AnimeMorte: Junji Ito - Maniac (Histórias Macabras do Japão)

Foi demorado, mas consegui concluir a difícil e cansativa tarefa de assistir os 12 episódios dessa nova série da Netflix.

Esse é um pôster de promoção da série, que combina o Conto dos Balões, com o de Tomie - Photo, e o do Souichi - Pet.

E olha que são episódios curtíssimos, de menos de 20 minutos, cada um com 2 contos, em uma coletânea antológica de "terror", tudo inspirado nas obras de Junji Ito.

Só fiquei espantado pela péssima qualidade da animação, e mais alguns problemas mas... falarei tudo que achei, e evitarei spoilers.

Boa leitura.

Pra começar, essa não é a primeira adaptação de obras desse artista japonês renomado. Há várias obras, umas bastante famosas, que fizeram muito bem a tarefa de animar seus trabalhos. Talvez a mais famosa de todas seja "Gyo: O Cheiro da Morte", que teve um filme em animação maravilhoso e bem adaptado de um dos muitos contos de Ito.

Também teve a série animada da Crunchyroll, que aliás, foi o que me fez conhecer este artista pra início de conversa.

Na época eu não tinha o hábito de escrever sempre, e assisti sem qualquer compromisso, mas a "Junji Ito Collection" foi uma boa introdução às obras dele. Tanto que me recordo bem de ter buscado o mangá pra ler, e aprendi que haviam várias e várias coletâneas publicadas por ele.

De certa forma, "Junji Ito Maniac" (que ta na Netflix como "Histórias Macabras do Japão") é uma segunda temporada dessa coletânea, usando o mesmo formato (2 curtas por episódio, de 20 minutos cada) e também animado pelo mesmo estúdio (DEEN). Obs.: tem 4 episódios que são formados por 1 conto apenas, então a série tem 20 contos, e 12 episódios.

Mas, a impressão que tive é que a qualidade mudou drasticamente, não nos contos em si, mas em como eles foram apresentados.

Desde a animação, que parece ter sido feita de forma inferior aos trabalhos anteriores, como a condução narrativa, o jeito como desenrolam (e explicam) coisas que no mangá são estáticas, além da trilha sonora, e até a coloração de episódios, tudo isso caiu bastante de qualidade.

O pior no entanto foi a dublagem. No áudio original, as vozes são boas, e cumprem tudo que a série pede, quando pede. Mas na versão brasileira, as vozes ficaram incompatíveis.

Na tentativa de simular trejeitos japoneses, apenas colocaram gritos e berros, além de sons que não condizem em anda com o que visualizamos. Pra piorar, muitos desses barulhos criam incomodo, passando a sensação de que estamos vendo algo forçado e falso.

Fiquei tão incomodado, que simplesmente desisti de assistir dublado e passei a ver apenas com legendas e japonês, e ainda bem que tomei essa decisão a tempo, se não a tortura seria muito maior.

O anime começa do pior jeito possível, adaptando uma das histórias mais fracas do portfólio e que pra piorar, mostra só os defeitos dessa nova leva de adaptações.

Acompanhando uma família insuportável, somos bombardeados por gritos ensurdecedores e animações mal feitas, com pouca movimentação (as vezes com os personagens parados e estáticos) e enquadramentos desajeitados (muitas vezes mostrando o chão, paredes, ou o céu, com as vozes ao fundo).

Ainda por cima a história é péssima, inconclusiva e sem clímax algum. Não assusta, não nos faz pensar, nem nos da vontade de assistir mais. É algo cansativo, tanto que eu jurava que não conseguiria assistir tudo.

Felizmente, seguindo um conceito das histórias do mangaká, os contos vão escalonando do pior pro melhor, e a cada novo episódio vão mostrando algo um pouco mais assustador, e talvez até macabro.

Alguns dos contos eu já havia até lido, e curti como adaptaram. Mas nem tudo foi bom, muitas histórias foram mal interpretadas, cenas foram animadas "errado", e algumas mudanças sutis nas artes em relação ao material original, foram desastrosas, e por mais simples, bastaram pra revoltar.

Junji Ito se destaca não só pelos seus muitos contos originais de terror, mas principalmente por sua arte sombria, repleta de rachuras, e com rostos bastante expressivos, além de microdetalhistas.

