História: O Trem da Morte

 As vezes tenho sonhos, e os transcrevo antes que me esqueça. Hoje trarei um deles a público.


O Trem da Morte


É puro texto, espero que goste, e perdoe a simplicidade.

Boa leitura.



O que sei?


Acordei em um trem, não me lembrava a razão até o condutor surgir. Ele era o rei do mundo dos mortos, um sádico oportunista, que inclusive me conhecia. 

Ele disse que não era minha primeira vez ali, mas dessa vez eu não sairia. Cada vagão tinha uma configuração própria inspirada pela pessoa que vivia nele. Eles eram conectados e seus tamanhos eram muito diferentes. 

O rei me puxou pra um vagão chamado "Campo de Matança", onde ele estava colocando todos aqueles que ele odiava e queria punir. Eu era um deles. Milhões de assassinos e estupradores estavam lá, e eu precisaria sobreviver. Se eu morresse, o rei disse que eu jamais encontraria ela. 

"Ela"... A princípio eu pensei na paz, no descanso, até sentir um perfume. Minha amada... Não me lembro seu nome, mas lembro o amor que sentia por ela. Eu a procurei no próprio mundo dos mortos no passado, eu achei, eu venci o cruel jogo da morte antes, e eu a tirei dali. 

Juntos havíamos vencido a morte e voltado, vivemos para nos encontrar mas, estávamos ali novamente. 

Minha missão agora, era apenas sobreviver, localizar ela, matar quantos fossem necessários e só então vencer o rei dos mortos em mais um de seus jogos. Mas era um battle royale, exatamente como em vídeo games e livros que jogava e lia. Mas eu não tinha armas. Na verdade eu fiz com a mão para puxar um bastão especial que eu possuía da minha última vitória, algo que surgia em minha memória vagamente.

Uma arma poderosa que me respondia, e significava muito pra mim, no mundo espiritual e físico. Mas a arma sumiu. Tudo que eu tinha sumiu. O rei então me disse "Desista" mas não era minha primeira vez com ele, eu conhecia muito bem suas regras imundas, e sabia o que aguardava. O inferno... Ele era o carrasco, e ele me odiava pois eu o humilhei uma vez.


Furioso Trem Sangrento


No passado, estive ali durante um surto que tive em vida. Eu desisti, e por um breve momento morri. Estive no trem em sua versão mais simples, vagões modificados pela época de seus moradores, mas sem nada de mais interessante, exceto para colecionadores de trens. Os vagões eram silenciosos e vazios com tristes almas andando e aguardando chegar em um destino que nunca vinha. O maquinista nunca saia da cabine, e o trem crescia infinitamente, cada vez com um novo vagão, tornando impossível chegar na frente. Além disso, não dava pra desembarcar, ele era rápido, mas não apenas isso era um problema. Não havia lado de fora, somente um vazio. E caso tentássemos sair, apenas aparecíamos em nosso vagão de origem. 

Eu não descobri isso em um único momento. Levei o que pareceram semanas até entender as regras do lugar. Podíamos andar pra onde quiséssemos, até conversar caso achássemos alguém que não foi sugado pela melancolia. Era mais fácil apenas se assustar com espíritos catatônicos ou até violentos. Os violentos eram os mais divertidos contudo. Com o tempo passei a procurar eles, os chamados "furiosos", pra brincar de "fuja do morto". Não tinha nada pra se fazer lá além disso.

Até o dia que ela surgiu. Ainda não me lembro o nome, mas haviam muitos vagões novos com pessoas esquecidas surgindo. Eu não gostava muito delas pois me lembravam minha avó com Alzheimer. É que, quando um novo viajante surgia ali, suas memórias desapareciam de seu tempo fora de lá, e também se limitavam ao que rolava em seus vagões. Comigo era diferente? Eu lembrava das passagens por outros vagões, mas quando puxava alguém comigo, a pessoa apenas esquecia quem eu era, se assustava, surtava e voltava. Ninguém nunca permanecia ao meu lado ali, eu estava livre pra ir e vir mas apenas sozinho, esse era meu inferno? Com a expansão eterna do trem da morte, eu não podia reencontrar pessoas com quem conversei. Sem levá-las junto, eu as perdia e elas nem sabiam de mim. Era terrível.

Então no vagão que posso definir apenas como "simples de mais" sem enfeites, sem cores, mais morto do que os vinte últimos furiosos que fugi, tinha uma bela garota, que me expulsou de lá no instante em que abri a porta. Não ouso descreve-la, pois não me recordo de nada de sua aparência. Só me lembro que era linda e me apaixonei como um adolescente no instante que a vi. Mas ao abrir a porta pra revê-la, outro furioso. Vagões cresciam rápido ali. E eu jamais a acharia de novo.

Mas eu não desisti, algo me puxava pra ela, eu precisava vê-la, como se em vida eu já tivesse conhecido ela, como se o que eu sentia não fosse algo daquele momento. Eu sentia que era importante, e era algo que não sentia a anos. Mas eu precisava de uma estratégia. Eu sabia as regras dali, então não adiantaria apenas sair correndo vagão por vagão. 

