CríticaMorte: Viúva Negra

Outro filme que saiu tanto nos cinemas quanto em streaming, mas pra assistir no Disney + você precisa desembolsar uns 70 pila.

E, pra ser sincero, é um filme legal, mas só isso.

Boa leitura, tem alguns spoilers.

O filme da Viúva Negra é uma história simples, e basicamente é uma desventura da moça enquanto ainda era viva. Algo que, no contexto geral em que os filmes do Universo Cinematográfico Marvel se encontram, não é algo tão importante.

É curioso sim, mas é mais daqueles filmes pra encher linguiça da franquia, sem nada a acrescentar. Por si só, ele até que se basta e é divertido, mas consegue se tornar esquecível.

Não dava pra esperar muito também de um personagem que é chamado dentro do próprio longa como "Peixe Pequeno". No meio de um monte de super-heróis com poderes descomunais que enfrentam problemas a nível universal e catastróficos, notar que ela é apenas uma moça que foi treinada, até levanta suspeitas sobre seu real papel dentro dos famigerados Vingadores. 

Claro, o filme não se foca nisso. Ele aborda mais o trauma da Natasha ao ser treinada como espiã, e todo o processo desumano pelo qual os responsáveis pelo treinamento forçavam suas cobaias. Na época em que ela foi pra tal "Sala Vermelha" (época essa que é só citada ao invés de mostrada) e sofreu condicionamento mental e físico, já era tenso, e agora o filme mostra uma versão mais moderna desse tipo de treinamento, onde os vilões conseguem mexer com a cabeça de qualquer pessoa, mas preferem escolher as meninas de diferentes culturas pelo mundo pra dar continuidade a um projeto que, aparentemente já tinha sido destruído.

E é inclusive em cima desse trabalho equivocadamente dado como completo, que o filme parece se sustentar. 

Partindo de uma rápida história de origem (mostrando a viúva como criança em uma família falsa), a espiã tocou sua vida até ingressar nos vingadores e, durante os eventos de Guerra Civil (em que ela e mais alguns acabaram marginalizados pelo sistema, incluindo o Capitão América), ela acabou retomando uma missão dada como encerrada, e se vê aleatoriamente em um reencontro familiar.

Não vou dizer que não convence, apesar de tudo ser bastante conveniente, acaba fazendo sentido e, as conexões são bastante plausíveis. A espiã acaba fugindo do governo e ao chegar num esconderijo, encontra o que a forçaria à busca pelas pessoas do seu passado, sua irmã falsa, seu pai falso, e sua mãe falsa.

E tudo isso começa pois, convenientemente, sua irmã falsa é àquela que é atingida por uma substância que a libera do condicionamento mental pelo qual passou. Explicando:

No tempo em que Natasha foi treinada, ela e outras viúvas negras (que não chegam a ser mostradas, dando a entender que ou foram eliminadas, ou recondicionadas assim como ela própria), sofriam um tratamento intenso em que suas mentes eram subjugadas, por traumas e regras. Mas, nos tempos modernos, onde sua irmã acaba sendo incluída (mesmo não tendo uma diferença de idade tão grande), essa lavagem cerebral ocorre por um composto neurológico que, literalmente permite que qualquer um controle a mente de quem o tiver instalado.

Daí, os inventores dessa atrocidade, optam por continuar o projeto de sequestrar garotas pelo mundo e transforma-las em espiãs, descartáveis. Ao invés de sei lá, tentar capturar um Vingador mesmo e manipula-lo mentalmente! Isso não seria bem mais, prático?! Mas, no caso, o vilão (que é um gordão sem graça) parece ter obsessão por controlar mulheres.

Aí, ele mantém um conglomerado tecnológico, focado em criar essas espiãs (de nacionalidades variadas), sem ser investigado, sem ser questionado, sem ser nem ao menos notado. O cara consegue a proeza de enganar a (até aquele momento, ainda em funcionamento total) S.H.I.E.L.D., e sabe-se lá quantas outras organizações de governos variados.

A justificativa pra ele ter toda essa imunidade, seria a própria Viúva Negra e o momento em que ela alegou tê-lo matado, quando isso não teria acontecido. Tem furos ai mas eu prefiro nem entrar em muitos detalhes...

A situação acaba se concentrando no trauma da Natasha em ter, acidentalmente mas voluntariamente, explodido a filha do cara pra atingi-lo. Daí ela vive com o peso de ter matado uma criança e, esquece a missão, que era executar e confirmar a morte do criador do Projeto Viúva Negra.

Isso tudo, seria a tal "Missão em Budapeste", uma piada de cena, que rolou lá no primeiro Vingadores, entre o Gavião Arqueiro e a Viúva Negra, e que por alguma razão despertou curiosidade nos fãs, ao ponto da Marvel decidir bolar alguma história pra explicar a piada.

Só que, não apenas a criança nem morreu na missão, como ela virou uma das armas mais incríveis que um mundo sem super-heróis poderia ter: Alguém que copia movimentos de luta.

