SérieMorte?: Resident Evil - Infinite Darkness

Os caras pegaram um filme em animação de menos de 1h30, dividiram em 4, e chamaram de série! Ainda por cima nem tem história pra contar, e nem a animação (a arte em si) salva!

Boa leitura.

Se havia alguma esperança em live actions ou adaptações de jogos em forma de filmes, essa esperança com certeza tá à beira do precipício com a Capcom fazendo uma porcaria dessas...

Eu não sou fã de Resident Evil, isso tô até cansado de falar, porém conheço ao menos o básico das histórias, já vi os muitos filmes da Alice (e por isso sei bem o quanto as adaptações costumam ser horríveis) e já joguei vários títulos (apesar de não ter zerado muitos). Além de tudo, devo confessar que as 3 Animações Digitais feitas pela Capcom (Degeneration, Damnation e Vendetta) até que foram bem legais e eu curti (a última nem tanto mas, ela foi melhor que essa).

Daí, os caras da Netflix anunciaram uma série usando esse esquema das Animações, o que com certeza chamou a atenção... até que lançaram e, era um filme dividido em 4 partes com menos de 20 minutos cada... e o pior... é um filme ruim.

A história é basicamente um ministro do governo sabotando o governo pra criar uma guerra, e faturar com venda de armas biológicas e vacinas. Daí, mete o Leon S. Kennedy pra dar uma de protagonista roteirizado, sortudo pra um caramba, pra resolver o problema todo e mostrar ser um babacão no final.

Ele decide esconder a verdade da população pra não criar pânico ou espalhar terror, e basicamente abre espaço pras empresas farmacêuticas malignas (que não é mais a Umbrella, pois por alguma razão, que perdi no caminho até aqui, a Capcom decidiu que era melhor criar outra empresa por trás do vírus de zumbi) criarem o caos e fazerem a festa.

E se você conhece os jogos, provavelmente ficará exatamente como eu, perdidão! A história de "Infinite Darkness" (que em momento algum justifica o subtítulo) não parece saber a qual versão da franquia ele pertence. Resident Evil sofreu um reboot recentemente, com remakes de alguns títulos principais (Resident Evil 2, onde Leon aparece pela primeira vez e Resident Evil 3 que é com a Jill Valentine, ambos se passando em Reccon City, a primeira cidade onde ocorreu a invasão zumbi).

Daí, este conta uma história que usa o estilo visual dos novos Resident Evil (é... mais ou menos né), mas também se sustenta em informações de jogos que ainda não foram refeitos e, consequentemente, encaixados nessa nova leva de revenda do mesmo, como Resident Evil 4... principalmente Resident Evil 4.

Leon só ta no filme, porque salvou a filha do presidente, algo que ocorre em Resident Evil 4, mas que, apesar de ser um fato citado, não tem seus eventos relatados de forma alguma. Tudo se concentra mais em T-Vírus (primeira versão do vírus de zumbis) e como ele arruinou Reccon City, incidente este acobertado pelo governo na época. O vírus da ilha que o Leon explodiu nem é citado, ou seja, não parecer ser o mesmo RE4.

Partindo daí, Leon se mantém como um agente do Governo, cheio de moral com o Presidente, mas que pouco se importa com a transparência pública e parece ter seus próprios interesses. Ele quer manter tudo escondido... um babaca mesmo.

E, se já não bastasse a ilustre presença dele, temos também Claire Redfield... só que ela sobra muito na história. Sem ter lugar onde se encaixar nessa nova trama, tudo acaba sendo conveniente pra cruzar o caminho dela com Leon, e colocar ela no núcleo do enredo, sendo que ela nada tem a contribuir ou influenciar.

Ela começa a investigar algo, de forma repentina, e do nada vai parar no meio de toda a verdade, com aquele clichê de vilão contando os planos antes de executar o mocinho. Só que nada justifica ela estar investigando, na verdade ela é uma personagem qualquer, que serve apenas pra que os diálogos expositivos soem necessários, quando na real não são.

Eles esfregam explicações na cara do espectador, sobre coisas bem óbvias, com pausas longas e reflexivas, que mais parecem existir só pra consumir tempo de tela.

Enquanto as coisas que realmente deveriam ser mostradas, acabam sendo ignoradas. Como por exemplo: Leon Teletransporta.

