foi legal ver essa nova abordagem.

A Cama do Hospital


Um dos chefes dos jogos aparece, as camas penduradas com braços no hospital, mas também retratado diferentemente do original. A ideia é a mesma: Mary na maca, e como James odiava ela internada, mas como ele não teve muito tempo ao lado dela nessa fase aqui, o monstro ganhou uma nova camada.

Há apenas uma cama, e ela é um casulo para Mary, no processo de se transformar em algo maior pra James.


Ela tenta se alimentar dele, de sua mente, puxando ele pra si.

Lembrando que Mary e Mariposas tem uma conexão fortíssima na lore de SH2, e isso veio retratado forte aqui.

O Pai de Angela


Como nessa história Angela é Mary, o pai dela é representado como um abusador da mesma forma, e por pouco nem combina com essa nova premissa.

É que aqui, Angela sofreu abusos de Joshua quando adolescente, e ela cresceu traumatizada com isso. Esse lado dela se espelha na mente de James, revelando que ele tê-la abandonado só deixou ela ainda mais nas mãos dos abusadores.


Os idólatras de seu pai abusavam continuamente dela, forçando ela a tomar uma substância que a fazia sangrar pelos poros, e se banhavam com seu sangue. Essa ação provavelmente mascara os abusos sexuais que ela sofria desse grupo de pessoas, o que se tornou mais intenso com a partida de James.

Ele derrota essa personificação ao pedir desculpas pra ela, o que só revela o quanto Mary culpava James pelo abandono, da mesma forma que James se culpava.

Mary Mariposa


No final, Mary é encontrada no Hotel Lakeview, como nos jogos, mas aqui ele está incendiado, num fogo constante, e desmoronando. 


Esse estado é como a mente de James se sente perto dela, como algo tomado pelo verdadeiro inferno. Mas ela surge na forma de Mariposa, usando a cama como crisálida e os lençóis como asas. 


Esse encontro não é um combate, mas de fato um abraço onde James aceita a morte da amada, dando forma a essa memória.


A Mary que ainda vive dentro de James é o que ele força a viver, o que causou sua transformação. Mas isso só prolonga a tortura que ela já tinha durante a vida inteira.

E como o próprio James diz, ele deveria ter partido junto dela, e não ter deixado apenas ela ir. 


Os Finais


James mata Mary sufocada, mas aqui isso vem com muito mais dor pra ele. O filme sabe construir o que o segundo jogo original não conseguiu bem, e o remake consertou. A ideia de que James matou Mary por misericórdia e não por rancor.

Mas na morte nasceu a culpa e, infelizmente James endoidou. Sua loucura o jogou num labirinto infinito de lembranças e surto, e ele passou a reviver sua própria história dentro da sua cabeça.


Então em sua mente, ele tenta todas as saídas. Ele se mata no lago levando o corpo de Mary, mas isso nunca acontece.

Ele renasce em uma nova linha do tempo, com uma nova chance de viver ao lado dela, e tenta mudar as coisas mas, o destino sempre será o mesmo.


Afinal, tudo se passa somente na cabeça dele. O James do filme está preso no Hospital de Silent Hill, internado e com sua situação se agravando cada vez mais, ao ponto de tornar ele um vegetal que vive apenas num sonho lúcido eterno.

Chega a ser muito mais cruel que um purgatório da cidade para escolhidos, num looping pós vida, pois aqui, James revive seus melhores momentos infinitamente, passando também pelos piores momentos, mas sem poder descansar pois no mundo real ele está existindo em estado vegetativo.


Curiosamente, da mesma forma que fica claro que tudo no filme é só a mente de James, ainda há o aspecto paranormal dos rituais executados pelos moradores da cidade com Mary. Aquilo realmente aconteceu, então a Silent Hill Enevoada de certa forma existe.


Elementos Novos

Tem muita coisa no filme que se inspirou nos jogos, eu sei, mas tem muita coisa nova que provavelmente servirá para a próxima geração de jogos da franquia, assim como foi no caso do primeiro.

Transição com Mariposas


Ao invés das paredes descascando, agora a transição de maior destaque pra "dark silent hill" é a das mariposas. Elas se aglomeram e isso cria o desgaste do cenário, mudando os mundos em que James passa.


Detalhe, James visita 4 Silent Hills neste filme:

Tem a Silent Hill normal, que ele enxerga em seus flashbacks. 

Tem a Silent Hill de Cinzas, onde tudo está parado no tempo e tomado pelas cinzas. 

Tem a Silent Hill Sombria, onde tudo já tá deteriorado e consumido pela destruição. 

E tem a Silent Hill Real, que sim, aparece vagamente em algumas partes, mostrando James nos tempos atuais pela visão de outras pessoas.

Flashbacks


A ideia de James reviver momentos longos no passado, e voltar ao presente num mesmo cenário, mas agora consumido pelas cinzas, é muito interessante.

A parte em que ele passa pelo Clube da Maria por exemplo, é bem rápida mas muito curioso, pois mostra o clube em pleno funcionamento, lotado de pessoas, e logo depois mostra tudo tomado pelo vazio e solidão de Silent Hill. No jogo, vemos o mesmo clube mas nunca temos a chance de ver ele funcionando.

Ter essa noção de como o espaço era quando tinha vida ali, só torna a sensação do vazio ainda mais perturbadora, e a desilusão do personagem fica mais fácil de compreender.

Retrata bem situações que existem em todos os jogos da franquia, desde bares abandonados até metrôs e shoppings, mas o mais legal é ver de fato o local cheio, e notar a diferença gritante dele quando vazio.

