ProjetoMorte: R.I.P.

R.I.P. (Morte à Morte)


Esse texto... bem... eu escrevi num dia inspirado... originalmente eu queria desenhar tudo isso, e esse era apenas o roteiro pra história. Mas, o tempo passou, eu nunca desenhei o que eu queria então, o texto ficou como rascunho. 

Bem, antes que eu perca ele pra sempre... na escuridão da minha memória... é melhor registra-lo.

Só pra constar, eu havia esquecido dele completamente.

Bem, boa leitura e por favor... não se espante...



Capítulo 1

Praga

A história começa com um garoto acordando em uma cama de hospital, a seu lado esta uma moça jovem, de preto, com uma blusa de capuz e cachecol. Seus olhos e rosto ficam ocultos por seu cabelo e franja o tempo inteiro, mas sua voz cheia de ternura transmite conforto ao rapaz que começa a conversar com ela.

Ele pergunta o que houve, e ela explica que ele estava em coma a muito tempo, a mais do que ela conseguia contar, e que o mundo inteiro já não existia mais. 

Uma doença havia se espalhado e destruído o corpo de todos os seres humanos, e quanto mais eles viviam, mais cedo morriam. Então, um dia, descobriram uma forma de transferir suas mentes para computadores e assim, a humanidade encontrou seu fim, com todos os corpos definhando e a transmissão ocorrendo de forma imediata. Todos passaram a viver eternamente dentro de computadores, exceto este garoto.

Sem entender bem, ele questiona porque só ele não foi para o tal "Programa Eterno", e ela diz que a razão foi justamente, ela.

Ela explica que depois que ele nasceu, ela nasceu, e foi praticamente em seguida que o surto ocorreu. Seus pais logo entraram no programa, mas por ele ser muito jovem, precisava de um tempo de desenvolvimento cerebral pra se adaptar e só então, em fase mais avançada, ser inserido junto aos seus pais. Mas, ela ao assistir isso, não suportou, e não permitiu, e fez o possível para impedir que ele se fosse, pois não queria perdê-lo.

Ela se declara, diz que ele é tudo pra ela, e que quebrou todas as regras de seu mundo para preserva-lo ao seu lado. Ela diz porém que estava fraca, quase sem energias e que já não conseguia mais camufla-los, e que preferiu desperta-lo para se despedir. 

Ela pede desculpas pelo que fez, e implora pra que ele se inclua no programa o mais rápido possível, antes que os outros chegassem, e logo em seguida ele pergunta quem exatamente ela era.

Então, ela o encara, e tira seu capuz, ele olha espantado, e ela, envergonhada, olhando de forma cabisbaixa, revela-se um ser cadavérico, sem olhos, sem pele, com traços femininos disfarçados em suas tranças, junto a uma expressão fúnebre.

Ela diz "Eu sou sua morte" mas rejeita leva-lo, e diz que prefere existir pra sempre há terminar com sua vida tão preciosa pra ela. Ele então diz que não tem medo dela, e não quer deixa-la, e não irá pra programa algum. 

Ela chora, deixando escorrer lágrimas por sua órbita, e então diz "Mas agora já é tarde, eles chegaram."

Então a cena abre e são mostrados centenas de ceifeiros cercando o rapaz.

Capítulo 2


Fome

O maior ceifeiro de todos e mais assustador berra ao mesmo tempo que cospe "FINALMENTE UM VIVO!". Ele avança com tudo para cima, em desespero e a garota ceifeira interrompe dizendo "Ele é meu, ele sempre foi meu, ele é a minha vida, vocês não tem direito algum!".

Todos os ceifeiros se contém, mas o maior de todos continua aos berros, dizendo que não há mais posses nesse mundo, que se o humano ainda estava vivo, era direito de qualquer ceifeiro leva-lo.

No mundo, não haviam mais humanos, nenhum. Mas, pra cada humano sempre surgiu um ceifeiro. Na regra, os ceifeiros deveriam ascender assim que seu humano respectivo morresse, como parte de sua tarefa, porém, como os humanos descobriram a vida eterna, da sua forma, ocorreu superpopulação de ceifeiros.

A curto prazo, não era um problema, eles apenas existiam, mas, a existência em si se tornou uma tortura para todos eles. O desejo de levar almas os consumia, tornando-os mais debilitados e descontrolados, desesperados e famintos. Alguns deles chegaram a parar de se mover, por falta de vontade e vigor, mas permaneciam existindo. Os Ceifeiros não morriam.

Então, agora que surgiu um humano vivo, era a hora de pelo menos um ceifeiro se livrar da tortura, tinha chegado a hora deles passarem a foice na garganta daquele jovem. 

Mas a ceifeira teimava em impedi-lo. 

Por respeito, nenhum dos ceifeiros se atrevia a desafia-la, mesmo tremendo de vontade de atacar aquela alma. 

