SérieMorte: A Acólita - The Acolyte (Ep 1, 2 e 3)

Poxa Disney mancada, lançar algo semanal via streaming quando ta tudo tão interessante. "Acólita" é a nova série ambientada no universo de Star Wars, que conta uma história 100 anos antes de tudo que conhecemos, numa época onde os Jedi estavam em alta, tudo pela perspectiva de uma "Sith".


Pelo menos essa é a ideia que a sinopse passa, mas na verdade a série mostra duas perspectivas, a de Aosha, uma ex-padawan, e a de Mae, uma aspirante a Acólita.

O que é Acólita? Qual o objetivo da série? O que ela tem de bom? Então, isso é justamente o que nos mantém fixados na tela.

A princípio lançaram 2 episódios juntos mas, os demais virão semanalmente, e isso é um baita soco no estômago, já que interrompeu um clima que não tinha a muito tempo!

Enfim, bora falar mais a respeito e perdoe se tiver spoiler... vou tentar avisar.

Boa leitura.

(O texto será atualizado semanalmente até o fim da série)


A série é mesmo Nova


Os últimos lançamentos de Star Wars não foram la do meu agrado, e creio que o principal motivo seja a ligação com o material cinematográfico. Como tudo que era lançado parecia surfar na onda do que já existia, fossem adaptações de quadrinhos ou livros disfarçadas, ou uma expansão do material já mostrado antes, bom ou ruim, o gosto pela obra e seu universo se dissipou em mim.

Porém, acertaram em cheio ao explorarem o passado, quebrando a ligação, mas ainda em busca de um conto naquele mesmo universo, e um conto criativo diga-se de passagem, mesmo com "repetições" em aparência.


Temos em Acólita algo novo de fato, e não é como em Mandaloriano onde tudo acaba desandando em direção à crossovers e dependências do que há no cinema (assim espero, veremos no futuro), série que apesar disso, funciona pelo pouco de novo que há. Aqui as coisa se assemelham com o visto em "Rogue One", mas ainda mais independente já que também não há um antes ou depois a se conhecer.

Na verdade, até há, mas é justamente isso que a série quer contar, sem nos obrigar a ter conhecimento prévio de um monte de filme pra entender. Ela se passa em um período a se construir, e o passado dela é o que sustenta o que acontece no presente dela, revelando tudo pouco a pouco, e fisgando (somos peixinhos) com perfeição nossa curiosidade.



Efeitos Simples mas Primorosos


Não sei se é por ser "antiga" em sua ambientação, mas a simplicidade e uso de efeitos práticos funciona melhor do que os exagerados efeitos especiais costumeiros nas obras atuais.

Tem muita prótese, máscara, pintura corporal e coreografias de combate, e isso ta lindo de assistir.


Claro que há naves, planetas, viagens pelo espaço, e umas inventividades alienígenas mas, isso também ficou bem feito, e forma paisagens belas de observar.


E o curioso é que, apesar de muito da série se passar em locais fechados, ela parece grandiosa, e tem tantos detalhes e variedades de ambientes que, difícil não ficar animado.

Tenso que, 2 episódios de 8 ainda é muito cedo pra falar se isso está incrível ou não, pois nunca se sabe quando e como podem destruir uma boa ideia.



Sem Darth Vader dessa vez


Desculpe o spoiler mas, não há alternativa, então caso queira assistir sem surpresas, recomendo que pare de ler aqui, mas saiba que vale a pena ver.

Agora, se não tem problemas com spoilers, vamos lá:

Gêmeas, tudo gira em torno de gêmeas da Força. Se você pensou "Luke e Leia de novo?" acredite, passa longe disso. E é a mesma atriz fazendo as duas personagens (e ela é boa de mais).


Na verdade a série nem esconde essa informação por mais de 20 minutos, e expõe tudo ainda no primeiro episódio, mas sem ser acelerada demais também. Ela o faz em um tempo ideal, pra surpreender, mas sem se apoiar de mais nessa revelação já que, ela não é tão grande assim.

O nexo da trama tá mais na missão do anti-herói, e como isso vai se desenrolar, algo que também é revelado sem rodeios ainda no segundo episódio.


O louco é que com esses dois episódios conseguem criar um hype enorme, e tecnicamente já mostram tudo o que tem de mais legal.

Conhecemos os Jedi no auge, e o domínio pela galáxia, e não precisamos de mais que isso pra ter a satisfação de ter a lacuna da dúvida preenchida.