Realidade e Mente


Outro aspecto que pode ser muito usado daqui pra frente é o da realidade quebrando por causa da mente. Aliás, eu vi aqui muito de Evil Within (até toca a música mais usada no jogo no filme), e ironicamente esse jogo que nem é da Konami, se inspira muito em Silent Hill. 

Mas essa ideia de algo se passando completamente dentro da mente do personagem, transparecendo no mundo real, tende a ser muito coerente com o que Silent Hill pode trazer.

Silent Hill f por exemplo, faz isso tecnicamente... então se parar pra pensar a ideia já tá sendo colocada em prática!


Silent Hill no Cinema

Aliás, eu fui assistir este filme com minha mãe, como uma promessa antiga que fizemos um ao outro. Minha mãe foi quem me apresentou Silent Hill pelo DVD do primeiro filme, e eu só virei fã da franquia por causa disso.

Eu precisava ver como ela reagiria ao assistir a este filme, e fiquei feliz que ela gostou da experiência. Sendo sincero eu ficaria feliz mesmo se ela odiasse o filme pois foi ótimo assistir ao lado dela.

E, eu também já tava preparado pra sair odiando o filme mas, eu acabei realmente curtindo.

Enfim, quando chegamos na sala do cinema, só tinha nós dois. A sala tava vazia, e permaneceu assim até faltarem 5 minutos pro filme começar. Nessa hora entraram mais três pessoas.

Então sim, assistimos numa sala com apenas 5 pessoas. Só que o curioso foi o final... 

Pegamos a última sessão do dia, então quando terminou era meia-noite. Das pessoas na sala, um casal saiu primeiro assim que o filme acabou e eu fiquei conversando com minha mãe, até desistir de esperar os créditos passarem e procurar a saída.

Porém, só tinha a saída de emergência, e ela tava trancada com correntes.


Havia a entrada pela qual chegamos, mas ela tava também trancada, por uma parede de madeira que parecia uma porta, mas sem maçaneta.

E ai começamos a surtar, não tinha como sair da sala escura, exceto por uma porta que achamos que levava pra outra sala escura... e por um momento bem bizarro nos sentimos em Silent Hill.

Foi bem legal, foi um final decente pra um filme da franquia, mas a última pessoa na sala, uma moça que foi assistir sozinha, saiu e mostrou pra gente que a tal "parede" era uma porta mesmo, e ela empurrou e abriu.

Apesar do corta clima, ficamos uns 5 minutos vivenciando a adrenalina de ficarmos presos numa sala de cinema após um filme de terror sobre ficar preso em loopings!

Rimos, curtimos, e foi isso.

Conclusão

Não vou mentir, 90% da comunidade vai xingar este filme, vai tomar ele como uma afronta à franquia, e provavelmente vai dar as piores notas possíveis... exatamente como foi na época de Terror em Silent Hill.

A ideia dele nunca foi representar Silent Hill 2, afinal ele já foi muito bem representado pelo Remake e olhe lá. A ideia dele era trazer de volta a essência de Silent Hill pras telonas, e melhor, fazer valer a ideia de "live action" de games não como cópias de roteiro, mas como representações fortemente inspiradas, que podem servir de inspiração.

Repito que ao meu ver, Regresso ao Inferno (ou só Returns, nem sei pra que deram um título tão grande), repete o feito do primeiro filme de Chistophe Gans, e ele não me decepcionou.

Torço muito para que os 10% que curtirem e entenderem a obra sirvam para que a Konami enxergue o que realmente funciona em sua franquia, caso contrário veremos uma sucessão de erros terríveis daqui em diante.

Mas, fiquei satisfeito com o filme.

E espero que caso veja, também goste.

O Vídeo da Mortynha


Aliás, Mortynha fez um vídeo falando a respeito e, nele meio que as coisas foram diferentes eu diria. 

Esse vídeo faz parte de uma coleção que venho produzindo e publicando no YouTube, e o tema da vez é Silent Hill. Toda semana Mortynha grava um vídeo explicando um dos jogos ou filmes, e o dessa semana foi justamente o Returns.

Espero que goste.

É isso.

Obrigado pela leitura, espero não ter falado muita bobagem.

See yah.

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21 Comentários

  1. Rapaz, tenho a impressão que vou detestar este filme. Revelations por exemplo é um filme que nem digo que odeio pois honestamente é um filme que não me faz sentir nada, mal lembro dele inclusive, mas talvez este aqui deixe uma impressão mais forte.

    Desde os teasers dele eu não tava com boa impressão. Estava feliz sim que o diretor voltou mas ao ver os primeiros vídeos mesmo... Nossa, não parecia nada com Silent Hill. Tive a impressão que tava com uma cara muito modernizada mas também muito brega, e pelo visto as partes românticas com a Mary realmente o são. Alie isso mais a coisas como uma Laura, que mais parece assombração que uma pentelha, o nome bizarro da Mary, a forma como o filme simplesmente pegou os personagens e mudou tudo e pronto, que viagem...

    Me pergunto se não seria melhor ter tentado mesmo algo novo com um viés de Silent Hill, tipo o primeiro filme, do que dar título a um filme que simplesmente comete os mesmos erros de toda adaptação, quase, de jogo: criar coisas novas e destoantes com o material de origem e dar o nome do jogo e dos personagens a esta obra criada. Inda vou ver o filme mas já vi certas cenas e tô acompanhando a repercussão, tem tudo pra acabar como o Revelations, bomba na crítica e bilheteria razoável ou péssima.

