SérieMorte: Além da Imaginação - Jordan Peele (2° Temporada)

Exatamente como previsto, e prometido, eis a segunda temporada que é simplesmente excelente.

Os caras realmente botaram a mão na massa e fizeram um Além da Imaginação aos moldes do clássico.


E aqui está minhas impressões, com uma dose de spoilers... mas eu vou por os spoiler na cor "vermelha", então pule se quiser e leia tranquilamente.

Boa leitura.

Depois do desfecho pra primeira temporada, era de se esperar que tentariam mudar as coisas um pouco, diminuir o peso da "responsabilidade social" e focar muito mais nas histórias de terror, e foi exatamente o que fizeram.

Com mais uma temporada de 10 episódios, essa consegue ser implacável em todos eles, quase nem parecendo a mesma série que, foi tão trágica na primeira temporada (exceto é claro, o último episódio).

Alguns deles inclusive parecem satirizar e esnobar alguns episódios da primeira temporada. Não menosprezando é claro, mas eles evidentemente usam as mesmas fórmulas pra suas respectivas tramas, só que do jeito certo.

Compensa dizer o que cada episódio faz em geral, mas confesso que recomendo que assista. A segunda temporada é perfeita, e espero que a terceira venha logo.

O primeiro episódio fala sobre namoro a distância.


A mensagem é essa, mas tanto faz, o episódio em si é desenrolado em cima de uma trama pra lá de curiosa e surpreendente, de forma que quase não se nota que tem essa mensagem ai. Como deveria ser feito, a moral da história está em seu todo, e não apenas em ocasiões pontuais e discursivas, além de expositivas.


A história mostra um rapaz, ruim pra caramba em relacionamentos, que ta procurando desesperadamente a mulher perfeita, até que do nada, alguém começa a conversar com ele, alguém que ele nunca viu, alguém que ele não conhece, diretamente em sua mente!

Acompanhamos a perspectiva dele, apenas dele, enquanto conversa com a moça em sua cabeça e aos poucos, se apaixona. Tudo é desenrolado tão bem e harmoniosamente que o relacionamento a distância de ambos torna-se totalmente plausível, e até agradável.

Eles mesmos mencionam que suas conversas telepáticas soam como mensagens de texto, a diferença é que, eles falam um ao outro sempre, independente da "conexão". Mas, a dúvida fica justamente em como raios eles se encontrariam? Se é que eles o fariam... será que eles teriam coragem?

Pois tudo, absolutamente tudo de uma relação do tipo é abordado, de forma convincente como eu disse, que casa totalmente com o roteiro. E cara, como é perfeito. O tempo todo eu pensei "Meu, e se ela for de uma dimensão paralela?" ou então "E se ela for apenas coisa da mente dele?"... pistas haviam, dicas haviam, as possibilidades estavam todas la... mas o fim ainda surpreende!


Você não espera pelo que acontece, mas faz sentido. A moça estava mesmo falando com ele mentalmente, só que no final, achando que ela estava em perigo, o cara ataca e mata outro homem, que teria raptado ela antes do primeiro encontro físico de ambos. Ele espanca o cara até a morte, sem ter provas de que ele era o criminoso, e ai do nada, surge a filha dele, e a esposa, a própria moça da mente. Ela não reconhece o cara, chama a polícia, e lamenta a morte do marido, é impactante pois, da a entender que o cara era psicótico total! Mas ai, quando ele ta sendo levado pra delegacia, ela entra em contato com ele mentalmente, da um sorriso fisicamente, e diz "Obrigada, agora eu finalmente posso viver minha vida!". Sim, ela teria manipulado o cara pra matar seu marido, o tempo inteiro... legal que ela sabe como desligar a telepatia então, bom pra ela, ruim pro cara apaixonado... gado que chama?

O segundo episódio fala de jogos virtuais.


Então vem a história sobre uma moça que acaba de ser promovida a gerente do hotel em que trabalha, algo que ela lutou a vida inteira pra conseguir, e ai, do nada, todos no mundo param, e ela descobre ser apenas uma NPC, por assim dizer, de um jogo de realidade virtual.


