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sexta-feira, 15 de fevereiro de 2019

O Filme Achado de Hoje: Butterfly Kisses

Eu ri.


Esse é bom, consegue agarrar a chance rara de explorar absolutamente todos os lados fortes do sub-gênero Found Footage com maestria, mas também sacrifica tudo isso por um tiquinho de popularidade. E é ai, nesse momento, que o filme se perde completamente.

Este é um filme com múltiplas histórias, mas não naquele esquema antológico. É apenas 1 enredo mesmo, que tem em si várias camadas e contextos diferentes que juntos, completam a obra. Nenhuma dessas camadas compromete ou desqualifica o trabalho, mas o resultado pós produção sim.

Complicado de entender? Sem problemas, explicarei melhor...

Tem spoilers... mas eu evitei dar detalhes.

Boa leitura.



O filme conta a história do Homem Piscadela (É Blink Man, mas "Homem Piscadela" é mais engraçado), uma criatura sobrenatural que se aproxima de quem pisca e da um "beijo de borboleta"  (quando duas pessoas se beijam usando os silhos) em seus olhos (no caso dele, ele junta os olhos dele com os seus, e te mata no processo).


Só que as coisas não se resumem a essa pequena lenda, tudo meio que se ramifica. O filme então conta a história de uma moça, estudante de cinema, que ta fazendo um trabalho escolar, um documentário, sobre essa lenda, e acaba descobrindo ao lado de seu amigo e colega que a lenda é muito mais real do que parecia.


Então, o filme pula pra outra camada, a de um cineastra que encontra na casa de sua sogra, as fitas dessa moça, e passa a fazer um filme sobre o filme dela, editando seu trabalho e se incluindo na obra, mergulhando de cabeça na lenda e tentando provar que o que ele encontrou, o que ele ta fazendo, e que o Homem Piscadela, é tudo real.


Mas ai o filme passa pra outra camada, onde o documentário sobre o documentário acaba virando um documentário sobre o documentarista do documentário sobre o documentário... lol.


E como se não bastasse, a história passa pra uma última camada, onde os auxiliares do documentarista passam a registrar por segurança e conveniência, os momentos finais dele, e se incluem voluntariamente num tipo de maldição que acabou surgindo, por causa dessa bagunça toda.


E isso tudo é bom?

Bem, eu devo dizer que sim.

A história flui tão naturalmente que chega a ser assustador, e realista pra caramba.


A ideia de usar imagens em preto e branco pras filmagens de 2004 (as originais, da moça) em paralelo com as coloridas de 2015, ajuda bastante a entender e absorver o filme.


Mesmo sendo tecnicamente 3 filmes em um, tudo se mistura muito bem, e é até mesmo bem justificado.


O filme é editado? Sim, pois editaram para que ele virasse um filme. Mas ele é real? Sim, pois as imagens usadas são todas reais mesmo de verdade. Mas o sobrenatural existe? Então... o filme deixa a dúvida no ar, com evidências inquestionáveis, constantemente questionadas e refutadas mas, ainda bem convincentes.


E ai, isso tudo não torna ele uma obra prima? Nop, pois ele mesmo aniquila absolutamente todo o realismo, através da inclusão de créditos, mesmo após jurar de pés juntos que tudo aquilo é real.


Sabe a coisa mais brochante de assistir found footages? É quando você se convence que tudo é real, pois tudo foi feito pra parecer o mais real possível, inclusive deixam os seguintes dizeres no fim: "O estúdio não tem qualquer informação sobre o paradeiro dos envolvidos, caso você tenha alguma informação, por favor comunique as autoridades"...


E logo em seguida, do nada, te dão o nome de todos os atores, e dizem "Os personagens são todos fictícios, qualquer semelhança com a realidade é mera coincidência".


O cara que editou o filme e incluiu isso é um grandessíssimo filho de uma put4. Pois é isso, esse pequeno detalhe, que mata todo o trabalho que durou quase 2 horas pra ser exibido.


Eu sei, como é que os caras vão lucrar se não aparecem nos créditos? Sei la, pagamento por fora, usando um contrato de anonimidade, como "Bruxa de Blair" fez? O fato de darem crédito ao custo da coisa mais importante do filme é algo estúpido... e isso não da pra perdoar.

Eu ri, assim que os créditos pararam de passar, e me senti decepcionado. Senti que desperdicei horas da minha vida assistindo isso, não pelo fato do filme ter sido "ruim", nada disso... foi pelo fato de terem jogado tudo de bom pelo ralo, todo o trabalho magnífico que fizeram, só pra sair bem nas telonas.

Não seria possível fazer filmes sem créditos? Então nunca haverá um found footage decente e este provou isso. Um filme perfeito, que conta a história do found, que inclusive explica ela perfeitamente, botando na mesa todas as cartas do sub-gênero e as questionando.