O problema é exatamente esse: Tem Super-Heróis.

Fico pensando em como algo assim, alguém que manja dos paranauê plagiados, pode peitar um Hulk da vida.

E o legal é que o filme faz questão de deixar isso bem claro. Natasha e seus vilões são ameaças potenciais ao nível dela, e não dos reais Vingadores. Chega a ser meio cômico.

E olha que até incluíram um "Capitão América versão Soviético", que é um rival do próprio Capitão nos quadrinhos, mas que aqui é menosprezado por todo mundo, desde os responsáveis pelo projeto Viúva Negra, quanto pelo governo que o prende, quanto pelos próprios aliados. A ideia de que um super soro de Super Soldado funcionou, e foi ignorado por todos... chega a incomodar.

Ainda mais depois de ver a série do Falcão e Soldado Invernal, que tenta dar uma ênfase social para a existência e importância de Super Soros, e como eles seriam "banidos" do mundo, pra evitar o surgimento de mais e mais Soldados de Força Descomunal. Toda a história do homem negro que foi dissecado pelo governo e posteriormente descartado e apagado da história, por ser negro, perde um pouco de força se você reparar que, eles descartaram geral, independente da cor da pele.

Esse cara é um dos descartes, posto numa cadeia de segurança máxima sim, mas junto com um aglomerado de criminosos normais, que nem são super-humanos ou tem poderzinhos. Como raios botaram um cara com Força Descomunal numa cadeia comum, e isso realmente funcionou? Quando ele foge, aliás, chega a ser engraçado pois, ele nem precisava de ajuda! Ele sozinho podia fugir quando quisesse, mas parecia gostar de viver às custas do governo.

Isso não prejudica o filme, claro que não, que busca contar essa jornada de Natasha pra se reconciliar com sua família antiga. Uma família fabricada e usada apenas pra fins de espionagem, mas ainda assim, uma família.

Sua irmã, seria uma versão carismática dela mesma. A Viúva Negra Loira é extrovertida, e tem bastante carisma, mas ao mesmo tempo... é só mais uma pessoa comum com treinamento avançado.

Enquanto a Natasha sempre mantém a seriedade, a versão loira dela é toda serelepe e animada, como uma adolescente desbravando o mundo. Ela só não é o alívio cômico pois, o pai delas encabeça essa posição, como um Homer Simpson versão Marvel.

Isso faz sentido, se considerarmos que a Vingadora tem todo um passado envolto de tortura, o que fez ela ser mais casca grossa e inexpressiva, enquanto a irmã dela teve sua mente controlada quimicamente, e ao se libertar, só enxerga a liberdade acima de tudo, e busca aproveitar isso. O Homer seria um bobalhão mesmo, e a graça tá nisso, num cara egocêntrico sendo o pai de família e um exemplo, sem notar.

E, a mãe? Ela é uma cientista, também uma Viúva Negra, de uma geração mais velha, a qual tomou a dianteira do projeto e desenvolveu a tecnologia manipuladora de mentes. Ela nem é maligna, só uma entusiasta da ciência sem escrúpulos, que apesar de ser ainda mais grossa e inexpressiva do que a Natasha, ainda é uma aliada até o final do filme.

Só não é explicado quem criou o tal soro que desfaz a lavagem cerebral química, e apesar disso ser bastante usado pra trazer solução aos problemas do filme (como curar as novas Viúvas Negras em massa que a família libertou), ele é um artifício secundário usado apenas pra, empurrar a trama.

Quem espera filme de super-herói, não terá muito disso, pois é mais um filme de espionagem, ambientado é claro, nesse universo fantástico.

E aí tem a fórmula de sempre que a Marvel/Disney gosta de usar, com humor, piadas, ação, algumas tiradas sociais e reflexivas camufladas, e por fim, um desfecho extravagante.

Poxa, a parte no filme que fala sobre agressão contra as mulheres, escravidão e tráfico humano, e adoção e a valorização dos laços familiares, acaba nem soando tão importante quando temos a discussão sobre a evolução da Viúva Negra ao longo de suas controversas participações nos filmes Marvel.

No fim das contas, essa despedida da personagem nem se faz tão necessária. Eu até prefiro a última participação dela como suicida pela joia da Alma, sem razão, do que ver uma aventura superficial em eventos prévios de algo que transcendeu a realidade, algo que mexeu com viagens no tempo, destruição mundial e até instauração de multi-universos. É algo tão pequeno perto de coisas tão grandes... mas a personagem precisava de um filme né? (Deviam ter feito uma série assim como os outros personagens secundários).

E sobre o final do filme, eles tentam empurrar uma "Iniciativa Vingadores 2.0" com uma personagem que também apareceu no final da série do Falcão recrutando o Capitão América Fake (a moça de cabelo roxo), já tendo recrutado a Viúva Negra 2.0. 