    Ps: o vídeo no fim e a experiência, looool!

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    1. Curiosamente, Revelations nem chega perto do que esse fez. Aquele segundo filme simplesmente imitou o roteiro do jogo, o que muitos fãs estavam achando que o de 2026 faria com o segundo jogo... mas ele não fez.

      Os trailers dele foram justamente pra alimentar a falsa expectativa dos fãs, e ironicamente, é um erro recorrente da Konami. Eles não sabem fazer divulgação dos produtos deles... fizeram isso com o Shattered Memories, falando que era remake do primeiro jogo quando não era, fizeram isso com o primeiro filme, alegando que era inspirado no primeiro jogo quando não era, fizeram isso com o remake do 2, que no fim não era remake, e repetem agora com o segundo filme. O principal foco deles nos trailers foi promover como live action do segundo jogo, o que ele não é.

      Infelizmente tenho certeza que ele será criticado negativamente, pois a proposta dele foi deturpada na divulgação da própria Konami. Falha clássica... o filme, no fim das contas, apenas incorpora elementos estruturais do segundo jogo, mas ele é uma história Silent Hill, completamente inédita que com um novo significado.

      Vale a pena ver.

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  2. Como Angela e Laura são da mente de James, seus respectivos nomes são por causa do nome de Mary, mas como Eddie também é, por que o nome é Eddie?

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    1. Excelente pergunta... provavelmente o próprio diretor nem pensou nessa explicação mas, estranhamente o Eddie é o único em todo o filme que chama o James de "Jimmy"... é um apelido claro, comum para pessoas com o nome "James" (tipo "Chucky" pra quem se chama Charles). É meio que natural para americanos e tals mas, ainda é um apelido dado única e exclusivamente por este personagem. Sinceramente, não muda muito da interpretação do personagem seu nome, pode ser um apelido de infância do James, pode ser um nome do meio não citado (o nome dele é James Sunderland, mas vai saber, as vezes tem um "E." de Eddie no nome nessa nova realidade rs).

      Vou inclusive rever o filme e tentar achar a ficha dele no consultório do hospital, ou algum momento me que o nome dele apareça escrito só pra confirmar... mas... eu diria apenas que é um nome comum pra ele.

      Claro, essa interpretação vale somente pro filme, no mundo dos jogos Eddie, Laura e Ângela são personagens completamente diferente e únicos, com suas próprias histórias individuais e independentes do James.

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  3. Hello, hello, Morty!

    Faz anos que não apareço por aqui deixando comentários, mas estou sempre dando uma passadinha para ler suas reviews, que adoro pelo jeito em que você detalha sua opinião e sempre dá todo o contexto da obra.

    Hoje eu vou comentar, porque antes mesmo de assistir ao filme eu pensei: "Mal posso esperar para ver o que o Morty vai dizer". E sinceramente, seu texto foi completamente o oposto do que imaginei, hahahaha. E tudo bem, lógico!

    Com todo respeito, mas eu não poderia discordar mais. Parte de mim é fã da franquia e torci muito o nariz nos primeiros minutos. Contudo, eu respirei fundo e aceitei que seria um filme de terror, independentemente de ser ou não adaptado de um jogo.

    Enquanto adaptação, achei um desrespeito. Eu realmente entendi seu ponto de vista e fiquei admirado de ter notado as referências aos jogos pós SH2, porque eu mesmo não tinha pescado. E eu também entendo que adaptações sofrem mudanças na narrativa para abordar uma nova perspectiva. O problema é que essas novas variações rebaixaram o peso que Silent Hill 2 traz e o faz ser tão aclamado. Vou levantar alguns pontos:

    1 - O direitor, que eu achei que fosse fazer algo tão bom quando o filme de 2006, foi um tolo. Dar um background ao James é bom, mas foi mal executado. Ele transformou um personagem depressivo, triste, amargurado, confuso, em um cara descontrolado, paranoico, obsessivo. Até ai, okay. MAS, a maneira que isso foi construído deixou o James sem um propósito real. Sim, ele quer ir até a cidade e encontrar a Mary, mas eu mesmo não consegui me importar com ele, não consegui encontrar uma razão crível para isso. A terapeuta dele estava ali pra nos trazer um contexto, mas ela não tem peso nenhum, nem parece ter efeito no próprio paciente.

    2 - Quem é Mary? Eu realmente não entendi o porque de trazerem o plot de que a Mary morreu somente no final. Esse foi um dos motivos que me deixou confuso enquanto espectador de um filme de terror. O casal tinha um namoro, nem era casamento. Logo, a obsessão do James não passa tanta credibilidade. Afinal, ele tá surtando, recebe uma carta da namorada, mas cadê ela? Por mais que seja parte do mistério, não cola! E outra: terem trazido o plot de que ela fazia parte de um culto foi preguiçoso, cliché e um repeteco do primeiro filme. Nem faz sentido ela ter ficado doente por causa da tal substância que ela tomava nos rituais. A gente não vê ela definhando, a gente não vê ela sofrendo, a gente não se importa.

    3 - Daí vem o terceiro e pior ponto: Mary Angela Laura Crane. As outras personagens do filme são fragmentos da própria Mary. Que desrespeito! Só isso tirou todo o peso de amargura do jogo! Cada personagem tem seu próprio trauma, seu próprio luto, e isso reforça o poder da cidade de Silent Hill, que ganhou força como o ódio e a dor da Alessa (e vários outros pormenores) e acabou criando um purgatório individual para cada pessoa que tem um grande... "pecado", por assim dizer. Seria essencial e realmente um terror psicológico transferir todos esses traumas no filme. A Maria mesmo nem seduz o James efetivamente. Aliás, o James nem repara que ela é idêntica a Mary, apenas fica surpreso de existir uma pessoa na cidade que está "normal". Só lá no final que ela diz: "Admite que você me acha parecida com a Mary.". O suspense estaria justamente no ato do James se sentir atraido pela Maria, enxergar a Mary nela e ficar ainda mais confuso.

