SérieMorte: She-Hulk - É MELHOR QUE DEADPOOL

De início, eu até que achei bem interessante, dai comecei a empurrar com a barriga, até chegar no episódio 6 e querer parar, mas aguentei firme e fui até o 9° e último... e me surpreendi com o resultado.

Não tem tantos spoilers, eu não conto detalhes específicos nem nada, mas já adianto que certas coisas citarei devido minha empolgação.

Boa leitura!

Como a série funciona?

O tema dessa série é Comédia, pura comédia, com teor investigativo de tribunal, estilo séries como Law&Order, só que muito mais puxado pro humor (um humor as vezes bem fraquinho), com casos completos mas não tão complexos, e se destacando pelos criminosos e julgados serem super-humanos.

Pontos normalmente questionáveis ficam de lado: Como a magia funciona? Não importa é magia. Como a ciência funciona? Não importa é ciência. Essas explicações são esnobadas para que possamos só curtir um monte de besteiras em situações que dependem desses elementos.

Física se aplica apenas quando convencional, e pouco importa. A série faz tão pouco caso disso que em alguns momentos, a roupa da Hulk nem rasga quando estica, e mesmo isso fazendo parte da narrativa, a longo prazo aprendemos apenas a ignorar.

Os resultados dos julgamentos são sempre facilitados por eventualidades, mas ao menos são conexos, onde alguns elementos de episódios anteriores acabam trazendo as respostas que os personagens precisam pra vencer. Mas ainda assim, isso não é tudo...

Apesar do episódio 6 estragar a série, não sendo nada substancial, ele adiciona uma pequena parte bem importante num âmbito geral: A fragilidade da Jen.

A protagonista não tem dupla personalidade como seu primo (o Bruce Banner, o Hulk... que eu nem lembrava que tinha família), mas ela acaba sentindo ciúmes de si mesma, após passar por situações muito diferentes dependendo de qual corpo assume. E mesmo observando isso em todos os episódios, é através da galhofada do 6°, que conseguimos compreender profundamente a personagem (mesmo tendo muita vergonha disso).

Algo deveras interessante, mesmo a história em si não sendo das mais divertidas, ela consegue mostrar bem a dualidade da personagem mediante aos desafios que a vida passa a proporcionar.

Engraçado que, no caso do Hulk, os problemas sempre são sobre a forma como a sociedade lida com ele e suas formas, seja cientista, seja monstro, ele sempre é julgado e chega a alertar a prima.

Mas com Jen, tudo é diferente pois a princípio, sua Hulk não causa medo, ela é bela, formosa, e chamativa. Ela na verdade é mais atraente que ela própria em forma humana, e isso a série consegue explorar muito bem.

De um jeito subvertido, a série aproveita conceitos de uma Comédia Dramática de Advocacia, com mulheres no elenco principal, pra nos confundir de leve, fazendo parecer uma série bobinha de humor e piadas leves.

Mas aos poucos ela toma um tom mais sério, não no formato convencional, mas num formato sutil e psicológico, sempre regado e disfarçado por humor.

Mesmo em muitos momentos soando forçada, com frases que parecem feministas e ainda por cima empurradas de um jeito gratuito, na verdade, a série sabe muito bem o que ta fazendo e essas mensagens não são ao acaso, muito menos pra "causar".

São frases sérias que tem seu sentido amplamente reforçado nos episódios finais, onde o tom abobalhado é posto de lado, provisoriamente.

A fórmula Marvel atual já passou de ultrapassada e tornou-se previsível. Vai ter humor, vai ter desconstrução de personagens, e por fim tudo sempre caminhará pra conclusão mais óbvia e positiva possível... e sabe o que é hilário? É justamente sobre isso que "She-Hulk" fala (além da própria She-Hulk é claro).

Mais uma vez pegaram um "vilão" e transformaram num idiota, ou apenas o transformaram mesmo. O "Abominável" visto em "Incrível Hulk", quem lá era um militar que achava ser capaz de derrotar Hulk, e sedento por isso, agora apenas virou um guru de retiro que, ajuda super-heróis a se reabilitarem.

Ele parece até o Inri Cristo (queria tar zoando) com concubinas (suas "Almas Gêmeas") e tudo mais. O pior é que, o personagem não ficou ruim, ta bem atuado e é aceitável, mas é exatamente a mesma mudança que fizeram no falso Mandarim, ou no Thanos pós blip, ou no Kang de Loki (o próprio Loki também), ou no Barão Zemo (ele virou um bobão também na série do Falcão). Os vilões apenas viram... idiotas, não importa o tipo de ameaça.