Ele se esforça muito pra chocar em uma ou duas cenas, e todo o resto da história é só um pretexto pra chegar nessas imagens perturbadoras. 

Daí na animação, essas cenas perderam seu impacto pelo mal uso de cores, ou por algum detalhamento equivocado, destacando coisas que não deveriam.

A família inicial mesmo. é bem mais assustadora na arte original. E a adição de detalhes, ou exagero destes, só tornou tudo muito escrachado. Os olhos aliás, os olhos foram a pior adaptação artística. 

Exageraram no tom, colorindo com roxo o que era só pra ser um sombreado, e abriam muito os olhos brancos fechados da menininha mais chata, o que só tornou ela ainda mais esquisita.

Daí soma isso com a péssima dublagem e é difícil de engolir. 

Mas, a história em si é a mesma (todas são as mesmas), só o jeito como contam e o que decidem animar (e como decidem) é o que tornou elas "piores".

Há sim algumas mudanças, não só em falas mas cenas inteiras (tipo o final dessa mesma história da família, onde adicionam um trecho onde a irmã do meio corre junto com todos, quando na verdade ela não faz parte da cena), e por mais que pareça uma boa ideia, isso também compromete o trabalho original, pois descarta por exemplo a possibilidade de "interpretações lógicas".

Lendo, eu fiquei pensando sobre onde a moça estaria, e o que era aquele fantasma. Mas assistindo, só pareceu um desfecho corrido pra algo mal contado.

Se eu fosse analisar e comparar episódio por episódio, desperdiçaria muito tempo, pois não compensa em nada isso.

Por mais que tenham falhas na adaptação, há alguns acertos triunfantes, como a coloração de um dos episódios.

Nele é contada uma história em duas linhas do tempo, uma na infância de um personagem, e uma na fase adulta. Na parte da infância, as cores tem uma saturação bem forte e são vibrantes, chegam até a machucar os olhos de tão fortes.

Mas na fase adulta retomam o tom padrão, com tudo mais claro e frio.

Isso é algo que no mangá não pôde ser feito (até porque o mangá é preto e branco), mas na animação funcionou bem pra comunicar algo (a diferença da fase infantil pra adulta, tanto fisicamente quanto psicologicamente).

O uso de músicas bem elaboradas, e certos sons específicos, também melhorou alguns contos. Por exemplo, o conto do "sussurro", nele tem um barulho de sussurro constante no terceiro ato, e isso só tornou tudo muito mais assustador.

Tem momentos em que não fizeram uma boa escolha também, tipo na história de Tomie, onde adicionam uma ópera na parte final, quando era só pra destacar a risada macabra dela.

Aliás, falando dela, tanto Tomie quanto o garoto dos pregos (Souichi) retornam pra mais participações nas coletâneas.

Ambos são personagens recorrentes de Ito pois ele fez livros inteiros com eles, repletos de contos onde são protagonistas.

Tomie é uma garota imortal que tem "faces" estranhas, e nunca pode ser fotografada. Ela inclusive lembra pra caramba a Nano de "A Garota de Fora" mas, não é nem de longe a mesma coisa.

Ela protagoniza contos antológicos escolares, mas também os antagoniza, e nunca é realmente inocente (tirando seu conto inicial). Ela também não busca ensinar ninguém, nem trazer justiça ou algo do tipo, ela só é má, e tem seus objetivos próprios e certo prazer em atormentar os outros.

Seus contos sempre envolvem mortes, sangue, e são perturbadores, puxando pro lado grotesco.

Agora, no caso de Souichi, ele é o lado humorístico sombrio de Ito. Seus contos são pura comédia, com um pé no terror.

O personagem é um garoto que chupa pregos (pra suprir a falta de ferro no sangue) e é fascinado por maldições. Ele já foi introduzido na Collection, e nem é explicado aqui, mas no geral, ele não é mal, apenas muito mimado e vingativo.

Mas ele não mata, nem causa situações mortais. No máximo pode ferir as pessoas mas, nunca suja as mãos, e vai através de indução pregando pegadinhas, ou rogando pragas bobas. No fim geralmente ele sempre se dá mal.

