Suicide Room

Bem, uma amiga me pediu pra assistir esse filme... e eu gostei?

O que posso dizer é que estou me sentindo triste, e ao mesmo tempo esclarecido. Este é um filme de drama, mas não é nada piegas. É até que bem realista, usando do surrealismo como fonte de inspiração (isso que é contraditório!)


Eu não sou crítico, mas vou compartilhar o que achei dessa obra, afinal, foi um pedido.

E desde já agradeço srta Lockhart... 

Tem spoilers, e recomendo que assista o filme.



Essa é uma obra polonesa, disponibilizada inclusive gratuitamente no YouTube (daquele jeito saca). Minha amiga fez questão de me dar o link... Porém, eu não acho que deva linkar aqui.

Minha amiga também fez questão de pesquisar cada uma das fotos pra essa postagem. Ela apagou as originais, mas me dei ao trabalho de procurar cada uma delas, ao invés de eu mesmo tirar. Eu tinha visualizado essas fotos, e minha memória é uma droga, porém, veja o quanto to me esforçando por isso!

A história gira em torno de um romance improvável, numa sala de bate papo virtual... mas o tema principal é "Vida".

Antes de descrever o filme em suas melhores partes, falarei dos personagens.

Moleque Mimado


O protagonista da obra é um jovem adulto quase formado, que inicialmente nem é problemático. Ele tem pinta emocore, franja caída nos olhos, algo que se destaca muito na multidão (praticamente ninguém na escola é como ele), porém, em vários momentos ele aparece interagindo, hora sofrendo bullying, hora se misturando. Sua vida escolar parecia comum.

Tanto que, por exemplo, logo no inicio do filme ele parece ter uma rixa pessoal com um dos personagens, que chega a tacar um skate nele gratuitamente (ele mostra o dedo antes então provocou), mesmo personagem que aparece em vários momentos meio que, stalkeando o garoto, com seu grupo de bulyneiros... porém tudo vai além disso.

O jovem não demonstra, mas tem dúvidas sobre sua sexualidade, algo que é testado em uma festa e, ele acaba se descobrindo.

Contarei mais sobre ele depois.

Mãe Traíra

A mãe dele é super-protetora e tem um grande amor pelo garoto, apesar de se importar bem mais com seu trabalho. Praticamente tudo que o garoto recebe é terceirizado, tanto o carinho materno, quanto o suporte paterno, tudo vem de outras pessoas, contratadas pela família. Chega a ser trágico.

A baba, que se importa tanto com o jovem ao ponto de desafiar os patrões e chamar a polícia pra tira-lo do quarto, é um exemplo do quanto a mãe se importa com seu filho. Ela é demitida, e provavelmente deportada.

Pelo menos ela nunca perde sua opera. Isso faz alusão aos modelos conservadoristas de algumas famílias de alta classe (algo inclusive repetido em todas as classes, não especificamente nessa). É algo tão estampado, e tratado naturalmente, que chega a ser incômodo, mas logo se vê a razão do comportamento deturpado do garoto.

Mesmo com uma família "perfeita", a mãe faz questão de trair o marido quando tem uma chance, para afogar as mágoas de seus problemas atuais, com seu filho.

Pai Traíra

O pai dele é bem educado, e transfere essa educação pro filho, além de ama-lo muito e respeita-lo... isso desde que não afete sua imagem profissional.

O tempo inteiro ele só se importa com suas promoções, com a imagem social de seu filho perante seu chefe, com as notas de seu filho como um grande troféu acadêmico para ser apresentado aos amigos, ele usa seu filho quase como um objeto.

Porém ele o ama, claro... demonstra isso demitindo e processando um motorista que, por estar seguindo o cronograma do próprio chefe, não fez uma viagem adiantada aos pedidos do jovem mimadão, que teve de andar de ônibus, e foi surrado pelos neandertais da ralé, os quais simplesmente não quiseram desligar uma música que ele não curtia (eles também estavam errados mas cara, que idiotice).

A única decisão decente, e lógica, foi cortar o fio da internet e usa-la como cinta pra disciplinar sua criança de 18 anos, e isso não foi o certo, o certo foi a consequência, onde assim, o filho se desligou um pouco das redes sociais e se obrigou a se reconectar com seus pais, o que serviu como um último encontro bem emocional.


Só pra constar, ele também trai a esposa quando necessário, mas ambos são felizes um com o outro.

Crush da Escola


Pois é, após descobrir sua opção sexual, o garoto gostou de outro garoto, e foi correspondido. Isso até que a brincadeira saiu do controle e, sem querer, ele se expôs de mais.