Ela grita para seu humano "Agora, vá, entre no programa."

Com isso, o maior ceifeiro de todos se irrita e, gritando como de costume, diz "O QUE? VOCÊ NÃO VAI LEVA-LO? VAI DEIXAR ELE PARTIR? DEIXAR ELE IR PRO MUNDO ETERNO QUE OS OUTROS HUMANOS CRIARAM? ACHA JUSTO ISSO?! ENQUANTO NÓS SOFREMOS NESSA DROGA DE MUNDO, VOCÊ SE LIVRA DA ÚNICA SAÍDA COMO SE NÃO FOSSE NADA?! BASTA!"

Então, ele avança contra ela, apontando sua foice flamejante e saltando pra cima do humano de forma violenta.

Sem pensar duas vezes, ele perfura tanto a ceifeira, quanto o humano, fazendo jorrar sangue negro de dentro da pobre garota, e parando o coração do rapaz. 

Ela, abraçada com seu humano, diz suas últimas palavras "Eu lamento... mui..." e então, os dois corpos caem no chão gélido do hospital.

O Ceifeiro Maior, começa a rir, enlouquecidamente, e esbraveja "FINALMENTE DESCANSAREI!" e espera, de braços abertos por sua ascensão. Mas nada ocorre.

Ele então chuta o corpo do humano e verifica se está morto mesmo, e diz "MAS EU MATEI, ELE TA MORTO, SUA ALMA TA ENTREGUE, PORQUE?!" e então, ele se cala.

Por alguns segundos o silêncio é tomado por cochichos e todos os ceifeiros começam a questionar o que ocorreu. Era incomum um ceifeiro matar outro ceifeiro, e também incomum um humano morto não gerar o transporte do ceifeiro que o levou. Ainda assim, nada parecia ter acontecido.

E ai, depois de ponderação, o Ceifeiro Maior se levanta, e diz calmamente "Se é assim que tem que ser, que seja." e com sua foice, começa a atacar todos os demais Ceifadores, com fogo saindo dos olhos, esquartejando todos sem dar chance de escapatória.

O quarto logo se transforma numa grande poça de sangue negro, e a cena fecha, com a mão da ceifeira segurando a de seu humano.

Capítulo 3

Guerra

Do massacre um ceifeiro escapa.

Um esquelético começa a correr pelo hospital, tremendo de medo, confuso e assustado pelos seus semelhantes mortos.

Todos estavam sendo atacados, ele estava sedento. O hospital estava cheio de ceifeiros, todos haviam ido tentar a chance com o humano que surgiu, depois de terem passado anos sem levar uma única alma...

E do nada surge um ceifeiro lambuzado de sangue negro, gritando "Corram, ele ta matando todos!". Todos ficam sem entender, alguns comentam "O humano pode nos matar?" outros dizem "Mas ele pode nos ver?" mas entre comentários e outros, cabeças começam a voar, e sangue negro a jorrar.

"Tem alguém nos matando!", "Como? A gente morre?!", e mais sangue, mais morte. Os ceifeiros estavam sendo esquartejados.

O assustado continua correndo, tentando alertar os demais, mas ninguém parece dar-lhe ouvidos. Então, ele desiste, senta e se esconde.

Ele escuta seus semelhantes gritando de dor e medo, aos poucos, os gritos vão se silenciando, até que nenhuma voz mais é escutada.

Apenas da pra ouvir o som dos passos do grande carrasco de ossos, arrastando correntes e sua foice gigante recém pintada de preto. Ele estava ensopado, mas com um sorriso medonho em sua caveira.

Ele se senta, e diz "Acho que, foram todos...".

A cena encerra então, com o ceifeiro assustado, escondido em um armário, com o rosto repleto de medo, olhando pra sua pequena foice e dizendo "E-eu... também sou um... ceifeiro...".

Capítulo 4

Morte

"PORQUE!" ele pergunta, o Maior Ceifeiro de todos, após tirar sua primeira alma, com anos de busca.

Ele tinha acabado de matar um humano, mas nada aconteceu. Ele ainda estava ali, preso ao mundo dos vivos, condenado a vagar eternamente. Mas, então, uma voz.

Ele escuta uma voz angelical, que diz "Escute-me, você cometeu um pecado gravíssimo."

"Nunca antes, uma vida de um igual havia sido ceifada, você fez isso, e isso te condena a algo inimaginável. Você nunca verá nosso mundo, nunca fará parte dos abençoados. A partir de hoje, você está condenado a vagar por esta terra, eternamente, não importa o que faça."

"E, aquela que você matou, ela esta conosco, em seu merecido descanso."

"E se, chegar o dia em que você morrer, você arderá no pior dos infernos, pois seu pecado foi superior ao pecado do questionador."