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    1. Ficou tão longo que tive que dividir hahaha. E nem queria me alongar tanto, pois tenho muuuitos dedos para apontar e poderia ficar aqui por horas, huahuah. Mas vou citar alguns problemas referentes ao roteiro, que é raso e preguiçoso:

      4 - Os flashbacks foram tenebrosos e desnecessários. É um ótimo recurso quando bem executado, o que não foi o caso. As cenas foram colocadas nos momentos de tensão, cortando totalmente a vibe. E ficou claro que o diretor subestima a nossa capacidade de juntar A + B e chegar a uma conclusão. Ele reforçou em momentos diferente que o Pyramid Head é uma representação do James. Ficou feio, ficou ofensivo. E aquele início? A Mary queria fugir da cidade e o James bagunçou as malas dela. A Mary implora pro ônibus parar e quando James bagunça de novo a mala, ela manda o ônibus ir embora. Oi?? Então ela não estava tão desesperada. Ela resolve ficar e ainda vai ter um date. O James resolve se mudar pra cidade porque sim?? Quando ele descobre sobre o culto e a chama para fugirem ela não quer mais?? E ainda joga na cara que ele prometeu que ficaria com ela mesmo quando descobrisse o segredo, mas ela mesmo queria fugir no começo do filme. Meu...??? Ah, e o pai dela é tido como o fundador da cidade, que se passa agora nos anos modernos. Mas tão novos assim? E qual a relação com o culto da Christabella do primeiro filme? Como que o James aparece no hospital "normal" com a terapeuta e retorna à Silent Hill pela mente porque sim? Ainda ignora o que foi feito no segundo filme, onde a Sharon só sai do mundo paralelo porque a Rose encontrou um medalhão que abre uma brecha para o mundo normal. E o Eddie que aparece 3 minutos e some? Ah, e o plot da morte da Mary foi bem fraco, pois como no jogo, o ápice está no fato de o James ter matado ela, e não ela ter morrido. É justamente a ambiguidade que choca: James fez um ato de misericórdia ou ele odiava a Mary?

      Sabe, Morty, minha decepção com o filme não é somente pela adaptação ruim (aos meus olhos), mas pela má execução enquanto um filme de terror. O primeiro filme funciona bem porque a narrativa foi bem feita, toda amarrada, e trouxe total a experiência de Silent Hill. Nesse novo filme, essa experiência nem existe. Não exploramos a cidade, o James só corre de um lado para o outro. Os efeitos são muito evidentes, grotescos. Sim, o orçamento foi baixo, mas essa seria uma excelente oportunidade para deixar o filme introspectivo, focando no drama dos personagens e não nos retalhos de James, Mary e Silent Hill.

      Bom, é isso. Falei muito e ainda deixei o texto todo confuso. Gostei de retornar ao blog e espero manter certa frequência. Tenho lidado com tantas coisas que não sei mais como dividir meu tempo. E meu deus, preciso renovar essa minha foto, tem uns 6 anos hahahah.

      Se cuida, Morty! Tenha um excelente 2026!

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    2. Hey sr saudades poxa, e to feliz que não se esqueceu de mim rs.

      Por um lado eu fico desanimado em ter ido meio contra suas expectativas, mas ao mesmo tempo fico mó feliz pois isso abre espaço pra gente conversar sobre!

      Minha visão ta um pouco mais alinhada com a franquia como um todo, ainda mais recentemente que to fazendo a coletânea de vídeos, por isso eu acabei dando o braço a torcer pro filme... mas eu não vou mentir: Eu também torci o nariz principalmente naquele começo.

      Tipo, só reagindo e tentando responder cada tópico apontado, mas eu meio que concordo contigo saca?

      1 - Eu não vi o James ali... mais pareceu que usaram somente o nome dele mas é outro personagem, nada nele se assemelha e olha que muitas situações são praticamente uma cópia do que o jogo mostra, mas tudo é muito diferente partindo justamente da caracterização psicológica do James. Por isso que consegui enxergar além dele... pra mim, pareceu só um aglomerado de easter eggs vazios do que algo com peso narrativo.

      2 - Aqui eu discordo, tipo... eu achei interessante justamente o tempo extra que essa versão da Mary teve, e o romance (nesse caso eu odiei eles se beijando o tempo todo, muita melação) que foi construído lentamente pra dar a entender que o lance deles era bem mais intenso do que se imagina. E, o esquema da doença foi esquisitíssimo, eu fiquei tentando entender, sem usar o jogo como muleta pra compreender, pois o que o filme mostra é nosense total... mas ai que tá... a parte do psicológico pela perspectiva somente do james serve de "suspensão da descrença auto imposta". É o que le vê, o que ele enxerga e valoriza, e não necessariamente o real... pelo menos eu passei o pano assim kkkk.