Uma hora, o cara tá num Submarino que explode, daí aparece na China, depois do nada, tá nos Estados Unidos. Isso no mesmo dia, se pá na mesma hora. É o que parece da forma que tudo é mostrado, com os personagens saltando de um canto pro outro do mapa sem ter uma explicação de como fizeram isso, tão rápido. Seria necessário explicar? Lógico! Considerando que a ausência da explicação gera confusão.

O pior é que, o filme tem com o que trabalhar. É uma história bem genérica sim, mas é interessante ver vários tipos de vilões, como o membro do exército que, se volta contra o governo por descobrir a verdade, ou o membro do governo que quer só faturar, ou o presidente que pode ser facilmente manipulado, ou até mesmo o herói, que ao esconder a verdade bota geral em risco.

Mas da forma como tudo é contado, forçadamente episódico e, com muita enrolação... cansa. Fica chato assistir, e desinteressante, ao ponto de simplesmente ser esquecível.

Algumas partes até funcionariam muito bem, como os flashbacks mostrando uma missão num país asiático (que tem seu nome repetido 400 vezes, e mesmo assim eu não decorei, pois simplesmente ficou chato, meu cérebro bloqueou os informes), onde uma arma biológica baseada no T-Vírus foi usada. 

Só que, além de reutilizarem cenas em cada um dos episódios (o que não ocorreria se fosse no formato de um longa, como parece ter sido concebido originalmente), também perdem o foco do que querem contar com essa parte, literalmente descartando várias informações (tipo, o que ocorreu com os demais soldados? Todos realmente explodiram suas cabeças, ou eles tentaram lutar?).

O vilão secundário mesmo, tem suas motivações explicadas, só que entrelinhas (você percebe coisas como, seu último colega, por quem ele lutava pelos antídotos, estourando os miolos por não aguentar mais a vida assim), enquanto ele próprio parece apenas, aleatório.

Tem uma parte no filme que simplesmente não faz sentido nenhum, por causa disso. Uma hora, esse cara tenta convencer Leon a colaborar, e aí, morre. Algumas cenas depois, uma mansão em que o Leon está explode, e aí o Leon fala "Ah não, foi ele, maldito!" e caça o cara, que ele mesmo matou... e de fato o cara aparece vivo de novo depois, por causa do vírus, e se transforma. Lógica?! O filme nem tenta explicar ou fazer uma montagem decente. Como Leon notou que era ele que atacou a mansão? Como ele o encontrou? Como ele foi tão rápido??? 

Seria ótimo dizer que ao menos o visual da animação ficou bom... mas não, nem isso agrada. Tá tremido, parece gráficos daquelas cinemáticas de jogos de Ps3, no máximo Ps4 no começo da geração. A movimentação consegue parecer inferior à vista nas três animações anteriores. O que é bem estranho

O visual dos jogos atuais está muito avançado e mais realista, com captura de movimentos e facial, e isso não foi aplicado na "série". Daí, o resultado de uma animação que parece ter sido trabalhada a partir do zero, faz tudo ficar robótico e plástico de mais, e soa até preguiçoso... se ao menos a história fosse boa, ou fosse algo bem bolado, mas não, então não da pra passar o pano.

Mas, quem sou eu pra julgar né!? Só digo que, pra mim foram algumas horas do dia perdidas, e sim, gastei horas, pois não aguentei assistir isso numa tacada só não. E nem sei que gênero é essa história. Terror com certeza não é...

Enfim, é isso... repito que, só escrevo isso pra não esquecer de esquecer.

See yah!

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14 Comentários

  1. Se você esquecer de esquecer, você teria esquecido de esquecer, ou de não esquecer? E se considerar que você teria lembrado de forçar o esquecimento, tal esquecimento não seria completamente um esquecimento, afinal, ele teria sido um ato voluntário de esquecer, o que em um passado não tão distante foi lembrado, não se tornando um esquecimento propriamente dito...


    Ah, o paradoxo interminável da palavra "não" haha.


    Falando sobre a """"série"""" (entre muitas aspas)...


    "Well, what can I say? We are lost..."

    Fazer algo bom quando se trata de jogos está se tornando mais natural do que beber água em um deserto completamente seco...