Ah cara, esse episódio foi uma surpresa atrás da outra. Ela não seria bem uma NPC, mas sim o avatar de um jogador que acabou tendo problemas na hora de deslogar pra manutenção, inclusive me lembrou um pouco o anime Overlord. Enfim, essa avatar simplesmente mantém a consciência, e se recusa a deixar de existir pra seu "criador" acordar... só que tudo vai muito além.

Meu, não tenho como descrever essa história! Só contando todos os detalhes que, vão desde uma maestria visual até uma precisão narrativa, que nos envolve com a protagonista ao mesmo tempo que nos faz pensar "E se ela sair mesmo? Será que apagaria?" ou então "Será que ela ta mesmo num jogo ou, está sendo enganada". Novamente, a história nos faz tentar antecipar com ansiedade e consegue dar aquela resposta de... surpreender!


Sabe, o final meio que mostra que na verdade, o dono do avatar já tinha morrido. Ele teve um infarte auto-induzido e sua mente ficou presa no jogo. Só que sua mente nem lembrava de sua vida real, apenas da vida no jogo. Até a esposa do cara chega a logar pra convencer "ela" a sair, só que já era tarde, então ela decide apenas viver la mesmo, e pronto. No fim, tudo no mundo virtual volta ao normal, e a gerente vive seu sucesso, sem jamais sair do personagem.

O terceiro episódio fala sobre identidade.


O terceiro então? Ele é sobre um ator, que fracassa em testes de elenco e no meio de uma crise com a esposa, decide apenas roubar um banco! Sim, o cara tinha desistido, ai aponta uma arma pra cabeça de uma pobre funcionária do banco e... ambos trocam de corpos! Além da Imaginação caramba!!!


A história não para ai, ele fica trocando de corpo com todos que olha nos olhos, exceto quem usa óculos, pois isso meio que bloqueia seus "poderes", e até o final, você se pergunta "Como é que ele sairá dessa?".

O bacana desses episódios é que eles são de 40 minutos em média, mas parecem ser bem mais curtos, pois eles entretêm em cada segundo. Você não espera nunca pelos desfechos, e quando eles chegam, são de bombar... achou que eu diria surpreender? Cara, é surpreendente mesmo!


O policial que investigava o caso das múltiplas mentes tomando o corpo original do cara, que tinha sido detido (sempre que ele mudava de corpo, a mente da vítima atual ia pro corpo original dele), acaba confrontando o original, num corpo de uma criança. Só que ai, numa manobra inesperada, o cara troca de corpo com ele e toma o corpo do policial. Mesmo perdendo a luta pela arma de fogo, o cara vence, pois outros policiais matam seu corpo original (com a mente do policial dentro)! Isso não é o fim, pois consegue ser ainda melhor: Ao voltar pra casa, a esposa dele reconhece o policial como seu amante... logo, ele trocou de corpo com o amante dela sem saber, e agora sim, tava tudo bem né. Ele também vira um ator melhor agora que dominou seu "poder", até mesmo usando óculos pra mantê-lo sob controle.

O quarto, fala sobre fama.


O quarto é aquele que usa a mesma fórmula daquele episódio da primeira temporada, do Comediante, só que muito melhor. Nele uma moça famosa entrega uma moeda estranha pra uma garota que toca na rua, e logo em seguida, ela comete suicídio. A garota que toca na rua então passa a alcançar uma fama repentina, e é ovacionada por todos que a vêem, só que, ela nem precisa ter uma performance pra tal.


O legal desse episódio é como ele é mostrado. No inicio, a artista toca bem mesmo, e é muito gostoso de ouvir ela, só que as pessoas ao redor do nada começam a aplaudir, interrompendo ela. Na primeira vez parece até que de fato eles amaram tanto que não aguentaram esperar... mas quando chega na vigésima vez as coisas começam a ficar bem estranhas.

As pessoas aplaudem sem motivo, ela tocando bem ou mal, eles aplaudem. Isso lembra as risadas dos shows do comediante, que também teve tido seu "poder" herdado por um artista renomado em seu universo. Pois é, a fórmula é a mesma, só que aqui a protagonista tem mesmo talento, só é barrada de mostra-lo, e isso frustra.

A frustração vai além do personagem, vai para o espectador que gostaria de ouvir mais de sua música, e não pode, pois todos aplaudem sem razão. Ainda por cima, fica aquela dúvida "Será que a fama dela é pelo talento ou é tudo forçado?" ou "Será que vale a pena ser famoso dessa forma?"... e como sempre, tudo encerra com uma reviravolta surpre... você entendeu.


