O Filme de Hoje: Estou pensando em acabar com tudo.

Sem spoilers...

Boa leitura.

Filme no mínimo estranho...

Ele foi lançado na Netflix e tem como base livros, e... eu não sei como falar dele, pois é muito... artístico.

Achei necessário guardar essa memória, mas em contra-partida eu realmente não sei explicar o que vi.

A questão com este filme é que ele apenas é uma mescla de experiências, ou melhor, uma experiência individual pra cada expectador.

Você pode assistir, e não irá ver o mesmo que eu vi, da mesma forma que outra pessoa não encontrará nele a mesma interpretação que nós encontramos. Ele é uma alegoria mista, que afeta de forma peculiar e até íntima cada um que o assiste.

É como um quadro em movimento e alternância infinita, uma obra prima, que não se mantém estática. Cada um visualiza ela da sua própria maneira, e cada um tira dela aquilo que combina com sua própria percepção.

Pra explicar, posso dizer apenas que, ele depende muito do seu conhecimento prévio, ou da ausência dele.

O filme destacará em você o que você já conhece, e trabalhará em cima desse conhecimento, para te fazer mergulhar de cabeça em um passeio profundo, mas igualmente confuso.

Não espere assisti-lo e terminar com respostas, pois você jamais as terá, e isso faz parte da experiência que ele oferece.

Um cineasta focado provavelmente o pegará pra estudar e re-assistirá cada ceninha, buscando entender e explicar com palavras qual a emoção que os idealizadores e realizadores queriam transferir... mas esse é um jeito de assistir diferente daquele que é mais casual, e só verá uma única vez, sem compreender todas as migalhas espalhadas pela mesa.

O mais interessante talvez seja justamente esse amalgama de informações, e como elas se destacam parcialmente, jamais inteiramente, na mente de cada um que o assiste.

É um filme que aborda de tudo, e praticamente tudo quanto é tema, junto em algo completamente abstrato, por assim dizer.

Não é uma única história, mas também não são várias... o que eu vi nele foi basicamente um enredo simples, carregado de enredos complexos.

É como, uma analogia sobre o viver... e eu to aqui me perdendo em pensamentos pra tentar explicar, mas ao mesmo tempo quero dizer: Não tem explicação.

A história dele é superficialmente e inicialmente sobre uma mulher, que em pensamentos planeja terminar sua relação com seu recém namorado, mas não encontra maneiras de fazê-lo, indo com ele pra conhecer os pais, o que seria um passo além na relação indesejada... Mas isso muda com todo tipo de estranheza que tu pode imaginar.

Com diálogos longos, e repletos de temas subliminares e ao mesmo tempo expositivos (pois é), o que acabamos por acompanhar é uma jornada incômoda, desajeitada, agradável e poética, sobre o que é existir.

É como assistir a mente de alguém, e não necessariamente o que ela está fazendo. Por muitos momentos na obra, nós somos levados a acreditar que tudo ali é real, por mais estranho que pareça, mas na verdade tudo aquilo é apenas um pensamento, vivenciado.

O próprio filme da dicas disso quando corta os eventos do casal repentinamente, ainda com a narração deles, mas mostra um velho senhor, trabalhando como zelador em uma escola.

Não apenas isso, o filme o tempo inteiro brinca e se diverte horrores com estranhezas, propositalmente incluídas pra fazer o espectador esboçar reações, e focar sua própria atenção naquilo que mais lhe importa.

As vezes um personagem diz e faz uma coisa, enquanto sua mente fala outra, enquanto os demais apenas reagem de formas incomuns, como se cada um vivesse em seu próprio universo... sua própria mente.

As vezes, o filme joga na nossa cara e ouvidos, tanta coisa ao mesmo tempo, e até nos provoca com sons, com ideias, com sentimentos (sim, ele joga isso também) que somos forçados a escolher no que iremos nos ater.

E ai que vem, a experiência individual.