    PaRaDoXoSsSsss!!!
    Todos AdOrAmOsS pArAdOxOsSsSSS!!

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    1. Não. Não tem paradoxo. Não esquecer de esquecer equivale a lembrar de esquecer. Ou seja, esqueça.

      E sim, ta fogo o mundo dos games.

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  2. E eu pensando que nada poderia ser pior que Umbrella Corps e RE 6. Capcom tá drenando uma franquia que já não tem mais o que oferecer. RE já não é mais survival horror, é só mais um fps genérico de ação. E que animação sofrível, viu?! Senti-me em um loop infinito no segundo episódio, e mesmo sendo curto, foi um sofrimento pra terminar.

    Parece a Ubi com Assassin's Creed. Todo ano era um AC diferente, até que aconteceu umas cagadas e a franquia "respirou" um pouco.

    Que Hollywood mantenha suas mãos imundas de Devil May Cry.

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    1. Extremamente longe de dmc, por favor! Nem quero imaginar a catástrofe que fariam... Se bem que ateh hoje, ao menos a animação de dmc foi bem feita.

      Até que eu gostei muito de re7, sei lá, o jogo me fisgou. Agora o re8 foi um tipo de reciclagem forçada , ele me afastou por isso, nunca joguei e duvido que jogarei.

      Acredita que tentei jogar re6 por causa de uns amigos que adoram? Eu consegui terminar a campanha do Leon e pensei "ueh, o final eh totalmente diferente do começo" o que, n deveria acontecer pq o começo eh um tipo de flasfoward. A Capcom fez uma bagunça ali, que achei que nunca repetiram, e num eh que fizeram isso nessa "série"?!

      Eu tô torcendo pra eles não pirarem na batatinha e arruinarem dmc e Megaman. Mas, impossível não eh. O jeito eh não se empolgar com essas novidades fajutas que empurram.

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  3. Você é muito bom cara, seria uma boa fazer canal no youtube.

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    1. Haha, grato sr Fellipe. Aliás, bem vindo por essas bandas.

      Eu até que gostaria de fazer um canal, só que sou preguiçoso de mais pra editar vídeos.

      Assim que eu tomar vergonha, e coragem, farei uns pra o menos testar.

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  4. Cara,decepção resume essa série,não dá pra entender o medo da capcom em se arriscar e colocar a Jill como protagonista solo numa animação, o design da Claire tá muito cagado,não entendo já que fizeram um bom trabalho na modelagem dela no remake do 2; ainda não aceitei essa história que sai do nada pra lugar nenhum,mas ainda assim,espremendo bastante,é possível ver um futuro promissor se eles arregaçarem as mangas e colocarem os personagens dos revelations numa trama intrigante... talvez esteja esperando demais,esse filme repartido conseguiu ser pior que o vendetta...

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    1. "Resident Evil: Deception"... bom título até hehe.

      Meu, o Vendetta também tem uma história bem clichê e é ruinzinho, mas de fato, é até melhor. Eu nem imaginava que pensaria isso. Me lembro que na época que vi ele eu disse "A mano eu tava curtindo os filmes, porque estragaram? Maldição das trilogias mano" e... deu nisso.

      Esse esquema de divisão só piorou ainda mais o que já não tava legal, mas acho... que talvez se tivesse sido lançado como um filme mesmo... talvez tivesse salvação. As vezes tirariam as enrolações e botariam as cosias mais sequenciadas... e talvez teriam mais atenção aos detalhes e melhoraria a animação...

      De fato, é um pouco promissor sim, se pararem se investir em Leon e Claire e começarem a expandir o universo RE nos filmes, mostrando os outros personagens e as histórias bacanas de ameaças biológicas.

      Bem, valeu pela presença hein sr Mário!!! E... que bom que o texto adiantou rs. No passado nem imaginaria que faria textos assim.

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    2. Seu conteúdo está expandido,assim comobseu público, é natural escrever sobre temas não planejados inicialmente. A série revelations tem muito potencial e a capcom não tá explorando,Jill é a melhor protagonista e depois do 5 não teve nada além de um spin off prequel,claramente o medo de arriscar tem feito eles socarem o Leon nas animações sem necessidade,a empresa tem tudo pra estourar e não arrisca,o público vai prestigiar,só quer algo que valha a pena.

