AnimeMorte: Ousama Ranking (Ranking of Kings) Parte 1

Quando meu irmão me recomendou este anime eu torci meu nariz pra animação diferente e fofinha, e pra ideia aparentemente infantil de mais: Um príncipe bem pequeno querendo ser o maior rei do mundo, num ranking de reis (daí o nome).


Porém, ao assistir o primeiro episódio, praticamente obrigado, mal notei quando havia chegado no 8°. Eu maratonei tudo sem me dar conta, de tão agradável que era, e me decepcionei ao ver que ainda faltavam episódios pra serem lançados.

Sem spoilers... confia.

Boa leitura.

Quando comecei a assistir, foi a versão dublada, e logo pulei pra legendada pois estava alguns episódios a frente, e mesmo assim, fiquei ansioso por mais, aguardando cada novo lançamento.


No momento em que escrevo, ainda está no episódio 11 e, eu pretendo assistir até o fim (diferente de certos animes sem coração... to you eternity...), pois pensa numa história que nos prende.

Ele não é um anime "fofo" como sua aparência sugere, e nem é dramático de um jeito enjoativo. Ele também não é perturbador ou bizarro, nem tem qualquer surpresa desagradável ou impactante. Não, nada disso... ele é apenas uma história muito bem contada e desenvolvida, com muitos mistérios que vão se resolvendo pouco a pouco de uma forma muito intrigante, e que anima, entristece, surpreende, empolga, e entretém. 


Fiquei espantado com a forma como cada personagem é trabalhado... eles não tem uma personalidade distinta, nem são facilmente explicáveis ou interpretáveis. São personagens com múltiplas vertentes, ideias, objetivos e facetas. Tanto que, a obra não tem necessariamente vilões e heróis, nem mesmo antagonistas por assim dizer.

Ela tem são personagens bastante humanizados com erros, acertos, decisões e obrigações que, fazem deles bons ou ruins dependente da ocasião, o que muda constantemente.


O único personagem que é na maioria do tempo um herói, e tem sua jornada de herói assumida, é o protagonista (e de certa forma seu aliado principal), que acaba não tendo muita voz diante o enredo e as vezes nem chega a aparecer, mas sempre é o foco de todas as decisões, em toda a narrativa.

E, eu sei, falar que ele não tem "voz" é uma terminologia ocasional porém ingrata, considerando que o protagonista é mudo e surdo.


Outro ponto que me surpreendeu. Conseguem desenvolver e transmitir inúmeras emoções e pensamentos, de um personagem que nem sequer fala, ou entende o que os outros falam!

E nem pense que há a conveniência de permitir que vejamos ou escutemos seus pensamentos, nada disso. Tudo o que temos acesso desse personagem são suas ações, expressões, e sons que faz quando tenta falar algo.


Ele até chega a se comunicar com sinais, mas o anime não os traduz, não quando partem dele. Alguns personagens acabam respondendo a ele com sinais e nesse caso, ou eles falam ao mesmo tempo, ou surgem as respectivas legendas. Mas o protagonista não, ele sempre se resume a suas expressões, o que só deixa tudo ainda mais imersivo, e genial.

Pois é, ele é um jovem garotinho de uns 8 anos ou menos que, além de inocente e ingênuo, ainda é deficiente, e mesmo assim, tem seu sonho de ser o maior Rei de todos, que pra muitos é uma piada.


O que o motiva a isso, não é poder, superação, vingança, ou mero desejo. Ele quer ser Rei como seu pai, e um exemplo pra todos, além de ter uma preocupação genuína por seu reinado. Ao menos é isso que ele transmite.

No entanto, todos que o cercam parecem conspirar contra ele. Repito que depende do momento, mas todo mundo parece ter algo contra o rapazinho e, tenta sabotá-lo, e até matá-lo. Mas é sempre em prol de algum objetivo, seja individual ou coletivo, que envolve um plano muito maior e além do garoto.