Bem possível que vão mostrar uma leva de versões secundárias dos heróis que já fizeram sucesso, talvez pra renovar o elenco, ou pra faturar em cima de mais do mesmo, fingindo que é total novidade.

Mesmo que esse tipo de troca de personagens seja comum nos quadrinhos, confesso que ta ficando meio cansativo assistir os mesmo conceitos o tempo todo.

Enfim... é isso.

Eu to ansioso pra escrever sobre Loki, essa série sim trouxe algo significativo pra se avaliar.

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8 Comentários

  1. Carai, e num é que tu escreveu vey...


    Bom, é um filme legal, mas não vale nem ferrando 100 conto (o Disnêy é 30, o filme é 70, tu tem que ter o Disnêy para comprar e assistir o filme né).




    Agora, Loki...oh coisa linda, me parece que vai ter uma 2° temporada (o final foi muito aberto...e eu vi que a serie vai ter pelo menos 3 temporadas...me parece que vai ser isso mesmo).



    a Disnêy me parece estar vivendo de Marvel agora.

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    1. Na verdade você tem que assinar o premium pra ver os filmes que estiverem no cinema (isso já inclui o valor da assinatura comum). Mas, depois de um tempo eles são liberados pra assinatura comum (acho que são 4 ou 5 semanas depois da estreia). Chato que nesse meio tempo, todo mundo já viu o filme então, talvez não compense.

      Cinema é mais pela experiência... hoje em dia o pessoal que vai só o faz pra sair de casa mesmo. Não tá rolando mais aquelas grandes estreias super aguardadas por hora, só tem filme esquecível.

      Também tem a Pixar.

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  2. Lembra que eu tava com pé atras e até te avisei??! Qual a receita dele, vejamos... um tanto de conveniencia, um pouquinho(muito) de didatismo, uma pitada de preguiça em certas coisas, mais as piadas e cenas de ação bem dirigidas, e o principal, ser da Marvel (o ingrediente principal pro publico de hoje em dia né) e temos isso... o foda é que nem me arrependi tanto de ter visto, é facil de ver até, a Yelena, que pelo jeito tamo junto nessa(e bom ver que não sou só eu que acha a Scarlett chata pra kct) e o Capitão America comuna (essa do Homer foi foda kkk) carregaram bem meu interesse até o fim, e a "familia" até que funcionou surpreendentemente bem, mas como o tempo era curto (até pq não tinha que alongar tanto esse bang) foi só isso mesmo.

    Tai uma coisa que muuuuuito dificilmente verei dinovo, ao menos por minha vontade, não por ser uma bosta ou me ofender, só por ser esquecivel mesmo, e olha só? Eu ja sabia né kkkkk

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    1. Uhum. Esse é daqueles filmes que a gente acaba acompanhando de novo quando passa na TV, só por ser... legal. É o típico Sessão da Tarde.

      Terminei o filme e pensei "Ah, bacana... nem compensa escrevê"... as acabou que escrevi... Obrigado pelo impulso. Eu não teria feito isso se você não tivesse perguntado srta Bia.

      Valeu mesmo! Curti o resultado, e obrigado por ter lido e comentado. Sabe que isso me deixa bem empolgado pra digitar ainda mais. Novamente, valeu.

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  3. Zona de conforto seria o resumo desse filme,pra quem acha que o Kevin Feige é o todo poderoso na Marvel, ele lutou desde 2012 por esse filme,a filha da Milla Jovovich fez sua estréia fora do círculo familiar e ficou boa,o hellboy rouba a cena toda vez que aparece,pena ter pouco tempo de tela e a tão esperada luta dele com o taskmaster ficou editada,enfim,esperava-se muito e o filme entregou pouco,agora é esperar que shang shi e eternos sejam melhores.
    E que venham mais textos,sr. Morte.

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    1. Você vê ele como Hellboy? Eu vi o policial do Stranger Things kkk. Uma pena que o cara não teve mais destaque, acredito que merecia, ainda mais por todo seu contexto existencial... é um Super soldado mano. Já pensou o Barão Zemo atrás dele?

      Disse tudo sr, disse tudo. Aliás, eu nem lembrei que era a filha da Alice kkkk. Mas de fato, ela estreou bem, apesar de ter tido pouco tempo de tela também.

      Do jeito que os trailers tão reveladores, é bem possível que também sejam filmes medianos sr. Espero estar errado e me surpreender assim como me surpreendi com Loki.

      Então, pode crer que, haverão mais textos sr Mário!!! See yah!

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    2. Sr. Morte,pra mim ele foi um hellboy melhor,mas mal dirigido,e como o filme tem essa proposta girl power a luta tão esperada dele foi limada pra colocar o velho dos feromônios dando uns tapas na heroína, enfim,potencial desperdiçado, uma mulher que enfrentou deuses,aliens e super humanos foi barrada por feromônios, roteiro.

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    3. E desbarrou isso quebrando o próprio nariz... isso ensina biologia, química, e um pouco de sociologia pra criançada. Foi bem falho isso.

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