Enquanto você tenta entender por que aquele cachorro aparece apenas quando a mulher olha, outro tentará entender por que o cara jamais encosta na própria namorada, e outro, tentará entender por que o som ta tão baixo.

Vai ter aquele que tentará entender tudo de uma vez, e isso também o fará perder a noção de, por que tudo ta acontecendo daquele jeito.

Esse não é um filme fácil, e também eu não diria que é prazeroso. Ele nos da tudo o que promete, e é bem bonito, mas também nos engana com falsas respostas, e é tão esquisito que desagrada.

Uma vez, uma colega do meu trabalho disse, em devaneios que tivemos no meio da conversa sobre arte, que existirá um dia um tipo de arte em 4D, em que o artista deixaria uma imagem que o espectador iria interagir e interpretar a movendo... eu cheguei a dizer que jogos de vídeo game são bem assim, mas agora pensando melhor, acho que esse filme é um bom exemplo disso.

É um tipo de arte que depende do que você pretende ver, e não necessariamente do que ela tem a oferecer.

Por exemplo, em muitos momentos, temas como homofobia, envelhecimento, tempo, filosofia, machismo, marxismo, arte, poesia, estupro, depressão, suicídio, assédio, e por ai vai, são abordados de forma profunda, com citações de obras inclusive.

Quem tem essas obras em sua mente, entenderá os diálogos e até poderá se interessar mais, compreendendo a discussão abordada no momento e até compartilhando da mesma, participando da mesma, mentalmente. 

Enquanto alguém que apenas nunca nem ouviu falar daquilo, achará entediante, ou focará sua mente em alguma coisa que esteja acontecendo visualmente, ou apenas pensará mais no que acabou de acontecer, e buscará respostas, dentro do que lhe é "aceitável".

Cada mente irá abordar uma mesma situação de forma diferente. E isso meus caros, é algo que é feito em cada instante desse filme.

Minha opinião sobre ele, e conclusão, é que ele fala sobre um zelador que, usou tóxicos, e viajou tanto que sua mente se tornou essa... coisa.

Mas acredite, terá gente que verá bem mais, e gente que nunca entenderá ou concordará com o que os outros disserem sobre ele.

É isso. 

Se você não entendeu o filme, discuta com alguém sobre ele, e veja o que a pessoa puxou dele, se é que o viu. Mas não tente encontrar uma resposta definitiva, nem ache que é uma obra estruturalmente definitiva. Ele é algo experimental, e abstrato, por mais que tenha imagens fáceis de perceber e definir...

Veja o trailer... o filme é exatamente o que o trailer mostra, mas tem um porém aqui:

Apesar dele passar uma ideia de que é um filme de terror, com uma puxada pra viagem e paradoxos temporais, ele não é. Provavelmente isso foi a interpretação tendenciada por quem montou o trailer, mas ele vai muito além... ele é um filme... de... ele é um filme.

Eu nem diria que é terror psicológico, ou drama, ou suspense, ou comédia, ou qualquer outro gênero, pois ele se trata e aborda apenas a experiência em assistir um filme, que assiste você.

No final, você é aquilo que viu nele... é até meio assustador, ou confortante... viu... difícil dizer.

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6 Comentários

  1. Vou assistir depois dessa leitura fiquei curiosa para saber como vou interpretar esse filme . Super empolgante a forma como abordou o filme deixa um Q de queremos saber mais sobre ...Show!!!! Sobre 4D será que gifs entra como um ?

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    1. Primeiro comentário seu!!! Bem vinda moça!!!

      Espero que assista e fique tão confusa quanto eu kkkk... mas me explique o que entender viu.

      Gifs são um tipo de arte móvel né, mas tipo, 4D teria que ser uma obra influenciada tanto pelo artista quanto por quem contempla-la... acho que as figurinhas animadas do zap tão nesse patamar também kkk.

      Obrigado!!!!!!!!!!

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