Na grade de personagens de Ito há muitos outros, alguns aparecem só pra dar uma palhinha de quem são, e não necessariamente fazem parte do episódio, mas sempre da pra sacar quem é importante ou não pelas aparências grotescas.

Também há muitos personagens que só pertencem aos contos isoladamente e não se repetem, mas isso pouco importa na verdade. Como tudo sempre se resolve no final, cada conto se basta e não precisa se conectar um ao outro.

Algo que o diretor dessas series parece não entender, e aqui tenta fazer parecer que os contos se conectam. Em alguns episódios ele inclui referências a outros contos, sem necessidade alguma disso.

Por exemplo, ele destaca uma entrevista numa televisão, que mostra um personagem que morreria num episódio posterior. Mas, nenhuma das histórias tem qualquer ligação (e vale até dizer que são em universos diferentes).

Como Junji Ito sempre aborda temas dos mais fantasiosos possíveis, é difícil crer que tudo que ele conta se passa num mesmo mundo. As vezes ele inclui sim personagens seus em participações especiais, uns nas histórias dos outros, mas tudo é muito limitado aos eventos de cada história.

Infelizmente, tem contos que deixam pontas soltas e ficam em aberto por pertencerem a coletâneas próprias, e aqui, não tiveram um bom tato pra lidar com tais histórias.

Algumas parecem não terminar, parando bruscamente sem uma conclusão. E, por mais que coloquem aquele clichê do corte da câmera no último momento, dando a impressão de que nós temos de terminar de imaginar pra concluir, na verdade só não mostraram a continuação mesmo.

Na dúvida, se você não entendeu o final de algum episódio, ou ficou confuso com a história, veja o mangá respectivo, pois nele ela é contada corretamente.

Na série, alguns contos foram mal dirigidos, e enfatizaram partes que não deviam (o do mofo se perde por exemplo, apesar de terminar bem, pois segue o mesmo final) mas em sua maioria, pelo menos seguiram as ideias originais, sem grandes mudanças.

Agora bora falar dos 12 episódios, mas tudo que farei mesmo é dizer onde se basearam.

Episódio 1 - "The Strange Hikizuri Siblings" 

Esse episódio é o pior de todos, e ainda por cima é o primeiro da série, e o primeiro que não divide espaço com outro episódio. Desenhado estranho, dublagem péssima, mas já falei tanto dele que nem vou me estender mais.


Aliás, o título que citarei das histórias é o nome original das obras viu. Todas elas podem ser encontradas nas coletâneas de Junji Ito (principalmente nos 16 volumes de Horror World of Junji Ito) e tem as histórias de Tomie e Souichi, todas pertencentes aos volumes individuais desses personagens. E não há contos originais.

Episódio 2 - "The Story of the Mysterious Tunnel" "Ice Cream Bus"

O segundo episódio já vem com duas histórias, a primeira é meio confusa, e envolve um túnel de trem abandonado, e fantasmas "Raio X". 

Mas é melhor, tem violência inclusive, e algumas cenas bem adaptadas (uma delas me lembrou Corpse Party). Usa um pouco de arte 3D em carros, mas no geral é bem montado.

Infelizmente ele erra ao mudar o desfecho. Na obra original, havia um pouco mais de história depois do que ocorre nele, e isso conclui melhor ainda a trama (aqui fica muito cru).

A segunda conta sobre um ônibus muito errado, que leva a criançada pra tomar sorvete em passeios duvidosos. Daí um pai nota que isso é estranho, mas nem tem chance de agir, e tudo vira uma lambança.

É um episódio bom, mas também mal dirigido. substituíram algumas cenas, que ilustram muito melhor a grande reviravolta, por coisas bobas pra amarrar com o episódio seguinte.

Mas, sua conclusão é mais interessante, ainda mais pela música que toca no fim. Chega a ser complementar ao que havia no mangá.

Episódio 3 -  "Hanging Balloon"

Esse terceiro episódio também é uma história sozinha, e fala sobre Cabeças Balão que vieram buscar seus respectivos donos. Baita história inclusive, uma das melhores, tanto em narrativa quanto em terror.