No final, a moça consegue jogar sua moeda da sorte fora, ao lado de sua irmã, e foge pra uma barraca no meio do nada até sua fama sumir. Só que não demora muito pra ela ser substituída por outra artista, enigmática, que simplesmente sai em todas as mídias. Ela fica com inveja, e tenta matar a tal artista! Só que ao esfaqueá-la, descobre que é sua própria irmã, que tinha ficado com a moeda... curioso como as coisas são né? Ela grita pela morte da irmã enquanto todos aplaudem... 

E ai no fim, o narrador, não precisa nem dizer nada (de fato ele não diz nada!), ele só abaixa, pega a moeda, bota na blusa e faz uma cara de "Pois é né... Além da Imaginação", saindo aplaudindo.


Quando comecei a assistir essa temporada, foi logo após aquele impacto da primeira que foi ruim, aparentemente de propósito, e mano, eu realmente fiquei animado com isso. Não apenas mantiveram Jordan Peele como o narrador, como estão sempre creditando o criador original, mesmo ele já tendo falecido, como o criador da série. Cara, Jordan escreveu alguns episódios também meu, ele de fato incorporou o personagem!

O quinto, fala sobre amizade.


Esse é legal, e a mensagem moralística dele é o bullying mas, isso nem tem importância ou relevância pra história, não em sua integra.


Tudo começa com uma jovem que chega a um internato para garotas, já incumbida de fazer um projeto pra "Feira de Ciências", sozinha, afinal acabou de chegar. Mas ela é um pouco diferente, e é recebida de forma agressiva pelas colegas, com uam delas jogando um lápis e... ele virando pó em seguida.

Pois então, a história dela seria de uma caçadora de poderes paranormais que encontra na principal garota da turma, o poder de ler mentes, dentre outros. Ambas passam a se aproximar uma da outra até que, descobrem muito mais sobre os poderes, algo que afeta e é afetado pela amizade delas!

É interessante que o tempo todo nós tentamos prever o que ocorrerá, e somos levados a imaginar até que ponto os poderes e a amizade aparentemente tóxica da mocinha inocente co ma bullynadora, poderia as levar. Fica evidente que a moça que tem poderes estava aos poucos virando uma vilã, mas também fica evidente que a mocinha que pesquisava poderes começa a se tornar manipulável e cada vez mais afetada pelo comportamento errado das outras garotas. Cara, é impossível prever o desfecho, até que ele vem, e surpreende horrores.


Basicamente, perto do final a garota que pesquisava poderes cai de uma altura mortal, mas é reanimada pela garota má com poderes. Aos poucos, da a entender que um dos poderes dela era de ressuscitar pessoas, mas ela também tinha o poder de materializar coisas que desejava muito. Em um momento, ela começa a suspeitar que na verdade, seus poderes são da moça que estuda poderes, e ela própria teria sido manipulada só pra ser sua amiga e se sentir especial, mas no fim, eram poderes dela mesma, e ela só queria acima de tudo ter uma amiga. Quando ela consegue confirmar que a garota que procurava poderes era sua amiga real, essa amiga evapora na sua frente, afinal, teria sido materialização da mente dela o tempo inteiro. Ela fica perturbada, mas no dia seguinte, uma nova aluna chega na escola, seguindo os mesmos padrões da anterior que sumiu. Mais uma vez, ela tinha materializado alguém pra si.

O sexto, fala sobre evolução.


Um grupo de cientistas estavam investigando a Antártida em busca de um tipo especial de polvo aparentemente extinto, que poderia auxiliar na evolução da raça humana, e quem sabe salvar o mundo. Alguns deles estavam interessados em vender as pesquisas pro mercado negro, outros estavam interessados de fato em salvar o planeta, mas o interessante é que, os polvos também tinham seus interesses.


Aos poucos, o grupo vai sendo massacrado por uma espécime rara, e aparentemente inteligente, que consegue ataca-los e mata-los habilmente.

Essa história é aquele terror básico e violento. Uma criatura que mata as pessoas tudo, que queriam tirar proveito dela, mas na verdade, são o prato principal do jantar. O curioso, é que tudo muda no final...


