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segunda-feira, 16 de julho de 2018

ReviewMorte: Tron - Uma Odisseia Eletrônica (1982)

Tron (1982)


Esse filme é incrível.

Tive de assisti-lo pois não conhecia sua história, e confio mais na minha própria interpretação. Curiosamente, a história de Tron me surpreendeu, apesar de ser meio antiga, ela tava muito a frente de sua época.

Tem spoilers ta.


Eu to tentando imaginar como as pessoas lidaram com esse filme naquele tempo. É um filme que fala de Realidade Virtual, de uma forma muito imaginativa mas igualmente realista. Confuso né? Eu vou explicar mas primeiro, quero contar a história, então segue o resumo:


Tudo começa com um computador planejando a dominação mundial, ao lado de seus programas.




Os programas que o servem, tem suas mentes limitadas às suas funções básicas, redefinidas por ele, e aqueles que não o servem, são forçados a participar de jogos mortais.


Esses jogos são, no mundo real, joguinhos de vídeo-game em fliperamas específicos, e os jogadores usam esses programas indiscriminadamente, para se divertirem, sem saber que la dentro do fliperama, eles são basicamente escravos do sistema, morrendo e sendo substituídos em prol do MCP (Master Control Program ou Programa de Controle Mestre).


Enquanto isso, um dono de fliperama que é também um programador, tenta hackear a empresa que desenvolve os programas, e responsável pelo MCP. Essa empresa, chamada ENCOM, cria programas de defesa mundial, jogos e tudo que seja relacionado a computação. 


Curiosamente, quando um programador cria um programa, sua representação no mundo virtual é exatamente como ele fisicamente aparenta. Basicamente, o programa tem o rosto de seu criador, apesar de ter personalidade própria. 


Mas, o programa desse cara acaba morrendo em sua tentativa de hackear, sendo capturado e posteriormente desintegrado pelo MCP. Isso ocorre pois os programas tem total confiança em seus programadores, e em hipótese alguma os traem, mesmo sem ter certeza da existência deles.


Pois é, os Programadores, ou Usuários, são tidos como deuses, e o MCP quer a todo custo fazer com que eles sejam ignorados. Logo, acreditar que Usuários sequer existem, é quase como ter uma religião, e o MCP abomina essa religião.


Mas, o próprio MCP mantém contato com o mundo real, através do dono da ENCOM, quem ele manipula completamente. E sim, o Computador manda no ser humano. 


Esse Usuário tem até seu próprio programa, que tem seu rosto, mas esse programa é um escravo do MCP, praticamente seu braço direito, semelhante ao Programador que também é seu escravo.


Continuando, no mundo real os funcionários da ENCOM acabam sofrendo um bloqueio de acesso, por causa da tentativa de hack, e um deles vai tirar satisfações com o chefe.


O chefe obviamente não conta os motivos reais de seu bloqueio, mas deixa claro que enquanto não descobrir quem é o verdadeiro hacker, os Usuários estariam sem acesso aos seus programas.


Esse funcionário queria ativar seu programa novo, Tron, que era para segurança e manutenção do sistema, mas sem autorização ele se vê forçado a contribuir para tentar descobrir quem é o hacker.


Então ele se junta com sua namorada, também funcionária, e uma cientista que estava trabalhando no desenvolvimento de um dispositivo de teletransporte. Na verdade, era um aparelho capaz de desintegrar coisas físicas e reconstruí-las em outros locais, com o propósito de vender e facilitar viagens.


Detalhe que essa parte é engraçada pra caramba, pois a animação dos cientistas ao ver que tamanha inovação funciona é tão empolgante quanto... vejamos... assistir uma tartaruga numa corrida contra uma lesma. Eles nem comemoram, apenas se abraçam com um sorriso de meia boca e pronto, como se fosse algo totalmente comum.


Bem, depois de conversarem, os namorados concordam que o hacker só podia ser o dono do fliperama, que era um antigo amigo e colega deles, que por alguma razão tinha sido demitido.


Ao ir até la, sem grandes cerimônias, o cara confessa, mas também explica que tava apenas tentando obter provas de que seu trabalho havia sido roubado. 