Tem ótimas cenas, e da medo, além de nos fazer pensar. Usa muita arte 3D nos balões, e isso da um aspecto mais bruto pra eles, o que é ainda melhor.

A narrativa é fragmentada com flashfowards da protagonista já em seu quarto. Isso é uma boa adaptação do que é feito no mangá (que começa com ela no quarto mas, depois só mostra o caminho até voltar lá). 

Episódio 4 - "Four x Four Walls" e "Den of the Sleep Demon"

A primeira história é o retorno de Souichi e suas travessuras, agora importunando o irmão.

É só mais uma história do garoto dos pregos mesmo, e é exatamente a mesma coisa do mangá (incluindo a participação especial do cara estranho, que não... não é ninguém importante, apenas uma referência a outro conto do Souichi).

A segunda é brutal, e é a história de um cara que foge de seus sonhos.

Não posso falar mais dele, mas é tão bom quanto o original, mas o adapta com excelência.

Episódio 5 - "Trespassers" e "Long Hair in the Attic"

O primeiro conto é uma história um pouco confusa, sobre jovens xeretas que importunam um cara, fazendo barulho na casa dele. Se eu disser mais, seria muito spoiler.

É boa, fala sobre universos alternativos, mas tem um porém... ela usa o início de outra história, que usa o mesmo protagonista, e faz parte do volume "Hallucinations" de Junji Ito. A história em si é a de "Intruder", o 4° conto desse volume, mas ela começa mostrando uma cena completamente diferente, do 1° conto desse mesmo volume "Hallucinations".

Se você ficou sem entender, é por isso. O conto Halluscinations fala de "pessoas com membros alongados"... sendo bastante diferente dessa. Mas as duas acabam compartilhando o mesmo protagonista, e também tem momentos com "Pás" no terreno dele, mesmo que uma coisa não tenha conexão com a outra de fato.

O segundo conto é muito bem adaptado e, ele muda o final, sendo até mais conclusivo que no mangá.

Ele fala de uma moça com cabelos longos que, após ser chutada pelo namorado, se torna vingativa por assim dizer, principalmente por suas madeixas.

Esse conto é intrigante pois, faz bom uso da mídia áudio visual pra transmitir seu terror. Os sons do cabelo rangendo, deixam tudo bem assustador.

O final do episódio é muito diferente do mangá, e faz até mais sentido, com os cabelos indo atrás da vítima certa.

No mangá, tudo só assombra mesmo, e é uma sujeira.

Episódio 6 - "Mold" e "Library Vision"

O primeiro é o único conto em preto e branco, mas isso não resgata os traços de Ito. Na verdade isso é um ponto negativo, pois a coloração seria mais interessante ainda pra destacar o mofo.

Basicamente, um cara aluga a casa pra uma família pobre, e seus anseios preconceituosos acabam ganhando forma física, mofando geral.

O segundo foi a pior adaptação de todas, apesar de ser até que interessante. Jesus, mudaram tudo, sendo que nem era tão complexo assim.

É a história de um cara que tinha uma biblioteca e uma esposa, mas dava muito mais importância pros livros, daí começa a alucinar até que, pira na batatinha.

O fim do episódio é confuso de mais, e da a entender que a esposa dele era a personificação de um de seus livros, e que ele fazia 3 livros específicos se personificarem. Um bom, que depois que decorou parou de existir, um ruim, que teve de decorar pra se livrar da assombração, e sua esposa, que descobre só no fim mesmo.

Daí ele vai pro hospital, envelhece e pira. Beleza...

No mangá... ele tinha alucinações por causa dos livros e jurava ver um cara de um desses livros em sua casa. No fim... ele se mata, e sua esposa é a única que sobrevive. 

Daí é revelado que o cara que ele via era um maluco de um hospital mesmo.

Episódio 7 -  "Street of Gravestones"

Este também é isolado, sendo apenas este conto no episódio. Mostra a trágica história de dois irmãos, que ao passarem por um acidente de transito, descobrem uma cidade cheia de lápides irregulares, e precisam dar um jeito de se livrar da culpa.

O conto é ótimo, vale mais a pena assistir, e é exatamente igual ao mangá (sem tirar nem por).

