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sexta-feira, 20 de julho de 2018

O Filme Achado de Hoje: The Poughkeepsie Tapes

Certo, esse é bem barra pra se falar mas vamos la... 


Eis um mockumentary que consegue ser realista e convincente, um exemplo pro gênero. Chega a ser incômodo o quanto verídico ele soa.

The Poughkeepsie Tapes é um documentário sobre fitas encontradas de um serial killer... mas não é isso que o torna realista.

Tentarei não dar spoilers.

Boa leitura.



Na verdade o documentário é muito bem trabalhado para mostrar toda a história por trás das fitas, apresentando tanto a origem quanto as consequências. Os investigadores estudam as fitas, explicam e até mostram algumas cenas, revelando tudo pelo que passaram na tentativa de localizar e prender o responsável pela gravação.

O tenso é que é tudo realista de mais, tanto com as entrevistas, quanto com os fatos mostrados e também, as pouquíssimas imagens que eles "tiveram coragem" de mostrar. Tudo é com o intuito de apresentar o bizarro caso das fitas e do assassino por trás delas, mas é uma história tão longa e complexa que perturba.

As Fitas

Bem, centenas de fitas são encontradas e isso não é nenhum segredo desde o começo do filme, mas como elas foram descobertas é o grande mistério a ser revelado. Em resumo, o próprio assassino deixou e apontou onde as fitas estavam.


Poucas imagens são mostradas, e quando são mostradas são numa qualidade péssima. Muitos que assistiram dizem que é por causa disso que soam realistas, mas eu discordo. Pra mim, o que faz dessas imagens reais é a atuação das pessoas. 


As falhas parecem artificiais de mais e isso prejudica de certa forma, mas, seja por deterioração ou edição proposital do próprio assassino (as vezes ele curtia o lado vintage das filmagens), isso não consegue prejudicar a veracidade das situações...


As torturas, apesar de breves são terríveis. Da pra ver medo nos olhos das pessoas, e poxa, tem coisas que é até difícil de descrever em palavras... mas por exemplo, a voz do próprio assassino sussurrando para suas vítimas recém capturadas, isso é assustador. Ele realmente soa como alguém louco...

As Vítimas

Cada vítima é plausível. A facilidade com que o assassino os captura, só faz jus a sua perícia. E ainda assim, tudo soa verdadeiro de mais.


A cena da menina sendo abordada em seu próprio quintal. Não tem como ignorar, é a primeira, e mais terrível, além de ser a mais perturbadora. É algo tão possível, uma mera distração, que pode resultar numa tragédia. Ver isso retratado em vídeo, pelos olhos do assassino, é de dar frio na espinha.


O processo pelo qual a moça escravizada passa, desde sua captura até os resultados, é um caso ainda mais medonho que os assassinatos. O cara brinca com a psique da vítima, ao ponto de convertê-la em uma boneca pra ele, e filma tudo isso, pra que os outros vejam do que ele é capaz. 


Tem vários casos, vários... como da moça que é fundida ao namorado, ou a das muitas prostitutas torturadas, estupradas, mutiladas, estupradas outra vez, e cara... são tantos casos... O curioso desse filme é que ele mostra vários tipos de assassinatos diferentes, com Modos Operanti diferentes, através de um único serial killer.

Os Entrevistados

Desde os policiais até as famílias das vítimas, todos os relatos são convincentes. Todos falam coisas reais, não com base nos fatos reais mas, nas consequências.


O que vemos são pessoas descrevendo o quanto algo é nefasto, declarando o quanto isso os afeta, o quanto isso os ensina e o quanto isso os perturba. 


São relatos verdadeiros de sofrimento, de medo, de surpresa, de dúvida, de espanto.


As pessoas tentam entender a mente do assassino, e ao mesmo tempo lidar com o que ele causou. Isso é uma reação real que qualquer um teria naquela situação, e isso enriquece de mais esse documentário.