      3 - O nome composto foi de ferrar mesmo kkkkkk. Na hora que vi isso subiu um refluxo de pré-vomito mas ai eu lembrei "Não é SH2, calma" e de fato, se você ignorar que isso foi um assassinato a sangue frio a lore da Angela e da Laura, você consegue ver que são apenas nomes. De fato, similares ao que o jogo usa, mas não com mesmo significado... e o que me ajudou a entender bem isso foi o plot de Shattered Memories, que faz exatamente a mesma coisa: Bota o mesmo nome em personagens ou condições completamente "incoerentes" com o original. Pois ele lida com isso como de fato apenas nomes... bizarro mas, é um artifício que eu até gostei. Não é o mesmo por exemplo que pegar a Heather, usar a mesma personificação dela, mas destroçar com seu significado como foi no segundo filme, mas eles poderiam ter usado outros nomes, como escolheram no primeiro filme, e acho que seria muito melhor.

      A ironia tá no fato de que o último jogo da franquia que zerei, e recentemente inclusive, foi o Shattered, e ele é um put5 exercício mental pra gostar de algo que chuta uma obra prima o tempo todo... creio que isso que me ajudou na real. Além disso, temos o SH2 original, e o belo remake que foi respeitoso até demais com a obra... eu meio que queria muito algo só diferente então eu só aceitei.

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    3. Adoro comentários longos sr, isso é legal pois traz muita informação útil. Seu comentário complementa o artigo, e isso é excelente.

      E aqui tá um porém do filme... eu tenho certeza que minha visão não tá tão esclarecida tá, eu tava acompanhado de alguém que me introduziu neste mundo, e em Silent Hill kkkkk, meio que isso anestesiou muito o momento. E eu ainda fui pronto pra criticar negativamente e ser surpreendido com algo que atacou um lado nostálgico apenas me fez curtir. Mas o curioso é que eu sei dos problemas, e ainda assim, apesar deles, mantenho minha crença no acerto da obra.

      4 - E tu tem plena razão nessa parte, mas ao mesmo tempo os flashbacks são o lado criativo e mais confuso de todo o projeto. A ironia: Eu gostei exatamente por quebrar climas... e normalmente eu condeno isso. O bruto da obra não eram as criaturas, o temor físico, as mortes, suspense ou riscos, mas sim a pura confusão e caos. Essa bagunça era justamente o que ela tinha pra nos cutucar... e isso me pegou de jeito. Eu não entro mais de cabeça em filmes que seguem formatos comuns, não dá, não funciona mais esse terror... mas neste filme essa aleatoriedade foi funcional pra mim... e eu vi qualidade inclusive nos momentos menos lógicos. E o ponto que salvou essa identidade do filme, da bagunça e confusão, foi a decisão de incluir tudo como cenário da mente conturbada desse James. Cara isso foi tão "Origins" com "Homecoming" e "Shattered" que apenas não consegui não sentir a referência. Os momentos mais claros, mais óbvios, e mais esburacados da obra, são assim pois a mente do personagem é assim. É estranho pensar que foi tudo proposital mas, no todo é o que é.

      Ainda no tópico 4, note que todas essa incongruências citadas só ganham estabilidade numa visão sólida do mundo, não numa psíquica. Eu também me vi questionando a lógica, afinal como é que a "Centralia" agora tá totalmente habitada? Mas... em momento algum é dito que é a mesma Silent Hill... pois não é. Segue um modelo, segue uma lógica, mas não é a mesma, pois é exatamente isso que a essência dos jogos trouxe com o passar dos anos. Essa noção do Diretor em saber separar sem conectar, mas ligando pelas nuances... eu amei. Porém justamente coisas como aquele diálogo completamente expositivo dele com a Angela no cemitério, onde ela explica a cidade com cinzas, eu fiquei irritado com aquilo, foi algo idiota uma vez que a história não depende mais dessa lógica. Logo, há tropeços graves, mas isso tudo se resolve com a "fase psicológica". Aquilo absorve os erros e os transforma em narrativa insana... eu só piro com isso kkkkkk.

      E eu te entendo, e repito, eu concordo com você em praticamente tudo. Mas como eu disse, eu estava, e estou com a visão meio turva, nublada por nostalgia, esperança, expectativas, e uma fé cega em propósitos subliminares. Eu tentei mostrar isso, explicar o que vi... mas eu sei que o que vi é muito intenso e até "forçado" eu diria.

      Mas convenhamos, tem tanta coisa dos pós Team Silent que eu apenas não pude deixar o sorriso de canto sumir... não dá mano... eu venho teorizando sobre essa visão insana do diretor desde o fracasso do segundo filme kkkkk... e ver que isso está ali, me seduziu.

      Mas ao mesmo tempo eu preciso defender essa minha perspectiva pois sei que há valor e seriedade nela... não é pura loucura... apesar de parecer muito kkkkkkkk.



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    4. Sr João, eu to feliz por ter comentado, e eu te agradeço muito por isso. Saiba que faz sentido, faz muito sentido... mas tente rever o filme ignorando aspectos de Silent Hill 2... acho difícil mas tenta! Eu enxergo hoje exatamente o que vi na época em que assisti o primeiro, e ao pesquisar só vi pessoas falando o quão ruim ele era como adaptação... mudou nomes que não devia, desrespeitou o cânone, massacrou o original e ainda se sustentou no nome mas... ele nunca fez nada disso. O filme, apesar do que a Konami vem divulgando, não é nem nunca será um live action de Silent Hill 2, e se olharmos ele como tal, ele é uma tremenda bost4. Ele é autoral, só replica nomes como simbologia, brinca com os fãs e joga easter eggs pra nos fisgar e colocar em modo rejeição, mas ele traz elementos próprios aqui e ali que servem pra narrativa de um jeito muito diferente do comum... "a frente do seu tempo".