Só que o que a gente vê é a perspectiva dele, que já tem suas limitações para se comunicar, e ainda é obrigado a conviver com gente que não da pra confiar, mas são tudo que ele tem. Ver como esse personagem vai se superar e vencer, sem deixar de ter suas deficiências, é sem dúvidas o ponto alto do desenho!

Confesso que chorei algumas vezes, e nem tinha como não fazê-lo, pois a alegria é tanta, assim como a emoção, que há horas em que não da pra segurar.


E, sem dar spoilers, devo dizer que a primeira "temporada" se resume ao crescimento do herói, e desenvolvimento daqueles que o cercam, mas sem jamais apelar pra clichês convenientes como por exemplo, ele do nada se tornar escolhido pra alguma coisa épica, ou ele desenvolver um poder supremo de shonen, ou então ele se curar repentinamente e se tornar o maioral.

Não espere por isso, nela, o que acompanhamos é alguém com tudo certo pra desistir, lutando, indo em frente, vencendo, conquistando vitórias pequenas para os outros mas que para ele são espetaculares, e que no fim, fazem dele alguém ainda melhor do que já é.


E, vale falar que aqueles que ele afeta são convertidos à aliados, de forma crível, bem explicada e natural. É impossível não ver alguém como Bojji e não se inspirar. O garotinho é o máximo.

Além disso, seu aliado mais próximo, o Kage, também tem suas superações, e mesmo sendo um bandido das sombras (aparentemente amaldiçoado na forma de uma sombra viva assim como o resto de seu clã) ele é quase como um irmão pro pequeno rei, e faz o papel de sua voz e ouvidos quando preciso.


Mesmo que, nada disso seja realmente necessário, Kage existe para permitir que Bojji entenda um pouco melhor o mundo que o cerca, e tenha ao menos uma vantagenzinha pra seguir em frente. O pior é que, mesmo sozinho, o garoto acabaria vencendo... pois ele nunca tá sozinho.

Acrescento também que, apesar de não haver um desabrochar de habilidades sobre-humanas pra compensar as falhas do herói, como a maioria dos animes (se não forem todos) costumam fazer, o protagonista acaba sim contornando suas deficiências com habilidades únicas, mas isso é feito com esforço, prática, e não depende de nenhuma magia ou conveniência de roteiro. É tudo muito real, e natural, mesmo com toda a história se passando sim num mundo mágico.


O pai do garoto por exemplo, é um Gigante (em todos os sentidos, literal e metafórico), a madrasta dele é uma "bruxa" (pode-se dizer que também em todos os sentidos), o irmão é... bem, narigudo... e por ai vai.

A animação, música, e arte em si, é bem diferente do que estou acostumado, mas é muito bom de assistir. Parecem quadros pintados a mão, e apenas fluem de um jeito que lembra aqueles filmes do estúdio Ghibli... é lindo.


Recomendo muito este anime, e eu só escrevi agora, pois os 10 primeiros episódios são um arco de crescimento do herói, enquanto os demais parecem ser mais uma evolução dele, já voltada pra combates e confrontos diretos... tanto que logo no primeiro, além da mudança na abertura, ainda houve acréscimo de bastante violência.

Por isso, acredito que a segunda parte, ou "segunda temporada", será mais voltada pra luta, e talvez mude um pouco o padrão inicial e que tanto me agradou. Isso não significa que vá estragar tudo, muito pelo contrário, isso dá um gás extra se for bem executado (e pelo que assisti até agora, será). Mas aí falo depois.

Por hora, é isso.

Obrigado pela leitura.


See yah!

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2 Comentários

  1. Omeudeuso, mal saiu das fralda e já ta governando um Império vey, isso que é força de vontade kkkkk.

    E caramba, tu realmente não deu spoilers, que raridade!!!111!!11!1!111!!!
    Kkkk.



    Por sinal...faltam 10 artigos meu consagrado.

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    1. Pois é, quando o negócio é bom, compensa mais assistir. Mas alguns amigos já disseram que não curtiram a animação por isso não verão. Triste, triste.

      Falta pouco hein.

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