Eu já havia achado vagões que entrei antes mais de uma vez, por incrível que pareça, haviam algumas possibilidades. Como quando eu achei um furioso que arrancou meu braço, e usou ele pra travar a saída. 

O velho de chapéu... Eu torcia pra nunca mais acha-lo. Na época eu brinquei de escapar dele mas, ele tinha um cutelo enorme, e eu nem sabia que podia me machucar. Ele foi violento, e no desespero eu apenas fugi pra fora do vagão, não pelas portas, mas pela janela. Interessante mencionar que meu braço sangrou muito, manchando tudo em que eu tocava, isso pois eu me joguei pra retornar pro meu vagão original, e deu certo. Mas quando olhei pra porta, havia sangue no chão. Ao abrir a saída, o velho de chapéu estava ali, meu novo e eterno vizinho. 

Desde então eu saia apenas pela porta de trás, mas eu já tentei andar pela janela, pendurado do lado de fora. Algumas quedas me fizeram ganhar mais resistência ao medo, então virei especialista em escalada. 

O que notei é que o vagão dele apenas se mesclou ao meu, com o sangue ligando as duas partes. Quando cai lá na primeira vez, uma fina linha de sangue se formou entre o vagão dele e o meu, e aquilo ligava os lugares. Meu braço voltou caso esteja se perguntando, é a vantagem de estar morto.

E se, eu encontrasse o vagão dela por cima, e usasse sangue pra ligar a outra porta? Na pior das hipóteses eu teria dois vizinho bem irritantes. Mas, eu tinha de tentar.

Levaram décadas!? Mas sim, eu achei ela. Andando no teto do trem, eu procurei pelo vagão dela, e quando o vi, ainda a quilômetros e se afastando, eu tinha certeza que era ele. Ele vibrava em uma cor lilás, como se me invocasse. Mas, por mais que eu corresse, mais distante ele ficava. Foi então que pensei "E se eu parar o trem?"

Óbvio que eu nunca o pararia de verdade, mas podia parar sua expansão. Notei que os vagões surgiam com base nas épocas que os caracterizam. Anos 50 sempre gerava um novo anos 50, e assim iam. Era algo que só se percebia do lado de fora, testemunhando o crescimento espontâneo do trem da morte. 

Então, eu cortei minha mão e fiz uma linha entre este vagão e o próximo. Com um barulho estridente, mas breve, os vagões pararam de surgir naquele ponto. Aqueles dois vagões juntos travaram a expansão de tudo que haveria entre eles. Pra onde foram eu não sabia, mas aquilo me deixou mais perto dela. 

Corri com sangue nas mãos inundando o trem, vagão por vagão. Fui os conectando e por incrível que pareça, a expansão diminuiu significativamente. Tudo foi parando e eu já não via mais o dela se afastar, ele parecia ainda mais próximo, e próximo, até que enfim eu estava em cima dele. Tomei cuidado pra não mancha-lo, afinal eu precisava pular no mesmo momento que o marcasse. E assim o fiz, sem nem verificar se ela estava lá.


Unidos pela Memória


Meu sangue derramava pela porta de trás do trem. Eu sabia que deu certo. Mas tanto tempo se passou, será que ela estava lá? Ali era o lugar certo mesmo? Eu fui até a porta tremendo de ansiedade... E ao abri-la, o inconfundível cheiro me prendeu. Aquele perfume, foi ele que me seduziu tanto. Eu nem me lembrava, mas o perfume era inconfundível. Depois reparei e o vagão não parecia o mesmo. Agora mais colorido, com quadros pendurados, mobílias, ele estava mais feliz. Eu havia cometido um erro? Não... Aquele cheiro era realmente inconfundível.

Comecei a investigar, ela não estava lá, mas tudo dela sim. Ela era um vagante como eu, gostava de atravessar os corredores em busca de artefatos e os levava pro seu lugar. Provavelmente ela estava em expedição naquele momento, mas foi muito bom pois pude conhecê-la melhor. Nada realmente dela estava ali, eram itens de muitos outros, enfeites, lembranças, quadros, brinquedos, até mesmo um chapéu grande igual do meu vizinho, tudo ali bem organizado, selecionado e catalogado, com nomes, datas, pequenas descrições, era um museu.

Enquanto me maravilhava, eis que escuto "Você de novo?"

A voz doce dela ecoava pelas paredes e artefatos, mas não soava ameaçadora. Me virei em surpresa e ela estava ali, de pé, com óculos, tudo que me lembro são os óculos, pois ela os tirou e revelou olhos que brilharam tão forte que pareciam dois sois azuis.

Mas, sem enrolar com poesia, a garota do trem da morte que tanto busquei estava ali na minha frente me encarando enquanto dizia "Vai ficar me encarando até quando?"

Demorei pra entender suas palavras mas quando o fiz me ajeitei rapidamente, e me apresentei "Prazer, meu nome é...." Eu não lembrava meu nome, ainda não lembro. Pensando bem nunca pensei em quem eu era antes dali, e pela primeira vez me fazia falta ter algo pra dizer. Eu precisava de um nome então disse a primeira coisa que veio a minha mente no momento: 

"Feliz".