Esse filme acertou em tudo, tudo mesmo, e ainda assim errou feio.

Ele tem um bom enredo, convincente e que te faz querer acreditar.


Ele tem ótimos efeitos, realistas e nada forçados, que te deixam com um nó na garganta.


Ele apresenta uma edição impecável, com efeitos sonoros excelentes e perfeitamente plausíveis, mediante o próprio enredo, e inclusive, condizentes com a história (até faz parte dela), e com detalhes que te fazem querer assistir novamente, com maior atenção.


Ele tem uma conclusão perfeita, que deixa tudo em aberto, e responde apenas as dúvidas mais importantes, ao mesmo tempo que te deixa assustado e ainda mais imerso na realidade.


E por fim, ele explica as câmeras, dando pingos aos is e dizendo exatamente quem todos são, o que fazem, e porque filmam, sem comprometer em momento algum a história, alias, até enriquece ela.


Ai no fim, o que destrói tudo é a pós edição, onde um estúpido decide incluir créditos.

Triste...

Isso porque a obra apostou muito alto, inclusive o Diretor de Bruxa de Blair participa do elenco, como um dos entrevistados, falando exatamente de como é preciso ser realista, e como um errinho pode acabar com a reputação de quem ta tentando fazer um bom found footage.


Mesmo com essa dica crucial, os responsáveis pelo filme simplesmente erraram, como amadores, depois de acertarem como gênios da 7º arte.


É uma lição do que fazer e do que não fazer, e ai entra uma camada extra da obra, a que mostra que não importa se é real ou não, tudo nunca passará de um simples filme.


É quase como se eles tivessem desistido... e é ai que tudo fica triste.

Enfim, eu não quero dar spoilers sobre o enredo, afinal vale a pena assistir, mas preciso ao menos resumir a história, só pra que eu não esqueça e nunca mais assista, então nesse ponto, irei dar todos os spoilers que julgo importantes.

O Homem Piscadela se aproxima dos olhos de quem o encara, após essa pessoa encarar um túnel de trem após a meia-noite, por uma bom tempo sem piscar. Depois disso, sempre que ela piscar, ele aparecerá um pouquinho mais perto. Como não deu certo usando um ser humano, os cineastas decidiram usar uma câmera, assim, ela conseguiria filmar e ao mesmo tempo, representar o olho humano, e talvez até enganar a entidade.


Isso deu certo, e a câmera passou a filma-lo ao fundo, em cantos, sempre que a câmera era ligada. A cada vez que fosse ligada, ela filmava ele um pouquinho mais perto, e só em dado ponto que as pessoas começaram a nota-lo, e investigar se era verídico.


Acompanhado de sua aparição, um som surgia, esse som era na verdade um código morse dizendo "Pisque", que também era uma imagem dele, quando visto através de programas de edição de áudio.


Ao se aproximar ao máximo da câmera, e dar o jumpscare (eu realmente me assustei no primeiro, apesar se odiar esse recurso), ele da o Beijo de Borboleta, e seus olhos são fundos e vazios, sendo na verdade o próprio túnel do trem onde ele foi invocado. Logo, o Túnel é o olho do Homem Piscadela e quem o invocou, estava na verdade dando um beijo de borboleta por 1 hora... bizarro né.


Ninguém pra quem o cara que ta fazendo o documentário acredita no que ele ta dizendo, todos acusam ele de estar jogando edições baratas pra eles, e duvidam da lenda, e também das fitas que ele jura ter achado. Isso acaba levando ele pra depressão, e arruína a vida dele, sua esposa o deixa, é uma merd4 atrás da outra, ao ponto dele decidir provar com seu próprio corpo que a criatura existe.


É ai que ele passa a usar a técnica da câmera, pra invocar o Homem Piscadela, e em seguida ele vira a vítima. Ele morre, no banheiro de um motel, e prova que a criatura existe, afinal ele filma tudo. Mas claro, as filmagens são confiscadas pela polícia para perícia e nunca as assistimos. Tudo que nos sobra são as fotos dele morto.


A moça que filmou tudo arranca as próprias pálpebras para sobreviver, e consegue vencer a maldição, mas é obrigada a encarar o Homem Piscadela pelo resto da sua vida, afinal, ele só some quando você pisca, e se aproxima mais dos seus olhos. 


Quem consegue essa prova dela é o próprio cineasta que morreu, pois passou meses investigando seu paradeiro até encontrar o manicômio onde ela se internou.


Bem, por fim, é isso.

Nenhum animal foi ferido nas filmagens.

Obrigado pela leitura... e que saco mano, era só não por créditos nessa bost4... como eu odeio isso viu!

Se duvida que isso prejudique a experiência, assista o filme, e constate com seus próprios olhos... só que... pisque ta.


A câmera não mente... uma ova.



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