      Em todo caso, to aqui pra trazer esse outro lado da moeda, pelo menos isso rs.

      E obrigado demais por me ouvir.

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  4. É fã do diretor né? Kkkk

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    1. Pior que eu sou, mas ao mesmo tempo fico naquele muro da berlinda saca... eu confesso que quando fui no cinema tava pronto pra me decepcionar pois era bem difícil gostar... eu odeio quando copiam e colam roteiros de jogos igual a maioria dos filmes e séries baseadas... raramente se vê um The Last of Us por exemplo, e quando se vê, geralmente na continuação a coisa desanda igual foi o caso justamente de The Last of Us Parte 2.... mas assim né... a gente tem que ter fé kkkk... e conhecendo o pouco trabalho desse diretor, eu ainda acreditei... não me decepcionei.

      E eu fico feliz pelo filme ter me agradado, eu acho difícil que agrade boa parte da comunidade, afinal a Konami ta fazendo um baita desserviço na promoção... mas no geral eu nem tenho o que reclamar...

      Mas é aquilo: É o que eu acho rs.

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  5. Tu escreve bem em senhor, talvez eu teria sido convecido pelo seu texto se não tivesse visto o filme rsrs. Como obra unica ele é expositivo demais e soa como um filme de terror generico, sem te fazer realmente se importar com os personagens pela forma estranha que tudo é apresentado, agora como adaptação o buraco é mais embaixo, vc parece conhecer o Silent Hill 2 então deve saber que como adaptação ele é simplesmente péssimo em todos os sentidos, então não preciso citar todos os detalhes, mas o que mais me pegou é simplesmente o diretor querer enfiar a parada do culto da cidade numa historia que nunca foi sobre isso, e sim apenas sobre a psique dos personagens e seus pecados de uma maneira profunda nunca mais vista até então, eles serem deturpados de um jeito nada positivo (Angela é simplesmente a personagem mais profunda do jogo e adaptaram ela de uma forma totalmente desrespeitosa) não foi nada bom de se ver. O problema maior não é nem fazer diferente da historia original, mas sim esse diferente não ter qualidade que compense a mudança.

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    1. Pior de tudo é que tu tem total razão e eu nem tenho como argumentar, pois eu mesmo concordo contigo. Quando fiz o vídeo da Mortynha falando do filme eu meio que "me ouvi" e pude fazer uma conversa consciente comigo mesmo, e mesmo defendendo o que pensava, eu não tinha como negar a realidade.

      O ponto do culto, aliás, todas as "originalidades" enfiadas na obra, eu amei... mesmo indo pro lado totalmente oposto do que o segundo jogo mostrou. Eu ainda bato naquela tecla de que este filme só usou sh2 como chamariz, mas adaptou principalmente Shattered, Origins, Homecoming e Downpour... o que casa com a proposta dos Ciclos de Silent Hill. Notei recentemente, justamente por estar jogando tudo outra vez e analisando pros vídeos, que ocorreu um efeito "cíclico" na franquia:

      Sh 1, 2, 3 e 4 foram feitos pela Team Silent certo... depois disso a Konami assumiu e fez uma lambança porém, antes da bagunça começar, eles autorizaram o primeiro filme, que fez essa pegada do diretor de "difundir ideias originais", pois se não me engano a proposta na época era se distanciar da Team Silent, pra dar novos ares à franquia, que até então só era mais conhecida justamente pelo SH2. Então o filme trouxe bruxas, trouxe personagens repaginados, e muitos efeitos especiais originais...

      Então nasceu a segunda fase: Homecoming, inspiradíssimo no próprio filme contando sobre "uma cidade e um ritual maligno", Origins, tentando reacender o interesse pela lore clássica da Alessa, Shattered, tentando reinventar a primeira história como continuação, e Downpour, tentando mostrar uma cidade maior e com mais aberturas pra terrores paralelos. Depois desses quatro jogos principalmente (Arcade entrou nessa leva, mas por ser muito "meh" nem dá pra contar tanto), ironicamente nasceu o segundo filme, que pelo que imagino tinha a proposta de dar mais um impulso pro universo de SH.

      Mas o segundo filme foi feito por outro diretor(a) e consequentemente, a ideia mudou, onde ele pegou SH3 (da primeira geração) e o adaptou fielmente, mas ao mesmo tempo, com a ingrata função de continuar o primeiro filme como sequência, o que apenas não deu certo, mesmo SH3 sendo continuação direta do SH1... isso não funcionou pois o primeiro filme nunca seguiu a lógica do primeiro jogo, apenas o usou de enfeite pra criar um universo próprio.

      Depois dele foi justamente quando surgiu o hiato, aquele período gigante em que a Konami não soube mais o que fazer... deu o perrengue com PT, e só depois de muito tempo optaram por iniciar de vez o terceiro ciclo, onde nasceu SH2 Remake, SHf, SH Short Momemories e SH Ascenssion... outra vez se concluindo com um filme pra encerrar o ciclo.

      O que defendo e talvez eu só esteja muito flexibilizado pelas ideias malucas desse diretor, é que este filme nunca foi pra adaptar a história de SH2, não na cabeça dele. Ele seria pra adaptar a segunda geração, o que o segundo filme deveria ter feito. E eu esperava tanto por algo assim que não consegui me decepcionar, mesmo tendo literalmente todos os alertas vermelhos possíveis pra uma obra ruim. Eu não consigo discordar de você! Mas sabe quando a teimosia bate forte??