- Nome babaca - disse ela me olhando com desdém enquanto se virava pra guardar algo que tinha em mãos. Quando perguntei o que era, ela me mostrou por cima dos ombros. Era um ovo cravejados de joias, com um nome esquisito, que ela ainda afirmou "Ele não vai sentir falta".

- Tão precioso aqui quanto um milhão de dólares - disse ela debochando - Só vale pela lembrança, e riquinhos mesquinhos como o dom "Sei lá quem" não vai precisar.

Ela tinha esse hobby, viajar entre os vagões e furtar coisas que considerava históricas. Até esse momento eu nem sabia que dava pra retirar objetos entre os vagões do trem da morte, mas quem era eu para julgar. 

Enfim, do que me recordo neste enorme flashback é que naquele dia fiz uma inimiga. Antes de nos tornarmos grandes parceiros de viagem, ela me odiou muito por décadas. Isso pois não conversamos muito mais que aquela breve e vaga apresentação, onde ela encerrou dizendo "Não sei como chegou aqui, mas agradeço se partir, estou ocupada". Ela se virou foi até uma porta, a porta que eu havia ligado com meu sangue, e saiu. Depois de alguns minutos ela voltou em desespero gritando "O QUE VOCE FEZ?!"

Eu havia trancado ela entre meu vagão, o dela e o chapeleiro do cutelo.

A outra saída que ela tinha ela não sabia mais onde estava. Como ela mesma me disse "Eu nunca sai pela porta de trás." que ela já não sabia onde estava naquele enorme museu. Moral da história: foram longos dez anos com meus dois novos vizinhos. Um que me eu evitava pois queria me fatiar, e uma que me evitava pois queria me fatiar.

Primeiro ela se isolou de mim, bloqueou a porta com tudo que tinha e não quis conversa. Obviamente eu as vezes me pendurava pela janela pra espionar (não me julgue) mas não dava pra ver muito. Os vagões eram diferentes dentro e fora. Por fora todos tinham o mesmo tamanho, mas por dentro eram mundos inteiros em expansão. O dela tinha prateleiras pra toda parte e raramente eu a via andando, ao longe, mas tão irritada quanto na primeira vez que a vi.


Uma Mudança Inesperada


Quando eu já estava começando a me dar bem com o velho do chapéu, me atrevendo a entrar em seu vagão pra brincar de "sobrevivo hoje ou sumo?", assim que voltei todo ferrado e cortado em mais um pulo pela janela, eis que a vejo sentada no meu vagão, de pernas cruzadas e como quem aguardava a horas.

- Finalmente, onde você estava? - Disse ela com tom de reprovação - Eu preciso saber como você faz isso.

Ela se referia a sair dos vagões. Ela não conseguia, o medo que tinha era maior que o que já tive, e nem mesmo se aproximar das janelas ela conseguia. Eu a perguntei como ela fazia pra voltar ao vagão dela quando queria, e ela me mostrou uma cicatriz. Ela tinha uma linha forte na garganta, que parecia fresca. Na lógica, ela se matava segurando o que queria e isso ia com ela pro local dela. Uma abordagem diferente, que eu não tinha conhecimento. Então se alguém apenas morresse, voltaria pro ponto de retorno como em um videogame. Isso me fez ter vergonha de todo tempo gasto com o chapéu.

Mas continuando, a garota me disse que precisava sair de lá, que não achava sua outra porta, e que queria muito achar algo que eu a impedi de encontrar. Ela tinha um sonho de recolher vários artefatos em seu lugar, e era pra isso que vivia ali. Minha empreitada pra acha-la bloqueou o sonho dela, o que tornou tudo isso uma grande ironia, afinal ela era o meu. 

Infelizmente pra mim, isso só a fez ter raiva e rancor de mim, como se eu fosse o vilão. Mas, eu a ensinei a superar o pavor da queda, em longas e demoradas aulas que acabaram nos aproximando. Da raiva surgiu uma simpatia tímida, depois uma real parceria. Demorou muito, mas até que nos demos bem.

Segura de si, ela já andava com sua mochila e cordas. Ela incorporou uma alpinista de fato, se caracterizando pra ocasião, era engraçado, mas eu também o fiz. E começamos a nos aventurar pelos vagões juntos, buscando o que ela precisava e queria.

A questão, e algo que nunca notamos, é que o trem da morte tinha parado de crescer. Ao menos até onde a vista alcançava, tudo estava parado. Conseguimos recolher alguns objetos de locais inéditos pra ela, mas não pra mim, e fui o primeiro a notar o problema maior. Um dia, tomei coragem de falar em voz alta o que eu pensava: "Acho que eu quebrei o trem da morte."

Foi aí que um frio na espinha me tomou e o vagão inteiro congelou. Ela se tornou uma escultura de gelo na minha frente, e atrás de mim havia ele, o Maquinista.

Ele era o Rei do Trem da Morte, um deus por assim dizer, que estava furioso comigo mas não igual os demais furiosos, ou a garota do meu sonho. Ele estava furioso ao ponto de verbalizar claramente as razões: "Você é o responsável então? Finalmente te achei."