A grande surpresa do fim é que, na verdade, os polvos também estavam pesquisando os seres humanos para evoluírem acima da superfície. Eles teriam se reagrupado ali, e estavam se preparando pra invadir o mundo humano e conquista-lo. O polvo mais habilidoso se voluntaria para se infiltrar e roubar informações do DNA humano em um de seus laboratórios, e depois disso, ele prepara a evolução artificial da raça dele, pra suprimir e aniquilar a raça humana.

O sétimo, fala sobre dualidade.


Ah esse é um dos melhores. Ele me fez aplaudir ainda no início, pois é simplesmente incrível.


Ele começa mostrando um casal visivelmente em luto, pela filha deles, e discutindo, até que do nada, uma interferência na eletricidade faz surgir algo no porão.

Ao verificarem, descobrem ali uma criatura bizarra e assustadora, transparente e sem forma definida, a qual aparentemente os ataca. Porém, depois de fugirem, ambos discutem e, enquanto o cara traz respostas sensatas e científicas sobre o que seria aquele monstro, a mulher é sentimental e emocional, além de assimilar a criatura a sua própria filha.

Esse episódio trabalha em cima do casal, onde ambos defendem suas opiniões sobre o que a criatura é, de forma que nos faz ter dúvidas sobre pra onde tudo ta indo. A criatura, toma forma da filha dela, e tenta se aproximar, e o cara faz questão de usar isso como comprovação de que é um tipo de vida alienígena tentando engana-los, enquanto a moça faz questão de aumentar mais ainda sua fé de que aquela, era mesmo sua filha.

Na verdade, é quase um debate religioso! Pois vemos um lado cético, que faz total sentido em seus argumentos, mas em contrapartida um lado crente, que defende igualmente e com iguais respostas, tudo o que acredita.

O bizarro é que o final, adivinha... surpreende!


No fim de tudo, ambos estavam certos, e errados. A criatura era uma entidade de outra dimensão que queria se infiltrar no universo deles, mas pra isso, teve de entrar em sincronia com alguém próximo a eles, e que já não existia mais. Ele toma a forma da filha do casal, além de resgatar suas memórias e sentimentos, suspensos na dimensão. Assim, ele era e não era a filha deles, ainda ciente do seu lugar de origem, e ele queria apenas se misturar, se infiltrar, e como ele mesmo diz, "Conquistar sem conquistar". A ideia era trazer paz a todos ali, e se tornar parte deles, mas sem ser uma invasão, sem massacrar ninguém. No fim, tanto o lado cético quanto o crente aceitam a criatura, e saem felizes pelas ruas, mostrando que na verdade, todas as famílias do planeta passaram pelo mesmo!

Reparou? Esse também é tecnicamente uma reimaginação daquela história sobre "imigrantes", da primeira temporada. Mas aqui, ao invés de focar no governo e nas formas absurdas como alguém lidaria com invasores de outra dimensão, eles apenas trataram tudo com uma naturalidade bem maior e crível.

O oitavo, fala sobre crédito.


"Crédito" por algo feito, que aquele quem fez não recebe por não aparecer. Como explicar? Esse episódio é quase como uma referência ao lado divino, mas também, a todos aqueles que tomam parte em algo, se esforçam, mas são ofuscados pelos grandes nomes. Ainda assim, o episódio não foca sua narrativa nisso, na verdade é algo ainda mais interessante.


Um cara, que perdeu sua esposa, ex-prefeita da cidade pequena em que reside, acaba por testemunhar tal cidade sendo afundada por uma péssima administração do prefeito que assumiu o cargo. Ele lamenta por isso, sem poder fazer nada contra, até que, descobre que no sótão da igreja onde mora, existe uma maquete mágica da cidade!

Ao mexer na maquete, que é perfeita em todos os detalhes, coisas na cidade mudam, e ele decide usar aquilo para fazer todos os reparos e ajustes necessários na cidade! Mas... o prefeito ruim toma os créditos por isso.

É revoltante ver o cara feliz por fazer tudo, sem tanto esforço, e mudar a vida das pessoas ali, enquanto um lixo que não ligava pra ninguém simplesmente cresce no conceito do povo, que vai creditando tudo à ele. O trabalho estava sendo feito, sua cidade tava evoluindo e voltando pro mapa, mas em troca disso, um cara ruim que não se importava com nada ali, tava recebendo os holofotes. Daí vem a dúvida: Compensa fazer isso?