Esse outro garoto, por sua vez, era o mesmo valentão bulyneiro. Parece até que ele provocava por "curtir" além do normal, e ele ficou bem feliz quando viu que estava certo. Entretanto, ele acaba se envolvendo com outras pessoas, ao que parece, e se afasta do jovem rapaz mimado.

O rapaz mimado até pegou a arma do pai e passeou pela escola quase causando um massacre, algo induzido por uma amiga que ele fez na internet, porém... no fim, esse rush deu sorte e o envergonhou. Ele curtiu a experiência macabra porém, não chegou a fazer nada.

Meninada

Todas as meninas do filme curtem o protagonista. Ele é bem gatinho, e atrai geral, mesmo sendo recluso. 

Ele tem tanta sorte, ou não né... afinal ele não curte nenhuma delas.

Moça Psicótica


Por fim, a única que alcançou o coração dele. Ele sentiu por ela um amor platônico sem nem se dar conta, não se atraiu pelo corpo dela, mas pela alma dela, uma alma ferida como a dele.

Ela é tão linda.

Bem, é aqui que eu quero contar a história:

Pra resumir, esse filme fala sobre um jovem chamado Dominik, que é de família rica, mimado, porém tudo graças a sua educação familiar. Próximo ao fim do ensino médio, ele começa a se descobrir, e paralelo a isso, encontra o Suicide Room.



É um tipo de Chat de Bate-Papo online, com o formato de um jogo. Tecnicamente é um jogo de interação social, em que você cria um avatar e fala com as pessoas, tipo o VR-chat. O nome desse jogo porém, já mostra sua tendência, seu objetivo: Suicídio coletivo.

Os membros da sala convencem uns aos outros e apoiam, com o objetivo de darem conforto total uns aos outros até seus últimos dias, induzidos. Nessa sala inclusive compartilham seus atos de auto-mutilação, e combinam a forma como irão se matar.

Mas, nosso herói entra nessa sala com o objetivo de salvar alguém que ele conhece ali mesmo, a Rainha (na verdade ela o convidou após ele tentar falar com ela, que publicou um vídeo de mutilação própria no youtube) pelo menos foi assim que eu preferi compreender. Basicamente, ele é acolhido por ela, via o jogo e conversas por vídeo, e pouco a pouco tem sua mente alterada, é convencido que o método dela de viver é o ideal, seguindo os conselhos dela, confiando nela, cegamente.


Antes disso, ele descobre ter atração sexual por homens, na escola, é ridicularizado por um evento e isso o faz querer se isolar, suportado pelos conselhos de Sylwia, a rainha.

Porém, ao mesmo tempo que ele tenta convencê-la de não se matar, ela o convence de se matar, pouco a pouco, primeiro por isolamento, depois auto-sofrimento, e por fim, por suicídio. Curiosamente, os papeis se invertem em certa parte do filme, e o jovem, após se apaixonar por Sylwia, decide deixar o mundo a la Shakespeare, acompanhando-a por puro amor.


É curioso, que ele mesmo descobrindo que era gay, e rejeitando mulheres abertamente, se apaixonou por uma garota. Ele nem se apaixonou pelo corpo dela, mas pela mente dela, e esse era tipo de paixão mais puro.

Ocorreu o mesmo com ela, porém, ela nem teve chance de conhecê-lo fisicamente. Eles sabiam como o outro era, conversavam por vídeo, até já fantasiaram uma união sexual, através do jogo (quem nunca!?) porém, no fim, ela recebe a mensagem que Dominik se matou, usando o método que ela planejou pra si mesma (overdose).


Triste, impactante, cruel... podemos acompanhar brevemente o luto da moça, e o terror dos amigos da sala (que deslogam antes mesmo da mãe dele terminar de dar a notícia, pelo avatar dele). Depois de 3 anos isolada, ela sai e chora.

Mais impactante ainda é ver não apenas a versão do garoto, e como ele sonhou em encontrar sua amada pouco antes de sucumbir às drogas, como também a versão real, por vídeos gravados de um celular, em que algumas pessoas filmaram ele tentando vomitar as doses que tomou, suplicando por sua vida, implorando por sua mãe.

No final das contas, apenas houve sofrimento. Aquela que desejava a morte acima de tudo, e manipulava os outros para lhe dar coragem pra isso, experimentou o amor, o desejo de viver, e sofreu de mais por isso.


Suicídio nunca é a resposta... é feio, nojento, repulsivo, covarde.