Nenhum dos entrevistados soa falso, nem mesmo o jovem empolgado que fala de serras e de como o assassino provavelmente se sentiria usando diferentes tipos de serras. É estranho ver um cara sorrindo ao falar de tamanha bizarrice, mas se nos colocarmos na pele do cara, era de fato empolgante tentar decifrar a mente de um vilão que, se passava propositalmente por amador as vezes, outras demonstrava precisão cirúrgica, mas que no fim era a mesma pessoa.


A mãe, que mesmo com a filha de volta não sorri. O treinador do FBI, que usa os próprios vídeos do assassino em suas aulas, com desprezo porém, ciente que é necessário. São tantas reações diferentes que apenas enriquecem a obra.

As Consequências

Se você assiste um filme de terror, geralmente espera por mortes e sustos, mas, aqui o documentário choca com algo além disso. Sim, há mortes, e sim, há "sustos", na verdade, momentos de desconfortantes que fazem o espectador esperar pelo pior.


Mas, o forte do filme está nos desfechos. Sejam as vítimas diretas, ou as indiretas, sejam as tramas que o assassino monta pra levar todos diretamente pra onde ele quer, como por exemplo, o policial. Ele consegue incriminar, condenar e punir com a morte, um policial inocente... é algo impossível de se acreditar, mas o filme consegue não apenas mostrar isso, mas provar que é algo possível, e que o assassino conseguiu.


Tem também a vítima que se apaixona por ele, e alias, que efeitos especiais viu...


Não há o menor escrúpulo em mostrar algumas das coisas que o assassino fez, mas o mais assustador é imaginar o que eles não puderam mostrar!


A Conclusão

Tudo termina, e o filme é publicado, não com o intuito de arrecadar dinheiro, mas para capturar o criminoso. É a justificativa pra divulgação, e é o desfecho que torna o documentário ainda mais realista.


O mais interessante de tudo, é a mensagem de que o cara pode estar em qualquer lugar... é onde o terror do filme se consagra. 


Enfim, por mais realista que esse mockumentario seja, ele ainda é um mockumentario. Um documentário falso.

As imagens são encenadas, são atores, é tudo mentira... mas a base dele são fatos reais, casos diferentes, inúmeros casos de assassinos reais, compilados em um único assassino fictício.

Mas eles levaram o trabalho ao realismo completo, inclusive nos créditos, onde não colocaram o nome dos atores nem dos envolvidos na produção do filme, mas sim do documentário, e fizeram agradecimentos aos que contribuíram e dedicatórias.

É um sacrifício digno para que o filme alcance o realismo, e é isso que torna este um dos melhores found footages já feitos.


Recomendo que assista... é assustador.

2 comentários:

  1. Eita, Sr. Morte! Assisti esse filme um tempo atrás e senti um incômodo muito grande. Principalmente pelo suspense em determinadas fitas, onde nem chega a acontecer nada demais, mas nossa mente fica naquela expectativa de presenciar algo chocante. E é justamente o conjunto que choca.

    Aquela cena final mesmo com a vítima que, supostamente desenvolveu Síndrome de Estocolmo. Nossa... E as garotinhas que vão vender doces e vão parar logo na cara do serial killer. Quanta tensão (e que dó delas!).

    Esse é um dos poucos found footages que prendem a gente e nos deixa tensos.

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    Respostas
    1. A primeira vez que assisti eu fiquei apavorado, e na época mal entendi o roteiro pois vi em inglês sem legendas. Porém sim, ele tem esse estilo, de te prender pelo suspense, sem ter nada de mais. Eu fico imaginando o que teria nas fitas que não puderam ser mostradas, sendo que as que puderam já eram tão tensas. Alias, aquelas partes da moça na Bola que Estoura definem perfeitamente o contexto do filme.

      Aquela cena, aqueles efeitos, aquele desfecho, tudo ali me causou até um certo pânico. Aquilo foi apavorante sr... e alias, a cena das meninas... eu não acreditei naquele final... eu esperei de tudo, fiquei tenso pacas e torci pra que nada fosse mostrado... e ai, de baixo da mesa... vish...

      Esse é um dos poucos que eu realmente acreditei... por um bom tempo.

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