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segunda-feira, 24 de setembro de 2018

O Filme Achado de Hoje: Buscando...

Fiquei em dúvida se assistia esse, pois achava que era um filme que fingia ser found, mas errava feio na tentativa.



Quem errou feio fui eu, e mais uma vez meu preconceito quase me fez perder uma obra de arte.

Tentarei não spoilar.

Boa leitura.



História




Com ajuda da tecnologia virtual, um pai acaba filmando os melhores e piores momentos de sua vida, incluindo o crescimento de sua filha, a morte de sua esposa, e por fim, o desaparecimento e toda a investigação que se seguiu por sua filha.

Atual?




YouTube, Google, Windows XP, MacOS, Facebook, FaceTime, e mais uma porrada de recursos e redes sociais, tudo isso compõe esse belíssimo filme.

Reviravolta




O filme surpreende a todo instante, com as provas e evidências que o pai encontra e tudo que ele passa pra tentar ajudar a polícia. Curioso que praticamente todas as etapas em investigações de desaparecimento e crime são abordadas, com bastante fidelidade, e o pai passar por todas elas, inclusive o luto.

Convincente?




Sem dúvida alguma, esse filme tem um realismo incondicional, e tudo que ele aponta é crível, inclusive o desfecho. Eu fiquei pasmo em vários momentos, e até chorei, torci pelo melhor, sofri com o protagonista, e me surpreendi também. O filme consegue nos fazer entrar na pele do pai, e pensar como ele pensa, tipo na hora em que ele suspeita do próprio irmão... cara, tudo fez sentido, e a resposta do momento surpreende igualmente.

Originalidade




Já se tornou uma nova vertente do sub-gênero "found footage", onde usar computadores com os registros atuais ficou bem comum, como em Unfriended, Unfriended - Dark Web e o e-DEMON, mas até o momento, o que se saiu melhor nesse gênero foi justamente, "Buscando...". É um filme de suspense, sem nada de terror, paranormal ou surreal, e é o mais próximo da realidade que pode ser, o que simplesmente torna ele perfeitamente enquadrado no estilo de filmagem. Tudo nele é possível, e realista, e ele tem tantas camadas diferentes... não é apenas sobre a esperança de um pai por descobrir o que houve com sua filha, o filme vai bem além.



Ele aborda o sentimento de culpa, onde o pai com toda certeza se condena por não ter atendido as ultimas três chamadas da filha;



Aborda indignação e alienação social, tando pelo lado do pai com relação aos demais ao julgarem sua posição, quanto pelas pessoas que tentam tirar proveito do momento pra se "promoverem" nas redes sociais (gente que diz nem conhecer a moça sumida em meio as investigações, mas começa a chorar em público pra conseguir likes quando ela é declarada "morta").



Aborda até conceitos conspiratórios, com o pai suspeitando de tudo e todos, e inclusive fazendo descobertas bem espantosas, como o que sua filha fazia em particular. Isso e muito mais...


Atuações




Todos atuaram tão bem. Tiveram reações reais, e nada soou falso, forçado, ou incomum.

Câmera




A explicação da filmagem e a origem dela é parcialmente convincente. A ideia é mostrar que o pai criou o hábito de registrar tudo pelo computador, pra justificar as filmagens da máquina, e tudo que é somado a ela pra criar o filme são câmeras de segurança, vídeos do YouTube, conversas gravadas de chats, Noticiários. 



Porém, existem momentos em que o pai migra de seu computador pessoal (compartilhado com a família) pro notebook da filha (o que muda o sistema operacional) e ao fazê-lo, a filmagem permanece. Seria preciso instalar algum programa via streaming ou placa de captura de imagem pra que isso fosse feito, ou instalar um programa de captura de vídeo no próprio notebook, o que não ocorre (é filmado ele logando). Além disso, no final, o notebook da filha quem registra os últimos momentos, também sem qualquer explicação lógica de como ou porque ela está gravando a tela do PC. 



Detalhe que, ignorando isso, ou apenas imaginando que o Facebook nos monitora e registra tudo o que fazemos, da pra desconsiderar essa "falha" e imergir no realismo.

Edição áudio e gráfica




O filme abusa disso, pois ele joga mais pro lado de Mockumentario do que pra Found Footage, então acaba sendo algo "permitido" e aceito. 



Coisas como close-up no que ta sendo feito pelo PC, acréscimo de músicas pra dar um certo drama, cortes de imagens e ilustração com base no que ta sendo narrado (como o que ocorre no fim, onde em meio ao depoimento de uma pessoa, cenas do que realmente aconteceu são postas em paralelo), são comuns e não prejudicam em nada a qualidade, pelo contrário, ajudam na experiência de assistir, sentimentalizar e compreender o que o filme quer mostrar.

Final



Não quero dar spoilers, o que posso dizer é que, ele honrou o gênero, terminou de forma plausível, convincente e ao mesmo tempo, satisfatória, e não abandonou o estilo de filmagem, nem mesmo em seus últimos segundos.

Esse filme compensa pra caramba.


E entrou pra minha lista de melhores founds.

Enfim, é isso.

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