Episódio 8 - "Layers of Terror" "The Thing that Drifted Ashore"

O primeiro é exatamente como a versão em mangá, e conta a história de uma mãe que descobre que sua filha tem "muitas camadas". 

Se falar mais meio que é spoiler, e o episódio é perfeito, inclusive com seu desfecho, equivalente porém melhor trabalhado.

O segundo conto é rápido e curto, mostrando um peixe gigante, esquisito, que dentro tem pessoas transparentes parasitando-o.

É isso, nem tentaram fazer diferente do mangá, em ambos a história é fraca, pois só mostra mesmo um pessoal dissecando o peixe enorme e soltando as pessoas de dentro, que nada fazem, só se arrastam, e fica por isso mesmo.

Episódio 9-  "Tomie - Photo"

Esse é o último episódio com conto único, e é também o único da Tomie. Mas mudaram a aparência dela (quase irreconhecível, só pelo volume do cabelo), e é nesse episódio que interpretam errado a risada dela no fim.

A história é ela sendo fotografada por uma colega na escola, que revela sua real aparência pros demais colegas, e ela não gosta. É isso.

Episódio 10 - “Unendurable Labyrinth” e “The Bully”

O primeiro eu havia lido antes, e ficou bem parecido, e bem adaptado. É a história de duas garotas que, em viagem por uma montanha, encontram uns monges estranhos, e descobrem um ritual de mumificação num labirinto que não suportam ver.

O segundo é aquele conto da menina no passado e no presente, que as cores ficam diferentes. O mangá era preto e branco, e a versão animada não muda nada da história, mas ele a melhora por esse sutil elemento de cores.

É a história de uma garota que torturava um menino menor que ela, só de sacanagem. Ai quando cresce se apaixona, casa, tem um filho, e não muda nada o jeito de ser.

Episódio 11 - "Alley” e “Headless Statue”

O primeiro é exatamente como no mangá, contando a história de um rapaz, que se hospeda num quarto ao lado de um beco fechado, e descobre algo fantasmagórico lá.

O segundo é como no mangá também, é a história de alguns estudantes que se deparam com arte moderna, com algumas peças faltando, e precisam literalmente, botar a cabeça pra funcionar.

Episódio 12 - “Whispering Woman” e “Souichi’s Beloved Pet”

Por fim, temos o primeiro que é quase uma adaptação fiel mas, muda alguns eventos de ordem, que prejudicam um pouquinho a interpretação.

É que ele é o conto de uma moça contratada pra cuidar de uma mocinha problemática, que não sabe fazer nada sem ser direcionada. Então a moça vive sussurrando em seus ouvidos o que fazer, sem nunca sair de perto dela.

Porém, em uma parte do episódio, a verdadeira natureza da mulher é revelada. O problema é que, no mangá, isso vem de um jeito que deixa claro que ela sempre foi uma "ameaça", enquanto no anime, fica a impressão que ao longo do processo, ela acabou virando a tal "ameaça".

Independente da ordem em que isso é revelado, funciona bem, e o anime ainda tem o mérito dos sussurros.

O segundo conto é o desfecho, com mais uma história do Souichi, agora com seu novo bichinho de estimação.

Não há nada de mais nela, só mais comédia em cima do garoto bizarro e azarão.

Conto Extra

No final de todos os episódios, um narrador faz referências vagas ao que virá no próximo.

Isso se mantém até o último, onde pela referência, seria uma história da família esquisita sem cabeça.

Essa mesma ideia foi insinuada em um dos pôsteres, mas eu não achei nenhum conto onde essa família perde a cabeça (e duvido muito que Junji iria escrever e ilustrar um conto exclusivo pra série).

Outra coisa que preciso dizer é que... a abertura é péssima!

A música é agitada de mais, e enfatiza muito Tomie, mesmo nem sendo a mesma que vemos na própria série.

A música do encerramento porém é melhor, incomoda mas combina, principalmente com o encerramento em si, que mostra o chupador de pregos e sua família, interagindo com um televisor, que mostra os episódios que passaram até então.

Ela gruda na mente... e isso é bom afinal, é o propósito desses contos macabros: nos marcar.

Terminando...

Bem, essa série não é uma obra prima, e erra muito na arte, mas como deu pra notar, ela começa a se tornar cada vez mais parecida com o material base.