Trabalhar sem ter os créditos, mas ver tudo evoluindo e melhorando pelo próprio suor... até que ponto aquilo era tolerável? Pois é, o episódio aborda isso muito bem e traz, como sempre, um desfecho de trazer surpresa aos olhos.


Perto do final, o cara que podia mudar tudo simplesmente começa a tentar sabotar o prefeito, pra que as pessoas notassem que ele não era o benfeitor anônimo da cidade. Mas isso não funciona, e olha que o cara tenta até matar o prefeito de susto com uma aranha gigante! Infelizmente, o povo começava a valorizar cada vez mais a imagem viva, do que a entidade oculta, e no fim, algo da errado, e as pessoas começam a culpar o prefeito. Ainda assim, o protagonista toma parte e puxa a culpa pra si, revelando seus poderes e que ele era o responsável pelas coisas boas, e também as ruins, e que só queria o bem pra todos ali. Ao fazer isso, o prefeito decide tomar o controle dos poderes, e tenta roubar a maquete, que se quebra e traz desastre pra cidade. Por sorte, ninguém morre, e apesar de tudo destruído, o cara tinha deixado a aliança cair na maquete, e ela virou uma enorme aliança de ouro maciço no meio da cidade, que serviria pra pagar os gastos com as reformas. Além disso, o povo aprendeu que era melhor fazer algo por conta própria, do que contar com a intervenção divina. Ps.: A maquete não funcionava mais.

O nono, fala sobre o "Dia da Marmota".


Eu achei genial como esse episódio foi criado. Já começamos ele no meio do evento paranormal, como um dos personagens "coadjuvantes", e não como o protagonista. Na verdade, o protagonista da história, era na real o vilão, e o coadjuvante, era o protagonista, o mocinho... ou melhor, a mocinha.


Tudo começa com uma garota distraída quase sendo atropelada, e um cara misterioso a salvando. Depois disso ela vai pra um museu de máscaras, onde encontra esse cara novamente, e novamente, e novamente. O cara aos poucos chama sua atenção, com coisas familiares e diálogos interessantes, mas aos poucos ele demonstra uns sinais estranhos, onde sempre que seu relógio apita, parece que ele prevê algo que ocorrerá e impede.

Saca, esse episódio é basicamente o filme "Dia da Marmota" ("Feitiço do Tempo"), visto pela perspectiva da garota que o cara tenta conquistar. Sem enrolar, o cara tava de fato preso num looping temporal e tomou como objetivo, conquistar aquela moça, acreditando que ela era o motivo dele estar nessa condição, então ele teria revivido esse dia, morrendo ou adormecendo no fim, e estudou tudo para que um dia conseguisse o coração da garota.

O legal é que, ele próprio diz que já conseguiu ficar com ela outras vezes, mas que queria que aquilo fosse definitivo na mente dela. É o mesmo que o cara de Dia da Marmota faz, apesar das consequências serem bem diferentes... e surpreendentes.


No final, o cara desiste de ser bonzinho, ele apenas se cansa de ficar tentando seduzir a moça e fazer ela ama-lo, e começa a bancar o imbecil que sempre foi. Hilário que no filme isso também ocorre, mas a diferença é que aqui, ele tenta agredir a moça, crente que aquilo seria esquecido afinal, só ele voltaria no tempo. Então ele extrapola a babaquice, e começa a tentar matar ela! Isso faz ela levantar dúvidas, dizer que, talvez a realidade dele mudaria, mas as consequências em outros universos permaneceriam, mas isso não faz ele parar. Então, a moça se defende, derruba o cara, e faz ele ir preso, dizendo "Seu lixo, não importa onde seja, eu sei bem me defender viu". Com isso, ele debocha, e fala que vai fazer da vida dela um inferno em outras realidades... mas quando tudo rebobina, ele tem medo de chegar perto dela, mostrando que ele era um idiota mesmo. 