Conhecemos a "origem" dos Sith, se bem que na lógica nada disso foi explicado ainda, o que também abre espaço pra que os demais episódios trabalhem com isso.


Conhecemos os dois lados da moeda, ou da Força se desejar, já que bem e mal não são uma verdade absoluta aqui, e por mais que a protagonista haja de forma violenta, ela também parece ter boas razões, na cabeça dela, pra fazer o que faz.


E por fim, conhecemos o Wookie Jedi! Pra mim é isos que me fará assistir até o final e pronto.


Cara, é um Chewbaca que usa a Força! Tem ideia do que é isso?!



Explicando os dois episódios


Aosha é uma ex-padawan, que abandonou os estudos forçadamente pra investir na vida de R2 orgânico. A profissão dela é a mesma do robozinho clássico, chamada "Meknek", o que na prática é um mecânico de naves em pleno espaço, que conserta falhas no casco e dá suporte do lado de fora. Ela ainda tem ajuda de um pequeno robozinho é claro, e conversa com ele (os renegados sempre sabem a língua das máquinas).


Ela deixou de treinar os caminhos da Força pois era velha de mais, tendo sido recrutada aos 8 anos de idade, e mostrado sinais preocupantes pros mestres (papo familiar esse...), mas agora ela tá de boa com sua vida, apagando incêndios espaciais.


Até que, uma misteriosa assassina de Jedi surge, matando Mestres que tem conexão com Aosha. Pessoas do seu passado, pessoas que a ajudaram a fugir do incêndio que matou toda sua família quando criança e a recrutaram, ou tiveram algum envolvimento com ela.


Essa assassina é uma aspirante a Acólita (até então pouco explicado mas, deduzirei o que é), que seria um quase Sith (?), treinando na Força mas, com a missão de matar 4 Jedi, um deles sem uso de armas ou artimanhas. Ela segue um personagem misterioso mas que, até o fim da série será revelado (certeza).

Apesar de ser forte, ela tem que lidar com vários truques, empunhando adagas para vencer os Jedi, e tendo suporte de um "amigo", misterioso mas que não parece ser de todo mal.


Seguimos as duas, cada uma em sua própria jornada, com Aosha se reunindo aos Jedi e seu antigo Mestre na caçada por sua irmã, e sua irmã na caçada pelas cabeças dos Jedi, incluindo o Mestre dela! Legal né?


Bota nisso um Mestre com um segredo do passado das garotas, e cada um dos alvos de Mae tendo algo maneiro pra mostrar, e pronto, nossa atenção tá conquistada, ao ponto de fazer os 40 minutos de cada episódios parecerem um vídeo de 10 minutos.

Tem uma Mestra que luta esquivando de tudo, dando uma aula de combate! A gente fica esperançoso por ela, temeroso pela inimiga e a surra que levará, e ainda vem a reviravolta que, por mais que não seja tão surpreendente, é impactante (ainda mais sendo Disney).


Tem um Mestre que nem precisa lutar, e apenas usa Força como um escudo infinito e impenetrável, fazendo a gente se perguntar "Como raios ela vai matar ele?".


E é tudo muito rápido, divertido, e pelo amor de deus eu não sei se aguento até semana que vem pra ver mais!

Bora que quero ver o Chewe da Força!!!!


Explicando o Episódio 3 - As Bruxas


Esse episódio é inteiramente no passado, e quando digo passado é ainda mais no passado, durante a infância das duas irmãs. E sabe o que é incrível nisso?! A série entra na "Harmonia Star Wars".

É que, há uma harmonia poética nos filmes Star Wars (inclusive mas, não destacando, os 3 últimos), onde tudo parece ser similar e seguir uma ordem, como rimas em um poema, repetindo situações, cenas, enquadramentos, mas sem necessariamente contar a mesma história.


O que rola aqui é que, depois dos dois episódios instaurarem a base de toda a série, este retorna pros primórdios revelando a origem de tudo, assim como foram os Episódios I, II e III do universo cinematográfico, contando a infância daquele que se tornaria o temido Darth Vader.

Mas mais que apenas revelar o passado trágico das meninas, este episódio soma muito ao universo fantástico de Star Wars, inclusive, diria eu como alguém que conhece e gosta, mas não chega ao fanatismo pela obra, a satisfação foi grande ao conhecer melhor mais um lado da Força.