Mas claro, algo que incomoda foi a troca de personalidade dele. Ele era militar e se tornou um guru sábio e pacifista... nem chega a se comparar com o que ele foi no filme do Hulk. Sua forma monstruosa ainda por cima, tá em total controle, até mais que o próprio Hulk! Queria entender isso... mas se pensar de mais, as coisas simplesmente vão muito fundo e é difícil voltar, então: Desligando o Cérebro em 3...2...1... gostei do efeito especial dele em forma de monstro hein.

A série tem alguns pontos sutis mas incrivelmente fortes, que nos ajudam a desligar a mente e tentar curtir, como o fato da protagonista saber que tá numa estória pastelona. E confia, esses pontos são pra nos ensinar como assisti-la, quase como um guia, para que possamos realmente aproveita-la.

Os Poderes da She-Hulk

She-Hulk tem um poder que o Hulk não tem: Ela quebra a Quarta Parede.

Ela sabe que está num programa, sabe que é personagem de uma história, sabe que está sendo assistida e até sabe quem somos nós, constantemente se voltando pra gente e comentando sobre o que ela está passando.

Essa "super consciência" dela apenas converte ela em nossa guia, e não somente nossa representante na trama. Uma vez que ela sabe que está sendo acompanhada, ela nos explica o que ocorre, e até age como expectadora de sua própria vida, que como nós, reage.

Claro que ela não sabe, por exemplo, de coisas mostradas em cenas das quais ela não participa diretamente. Como em momentos nos quais ela está adormecida, liberando assim surpresas pra ela. Mas, no resto, ela é como nós.

E isso só torna a experiência ainda mais interessante. Por mais ridículo que um episódio possa ser, acredite... tudo tem significado e relevância.

Tudo em She-Hulk tem um motivo pra acontecer e ser mostrado, sejam os relacionamentos dela, sejam os micos que ela paga, os casos que ela defende, as vitórias e derrotas, a roupa que ela veste, as escolhas que ela faz, tudo.

Talvez a única coisa que não entendi foi a escolha de design da personagem. É que, talvez funcionaria muito melhor se tivessem escolhido uma atriz alta e musculosa, com maquiagem verde, pra interpretar sua versão Hulk, do que um CGI fraco que sempre que surge, nos da desgosto de olhar... 

Até porque, a forma Hulk dela em nada se parece com a Jen, e de fato soa como outra atriz (mesmo que tenham feito captura de movimento ou sei lá). E isso faz parte do enredo viu, pois tomar uma forma física mais avantajada é algo abordado na trama diretamente. 

Se bem que, a série também chega a fazer a transformação usando efeitos práticos... e certo... tirando o alto tom de deboche nostálgico, talvez a opção digital ruim foi realmente melhor.

Compensa assistir?

Mesmo tendo odiado algumas escolhas que fizeram no percurso, o destino é satisfatório de forma tão sublime e histórica, que eu não consigo mais olhar pras obras Marvel/Disney do mesmo jeito.

O final, bem, o final é simplesmente a coisa mais épica que já vi em uma série relativamente ruim.

Ela se assume como ruim, inclusive faz questão de mudar em tempo real o que assistimos, fazendo um uso perfeito dos poder exclusivo da She-Hulk.

A quebra da quarta parede aqui é o desfecho, pois com isso ela simplesmente oblitera a parede do universo e apenas migra pro nosso mundo.

Sinceramente não sei se nas histórias da She-Hulk ela já havia pulado pra outro universo rompendo a quarta parede, mas eu vi isso nos quadrinhos de Deadpool, e eu não imaginei que isso seria adaptado de forma cinematográfica.

Ele encontrar e matar os diretores dos quadrinhos era o ápice do nosense, daí vem a She-Hulk e faz algo parecido! Eu fiquei pasmo.

De fato, a série consegue concluir de um jeito inesperado e empolgante, e nos faz voltar a enxergar essas histórias como o que realmente são, histórias (sem que fiquemos incomodados com continuidades mal feitas ou efeitos especiais ruins).

Pela primeira vez, eu sou grato por uma série ter sido ruim, propositalmente ou não, pois através dessa ruindade ela soube e pôde nos trazer os sentimentos originais de um belo espetáculo.

Só pra constar, eu gosto muito de Deadpool, mas nesse caso, She-Hulk soube aproveitar de forma muito mais descarada, o poder de Quebra da Quarta Parede.

Só espero que em Deadpool 3 eles façam algo ainda mais ousado, pois virou competição já.

Outra coisa... o Demolidor ta na série, e é o Demolidor que apareceu la no filme do Homem Aranha, e também é claro, o que teve sua própria Série na Netflix (antes da Disney assumir o barco). Ele teve algumas mudanças, mas usaram o mesmo ator, e ele ta muito bom (fazendo inclusive uma parte importante da história de She-Hulk, tornando-se indispensável só pra constar).