Infelizmente, a arte em momento algum conseguiu ser boa. Nada supera o estilo Ito, e talvez, se tivessem se esforçado mais pra manter os traços dele, as coisas teriam sido melhores.

Como terror, "Junji Ito - Maniac" não é nada bom. Mas como uma série "esquisita e desconfortável" ela é triunfante.

To torcendo agora pra que a adaptação de "Uzumaki" seja mais artística e fiel ao original, tipo o que Gyo fez.

Essa outra série se inspirará nos contos antológicos do one shot de mesmo nome, que traz várias histórias de terror relacionadas a Espirais, em um vilarejo bem bizarro. Felizmente, ela será animada pela Production I.G... e pelos trailers e posteres de divulgação, buscará ser mais fiel aos traços (se mantendo por exemplo em preto e branco, e usando as tais rachuras).

O jeito é aguardar.

Agora sobre essa "segunda temporada" de Junji Ito, bem... assista, mas não espere nada de mais.

É isso.

See yah!

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8 Comentários

  1. Como um grande admirador dos trabalhos de Junji Ito (e colecionador também já que tenho vários mangás de sua autoria em minha coleção kkk), eu fiquei curioso para assistir o anime (e só agora descobri que tem uma versão diferente na crunchyroll), e assim... eu não gostei muito, tem a história dos balões e do labirinto das múmias que eu gosto bastante, mas, em si achei bem fraquinha... realmente como você diz, como série de terror passa longe, é mais como algo exótico de se ver mesmo... sempre apreciei os trabalhos de junji ito por colocar um sentimento de desconforto e terror com o que vai aparecer em sequência e mesmo não conhecendo alguns dos contos aí, nada me surpreendeu... tem um ou outro ponto que você destacou nas obras que realmente superam o mangá... mas em geral, faltou um pouco de capricho para colocar mais sentimento nos capítulos...

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    1. Disse absolutamente tudo sr Sieg!

      Poxa, não sabia que curtia tanto Ito. Espero que eu tenha sido justo no artigo rs.

      Aliás, a versão da Crunchyholl é interessante. Tem falhas, e se não me engano não tem dublagem, mas os contos dela são mais interessantes.

      Recomendo que assista também, perceberá que é exatamente o mesmo formato, então essa meio que é a segunda temporada, só disponibilizada em outra plataforma.

      Agora, torcendo mesmo pra capricharem em Uzumaki.

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    2. Bom, eu não ligo muito para dublagem, ultimamente estou assistindo tudo em espanhol kkk

      Essa da crunchyroll vou dar uma olhada ainda...

      Quanto a uzumaki... espero o mesmo, é uma das obras de maior (senão a maior mesmo) sucesso do autor...

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    3. Treinando espanhol sr? Boa.

      Quando vir não esquece de falar o que achou hein! Eu também to devendo um texto sobre ela.

      Mas, acho que agora falo só quando Uzumaki sair mesmo.

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  2. Descobri teu blog por uma review de Tomb Raider de 2013 e achei incrível o detalhamento que tu dá em todos teus posts. Pretendo continuar acompanhando, raro ver blogs ainda vivos.

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    1. Obrigado! Fico feliz por ter encontrado o DM, e ter curtido.

      Me assusta o fato de não terem mais tantos blogs... na verdade começo a me achar cada vez mais obsoleto. Espero que isso não envelheça mal né =/.

      Gosto bastante de escrever assim, me faz lembrar a época das revistas de games, que sempre quis fazer parte. Ela se tornaram bem obsoletas e mesmo ainda existindo, são iguais jornais impressos...

      Mas, enquanto tiver gente pra ler, e enquanto não descontinuarem a plataforma, me manterei firme e forte por aqui. E... um dia... caso aconteça, farei questão de migrar tudo pra outra plataforma rs.

      Em todo caso, obrigado pelo por ter encontrado e gostado, e agradeço também sua leitura e comentários, isso me ajuda muito, me motivando.

      Seja bem vindo e see yah

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  3. Queria saber onde posso encontrar cada conto pra mim poder ler

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    1. Enquanto digitava precisei buscar em várias fontes. Mas, existem sites com bons acervos de histórias do Ito, como o YesMangas.

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