O maquinista tinha raiva pois, como deu pra notar, eu fechei vários vagões pra sempre. Não foi intencional é claro, mas eu não sabia do que rolou depois. E na verdade, o problema era que todos os vagões novos estavam indo pra cabine dele. A décadas, talvez séculos, eu inundei a cabine do maquinista com milhões de pequenos vergõezinhos de brinquedo. Segurar o riso foi impossível, pois ele me mostrou em primeira mão a tragédia, e foi também um erro pois nunca senti tanto pavor.

Ele me disse apenas que, eu pagaria por isso. O que eu havia feito tinha rompido as regras dele, e agora eu seria responsabilizado. Como meu sangue causou isso, meu sangue resolveria. A ideia dele era me dividir em muitas partes e me colocar entre cada vagão, pra sofrer pra sempre. Mas isso não ia resolver nada. Eu então sugeri limpar o sangue... E ele me perfurou com os olhos. 

A ideia não era ruim, mas vindo de mim era inadmissível.

Fui expulso do lugar dele, e me vi no meu. Tudo já estava limpo, não havia mas gelo em parte alguma,  mas também não havia sangue. Corri pra porta do chapéu maluco e, ele não estava mais lá. Abri ela e vi  uma senhora tricotando. Fechei, abri novamente e tinham crianças correndo. Repeti o feito por mais algumas vezes até que, olhei pra trás apavorado. 

A outra porta, também estava limpa.

Eu havia perdido a conexão com ela, minha amiga, minha parceira de alpinismo, a moça do museu, a garota de perfume bom, a... eu não sabia o nome dela. Em tanto tempo nunca perguntei. E ela não sabia o meu. Provavelmente, ela nem se lembrava de mim.

Dias de melancolia se seguiram. Eu nem me atrevi a abrir a porta dela. Eu sentia conforto na esperança, e as vezes eu podia jurar que sentia seu cheiro. Eu não queria que aquilo sumisse.

Mas eu também parei de sair. Me auto confinei ali, num vagão vazio que foi se preenchendo com solidão. Isso permaneceu por eras, ou o que pareciam eras. As vezes eu ouvia algo bater a porta dela, como quem quisesse entrar girando a maçaneta, e me enfurecia, grunhia, batia contra ela pra impedir que abrissem, eu fui me tornando um "chapéu de cutelo", sem chapéu, e sem cutelo.


A Esperança não Morre Primeiro


Um dia então, um zumbido forte chamou minha atenção. Atordoado pela tristeza eu mal me movi, mas o zumbido se repetiu, e repetiu, e repetiu. Cada vez mais frequente.

Foi aí que uma janela se abriu, e eu me levantei com ódio para expulsar quem fosse. Eu queria que fosse ela, somente ela podia ter feito a loucura de conectar vagões pra me achar, mas eu nunca seria importante assim, não fazia sentido, não pra ela. A dúvida me controlou e o ódio me guiou pra janela, o que se interrompeu somente com os dois sois azuis.

Ela havia me encontrado! 

- Feliz!? 

Com certeza eu estava. Mesmo que não parecesse.

Mas isso não durou. Frio. O frio tomou o que antes era tocado somente pela tristeza. O Maquinista novamente, me puxando pra longe dela paralisada pelo gelo.

- Cansei de você, não vou mais permitir que arruíne meu trem.

Mas dessa vez não havia sido eu. Ela me procurou, ela me encontrou, ela havia feito aquilo por mim e vice-versa. Ao falar pra ele, ele se voltou pra dois vagões pequenos amarrados com uma linha brilhante e azul, e disse em tom baixo "Odeio quando almas assim surgem".

- Não permitirei que vocês fiquem juntos. Isso não faz parte dos meus planos, das minhas regras. Vocês são de épocas diferentes, mundos diferentes, nunca deveriam se conhecer, nunca irão se conhecer. Se a morte não é um descanso suficiente pra isso, te darei uma nova vida, e você nunca mais a verá - Entonou o Maquinista.

- Isso não faz sentido nenhum, eu não te fiz nada, porque me punir? Deixa a gente junto! O que te fará de mal?! - Disse eu com revolta, e a resposta dele foi apavorante. Com um sorriso grande ele se virou pra mim, se curvou, olhou nos meus olhos e disse "Eu não gosto de você".

Em um sopro doloroso em meu peito, me vi em um túnel, e em seguida acordei numa cama de hospital, com tubos enfiados em tudo que pode se chamar de buraco. Eu estava em coma? Quanto tempo? Não havia ninguém por perto, nenhum médico ou enfermeira, nem mesmo outros pacientes, ou familiares ou amigos. Pouco a pouco me lembrei quem eu era, eu era um ninguém. Sozinho, triste... Até sentir aquele perfume. 

Ao olhar pro corredor, estava ela ali, parada, me olhando. Ela vestia roupa de doente, aqueles aventais de hospital, e parecia igual a mim, outro paciente em coma. Mas, ela me olhou, e disse: 

- Feliz?!