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  6. Mas pelo relato da sua historia com o primeiro filme não existe outra explicação pelo seu amor por esse tambem, a não ser afeto ou nostalgia pela visão desse diretor, vc diz que o primeiro influenciou coisas que tiveram nos jogos da epoca, mas pelo que me lembro foram nesses jogos que Silent Hill perdeu muito da sua credibilidade que tinha nos primeiros e fez até a franquia dar uma enfraquecida, então não entendo como essa influencia que vc diz que esse diretor teve como algo genuinamente positivo, não acha que seu carinho com o primeiro filme como relatado não te faz superestimar demais esse fator como algo realmente relevante pra Silent Hill? Pois se é algo realmente verdadeiro daria pra se dizer que foi uma das coisas que ajudou a franquia sumir, alem de claro toda a mudança estrutural da Konami que quem conhece a historia deve lembrar. Não creio que esse filme depois de toda essa recepção negativa (bem dizer unanime) coisa que o primeiro filme (que considero bom) não teve va influenciar algo sobre os jogos, provavelmente a recepção sobre eles seriam piores que os SH pós SH4 (se não me engano), eu realmente sinto um pouco de pena do senhor ter gostado genuinamente de uma coisa claramente sem muito valor, estou comentando tudo isso pois seu texto foi muito bem escrito, mas acredito que sua experencia mais pessoal com esse diretor fez sua mente se deturpar com a real qualidade desse filme, eu prefiro crer nisso do que acreditar que seu gostos pra filmes são ruins kkk mas enfim gostei do seu blog.

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    1. Exatamente.

      A segunda geração de Silent Hill foi justamente aquela que desapontou principalmente quem amava a franquia da primeira geração.

      Origins? Ele fez legal até, conseguiu quase resgatar a ideia base de SH, mas por alguma razão a fanbase achou que era mais do mesmo e não curtiu.

      Homecoming? Além dos bugs (literalmente, os monstros são em sua maioria personas de insetos kkk) ele foi pra um lado de ação, a história totalmente ocidentalizada (justamente por ser exclusivo do ocidente, nem existe no Japão), voltado totalmente pra ação e violência explícita, decepcionou muito justamente por nem lembrar um Silent Hill em comparação aos originais. E a pegada de nem se passar na cidade original, falar de uma nova cidade fundada na vizinhança, parece legal no papel mas na prática, ofuscou muito o brilho do original.

      Shattered Momories? Falhou ainda na promoção, se dizendo um remake do primeiro jogo, mas entregando uma história modernizada, com smartphone como "arma", e sem combates nem criaturas bizarras, apenas muitos enigmas e um passeio com ecos fantasmas pra fotografar. O jogo tinha a atmosfera, mas não tinha nada mais que lembrasse SH. Era correr, tirar foto, e qual a graça? Além disso ele ficava o tempo todo revelando personagens do jogo original, com novas roupagens e significados, mas soava sempre como uma ofensa a quem conhecia a obra original. E no fim? Mesmo se encaixando bem como continuação, ele ainda tenta fingir ser uma releitura, o que só confundiu mais ainda quem se atreveu a jogar.

      Downpour? Esse quase acertou, tinha estética, tinha essência, tinha a ambientação perfeita, mas falhou por investir alto demais. Ele queria mostrar um lugar que destoa do clássico, uma Silent Hill turística gigantesca, assombrada mas ao mesmo tempo povoada com ecos, cheia de sidequests e historietas de horror, mas sem aquele "plus" psicológico que a Team Silent fazia. A história dele foi bem feita, mas depois dos 3 desgastes anteriores a própria comunidade mais fanática torceu o nariz pra ele e passou pra frente.

      A questão é que desses jogos, nenhum deixou de ser "Silent Hill". Eles nunca serão como os clássicos, pois a proposta era expandir. Eles tentaram, e na verdade o fizeram bem (ao meu ver). Eu gosto de todos esses jogos igualmente, até o Homecoming que te juro, é o que mais me torturou... mas eu não condeno eles, muito menos a ideia deles. Acho que os filmes tinham uma função nisso tudo, estabelecida lá no primeiro, que tinha de se tornar uma tradição sabe? O "Returns" tenta trazer essa tradição... mas né... falha.

      E, cara, eu adorei o seus comentários, eu amo isso mesmo. E digo mais, tu é muito bem vido pra esse cantinho estranho rs.

      Na real, meus gostos pra filmes são péssimos mesmo... eu as vezes entro no senso comum, as vezes vou totalmente pro oposto, e as vezes eu só sou meio maluco mesmo.

      Mas tento sempre ser sincero com o que digo, e o que falei é meu emocional mesmo... confesso, provavelmente eu me deixei levar por essa emoção e acabei falando pós acima de contras... mas eu to feliz pois você gostou de como eu disse tudo.

      Pena que o filme não agradou, e eu vou esperar meu hype por ele baixar um pouco pra assistir uma vez mais, mas com um olhar bem mais crítico... talvez eu veja o que eu to me impedindo de ver.

      Aliás, fico feliz também por ter achado o blog! Se tiver um tempinho, dá uma olhada no vídeo do Mortynha? Eu botei ele no final do artigo... e aproveitei e dei uma atualizada nas imagens.

      Boas vindas!

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  7. Possivelmente a pior coisa ja feita sobre Silent Hill, com certeza uma das piores, isso mancha a imagem do jogo até, pois vai precisar em alguns casos ter que explicar que o incrivel Silent Hill 2, o possivel melhor jogo de terror ja feito, não tem essa historia merda que foi apresentada no filme, vi que no video do Mortynha vc nem teve a mesma coragem de elogiar que nem aqui no texto kks

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    1. Eu tenho até vergonha de ter gostado tanto desse filme, mas eu concordo contigo que em adaptação ele tá uma tragédia, e em roteiro igualmente. Eu tenho problemas!