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    3. Essa é a parte que me assusta: Executivos.

      Nessas horas parece que o medo de perder dinheiro com algum jogo mal aceito, faz eles, assim como o sr apontou, negarem qualquer risco de inovar.

      Não sou muito conhecedor de RE, mas a Capcom também tá por trás de Devil May Cry e Megaman, e esse comportamento é observado com esses títulos também. No primeiro, não só negligenciaram e recusaram do cânone o melhor jogo da série (DmC), como no 5 jogo optaram por contar uma história simples e bem clichê, sem risco algum. No segundo, ousaram lançando uma continuação direta dos títulos clássicos, mas posteriormente parece ter dormido, delirando em sonhos num jogo de celular.

      Em RE mesmo, o que fizeram no RE8 é um perfeito exemplo: Deu certo o 7, com um novo público, optaram por esticar a mesma história, com o mesmo personagem, de forma nada atrativa.

      Falta tato pros caras... falta uma noção menos focada em lucros e mais voltada pra criação. Infelizmente, Executivos.

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  5. Essa foi uma das poucas - raríssimas - análises sinceras que achei pela internet.
    O tanto de gente que escreveu nas crítica que o "anime" era revolucionário, com uma trama complexa, que resgatava o "verdadeiro espírito do Resident Evil" não tá no gibi! Aquele tipo de resenha sem alma, feita só pra agradar o patrão, saca?! 🤑
    E como tudo que a Netflix lançou ultimamente, não consegui passar do segundo capítulo. Cansei.

    Achei seu Blog pq estava procurando algo sobre SH, pq tem um canal no YT chamado PeeWee fazendo saga sobre Silent Hill e achei a análise deles meio rasa e vim procurar por outras fontes.

    Seguindo o Blog.

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    1. Isso me anima muito, as vezes bate aquele receio de escrever, mas sabendo que uma hora ou outra alguém como você encontrará e apreciará esses textos faz tudo valer a pena!

      Ah, mas que ironia!!! Eis que seu primeiro comentário é num post sobre Resident Evil mas, você achou o blog em busca de Silent Hill! Aguardando ansioso por sua opinião sobre as mirabolâncias sobre SH que existem por aqui.

      E sim, infelizmente o que mais se encontra hoje em dia são materiais copiados ou, rasos de mais e sem alma, e até falsos. Mas, me alegra saber que tem gente que percebe isso e vai em busca de material que compensa ler.

      Seu nome é um dos mais irados que já vi. É simplesmente fantástico! Seja muito bem vindo ao divulgante srta Exterminadora (chamarei assim, mas respeito seus caracteres personalizados e, a temática).

      Repito, espero que encontre aqui um espaço com ideias que lhe agradem, e, caso encontre algo que queira conversar ou discutir, só comentar, responderei o quanto antes.

      See yah!!!

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    2. Pra você ver como eu sou aleatória, haha. Pesquiso SH e comento em RE. Vou comentar nas outras postagens tmbm, mas sou meio esquecida.

      Desde criança sempre gostei de jogos mais puxados pro terror. Via meu tio jogar Alone in the Dark e passei a pegar gosto. Aí agora crescida com meus 27 anos, minha mãe acha que tenho probleminha pq gosto de terror. Depois descobri jogos como Eternal Darkness do Gamecube pq amigos jogavam e conheci Amnesia jogo muito bom também que tem a infelicidade de ter a pior capa (versão americana).

      Obrigada por gostar do meu nome. Meio que é um protesto contra essa geração que sempre reclama de tudo e se derretem como flocos de neve.

      that's it all folks

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    3. Somos dois kkk. Memória é algo que me falta muitas vezes. Mas, estou ansioso mesmo por seus comentários hein.

      Logo de cara me manda 3 títulos que eu nunca joguei. Algo me diz que o futuro me reserva várias noites de jogatina... só acho hein. Pior que já pediram pra que eu desse uma analisada nesses títulos... e eu fiquei embromando. Vai que agora me empolgo!

      Ta jovem ainda, o terror é vida (alias, temos a mesma idade... por 2).

      Eu realmente adorei, ainda mais por ser tão personalizado.

      Estou empolgado contigo aqui srta Exterminadora de Snowflakes!

      Yep, it all.

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