Tive uma longa vida depois daquilo, eu pude existir ao lado dela. Éramos mais parecidos do que imaginávamos, eu era aspirante a escritor de ficção, ela uma estudante de arqueologia. Fazia sentido ela ser assim. Ela se lembrava do trem, eu também, ambos partilhávamos aqueles anos mas por quê?! Vivemos por uns 15 anos bem, nos ajudamos muito, brigamos de mais também, e no fim nos separamos.

Não foi por ódio nem rancor, nem pelo fim do amor. Na verdade ela tinha sonhos, e eu os atrasava. Ela precisava ir numa expedição onde buscaria por algo muito especial e raro, e eu não queria que ela fosse. Eu dizia que tinha medo, e ela não gostou. No fim ela foi assim mesmo e eu fiquei sozinho uma vez, pela primeira vez em 15 anos.


Separados para Sempre


Após dias entristecido, eu senti que ela precisava de mim, quando vi um objeto. Era um bastão egípcio ou grego, não sei ao certo, que ela me deu dizendo que "Isso nos conectará sempre". Era um presente de casamento que ela acreditava ter poderes místicos. Ambos acreditávamos nisso. Ela dizia que, enquanto eu mantivesse o meu, e ela o dela, de um conjunto de dois, sempre nos encontraríamos. Era a magia daquilo. Curioso que assim que toquei o bastão, senti calor ao invés de frio. Por um instante jurei ter visto ele brilhar em azul, e então eu soube "Ela precisa de mim". Sai de casa, comprei uma passagem de avião, e viajei até o país de sua expedição. Não foi fácil nem rápido, mas pra mim foi como um piscar de olhos. Logo estava onde ela deveria estar.

Mas, ninguém sabia seu paradeiro. Aparentemente ela havia encontrado o que procurava em uma tumba antiga e começado as escavações, mas saqueadores entraram lá também, e a maioria dos pesquisadores ou fugiram, ou morreram em um confronto armado. Meu bastão mágico queimava ainda mais, como se ela estivesse lá dentro. Então invadi, ignorando os homens que me alertavam.

Tudo que me lembro é de ouvir um som agudo, e logo me vi na frente do Maquinista, e diante suas ameaças.

Eu morri, claro que morri. Outra vez estava no jogo da morte, e ela pessoalmente foi me recepcionar, só pra me dizer "Você sofrerá".

Mas pasme, mesmo sem arma, mesmo fraco e confuso, eu consegui vencer muitas lutas. Enfrentei centenas de assassinos com força e venci. Naquele grande vagão, que mais parecia um campo de matança, eu consegui durar muito. Os que morriam provavelmente eram jogados em seus vagões originais, ou coisa pior, era o que eu pensava.

Pouco a pouco lembrei as regras da morte, mas isso não me confortava. Eu não podia voltar pro meu vagão, eu não sabia o que aconteceria ou o que o maquinista tinha preparado pra mim, eu precisava ganhar o jogo dele. E pra isso, eu tinha de eliminar todos.

E eu consegui. Foi difícil mas no fim eu matei a todos, como se tudo ali fosse um joguinho de criança. Eu estava furioso, e tudo que queria era reencontrar ela o quanto antes, não a morte, mas minha amada. 

Em algum lugar ela estava, e por mais que me doesse saber disso eu sentia que ela também estava morta. Mas não significava que eu não poderia vê-la, não naquelas condições. Eu era um vencedor do Coliseu da Morte. Eu podia tudo.

Até que o Maquinista surgiu e disse "Maravilhoso, achei divertido, vamos começar de novo."

E sim, o evento se repetiu milhares de vezes. Os combates se tornaram mais longos, mais cruéis, eu perdi várias vezes, virei alvo dos assassinos. Quando morria. Eu voltava pro início da luta, simples assim. Um novo combate mortal, infinito, e sem pausas. Quem eu matava tinha o mesmo destino voltando pro início, mas o tempo fluía sem regras. Para todos o início era mesmo o início, sem tempo de pensarmos, apenas nos matarmos. Era um ciclo sem fim. Em que não adiantava desistir, nem lutar. Tudo levava pro mesmo lugar.

- Não é justo! - Disse eu antes de ser outra vez mutilado - Eu não fiz nada pra merecer isso.

Aquele era o inferno, um inferno preparado pra pessoas cruéis e que não respeitavam a vida. Eu não devia estar ali, e a Morte sabia disso.

- Você me desafiou, me atrapalhou, você merece isso tanto quanto qualquer um. - A rancorosa Morte mostrava suas intenções. Ela queria apenas me torturar, por vingança.

Era algo baixo dela fazer, triste, mas eu entendia. Eu mexi com seu trem antes e ela não queria que eu fizesse isso de novo. Então eu disse: "Você pode ser menos mesquinha e me dar uma chance verdadeira de jogar contigo?"

Essas palavras não foram ditas ao acaso. Eu sabia que o Maquinista gostava de brincar com suas almas. Seus trenzinhos de brinquedo simbolizando seus hóspedes; o limbo de pequenos paraísos trancafiados em vagonetas; a mera ideia de apostar com os gladiadores, e sorrir enquanto assistia; isso mostrava um prazer exclusivo da morte.