      No vídeo eu realmente pude me confrontar na real, Mortynha e eu nem sempre concordamos (irônico não?).

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  8. Esse filme não funciona nem como adaptação do game, releitura independente e nem como terror psicológico. 🚮🗑
    Fãs de Silent Hill estão sentindo a mesma dor dos fãs de Resident Evil.

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    1. Poxa... definitivamente eu acabei errando então. Será que eu assisti tanta porcaria que meu senso crítico despencou? Todo mundo que eu conheço concorda que o filme não valeu o tempo... exceto eu... gente...

      Desculpa Sammy... ainda mantenho minha perspectiva mas ao mesmo tempo, tô até preocupado com minha visão. To achando que n ocaso, fiquei tão animado com a ideia em si, que ignorei o próprio resultado sabe? Bizarro...

      Enfim, em todo caso eu agradeço muito por ler e... eu lamento muito por mais um filme da saga ter ruim ao ponto de entrarmos no cenário dos fãs de RE.

      Mas... sabe o que me dá medo? Konami autorizando e financiando outro filme mais "leal" ao jogo, criando assim uma 3° releitura da mesma história. Isso seria péssimo pra franquia pois ai sim, entraríamos numa espiral repetitiva de adaptações duvidosas... se parar pra pensar foi mesmo uma baita perda... nunca veremos um SH2 nos cinemas de forma decente... mas eu espero mesmo que parem de "adaptar" e passem a criar histórias... talvez dê mais certo.

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  9. Vi ontem. Ainda me sinto meio estranho... Tipo o que foi que aconteceu aqui?!

    Primeiros pontos, o visual. Que cospobre foi aquele? Maria com um perucão amarelo que mal passava por cabelo de fato de tão falso. James nada a vê com o do game, o ator na verdade parece muito mais com o do remake FORA do próprio filme do que no filme em si! Incrível como não mantiveram isso. Eddie... Caraca, o cara é um James obeso que só aparece uma vez! Laura parece uma assombração, não uma pentelha chata. A atriz da Mary é perfeita como ela mas como Maria e ainda mais como Angela, nossa... Maria ok e Angela mó vergonha alheia na atuação.

    Segundos pontos, adaptação! Se é que teve de fato isso aqui, o cara pegou um monte de coisas do jogo e jogou no filme só por jogar.Não tem explicação, não tem detalhe, não tem sutileza. É um monte de coisas acontecendo por acontecer e pronto. Aqui e ali há pedaços de narrativa que tentam explicar mas quase todo o impacto do game se esvai. É o erro mais comum de Hollywood, não adaptam e sim dão uma versão própria do game que supostamente iam adaptar, mas uma versão tão inferior ao material de origem... Que dá desgosto.

    Pontos finais eu digo... O filme fica quase bom mais nas partes que não tem a ver com Silent Hill do que com partes do game de fato. Parece que tentaram fazer um filme com história nova e jogaram Silent Hill 2 no meio por alguma razão. Nada se conecta, é um babaca maconheiro que simplesmente largou a esposa depois de descobrir algo horrível que faziam com a coitada e aí volta depois duma carta... Pra uma cidade que simplesmente muda e ataca sem explicação de nada. Só se sabe de um culto, duma doença e pronto.

    Mary Angela Laura... Mary Angela Laura Crane... Que ideia foi esta?!
    Por fim a única coisa que se salva são os créditos. Música nada a vê com o game em questão, mas linda, e aquelas imagens da Mary e da Angela no fim são incríveis.

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    1. Rs, a cada dia que passa eu fico mais envergonhado por ter amado o filme kkkkkk.

      Devo admitir que o filme me lembrou aqueles "pseudo adaptações" que na verdade só eram um roteiro pronto, adaptado pra parecer com um jogo famoso na época. Quem fazia muito isso era o Uwe Boll, que surfou muito na onda de adaptações fajutas mas, eu não queria nem pensar nessa comparação pq tipo... esse caso tem um problema bem específico.

      Eu sempre ressalto: O filme nunca foi pra adaptar SH2. Isso foi uma orientação da Konami que prejudicou o diretor... a ideia da adaptação em si era adaptar essência, mas a insistência em comparar com o 2 diretamente, criar links sabe, forçou o uso de nomes, figuras, eventos, que nunca nem deveriam estar nesse filme. Percebemos de longe quando algo não encaixa, pois é tudo forçado de fato... mas a história real do filme é aquela que não depende desses elementos puramente fanservice da produtora.

      E tipo, eu nem tenho como descordar pois seu pensamento compartilha do meu, eu também odiei muito do que vi ali, e senti que foi uma ofensa direta ao enredo dos jogos... porém... como pode eu ter amado tanto ele kkkkkk.

      Eu vi no filme algo além do próprio filme, eu vi a ideia dele... e foi isso que tanto admirei. Mas ele tem problemas estruturais severos que se destacam quando conhecemos a obra na qual diz se basear. Mudanças fortes de mais no conceito, que matam a ideia original e todo seu simbolismo...

      Talvez ele funcionaria mais com o público fã se não mentisse dizendo ser o que não é, e se não ficasse botando nomes ignorando seus significados.

      Eu concordo, apenas concordo.

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Obrigado demais por comentar, isso me estimula a continuar.

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