Em uma passagem do filme mesmo, o jovem Dominik diz para uma psicóloga, a qual ele é forçado a manipular para prescrever remédios pra ele doar à sua rainha, que repudia o suicídio, que é pura covardia. Que quem se mata desiste do maior presente que poderia ter, que ser corajoso é enfrentar as dores da vida, e continuar de pé, e não apenas desistir.

É uma mensagem forte, clara, e é interessante ver que Dominik chora e sorri, em pânico (linda atuação), pois precisava convencer a psicóloga a fazer algo que ele não queria, usando frases reais dele, ciente que isso levaria a já decidida Sylwia à morte.

Mas, isso afeta ela, e é possível ver isso estampado em seu rosto mascarado (com uma fita, para protegê-la do mundo, nas palavras dela) enquanto ela assiste e monitora o processo inteiro, de seu notebook.

Enfim, normalmente eu compartilho coisas da minha vida ao comentar filmes assim, afinal, todo drama se assemelha. Porém, suicídio é um tema que deixa meio desconcertante.

Custei pra começar a entender o quão sério era isso, e a dar valor verdadeiro pra minha própria vida. Eu não existo apenas por mim, mas por todos aqueles que eu amo, e me amam. 

Viverei o quanto for possível, sem atentar contra, pois quero que os demais desfrutem do que admiram em mim.

O triste é que, a vida é um saco as vezes. Ela machuca, e abre suas feridas a todo tempo. Eu ainda me sinto muito mal por tudo que já passei de ruim, as vezes isso até chega a ofuscar as coisas boas que possuo atualmente... porém... estou vivo! 

Houve um tempo que eu usava a frase "Nada é tão ruim que não possa piorar" como um método de conforto. Pois é, esperando sempre o pior, eu já viva péssimo. Hoje uso essa mesma frase como motivação, pois ela significa que de nada adianta viver mal, pois sempre será tudo pior, então, é melhor buscar o melhor, assim o pior será menos pior! Deu pra entender?

Bem, a pessoa a quem este post é direcionado simplesmente não lerá ele, por opção.

Então, vou aproveitar ele pra desabafar:

Afffffffffffff!

Pronto.

Obrigado por sua leitura...

E sim, eu amei esse filme... apesar de ter me sentido mal por causa dele.

Assista:


See yah.

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4 Comentários

  1. E não é que ele falou mesmo do filme? Uau...
    Hahaha e olha que eu já tinha te indicado este antes, viu? Lá pelo facebook e acho que até por aqui, também! É um filme que já vi muito e pretendo ver de novo em breve. A história, personagens, a música japonesa... Tudo é tão marcante e emblemático que até hoje penso com carinho e tristeza nele. Me faz pensar inclusive em como há pessoas com depressão, que eu mesmo já tive isso mas foi há vários anos e é quase como se não tivesse tido é nunca, e etc...

    É bom lembrar também que o Brasil não vai bem nisso, viu? Hoje é o país latino mais deprimido do mundo. E em outras estatísticas sobre temas semelhantes nosso país não vai bem, mas isso não é novidade. Todo dia eu posso ver como é...

    Não é fácil viver, o monólogo da Pearl bem fala como a vida é, te seca, te drena e etc... E o sofrimento é parte. Mas aí que tá, o sofrimento é parte da vida e não o contrário. Como muito bem lembrado na Bíblia todos estamos sujeitos ao sofrimento independente de você agir bem ou não. Vivemos num mundo caótico, que "jaz no maligno" e sendo assim todos vítimas e também responsáveis. É pelo amor, que é sofredor, que podemos achar uma saída, um objetivo... O amor é o maior, diz a palavra!

    E sim, não é a toa que meu game favorito de todos, The Cat Lady, usa os dois temas, depressão e suicídio, como o principal foco enquanto nos conta uma história sangrenta e sombria, mas que deixa espaço pra esperança. É bom lembrar também que pelo sofrimento você também pode ser uma pessoa melhor pois ao sofrer você também pode abrir os olhos para o sofrimento de outras pessoas e tentar ajudar. Como numa amizade onde duas solidões se juntam e formam uma companhia... Enfim, muito bom, senhor Shady!

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    1. Profundo sr Marcio.

      Aliás, curioso, tu encontrou um dos posts secretos do blog rs.

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  2. Obrigado,rsrs. Estou inclusive jogando o terceiro e último jogo da trilogia. Quando acabar, vou direto pro the cat lady!

    Secreto? Hmmm... Divulgantemorte e seus segredos! E olha que foi de boa pra achar, felizmente, hahaha. Amo este filme.

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    1. Há artigos que são mais difíceis de encontrar pois nem estão catalogados...

      Boa jogatina aliás! E eu que tenho que começar o joguinho da Peach mas to embromando rs.

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