Ela então interrompeu a carnificina com seu gelo, criando centenas de estátuas. Surgiu diante de mim e em um semblante ameaçador, se curvou para ficar da minha altura, e disse: "Eu não gosto de você".

- Mas pode ser interessante. O que você mais deseja? - Completou o Maquinista abruptamente, cortando a intensidade do clima.

- Você sabe quem eu procuro - Respondi com firmeza.

A Morte deu de ombros e então se virou pra mim e disse: "Sua obsessão por ela é o que mais odeio em você".

De certa forma a Morte estava certa, eu era irritante, até mesmo eu me odiava as vezes. Eu a amava mais do que a mim mesmo, e isso não era normal - Me deixe vê-la, e prometo nunca mais te incomodar.

A Morte riu, quase gargalhando - Você me incomodar? Você é uma alma, só um qualquer que deu sorte uma vez.

- Tão "qualquer" que eu sozinho mudei seu trem inteiro - Disse eu esperando a retaliação.

A morte parou, se voltou pra mim, e disse com uma calma incômoda: "Me vença. Se você me vencer, faço o que pedir e ainda te mostro ela."

- E qual o jogo? - Questionei esperançoso.

Por incrível que pareça, não me lembro o que ela respondeu. Lembro apenas de sentir tristeza pois sabia que nunca a venceria.

Por isso eu apenas cai de joelhos. Lamentei que não era justo. Ela colocou um inocente numa posição de punição, apenas por não gostar. Essa arbitragem era tendenciosa, errada, imoral e burlava as próprias regras dela.

O maquinista riu mais ainda, e apenas disse que nada ali mudaria, pois aquele era seu domínio.

- Então prefiro o domínio de outro. - Eu disse sem pensar, tomado apenas pela raiva gerada pela sensação de impunidade.

Essa frase foi interessante, pois no exato instante me vi em um Tribunal. Ou pelo menos como eu chamei aquilo.

Cercado por pessoas em cadeiras altas, no meio de uma sala redonda e escura, iluminada apenas no centro, todos me observavam. Um deles era o Maquinista, agora sem seu traje de trem, e um longo capuz negro, devidamente vestido como a Ceifadora Morte.

- Então você duvida dos métodos do rei do trem? - Disse um encapuzado dourado, com tremenda calmaria.

- Ele teme sofrer, não parece uma razão coerente para tal reunião - Disse um encapuzado vermelho, de semblante agressivo.

- Ele está em um lugar incompatível com sua penitência - Disse uma encapuzada lilás, de voz serena.

- Ele exagerou dessa vez, gostaria de saber mais - Falou um encapuzado branco, se virando levemente pro maquinista com curiosidade.

- Foi ele quem voltou pra vida antes? - Disse o encapuzado verde, sorrindo enquanto olhava pra mim.

- Agi conforme as regras - Disse o encapuzado azul, enrolando um fio solto em sua manga.

Logo entendi o que havia ocorrido. O Trem da Morte era apenas um lugar, de uma Morte. O rei do trem era meu carrasco mas ele não era o único. Aqueles seres celestiais sentados e discutindo entre si eram todos parte de algo maior.

- Escolha um de nós e siga sua penitência - Disse o dourado, como quem queria encerrar logo a reunião.

Então todos me encararam em silêncio. O peso de seus olhos me empurravam pra baixo, até que percebi a lilás sussurrando para o de capuz preto, quem mostrou pela primeira vez espanto em seus olhos arregalados fitando os meus.

Eu não a ouvi, mas senti um estranho conforto, e sabia o que dizer - Eu venci a morte. Quero meu desejo realizado conforme acordamos.

O maquinista se levantou enfurecido e gritou - ISSO NUNCA ACONTECEU!

Mas em seguida a lilás disse - Ele te tirou de seu Trem. Não era isso que vocês apostaram?

A morte trapaceou comigo. Ela me fez esquecer suas palavras por sentir medo de perder. Isso me fez aceitar a derrota, e o jogo dela era apenas isso. Tirá-la de seus domínios. Impossível sim, mas ela mesma errou.

O maquinista então se sentou, sem refutar o que ocorrera, e disse: Que seja. Faça o que desejar.

- Mas primeiro, me mostre ela, faz parte do acordo. - Disse eu esperançoso.

Então a Morte sorriu, me causando seu já familiar calafrio. E num único pulo se aproximou de mim me encarando e dizendo: "Veja por si só."

Me vi nas catacumbas, armado com meu bastão mágico, correndo pra salvar minha amada. Foi quando entre corpos caídos, vi ela sendo agredida por alguns homens. Ela estava gritando, sofrendo abusos, com suas roupas em farrapos e ferimentos por todo corpo. Eles se revezavam na tortura, e testemunhei aquilo em choque, foi quando um deles cortou meu braço fora, e em seguida atravessou meu peito pelas costas com seu facão.

Aquela havia sido minha morte. Mas não a dela. Ela ainda estava viva, sofrendo nas mãos dos saqueadores. Mantida viva pelo Maquinista, como uma punição ainda em vida.

Com lágrimas nos olhos. Eu apenas esmurrei a morte, que como fumaça se esvaiu.