E após ouvir isso, o maior ceifeiro de todos, com sua forma robusta e horrorosa, se levantou e disse "Se é assim que tem que ser, que seja."

Com sua foice ele matou todos seus irmãos e irmãs, todos que eram semelhantes, todos que estavam ali com ele. Ele saiu ceifando a vida de centenas de ceifadores, com um sorriso enorme mas, uma estranha calmaria nos olhos.

Ele estava enlouquecido, estava matando sem razão, sem propósito... ao menos era o que aparentava...

Ao terminar sua chacina, ele caminha sobre a carcaça de seus companheiros, checando se sobrou alguém, e, ao fechar os olhos e soltar um macabro sorriso ele diz:

"Descansem irmãos, carregarei este fardo por vocês."

Em seguida, a cena fecha, com o ceifeiro assustado surgindo logo atrás em um salto com sua foice em direção ao crânio do maior ceifeiro de todos, gritando:

"EU TAMBÉM SOU A MORTE!"

Fim

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14 Comentários

  1. O plot twist do pq ele saiu matando todo mundo foi muito bom, e a revelação da "boa intenção" que ele teve com seus semelhantes tambem. Mas esse final ficou meio fraquinho, mas a ideia até que é boa(minha ideia só pra te lembrar max, lembrece disso).

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    1. Obrigado. Foi a primeira história com início meio e fim que fiz. A ideia nem era publicar assim, e era só um roteiro pro mangá que eu iria desenhar. Eu lembro de ter tentado desenhar caveiras e os ceifeiros mas, acabei dando prioridade pra outras coisas e esse roteiro se perdeu. Achei ao acaso, e lembrei da sua ideia. O formato lembra um tipo de Creepypasta... Eu n sei se serei capaz de escrever mais nesse estilo mas, se tiver um bom feedback posso começar a tornar isso um hábito.

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    2. Pra contar com um feedback grande. Mas já fico feliz com o seu.

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  2. Caramba, já quero essa história na minha mesa, rsrs

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    1. Heh, fico feliz por ter gostado moça. Eu to pensando em escrever contos do tipo, sempre me baseando em palavras chave...

      Achei que seria um desafio válido e, sei la, pode ser divertido.

      Eu pensei numa história nova, sobre um tema nada a ver... contei ela pra pessoas bem próximas e ninguém entendeu, eu tive de explicar... então, acho que escrevê-la pode ser algo bem interessante pra testar minha capacidade.

      Acho que todo mês vou fazer algo assim... só acho... eu não sei de nada rs.

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  3. Escreva o que o seu coração mandar.

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  4. Iai Shady!!

    Quanto tempo, mano. Sou o carinha que te aperreava por half-life, aconteceram várias coisas na minha vida daquele período pra cá (também estou prestes a terminar a facul e no medo do desemprego que está por vir), estive bastante ausente por esses tempos na caixa de comentário aqui do blog mas saiba que mesmo sem comentar, nunca deixei de acompanhar e ler suas postagens, que a propósito continuam maravilhosas como sempre.
    Mas enfim, depois de todo esse tempo achei que era hora de retornar a caixinha de comentários e dá um alô para você.

    Gostei da história, continue escrevendo elas. A propósito, senti uma forte inspiração em Death Note viu.

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    1. Fala sr Gladiador! Bem vindo de volta, ever.

      Nem grila, não me esqueci do sr, e bem, espero que o desemprego não dure muito, se ocorrer é claro. São coisas da vida.

      Eu agradeço por manter a presença no blog, e te garanto que em breve tem mais artigo.

      Obrigado por voltar aqui, eu aprecio muito os comentários, o sr sabe, e poxa, fazê-lo exatamente nesse post da uma forcinha pras ideias rs.

      Agora, irei focar nos artigos rascunhados que eu to enrolando já tem umas décadas (exagero) e depois disso, vou pensar em textos legais pra compartilhar.

      See yah!

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  5. "Somos humanos?
    Por que nós lutamos?
    Instinto básico
    Para sobreviver
    Céus ao redor
    Oceanos dos sonhos
    Lágrimas caindo
    Em máquinas de fogo

    Vamos subir"

    É, como canta a música "Machines or Butterflies", nós humanos, porquê lutamos? E ainda mais contra a morte, que cedo ou tarde virá como deve ser. Muito interessante e sinistra a história, curti realmente e o fim deixa curioso pra saber mais mas... É o fim!

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    1. Exato sr Marcio, é o fim. Mas a curiosidade consegue tirar até mesmo do fim, continuidade... Permanecer por esse simples sentimento é... interessante.

      Enfim, eu fico animado pelos meus textos mais... pessoais no sentido psicológico terem lhe alcançado. Diferente daqueles que contam sobre minha vida, esses são minha essência. Talvez um dia eu traga mais deles... quem sabe.

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