Engraçado que eu nunca vi a série (me julgue) e eu só conhecia aquele filme que o ator de Batman tinha interpretado... mas ai fui ver um pouco e notei que é bem mais sangrenta do que eu imaginava que seria.

Sua participação e implementação aqui, está tanto pelo lado advogado quanto pelo lado heroico... e mesmo não tendo sangue ou violência, ele consegue ser muito bem encaixado e faz jus a participação.

Também temos o Wong de Doutor Estranho, que aqui tem mais importância e aparições que nos dois filmes do doutor, juntos. E confesso, gostei disso.

Enfim, também tem muitas participações especiais, todas puxadas para nos prender. Algumas eu nem entendi, mas o que importa é que da muito pra curtir.

Tem até o filho do Hulk... bem no finalzinho... ou seja, ela pode ser toda boba, e com "mirabolâncias reviravólticas", mas o potencial canônico desta série é gigantesco.

E por incrível que pareça... compensa assistir. Só tente ser paciente e ignore relevância.

Ps.: Kevin Feige no universo Marvel existe e é tecnicamente um robô... isso é épico.

É isso.

See yah!

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14 Comentários

  1. Eu não dava nada, mas fiquei até curiosa pra assistir

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    1. Se assistir me diz o que achou... quero ver se viajei muito nas ideias.

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  2. Grande shady. Eu não consegui passar do primeiro episódio. Que episódio horrível. E depois pelos reviews que vi só piora rs. Mas respeito vc ter gostado, porém realmente não é para mim.

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    1. Não te julgo sr Ivan, essa série é difícil de aguentar. Mas considerei um desafio válido pelo desfecho, que meio que nos dá algumas dicas de como aturar o UCM atual da Disney (desligando nosso cérebro).

      Eu mesmo nem acredito que fui até o fim, e digo mais, tenho pena de quem assistiu semanalmente. No entanto, a tortura recompensa com um final decente.

      Sabe o pior? Essa série não funciona se você pegar apenas o primeiro episódio, pular a encheção de linguiça, e ir direto pro último. A construção dela necessita que a gente sofra, cada parte da tortura é essencial pra que o desfecho nos agrade. Eu recomendaria que visse os dois últimos episódios, pelo menos pra matar a curiosidade, mas sei lá, acho que não faria efeito sem a parte ruim.

      De toda forma sr, eu agradeço pela leitura, e pelo apoio, e compactuo com sua sensação ao assistir. Cheguei a mandar mensagem pedindo socorro pra amigos de tão ruim que a série tava... por pouco achei que tinha desperdiçado umas 4 ou 5 horas da minha vida... mas só desperdicei umas 3 mesmo...

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  3. Segui seu conselho e assisti os dois últimos episódios: acho que assistir o filme filme da Xuxa seria tortura menor. Estou em transe tentando imaginar como você gostou disso rs. Sério, estou bugado.

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    1. Kkkk, nessas horas sinto que meu senso crítico tá um pouco deturpado.

      Mas obrigado por ter tentado, sério, isso me deixou feliz. E desculpa por isso, não sei bem o que me deu mas, eu realmente gostei kk... mas eu também sei que é ruim.

      Acho que meus padrões caíram muito depois de Resident Evil... preciso religar meu cérebro kkk.

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    2. Vc tem q parar com essas brisas sua

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  4. Que merda...



















    To zuando kkkkk mano tem o Abobinavel kkk q daora, e com o mesmo ator.

    Mas claro q n irei ve mesmo assim, ce so pode ta brincando comigo.


    That's All Folks!

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    1. Se tu espremer bem tem coisa legal, mas precisa de um esforço danado.

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  5. Eu até queria ver mas a cena da she hulk rebolando no escritório (ou sla, o meme no caso) me deixou com um pé atrás kkkkkk

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    1. Fica suave que tem coisa pior! Eu não sei como gostei dessa série mas eu genuinamente gostei! MAS EU SEI QUE ELA É TERRIVEL!!!

      Sério sr Wilson, a coisa foi longe aqui, mas meio que aprendi que, não da mais pra levar nada da marvel/disney a sério.

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  6. E quando eu penso que nada poderia ser pior que a série Gaviã(o) Arqueira(o) ou Miss Marvel, me lançam essa patacoada.
    E sabe o que é pior? A Disney pode fabricar a porcaria genérica que quiser, que sempre vai ter fã pra passar o pano. É como me falaram outro dia: "A Disney é como um cachorrinho fofo que faz cocô em uma grama artificial e todo mundo acha uma gracinha. Não importa o quão grande e fedida é a merda que faz, todos olharão e baterão palminhas."

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    1. Exato! Eu já aprendi a assistir as obras Disney, só desligar o cérebro e esquecer qualquer senso crítico. Tudo vira ouro assim.

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Obrigado de mais por comentar, isso me estimula a continuar.

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