Sentada em sua cadeira alta. Ela riu, e disse: "É isso que você deseja? Voltar pra lá? Assistir pessoalmente o que ela vem passando? Tudo bem."

- Não, não quero isso. Quero que você pague. Quero que você seja punido, por trapacear, por brincar com as almas, por condenar inocentes, por agir por vingança e egoísmo, por interferir na vida - Falei com braveza e em entonação, enquanto cerrava meus punhos.

Todos no tribunal riram. Até a lilás ria, alto e de forma degradante.

- Você não é ninguém. Não está em posição de declarar nada - Disseram em um assombroso coro.

- ENTAO ME COLOQUE NA POSIÇÃO E PAREM DE ZOMBAR DE MIM! - Disse enfurecido.

O silêncio foi ensurdecedor, exceto pelo Maquinista que ria mas, parou gradativamente, ao notar seus semelhantes quietos.

Em seguida seguiram murmúrios.

Eles conversavam entre si por alguns minutos, que mais pareceram horas, até que o Maquinista se levantou e gritou: "VOCÊS NÃO PODEM LEVAR ISSO A SÉRIO!"

As risadas voltaram, e agora o verde disse: "Você escolheu o brinquedo, acho divertido mudar os papéis."

Rapidamente o dourado se levantou pela primeira vez, como quem se preparava pra deixar o local, e disse: "Que seja, façamos dele o novo Maquinista."

Rápido assim, simples assim, me declararam o novo Rei do Trem da Morte, ao passo que o antigo sumia aos berros, na mesma fumaça que tanto se transformava.

Com um chapéu que me dava ânsia, ainda mais sabendo de quem ele veio, eu assumi a cadeira. Pequeno diante os demais, mas me sentindo confortável.

A lilás então se virou pra mim e cochichou: 

"Feliz?!"

Desde então, eu sigo guiando esse trem. Os vagões surgem, e eu os ligo com aqueles que eles mais amam. Meu trabalho é ligar os vagões certos, entre pais e filhos, amigos, parentes distantes, ídolos e fãs, eu busco tornar mais fácil se encontrarem.

Assim ninguém precisa sofrer. Descobri até que alguns dos enfurecidos se acalmavam quando eu os colocava perto de pessoas que foram importantes pra eles, exatamente como foi comigo antes. Mas não é uma tarefa fácil. Preciso pesquisar muito, estudar suas vidas, conhecê-los e entendê-los pra conseguir juntar todo mundo.

E, estou assim. Infelizmente, até hoje não a encontrei. O tempo passa diferente no Trem, e talvez pra mim que agora estou em toda parte do tempo, isso seja impossível. Mas... Sinto que ela está bem, e isso me conforta.

Fim

Esse foi o sonho que eu tive.

See yah.

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8 Comentários

  1. Eu, depois de ler o comentário dele lá: Cadê o conto? Tem isso aqui no começo do blog mas deve ser review de algum filme, tipo "carnificina do trem da meia-noite", cadê? Não achei... Pera, vou digitar aqui... E voilà lol!

    Foi mesmo uma história surpreendente, viu? Nossa, pensei em tanta coisa, desde um sonho que tive (que foi também uma história de terror) que pra mim é o sonho mais assustador que já tive também, um jogo de terror que é ruim pra poxa mas que tem uma história assustadora e muito instigante (demonophobia, até visitei e li um wiki em outra língua, traduzi pro inglês, de tanto que a história me intrigou e perturbou) onde a protagonista vai parar no inferno e é forçada a passar por vários "pisos" ou algo assim, e morrendo várias vezes no caminho mas é ajudada por um demônio pequeno e encapuzado... E isso ouvindo uma playlist que o youtube me fez, de músicas tranquilas e às vezes até românticas!

    Bom, meu caro... Que posso dizer? Realmente achei o máximo, este sonho todo e o fato de ter inspirado ou motivado você a postar isto aqui. Sempre costumo dizer que as pessoas são o mais interessante de tudo, mais até do que as obras, embora todos possamos também ser muito difíceis de lidar sim, mas paciência. Desejo sinceramente que você escreva mais e nos presenteie mais com estas histórias também. E sim, é impressão minha ou você ainda está sofrendo com um coração partido? Rsrs é uma coisa muito comum pras pessoas, inclusive pra nós homens, esta situação. Felizmente eu nunca tive algo assim, embora tenha amado também mas não deste jeito, e embora tive amizades muito significativas (parecia coisa de anime) e que infelizmente não acabarem bem, eu aprendi a viver e ser muito feliz diariamente, graças a Deus que sempre demonstra realmente o quê ele pode fazer na vida de alguém.

    Muito legal mesmo, parabéns senhor Shady, e desejo que a dor, caso ainda a sinta, passe logo ou que ao menos se amenize até desaparecer.

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    1. A gente aprende a conviver com as emoções mais profundas. Os sonhos são nosso escape e conforto.

      Obrigado por ter encontrado esse texto e lido, e claro, curtido rs. Me motiva, você sabe.

      As vezes a inspiração vem e o texto flui, mas não sei quando nem como. O tempo é todo incerto.