Spoiler do filme: No filme o cara também percebe que jamais conseguirá o coração da moça, não  enquanto tentar estudar ela e manipular os eventos. Então desiste disso, começa a aproveitar sua condição pra ajudar todos na cidade, e aos poucos faz coisas incríveis, aprende a tocar piano, aprende a amar o próximo (eu chorei muito nessa parte) e por fim, ele passa a ser conhecido pela cidade. Então, a garota o nota, não pelo que ele forçou pra seduzi-la, mas pelo bom cara que ele se tornou. Ele de fato deixou de ser egocêntrico e manipulador, e passou a ser um cara incrível. Isso faz ela se apaixonar por ele, ama-lo, e o tira do looping.

Acredito que o cara de Além da Imaginação não terá esse mesmo destino... ou terá? Bem, ele tem todo tempo do mundo né.

E o último, fala sobre... então né.


O último episódio é completamente maluco, e demora pra fazer qualquer sentido. Quando faz, o sentido é... ainda mais insano que tudo o que já era insano.


Ele mostra uma mulher, que tem uma casa bizarramente perfeita, e um comportamento muito estranho e... certinho. Ela começa a ter aparentes desmaios e testemunha comerciais em tempo real, que usam sua vida como cenário, ou algo assim. É realmente difícil de explicar, pois eu mesmo não entendi!

Uma vizinha dela, pra quem pede ajuda ao descobrir sua estranha condição, é bizarra também, com o comportamento clássico da vizinha interesseira e saca, observadora, que adora esnobar o que o outro tem e comparar com o que ela tem, mas é tudo muito artificial, e forçado, e estranho. Ambas estavam, assim como o restante do planeta inteiro, com horário marcado pra pegar algo chamado "Ovo".

A protagonista aos poucos começa a largar as reações mecânicas e passa a aparentemente, pensar por conta própria, suspeitando do que o "Ovo" seria, e começando a questionar seus arredores. Ela passa a se lembrar das coisas ruins e boas, ela passa a observar melhor, e até mesmo armar uma armadilha pra descobrir o que ocorre com ela quando desmaia, visto que sempre reparece em sua cama.

Certo, essa última história, nem com spoilers eu conseguiria explicar, pois ela é tão somente maluca! É notável que tenta passar uma mensagem sobre o consumismo, e capitalismo, e alienação da massa, mas é tão maluco que, até a mensagem ficou, estranha!


Sem delongas, aqui vai o desfecho desse episódio que explode cabeças: Ao conseguir impedir que seu corpo físico fosse levado pra comerciais, a moça acorda no meio de um dialogo de alienígenas, que compartilhavam uma mesma mente. Eles tinham medo do fato dela pensar e mudar de ideias, e quando ela desperta, optam por leva-la ao supervisor, a mente principal. Ela seria a única entidade feminina de seu povo, quase como uma rainha, que não faz cerimônias em explicar pra moça que, na verdade, eles já invadiram o planeta faz tempo, e que usaram os comerciais que a raça humana transmitia pra conhecer melhor o povo, e aparentemente manipula-lo e controla-lo. As vidas de todos e suas personalidades se moldaram com base em comerciais, e eles eram isso... mas o pior é que, o "Ovo" era o final de tudo, onde os alienígenas mandariam suas crianças para exterminar a raça humana. Depois de contar tudo, a mulher, ao invés de ficar perturbada, apenas pede pra voltar pra terra e receber seu "Ovo", pois todo mundo também teria e ela queria um pra ela... independente do que houvesse depois... e ai ela corre feliz em meio ao apocalipse, pra morrer nos braços do que era seu...

Esse episódio é o lado extremo de Além da Imaginação, que em uma mesma temporada, mostra o lado bom, e o lado ruim, de uma mesma coisa. Não só isso, ele é bizarro, assustador, e confuso, além de incômodo. Não sei se foi uma boa escolha pra um final de temporada, e com certeza não foi tão épico quanto o final da primeira, que salvou ela inteira! Mas, é um bom final sim, estranho, e até desagradável, que nos faz pensar sobre...  o que raios tamo assistindo!?

Estou ansioso pela terceira temporada.

É isso.

Espero que tenha gostado. Aliás, tente assistir essa temporada, compensa muito mais viu...


Onde você pode encontra-la? Eu não sei... talvez no streaming original dela na CBS All Accesss ou HBO Go, ou via torrent...

Compensa assistir ta.

See yah!

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