Ele havia criado o sistema que deu fama a ENCOM, o "Space Paranoids", que era basicamente uma internet de Vídeo-Games. 


Era um sistema de compartilhamento de vídeo-games, acessível através dos terminais (Fliperamas). Cada jogo era hospedado num servidor enorme, e a ENCOM faturou uma nota com essa criação, mas, quem recebeu todo o crédito foi o atual dono, sendo que ele era um qualquer.


Flyn, o dono do fliperama, queria desmascarar esse impostor, e pra isso precisava de informações que tinham sido escondidas pelo MCP. Curiosamente, o MCP usava essas provas para sua manipulação pelo dono da ENCOM, afinal tinha sido ele quem o tornou rico com essa fraude.


Os amigos dele então concordam em ajuda-lo, e eles invadem a empresa de noite, enquanto criador de Tron tenta ativa-lo, o Flyn fica responsável por hackear o sistema por dentro e ativar a autorização de acesso. Mas, nesse processo, MCP começa a conversar com Flyn.


Então, o MCP usa a máquina que a cientista criou para desintegrar Flyn no mundo real, e projeta-lo no mundo virtual.


Assim, Flyn é escravizado junto aos demais programas, e forçado a participar dos jogos.


É interessante ver que enquanto no mundo real, os jogos eram bem simples, como aquele "Ping-Pong", no mundo virtual era algo bem complexo, e perigoso. Flyn participa de um jogo desses e tem que usar uma raquete pra rebater a bola de energia até que o chão em que o oponente fica se desintegre e ele morra... bem hardcore.


Flyn então percebe que nesse mundo, as coisas eram bem mais complicadas que no mundo real, e apesar dele ser um programador genial, ele tinha de ter uma desenvoltura física maior para superar os desafios dos jogos que ele já dominava. Curiosamente, Tron aparece, bloqueado e preso nesses jogos, mas sendo o melhor de todos os jogadores.


Rapidamente, Flyn conhece e reconhece Tron como sendo o programa de seu amigo (afinal tinham os mesmos rostos) e cria um plano em cima da hora para fugirem. Em um jogo de Motos de Luzes, onde as motos deveriam correr umas com as outras, criando paredes de luz com seus rastros no intuito de ultrapassar, bloquear e destruir (pelo impacto) as motos inimigas (era basicamente um jogo de cobrinha no mundo real)...


Ele cria uma falha, abre um buraco no jogo e escapa com dois programas aliados.


Mas, na fuga, depois deles conseguirem despistar os programas do MCP e interagirem um pouco, eles são descobertos e apenas Tron consegue escapar.


Flyn e o programa que estava com ele são dados como mortos, mas Flyn descobre que pode manipular o sistema, por ser um Usuário, e consegue hackear um dos programas de segurança do MCP.


Ainda assim, seu aliado acaba morrendo e se desintegrando.


Enquanto isso, Tron invade a base do braço direito de MCP, e consegue resgatar um programa amigo, uma garota, que era o programa da namorada de seu criador (e também, sua namorada). Ambos escapam e tentam alcançar a base de comunicação com o exterior pra tentar fazer contato com seu criador.


Nesse meio tempo, Flyn também se infiltra, descobrindo que pode mudar de cor absorvendo informações de programas alheios, e usando isso pra se camuflar.


Tron então consegue acesso ao sistema, com ajuda de outro programa aliado, e consegue falar com seu Usuário, que inclui informações em seu Disco, para destruir o MCP.


Detalhe que tudo isso demora muito no mundo virtual, mas no mundo real são segundos.


Então com isso, eles criam uma linha direta de acesso ao núcleo do sistema para derrotar o MCP, mas após embarcarem na nave, os programas manipulados pelo MCP os alcançam. 


Curiosamente, Flyn estava infiltrado e acaba encontrando Tron, na base da sorte, e quase morre.


Mas ele retorna a sua cor original, e usa seus poderes de Programador para ajudar na fuga. Em uma parte, ele precisa desviar o trajeto da nave para escapar de disparos do MCP, e cara, ele gasta muito de sua energia com isso mas consegue.