      Achei a premissa desse jogo que tu citou bem Dantes Inferno, fiquei curioso!!!

      E bem, a vida é assim né, um trem em expansão... em que pessoas vem e vão.

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  2. Elas vão, nós ficamos. Dói mas aprendemos a conviver com a dor até que a ferida se feche, faz parte da vida.

    Mas é claro que eu tinha que encontrar e ler, né? Faço questão de saber tudo que puder sobre as pessoas que gosto muito e admiro, inclusive você.

    Esta frase aí de tudo tão incerto e tal lembra muito a Clarice Lispector, tem uma entrevista que ela deu, se diz que foi a última mas acho que também foi a única, que ela fala inclusive como é esta incerteza quando o assunto é escrever. Já vi a entrevista umas 5 vezes, o sentimento, a sinceridade que ela passa... É quase hipnotizante.

    E por fim, gostaria de compartilhar aqui o texto da introdução do maravilhoso game "downfall" do mesmo criador de The Cat Lady, que inclusive fala de sonhos:

    Em meus sonhos sempre visito esse lugar,
    É um lugar de felicidade, que me lembra minha infância.
    Ninguém pode me alcançar aqui, e nem pode me machucar
    Esse é o campo de batalha em que meus ancestrais morreram com as espadas em suas mãos.
    Esse é meu pilar da realidade
    Traz paz para a minha maldita vida.
    Enquanto sonho, nada de ruim pode me acontecer, pode?

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    1. Uma introdução digna de um conto de terror imersivo. A dúvida em meio a segurança imaginada...

      Falando em The Cat Lady... pode ser que em breve algo relacionado apareça por aqui. Estou numa vibe de cumprir promessas...

      Alias sr Marcio, obrigado por todo esse carinho amigo, difícil ficar pra baixo com pessoas como você dando tanta força e passando essa energia tão positiva.

      Adiante sr!!! Sigamos adiante.

      E obrigado de mais.

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  3. Nossa, muito bom, me prendeu do início ao fim. Interessante como nossas mentes criam umas coisas tão surreais. Pior de tudo, li esse conto inteiro de dentro de um trem, espero realmente que eu não fique aqui pra sempre, se eu morrer e for pra um vagão de trem vou ficar bem triste.
    Espero que continue compartilhando histórias assim, todas que você escreveu até agora me agradaram.

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    1. Isso sim é imersão hein sr Ed, da até um pouco de medo. Já pensou, tu começa a ler, vagão lotado, quando termina e olha pros lados sumiu geral? Imagina o pesadelo kkkkk.

      Dica: Nunca leia isso num trem, de noite.

      Sendo sincero, vejo este como um real pesadelo. Mas a ideia do trem é um inferno para torturar as pessoas. Todos ali eram culpados de alguma forma...

      Torço para que quando eu morrer, eu vá pra um lugar bom e não pra um dos domínios da morte.

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  4. C-A-R-A-L-H-OOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOOO
    Estou sem palavras senhor, de verdade mesmo, seu sonho foi magnifico a sua história melhor dizendo, me deixou perplexo, um verdadeiro filme!

    Eu li ouvindo a minha playlist pra dormir, a imersão foi louca porque acabei imaginando isso tudo ocorrendo (os gráficos dos sonhos não são muito otimizados) então por algum motivo, associei ao filme do Demon Slayer, o Maquinista talvez tenha se enfurecido com você pois o trem era parte dele, então quando você o quebrou, tinha o ferido também, faz sentido ser uma história de vingança, acho que não é todo dia, ano, século, milênio ou era que uma alma desafia a morte, e AINDA GANHA, uau, estou chocado, me prendeu do inicio ao fim!!

    Cara, realmente achei magnifico kkkkkk, to abismado, sua mente é genial Sr. tu deve ter algum tipo de dom pra histórias sei la, isso ai tudo foi criado enquanto tu dormia, pensa que loucooooo

    Acabei me lembrando que em alguma época, eu costumava ter muitos sonhos malucos e descrevia para o sr, em algum artigo que não me recordo, mas me lembrou muito, o sonho não tem inicio mas por algum motivo, tem um fim, isso é louco demais!

    Acho que é até uma metáfora, à vida, pensamos bem, somos os maquinistas do nosso próprio trem da morte, vivemos o tempo todo escolhendo as pessoas que ocuparão cada vagão do trem, e o quão próximos elas estarão de nós nas nossas memórias e devaneios da vida passada, é uma escolha talvez, escolhemos quais vagões serão próximos de nós, e que memórias vislumbraremos por toda eternidade...é um pensamento legal de ter.

    Enfim, belo texto Sr, See yah!!

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    1. Conseguiu tirar bastante deste conto hein sr Wilson!!! Fico feliz.

      Eu me recordo desses comentários, a época em que tu partilhava seus pensamentos e sonhos, era muito louco rs.

      Obrigado pela leitura, e tipo, você sabe que tenho mó vergonha, mas me alegra ver que o texto pelo menos prende a atenção rs. Negócio meio aleatório de postar eu sei, mas algo em mim dizia para fazê-lo.

      E bem, como sempre, me deixando mais feliz ainda!!!!

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