A "Religião" das Bruxas


É que Star Wars não é só Jedi e Sith, há outros métodos de vida e cultos que contracenam com o místico poder invisível, e as Bruxas não são de todo uma novidade pra mim.

No jogo "Jedi Fallen Order" foi onde vi esse conceito pela primeira vez, como uma cultura praticamente extinta mas que também era usuária da Força. Um grupo de Bruxas, composto apenas pelo sexo feminino, que por sua vez tinha uma visão mais mágica do que seria a Força.


Se lá eu já gostei muito de conhecer esse lado, imagina aqui, onde podemos ver um Coven inteiro se manobrando para lidar com algo raríssimo em seu meio, e que pasme, pesou muito mais pro significado de "Acólita".


Como Covens são compostos só por mulheres, não haveria chance delas se reproduzirem, a menos que um milagre ocorresse. E se, no caso de Anakin Skywalker o milagre foi nascer de uma virgem, aqui não seria diferente e mais uma vez, a Força abençoa uma mulher.


Porém, além da mulher ser de outra espécie, há o tal grande significado ampliado das gêmeas, que são mais que irmãs na Força, são a esperança de um futuro pra todo uma religião, uma espécie, uma forma de viver.


As Bruxas estariam fadadas ao esquecimento com suas mortes, proibidas de ensinar crianças de fora, proibidas de procriarem por suas próprias regras (aparentemente), eis que o nascimento de duas meninas seria como um recado divino de constância universal. 

E testemunhar isso após conhecer como tudo acabaria, tornou tudo mais trágico mas igualmente belo. 


Aliás, eu jurava que ia rolar "lacração", pois lá nos primeiros episódios a Aosha já mais velha cita suas "mães" no plural, e conhecendo os tempos de hoje senti um pouco de receio de forçarem a barra, incluindo algo da causa LGBT só por incluir. Mas foi justamente o oposto: Há sim um envolvimento materno e até afetivo entre as mães das garotas, mas o significado de "mãe" é mais atrelado a ideia de clã.


A mãe principal é a "Mãe de todos" seguindo aquela ideia hierárquica, e há insinuações de que ela teria um envolvimento amoroso com a mãe biológica das garotas, mas, isso não é de todo importante e muito menos destacado. A série mantem-se focada no que quer contar, e não desvia do foco.


Tudo está Melhorando


De todos os episódios até então, este se tornou meu favorito. 

Ele é cruel, já revela o desfecho de tudo e não enrola pra nada, mas ele é lindo, sutil, sabe se desenrolar e ainda por cima deixa pontas com mistério.


Afinal, será mesmo que o fim foi aquele? Será que o fogo foi o derradeiro estopim da tragédia? Ou será que tinha um terceiro omisso ali no meio?

Há um pouco mais do "Chewbacca" Jedi! Mas ainda não é a hora dele brilhar, o que é uma pena.


Mas, é tão bom ver que na infância a pequena Aosha queria muito ser Jedi, e pelo que sabemos agora, ela não seguiu por esse caminho. E sua irmã, Mai, já queria muito seguir o rumo das Bruxas, mas como sabemos, também vem trilhando um caminho diferente.


Surgiu ai o desejo de conhecer o que a fez elas desviarem e se tornarem uma Meknek (algo que ela também já demonstrava aptidão), e uma "Acólita" (ainda faltando explicar o que significa essa palavra), sendo este um acerto tremendo pra série, nos mantendo interessados.




Continua...


(PS.: Provável frustração suprema no futuro... afinal quando a expectativa tá alta de mais, não é bom sinal... mas bora torcer positivamente!)


See soon...

Postar um comentário

2 Comentários

  1. Grande Shady. Torço para que seja puro sarcasmo você falando que adorou essa série. Essa aí é impossível gostar.

    ResponderExcluir
    Respostas
    1. A ironia está nos detalhes. To buscando uma forma passivo agressiva de criticar sem ser muito cruel... vai que dá certo.

      O pior é que to mais motivado a acompanhar ela (principalmente pelo Chewbacca!!!), do que fiquei com aquela bomba do Obi-wan.

      Aliás, bom te ver sr Ivan!!!

      Excluir

Obrigado de mais por comentar, isso me estimula a continuar.

Emoji
(y)
:)
:(
hihi
:-)
:D
=D
:-d
;(
;-(
@-)
:P
:o
:>)
(o)
:p
(p)
:-s
(m)
8-)
:-t
:-b
b-(
:-#
=p~
x-)
(k)