Só que perto do destino, uma nave do grupo do MCP destrói a nave de Tron, e o trio se separa, com dessa vez Tron sendo dado como morto.


Flyn e o programa feminino são capturados e postos pra serem mortos com a nave do MCP, quando ela se desintegrasse, mas bem na hora H, Flyn consegue manter a parte em que ele e sua aliada estavam presos intacta, e consegue até mesmo rematerializar a garota.


Ele também da um beijo nela (ele tinha uma queda pela Usuária dela) e então, se joga na rede central do MCP, pra hackea-lo de dentro.


Nesse meio tempo, Tron estava vivo, e lutando contra o braço direito do MCP.


Ele tinha vencido, com seu Disco, mas o MCP tinha reconfigurado o programa servo e tornado ele num gigante, sedendo seus privilégios.


Tron estava com problemas pra acessar o núcleo do MCP, por causa de barreiras giratórias e do gigante em sua cola... mas ai uma parede se abre, graças a Flyn que estava dentro da rede.


Então, Tron consegue destruir o MCP.


O sistema é restaurado, com os dados que Tron insere.


A programa feminina beija Tron, o que é incomum mas ele curte (ela aprendeu com Flyn mas ele não precisava saber).


E Flyn é tido como um mártir, já que se sacrificou pelo bem do mundo virtual.


Porém, Flyn consegue retornar pro mundo real, depois de encontrar as informações que precisava pra desbancar o dono da ENCOM.


Então, Flyn se converte no verdadeiro dono da ENCOM, restaurando seu nome.


Fim.

Irado não?

Bem, o que tenho a dizer é que, é uma história muito louca sobre como a vida de um programador seria difícil dentro de seus programas.

Vendo a Realidade Virtual de uma forma muito literal, ela seria exatamente isso. Um mundo virtual onde tudo seria mais detalhado, real, palpável e bem mais dificultado. 


Ver como aqueles jogos de Atari realmente se pareceriam em sua versão real, é de impressionar.


Tron consegue mostrar isso, numa época em que era algo muito incomum. Quase ninguém tinha computador nos anos 80, e caramba, Tron trata tudo isso com uma naturalidade que as vezes chega a ser desconfortante. 


Hoje, até da pra compreender a linguagem técnica, mas poxa, naquela época deve ter sido uma coisa confusa pra caramba! 

Nem falo dos efeitos especiais pois, não envelheceram tão bem não, mas a ideia do filme sim.


Eu agora to imaginando como o mundo de Tron se pareceria nos dias atuais, já que a computação e programação evoluiu muito mais. Naquela época o que existia era o MSDOS, telona preta com códigos e letras, e no máximo blocos que a gente tinha que imaginar o que significavam. Hoje, os negócios estão bem mais desenvolvidos, com gráficos ultra-realistas e visual 4k. 


Existem continuações, mas não vem ao caso falar delas agora, afinal meu objetivo é outro... mas um dia quem sabe. Agora, Tron, o primeiro, com certeza é uma Obra Prima muito a frente de seu tempo.

Até la, see yah!

8 comentários:

  1. Eu quero ler mas, quero ver o filme antes.

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    1. Assista, compensa. O filme é meio parado em alguns pontos mas é criativo de mais.

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  2. pouco tempo eu assisti esse filme
    e ainda acho que ele é bem sem sentido

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    1. Pior que apesar dele parecer bem complexo, ele não é não. É a história de um hacker injustiçado hackeando uma empresa... só que ao invés de fazer isso de um teclado, ele faz isso dentro do mundo virtual. No máximo, a visão literal do que seriam os códigos e dados deixa tudo um pouco mais difícil de absorver.

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  3. Tem Tron: O Legado, que foi feito 30 anos depois... Tem um visual bacana.. e só.


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    1. Tron: O Legado, eu só conheço pela crítica que passava na Cartoon Network, através do programa da MAD. Eu acho que até já assisti, mas foi meio que apagado da minha mente... será tão ruim assim?!

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  4. P:S: Não sabia que esse filme era da Disney... que surpresa kkkkk

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    1. Pior que quando me toquei que era um filme Disney me impressionei, mas na obra que estou analisando era algo bem óbvio. Disney tem uns filmes loucos...

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